Projeto passou em segunda discussão nesta terça-feira e prevê manejo ambiental, fiscalização, mapeamento de áreas de risco e canais para solicitar vistorias; texto, porém, não estabelece metas numéricas de atendimento
MARINGÁ — A Câmara Municipal de Maringá aprovou nesta terça-feira (29), em segunda discussão, o projeto que estabelece diretrizes para uma Campanha Permanente de Combate e Prevenção ao Escorpionismo no município. A votação ocorre em um ano no qual a cidade já soma 549 registros de acidentes com escorpiões até 12 de setembro, segundo dados encaminhados pela Secretaria Municipal de Saúde ao Maringá PR Notícias.
O Projeto de Lei nº 17.369/2025, de autoria do vereador Diogo Altamir, estabelece ações educativas, preventivas, ambientais e de vigilância em saúde.
Além disso, o texto prevê medidas relacionadas à limpeza de áreas de risco, fiscalização de terrenos, mapeamento epidemiológico e facilitação dos pedidos de vistoria.
A Câmara confirmou a aprovação em segunda discussão na sessão desta terça-feira.
Entretanto, o projeto ainda aparece como matéria em tramitação no sistema legislativo. Portanto, a reportagem não antecipa eventual sanção ou entrada em vigor até que essas etapas apareçam formalmente concluídas.
Projeto prevê atuação também em terrenos e áreas de maior incidência
A proposta não se limita à divulgação de informações sobre picadas.
O texto estabelece como diretriz o manejo ambiental para eliminar abrigos, entulhos e possíveis criadouros em áreas públicas e privadas.
Além disso, prevê estímulo à fiscalização e à limpeza de terrenos baldios, imóveis abandonados e depósitos de materiais.
Outro ponto permite articular cronogramas de limpeza urbana e coleta de resíduos volumosos em áreas com maior incidência epidemiológica.
Assim, os dados sobre onde os acidentes e avistamentos se concentram podem assumir importância prática na execução da futura campanha.
O projeto também prevê capacitação de agentes públicos e ações de prevenção em residências, escolas e ambientes de trabalho.
Morador poderá ter canal para pedir vistoria
Outro trecho do projeto trata diretamente do contato entre a população e o Município.
Segundo o texto aprovado, a campanha poderá otimizar ferramentas digitais e canais de atendimento para permitir a comunicação rápida de avistamentos de escorpiões e a solicitação de vistorias.
Além disso, a proposta prevê materiais informativos sobre as unidades de saúde de referência para atendimento e soroterapia.
Também poderão ocorrer palestras, oficinas, seminários e campanhas nos canais oficiais e veículos comunitários.
Por outro lado, o projeto não estabelece no próprio texto qual será o prazo máximo de resposta a uma solicitação de vistoria.
Esse dado é um dos pontos que o Maringá PR Notícias já busca esclarecer junto à Prefeitura.
Projeto permite mapa de áreas de risco, mas não torna indicador obrigatório
O artigo 5º traz um dos pontos mais relevantes para o acompanhamento futuro da política pública.
O texto afirma que o Poder Executivo “poderá manter indicadores de monitoramento atualizados” para mapear áreas de risco e garantir transparência aos dados epidemiológicos.
A escolha da palavra “poderá” é importante.
Isso significa que o projeto autoriza essa ferramenta, mas o texto aprovado não estabelece uma obrigação expressa de criar ou publicar periodicamente um painel georreferenciado.
Além disso, a proposta não define periodicidade de atualização, formato de divulgação ou conjunto mínimo de indicadores.
Portanto, caso a medida se torne lei, será necessário acompanhar como o Executivo regulamentará ou aplicará essa previsão.
Maringá tem 549 registros em 2026
A aprovação ocorre uma semana depois de o Maringá PR Notícias revelar dados encaminhados pela própria Secretaria Municipal de Saúde.
A base municipal registra 549 acidentes com escorpiões em 2026 até 12 de setembro.
A reportagem encontrou 70 registros com Jardim Alvorada informado como bairro de residência, o maior número identificado no material.
Leia a investigação completa: Escorpiões em Maringá: cidade soma 549 registros em 2026; Jardim Alvorada aparece em 70.
Entretanto, há uma ressalva metodológica importante.
O campo analisado informa o bairro de residência da pessoa. Por isso, os 70 registros não permitem afirmar que todas as picadas ocorreram dentro do Jardim Alvorada.
Ainda assim, a própria Secretaria de Saúde incluiu o bairro entre as áreas que considera de maior vulnerabilidade.
Vila Santa Isabel, Vila Vardelina, Zona 8 e Vila Operária também aparecem nessa relação.
Prefeitura já falava em Plano Municipal em 2019
Há outro ponto que a nova lei precisará esclarecer na prática: como a campanha permanente se relacionará com estruturas que o Município já dizia possuir.
Em comunicado oficial publicado em 2019, a Prefeitura informou que atuava por meio de um Plano Municipal de Controle de Escorpião.
Naquele ano, o Município contabilizou 988 reclamações, 136 acidentes e 584 escorpiões recolhidos.
Além disso, a administração afirmava realizar buscas ativas e utilizar agentes também treinados para ações relacionadas aos escorpiões.
O documento de 2019 citava, inclusive, o Jardim Alvorada entre as regiões com concentração de demandas.
Portanto, uma questão permanece aberta: o que a Campanha Permanente acrescentará às ações de controle que já deveriam existir na estrutura municipal?
O projeto aprovado não extingue nem detalha a relação com esse plano mencionado anteriormente.
Reportagem aguarda dados sobre vistorias e animais recolhidos
O Maringá PR Notícias já solicitou à Prefeitura informações para medir a dimensão atual do trabalho de controle.
Entre os dados pedidos estão as solicitações relacionadas a escorpiões entre 2024 e 2026, quantidade de vistorias, buscas ativas e visitas realizadas em 2026, distribuição das ações por bairro e número de animais recolhidos.
A reportagem também pediu informações sobre o Plano Municipal de Controle de Escorpiões, incluindo ano de elaboração, situação de execução e eventuais metas.
Além disso, solicitou detalhes específicos das ações no Jardim Alvorada, campanhas educativas, tempo médio de resposta aos chamados e eventual utilização de georreferenciamento.
Essas respostas permitirão comparar as diretrizes aprovadas pela Câmara com a estrutura que já funciona atualmente.
Projeto não fixa número mínimo de vistorias nem meta de redução
Embora apresente diversas diretrizes, o texto aprovado não estabelece metas quantitativas.
Não há, por exemplo, número mínimo de buscas ativas, quantidade anual de imóveis a vistoriar ou percentual de redução de acidentes a alcançar.
Da mesma forma, o projeto não determina prazo máximo para atendimento de solicitações da população.
Também não cria uma dotação financeira com valor específico.
O artigo 7º estabelece que as despesas correrão pelas dotações orçamentárias existentes, com possibilidade de suplementação caso seja necessária.
Assim, a avaliação dos resultados dependerá, em grande medida, dos indicadores que o Executivo decidir adotar e divulgar.
CIATox passou de 900 atendimentos na região
O cenário também aparece nos dados regionais.
A Universidade Estadual de Maringá informou que o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) do Hospital Universitário contabilizou 902 atendimentos relacionados a escorpiões entre janeiro e agosto de 2026.
No mesmo período de 2025, foram 767.
Entretanto, os números do CIATox não representam apenas Maringá.
O serviço atende os 32 municípios da 15ª Regional de Saúde. Portanto, os 902 atendimentos regionais não podem ser somados aos 549 registros municipais.
O que fazer em caso de picada
O Ministério da Saúde orienta que a vítima procure atendimento médico rapidamente.
Além disso, recomenda limpar o local da picada com água e sabão.
Crianças exigem atenção especial, pois apresentam maior risco de desenvolver quadros graves.
Por outro lado, a pessoa não deve improvisar tratamentos caseiros nem se colocar em risco para capturar o animal.
O Ministério também disponibiliza um Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas dos Acidentes Escorpiônicos, atualizado em 2026.
Próximos passos
A aprovação em segunda discussão representa uma etapa do processo legislativo.
Agora, o Maringá PR Notícias acompanhará a tramitação formal do projeto e eventual encaminhamento ao Executivo.
Paralelamente, a investigação sobre as ações que já existem continuará.
A resposta mais importante não será apenas se Maringá terá uma campanha permanente no papel, mas quais ações serão realizadas, em quais bairros, com que frequência e quais indicadores permitirão verificar os resultados.
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Fontes
Câmara Municipal de Maringá — PL 17.369/2025 e texto integral
Câmara Municipal de Maringá — resultado da sessão de 29 de setembro de 2026
Prefeitura de Maringá — histórico das ações municipais contra escorpiões em 2019
Universidade Estadual de Maringá — dados do CIATox/HUM em 2026
Ministério da Saúde — acidentes por escorpiões
Ministério da Saúde — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas dos Acidentes Escorpiônicos
Redação — Maringá PR Notícias
O Maringá PR Notícias acompanha a revisão da base epidemiológica pela Vigilância Municipal. Caso o Município confirme alterações no total de 549 registros, a reportagem atualizará os números e registrará a mudança.
