Saúde

HUM registra 205 atendimentos por lesões autoprovocadas; 64% dos pacientes precisaram de internação

Levantamento do Hospital Universitário de Maringá mostra ainda que 84,9% dos casos chegaram como urgentes ou muito urgentes; mulheres representam 60% dos atendimentos

MARINGÁ — O Hospital Universitário de Maringá (HUM), da Universidade Estadual de Maringá (UEM), registrou 205 atendimentos relacionados a lesões autoprovocadas entre janeiro de 2023 e 3 de setembro de 2026. Além disso, os dados revelam um indicador de gravidade: 131 pacientes, ou 63,9% do total, precisaram de internação.

Responsável pelo levantamento, a Auditoria Médica do hospital reuniu os dados divulgados durante o Setembro Amarelo. Ao todo, os 205 pacientes chegaram ao Pronto Atendimento do HUM.

Outro indicador relevante aparece na classificação de risco. Nesse sentido, 84,9% dos casos receberam classificação de urgentes ou muito urgentes. Os dados oficiais completos estão disponíveis em publicação da Universidade Estadual de Maringá sobre os atendimentos por lesões autoprovocadas no HUM.

Com isso, os números ajudam a dimensionar a demanda relacionada à saúde mental que chega ao hospital. Ao mesmo tempo, exigem cuidado na interpretação, já que uma lesão autoprovocada não corresponde automaticamente a uma tentativa de suicídio.

Lesões autoprovocadas no HUM cresceram entre 2023 e 2024

Em 2023, o HUM contabilizou 36 atendimentos relacionados a lesões autoprovocadas.

No ano seguinte, entretanto, o número subiu para 78 casos. Portanto, o crescimento chegou a aproximadamente 117% entre 2023 e 2024.

Já em 2025, o hospital registrou 64 atendimentos. Assim, houve redução de cerca de 18% na comparação com o ano anterior.

Por sua vez, 2026 soma 27 casos até 3 de setembro.

Como o ano ainda está em andamento, porém, não é adequado comparar diretamente esse número com os totais fechados dos anos anteriores.

Considerando todo o intervalo analisado, o HUM registrou média aproximada de 4,6 atendimentos por mês.

Mulheres representam 60% dos atendimentos

Outro dado chama atenção no perfil das lesões autoprovocadas no HUM.

Dos 205 atendimentos, 123 envolveram mulheres, o equivalente a 60% do total. Em contrapartida, os homens aparecem em 82 registros, ou 40%.

Além dessa diferença, a idade média dos pacientes ficou em 31,3 anos.

Segundo o levantamento, 71,2% dos atendimentos envolveram pessoas entre 10 e 39 anos. Nesse grupo, a maior concentração ocorreu na faixa dos 30 aos 39 anos, com 112 registros, ou 54,9% do total.

Quanto ao horário, 58,5% dos pacientes chegaram durante a noite. Dessa forma, o dado também ajuda a traçar o perfil da demanda atendida pelo hospital.

Quase 85% das lesões autoprovocadas no HUM exigiram atendimento urgente

Os dados também revelam a intensidade assistencial dos casos.

Na classificação de risco, o HUM considerou 84,9% dos atendimentos urgentes ou muito urgentes.

Além disso, 131 dos 205 pacientes precisaram de internação, correspondendo a 63,9% do total.

Assim, quase dois em cada três atendimentos terminaram em internação hospitalar.

Na prática, esse resultado mostra que as lesões autoprovocadas no HUM não representam apenas um indicador estatístico. Pelo contrário, elas também geram demanda importante por atendimento de urgência e acompanhamento após a fase crítica.

Auto-intoxicação aparece na maioria dos registros

Entre os motivos de entrada, o HUM registrou 162 atendimentos relacionados a auto-intoxicação por medicamentos ou outras substâncias, o equivalente a 79% do total.

Já os outros 43 casos se distribuíram entre diferentes tipos de lesões autoprovocadas.

Diante desse cenário, a equipe do hospital reforça a importância da prevenção, da identificação precoce do sofrimento emocional e do acompanhamento após situações de crise.

Lesão autoprovocada não significa automaticamente tentativa de suicídio

A interpretação dos números exige uma distinção importante.

Segundo a UEM, nem todo atendimento relacionado a lesão autoprovocada configura imediatamente uma tentativa de suicídio. Antes dessa classificação, a equipe de saúde precisa avaliar cada situação e acompanhar a evolução do caso.

Por esse motivo, não seria correto apresentar os 205 registros como “205 tentativas de suicídio”.

Além de evitar imprecisão, essa diferenciação impede uma leitura simplificada de um problema que envolve fatores de saúde, condições sociais, relações familiares e sofrimento psíquico.

Estudo identificou 7,9 mil notificações na Região Metropolitana

Os dados atuais do HUM também podem ser analisados ao lado de um estudo regional publicado em 2025.

A pesquisa examinou informações do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) referentes a 26 municípios da Região Metropolitana de Maringá entre 2012 e 2022.

Nesse período, os pesquisadores identificaram 7.898 notificações de lesões autoprovocadas.

Além disso, 55,93% dos registros analisados correspondiam a Maringá. Paralelamente, o estudo apontou predominância de mulheres e maior presença de adultos jovens entre as notificações.

O artigo completo pode ser consultado na Research, Society and Development.

Entretanto, esse percentual não permite concluir que Maringá apresenta, necessariamente, maior risco individual. Afinal, o levantamento trabalha com números absolutos, enquanto o município concentra parcela importante da população regional.

Perfil atual repete parte do padrão observado anteriormente

Embora os levantamentos tenham metodologias e períodos diferentes, eles apresentam alguns pontos em comum.

No estudo regional, mulheres e adultos jovens tiveram forte participação nas notificações. Agora, por sua vez, os dados do HUM mostram novamente maior participação feminina e concentração dos atendimentos em pessoas mais jovens.

Ainda assim, os dois bancos não devem ser comparados de forma direta.

Enquanto o estudo regional utiliza notificações do Sinan em 26 municípios, o levantamento atual considera somente os atendimentos realizados no Pronto Atendimento do Hospital Universitário.

Mesmo com essa diferença metodológica, portanto, os dados ajudam a construir um panorama mais amplo sobre saúde mental em Maringá e região.

Além disso, o Maringá PR Notícias acompanha outro levantamento relacionado ao tema: a UEM participa de uma pesquisa nacional que vai mapear a saúde mental nas universidades.

Cenário nacional exige a mesma distinção

O cenário brasileiro também mostra diferenças importantes entre notificações e mortalidade.

De um lado, dados nacionais apontam predominância feminina nas notificações de lesões autoprovocadas. Por outro, quando o indicador analisado passa a ser mortalidade por suicídio, os homens aparecem com taxas significativamente maiores em grande parte das faixas etárias.

Por isso, notificações de lesões autoprovocadas e mortes por suicídio representam indicadores diferentes.

Além do acompanhamento das notificações, o Ministério da Saúde reúne dados nacionais por meio do Sistema de Informações sobre Mortalidade e de outras bases epidemiológicas.

Saúde mental exige atenção durante todo o ano

A psicóloga residente do HUM Gésly Morais destacou que os dados reforçam a necessidade de abordar saúde mental durante todo o ano, e não apenas no Setembro Amarelo. Segundo ela, reconhecer sinais de sofrimento antes de uma situação de crise pode favorecer o acolhimento e o encaminhamento adequado.

Nesse contexto, mudanças importantes de comportamento, isolamento social, alterações intensas no sono ou no apetite e perda de interesse por atividades habituais podem indicar necessidade de atenção profissional.

Ao mesmo tempo, a equipe do HUM ressalta que não existe um único sinal capaz de definir todos os casos.

Em Maringá, por exemplo, outras iniciativas também trabalham com acompanhamento psicológico. O Maringá PR Notícias mostrou recentemente que o município ampliou o apoio psicológico para mulheres em situação de violência.

Onde buscar ajuda

A UEM mantém serviços voltados à comunidade acadêmica.

Entre eles, o Ambulatório de Residência em Psiquiatria oferece atendimento gratuito e funciona no Bloco 006 da universidade. O telefone divulgado pela UEM é (44) 3011-5874.

Além desse serviço, o Bem Estar UEM oferece caminhos para atendimento psicológico e encaminhamento para a rede do SUS. O contato informado é (44) 3011-4038.

Em situações de emergência, por sua vez, o Samu pode ser acionado pelo telefone 192.

Já o Centro de Valorização da Vida (CVV) mantém atendimento gratuito, sigiloso e disponível 24 horas pelo 188. Além disso, mais informações estão disponíveis no site oficial do CVV.

Diante de sofrimento emocional intenso, buscar ajuda pode permitir avaliação profissional, acolhimento e encaminhamento para o serviço adequado.


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Redação Maringá PR Notícias

Fontes

Universidade Estadual de Maringá (UEM) / Hospital Universitário de Maringá (HUM)levantamento oficial da Auditoria Médica sobre os 205 atendimentos por lesões autoprovocadas.

Research, Society and Development, volume 14, nº 1 (2025)Perfil epidemiológico das notificações de tentativa de suicídio na Região Metropolitana de Maringá entre 2012 e 2022.

Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) — base utilizada pelo estudo regional para análise das notificações.

Ministério da Saúde / Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) — dados nacionais usados na contextualização da mortalidade por lesões autoprovocadas.

Centro de Valorização da Vida (CVV)informações oficiais sobre atendimento gratuito pelo telefone 188.

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