Cidadania e Serviços Públicos

Maringá amplia apoio psicológico a mulheres em situação de violência; entenda como funciona

Nova parceria amplia a continuidade do acompanhamento psicológico após atendimento especializado no Cram; serviço registrou 650 atendimentos no primeiro semestre de 2026.

MARINGÁ — O enfrentamento à violência contra a mulher ganhou um novo reforço em Maringá. Mulheres atendidas pelo Centro de Referência de Atendimento à Mulher (Cram) poderão continuar o acompanhamento psicológico mesmo depois da conclusão do atendimento especializado realizado pelo serviço municipal.

A ampliação ocorre por meio de uma parceria entre a Prefeitura de Maringá, através da Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres (Semulher), e o Centro Universitário Cidade Verde (Unicive).

Com isso, acadêmicos do curso de Psicologia e a clínica-escola da instituição participarão de atividades de apoio e acompanhamento, sempre sob supervisão.

A iniciativa busca evitar uma interrupção no cuidado justamente em uma fase importante: a reconstrução da vida após situações de violência.

📌 Resumo do que você vai encontrar

  • o que muda no atendimento às mulheres;
  • como funcionará a continuidade do acompanhamento psicológico;
  • qual é o papel do Cram;
  • quem participa da nova parceria;
  • números da violência contra a mulher em Maringá;
  • por que a violência psicológica merece atenção;
  • como funciona a rede de acolhimento.

O que muda no atendimento às mulheres?

A principal mudança está na continuidade do cuidado psicológico.

Atualmente, o Cram realiza o atendimento especializado, com acolhimento, escuta qualificada, atendimento psicossocial e encaminhamentos de acordo com cada situação.

Agora, a parceria cria uma possibilidade adicional de acompanhamento depois que essa etapa especializada termina.

Dessa forma, mulheres que ainda precisem de suporte psicológico poderão continuar o processo por meio da estrutura prevista no convênio.

A medida busca fortalecer a recuperação emocional e contribuir para que as mulheres reconstruam a autonomia depois de romper o ciclo de violência.

Como funcionará a nova parceria?

O convênio envolve a Prefeitura, por meio da Semulher, e a Unicive.

Na prática, acadêmicos do curso de Psicologia e a clínica-escola da instituição participarão das atividades de apoio e acompanhamento. Além disso, haverá supervisão durante a participação dos estudantes.

A parceria, portanto, tem dois objetivos complementares.

De um lado, amplia a rede disponível às mulheres. De outro, aproxima a formação acadêmica dos futuros profissionais da realidade do atendimento e do enfrentamento à violência.

📊 Cram registrou 650 atendimentos no primeiro semestre

Os números mostram a dimensão da demanda.

No primeiro semestre de 2026, 241 mulheres passaram pelo Cram de Maringá.

Considerando também os retornos, o serviço realizou 650 atendimentos durante o período.

Além disso, a maior parte das mulheres atendidas tinha entre 30 e 40 anos.

Outro dado chama atenção: entre as situações registradas, a violência psicológica aparece como a ocorrência mais frequente.

IndicadorPrimeiro semestre de 2026
Mulheres atendidas241
Total de atendimentos, incluindo retornos650
Faixa etária predominante30 a 40 anos
Ocorrência mais frequenteViolência psicológica

Os dados reforçam que o enfrentamento à violência contra a mulher não envolve apenas agressões físicas. Muitas situações também atingem a saúde emocional, a autonomia e as relações sociais da vítima.

O que é o Cram de Maringá?

O Centro de Referência de Atendimento à Mulher (Cram) integra a estrutura da Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres.

O serviço acolhe mulheres em situação de violência e oferece atendimento especializado.

Entre as ações estão a escuta qualificada, o atendimento psicossocial e os encaminhamentos necessários conforme cada caso.

Portanto, o atendimento não se limita a uma única medida. A equipe analisa as necessidades apresentadas e trabalha dentro da rede de proteção.

Por que o acompanhamento psicológico pode precisar continuar?

Romper uma situação de violência pode representar apenas uma das etapas do processo.

Depois disso, muitas mulheres ainda enfrentam consequências emocionais, familiares, sociais e econômicas.

Por esse motivo, o acompanhamento psicológico prolongado pode contribuir para a recuperação da autonomia e para a reconstrução da vida.

A própria Semulher destaca que, em determinadas situações, o processo de acolhimento e fortalecimento precisa continuar mesmo depois do encerramento do atendimento especializado no Cram.

É justamente nesse ponto que a nova parceria pretende atuar.

⚠️ Violência contra a mulher não é apenas agressão física

Um dos dados divulgados pelo município merece atenção especial: a violência psicológica é a ocorrência mais frequente entre as mulheres atendidas pelo Cram.

Por isso, reconhecer outras formas de violência é fundamental.

A Lei Maria da Penha estabelece diferentes formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre elas:

  • violência física;
  • violência psicológica;
  • violência sexual;
  • violência patrimonial;
  • violência moral.

Consequentemente, uma mulher não precisa esperar uma agressão física para procurar orientação e apoio.

Humilhações, ameaças, intimidação, isolamento, controle e outras formas de violência psicológica também precisam ser levadas a sério.

💡 Dica do Editor

Violência psicológica também é violência.

Situações de controle, ameaça, humilhação e isolamento podem fazer parte de um ciclo de violência.

Por isso, procurar orientação logo nos primeiros sinais pode ajudar a mulher a compreender a situação e conhecer os serviços disponíveis na rede de proteção.

Nova iniciativa integra o Agosto Lilás

A assinatura da parceria também faz parte das ações do Agosto Lilás, período dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra as mulheres.

Além disso, a iniciativa está alinhada à Lei Federal nº 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha.

A legislação estabelece mecanismos de prevenção e enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher e prevê a articulação dos serviços que compõem a rede de atendimento.

Assim, além de ampliar o suporte psicológico, a iniciativa reforça a importância de integrar diferentes instituições na proteção às mulheres.

Como a continuidade do atendimento pode ajudar?

A ampliação do acompanhamento pode ser especialmente importante depois que a mulher consegue sair de uma situação de violência.

Nesse período, ela pode precisar reconstruir vínculos, recuperar a autoestima, reorganizar a rotina e retomar a autonomia.

Além disso, os impactos podem atingir também filhos e outros familiares.

Por isso, a continuidade do cuidado psicológico pode funcionar como parte de um processo mais amplo de reconstrução.

🔎 Por que esta pauta importa?

Os 650 atendimentos realizados pelo Cram apenas no primeiro semestre de 2026 mostram que existe uma demanda concreta por acolhimento e acompanhamento em Maringá.

Ao mesmo tempo, o fato de a violência psicológica liderar as ocorrências reforça outro desafio: ampliar a informação para que mais mulheres consigam identificar situações de violência antes que o ciclo se agrave.

Nesse contexto, ampliar a continuidade do atendimento psicológico representa mais uma ferramenta dentro da rede de proteção.

Fonte

Esta reportagem foi elaborada a partir de informações oficiais divulgadas pela Prefeitura de Maringá, por meio da Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres (Semulher).

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