Dados enviados pela Secretaria Municipal de Saúde vão até 12 de setembro; Prefeitura aponta Jardim Alvorada, Vila Santa Isabel, Vila Vardelina, Zona 8 e Vila Operária entre as áreas de maior vulnerabilidade
MARINGÁ — Maringá soma 549 registros de acidentes com escorpiões em 2026, segundo a base epidemiológica que a Secretaria Municipal de Saúde enviou ao Maringá PR Notícias. Os dados vão até 12 de setembro. Ao analisar o material, a reportagem encontrou 70 registros com o Jardim Alvorada informado como bairro de residência, o maior número identificado na base.
Além disso, a própria Prefeitura incluiu o Jardim Alvorada entre as áreas de maior vulnerabilidade para escorpiões no município.
A Secretaria de Saúde também citou Vila Santa Isabel, Vila Vardelina, Zona 8 e Vila Operária.
Ao mesmo tempo, o Município afirma que os escorpiões estão presentes em todo o território de Maringá.
“Existe a presença por todo o território municipal. Há bairros com maior vulnerabilidade, como Jardim Alvorada, Vila Santa Isabel, Vila Vardelina, Zona 08 e Vila Operária”, informou a Prefeitura, por meio da Secretaria de Comunicação.
Jardim Alvorada concentra 70 registros na base analisada
Entre os 549 registros, 70 trazem o Jardim Alvorada como bairro de residência. Assim, o bairro representa aproximadamente 12,8% do conjunto analisado pela reportagem.
Entretanto, esse percentual exige uma ressalva importante.
O campo da planilha informa o bairro de residência da pessoa, e não necessariamente o endereço onde ocorreu a picada.
Por isso, os dados não permitem afirmar que os 70 acidentes ocorreram dentro do Jardim Alvorada.
Ainda assim, o resultado chama atenção porque a própria Secretaria de Saúde também colocou o bairro entre as áreas de maior vulnerabilidade do município.
Vigilância explica como faz o recorte de Maringá
A reportagem também pediu à Prefeitura esclarecimentos sobre a metodologia usada na contagem.
Segundo a Vigilância Epidemiológica, o levantamento municipal considera simultaneamente dois critérios: a pessoa precisa residir em Maringá e o acidente também precisa ter ocorrido em Maringá.
Dessa forma, o recorte não inclui um morador de Maringá que sofreu a picada em outra cidade.
Da mesma maneira, o levantamento não contabiliza uma pessoa de outro município que sofreu o acidente dentro de Maringá.
Portanto, levantamentos que adotam filtros diferentes podem apresentar números distintos sem que isso, por si só, signifique erro em uma das bases.
Essa diferença metodológica também ajuda a entender por que os números municipais não devem ser somados diretamente aos registros do CIATox do Hospital Universitário.
Vigilância ainda confere possíveis duplicidades
Durante a análise, o Maringá PR Notícias encontrou registros com informações idênticas ou muito semelhantes.
Por isso, o portal encaminhou a situação à Secretaria Municipal de Saúde antes da publicação.
A Vigilância Epidemiológica respondeu que realiza de forma sistemática a conferência de possíveis duplicidades e que ainda analisa os registros apontados pela reportagem.
Neste momento, portanto, o Município não confirma que esses registros representem duplicidades.
Caso a Vigilância confirme alguma repetição, poderá retirar o registro correspondente da base.
Diante disso, o Maringá PR Notícias não excluiu nenhum registro por iniciativa própria.
Assim, o total de 549 registros corresponde ao material que a própria Secretaria de Saúde encaminhou à reportagem e poderá sofrer atualização depois da conclusão da conferência oficial.
Jardim Alvorada já aparecia no radar municipal em 2019
O Jardim Alvorada não aparece pela primeira vez em documentos municipais relacionados ao problema.
Em 9 de outubro de 2019, a Prefeitura informou que Maringá havia registrado 988 reclamações relacionadas a escorpiões, 136 acidentes e o recolhimento de 584 animais naquele ano.
Na mesma publicação, o Município informou que as demandas se concentravam em regiões como Jardim Alvorada, Monte Rei, Zona 7, Vila Morangueira, Zona 5, Parque das Grevíleas, Zona 3, Andrade, Batel e Cidade Nova.
Veja a publicação oficial da Prefeitura sobre escorpiões em Maringá em 2019
Sete anos depois, portanto, o Jardim Alvorada volta a aparecer em um levantamento relacionado aos escorpiões.
Agora, além de concentrar o maior número de registros de residência encontrado pela reportagem na base de 2026, o bairro integra a relação de áreas que a Prefeitura considera mais vulneráveis.
Entretanto, os dados de 2019 e 2026 não formam uma série histórica diretamente comparável.
Os levantamentos utilizaram períodos, indicadores e critérios diferentes.
Mesmo assim, o documento de 2019 comprova que o Município já identificava demanda relacionada a escorpiões no Jardim Alvorada anos antes.
Prefeitura destaca cinco áreas de maior vulnerabilidade
Embora informe a presença de escorpiões em todo o território, a Secretaria de Saúde destacou cinco localidades ao responder à reportagem:
Jardim Alvorada, Vila Santa Isabel, Vila Vardelina, Zona 8 e Vila Operária.
Por isso, a concentração de registros no Jardim Alvorada não deve levar à conclusão de que o problema se restringe ao bairro.
Pelo contrário, a própria Prefeitura afirma que a presença dos animais alcança toda a cidade.
A diferença está na vulnerabilidade que o Município identifica em determinadas regiões.
CIATox passa de 900 atendimentos em oito meses
Enquanto Maringá acompanha os registros municipais, os números regionais também chamam atenção.
A Universidade Estadual de Maringá informou que o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) do Hospital Universitário contabilizou 902 atendimentos relacionados a escorpiões entre janeiro e agosto de 2026.
No mesmo período de 2025, o serviço havia contabilizado 767.
Já durante todo o ano de 2024, o CIATox registrou 842 atendimentos.
Assim, somente nos primeiros oito meses de 2026, o serviço registrou 60 atendimentos a mais do que durante os 12 meses de 2024.
Confira o levantamento divulgado pela UEM sobre os atendimentos do CIATox em 2026
Entretanto, os 902 atendimentos não representam apenas Maringá.
O CIATox atende os 32 municípios da 15ª Regional de Saúde do Paraná.
Por isso, não é correto somar os 902 atendimentos regionais aos 549 registros da base municipal. Cada levantamento trabalha com um universo diferente.
Números da UEM exigem uma observação
A publicação da UEM informa que o CIATox passou de 767 atendimentos, entre janeiro e agosto de 2025, para 902 no mesmo período de 2026.
A diferença corresponde a 135 atendimentos.
Ao calcular a variação diretamente sobre os 767 atendimentos de 2025, o resultado fica em aproximadamente 17,6%.
Entretanto, a publicação institucional informa crescimento de 15%.
Por transparência, o Maringá PR Notícias prioriza nesta reportagem os números absolutos divulgados pelo serviço e não utiliza o percentual como elemento central da análise.
Escorpião-amarelo preocupa pela adaptação às cidades
Segundo o CIATox, a maioria dos atendimentos envolve o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus).
O Ministério da Saúde considera essa espécie a de maior preocupação no país devido ao potencial de gravidade do envenenamento e à expansão de sua distribuição geográfica.
Além disso, o Tityus serrulatus se adapta com facilidade ao ambiente urbano.
Outro fator favorece sua expansão: a espécie consegue se reproduzir por partenogênese.
Nesse processo, a fêmea pode gerar descendentes sem a participação de um macho.
Consequentemente, ambientes com abrigo e alimento podem facilitar a formação e a expansão de populações de escorpiões.
Veja as informações oficiais do Ministério da Saúde sobre acidentes com escorpiões
Lixo, entulho e baratas favorecem ambientes para escorpiões
A prevenção também depende das condições do ambiente.
O Ministério da Saúde recomenda que moradores mantenham quintais e jardins limpos e evitem o acúmulo de entulho, folhas secas, lixo doméstico e materiais de construção.
Além disso, o controle de baratas tem importância porque esses insetos servem de alimento para os escorpiões.
Dentro dos imóveis, os moradores também podem vedar frestas e buracos e utilizar telas em ralos.
Outra orientação consiste em verificar roupas, toalhas, roupas de cama e calçados antes do uso.
Ao mesmo tempo, o lixo doméstico deve permanecer em recipientes fechados.
Confira as medidas de prevenção recomendadas pelo Ministério da Saúde
Calor e chuva aumentam a atenção
O Ministério da Saúde informa que os acidentes ocorrem com maior frequência nos períodos de aumento de temperatura e umidade.
Além disso, as notificações costumam crescer durante a primavera e podem atingir níveis maiores em outubro e novembro.
Por isso, a chegada dos meses mais quentes reforça a importância da prevenção, principalmente em áreas onde os moradores já encontram escorpiões com frequência.
O que fazer depois de uma picada
Após uma picada, o Ministério da Saúde orienta a pessoa a lavar o local com água e sabão e procurar atendimento médico sem demora.
Além disso, a vítima não deve fazer torniquete, cortar o local ou tentar sugar o veneno.
Também não deve aplicar substâncias ou receitas caseiras sobre a picada.
Crianças exigem atenção especial porque apresentam maior risco de desenvolver formas graves do envenenamento.
Se houver condições de segurança, uma fotografia do animal também pode auxiliar os profissionais de saúde. Entretanto, ninguém deve se colocar em risco para capturar o escorpião.
Veja a orientação oficial sobre o que fazer após uma picada de escorpião
O CIATox do Hospital Universitário Regional de Maringá presta orientação pelos telefones:
(44) 3011-9431
(44) 3011-9127
Além disso, o Ministério da Saúde publicou o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas dos Acidentes Escorpiônicos, documento que orienta diagnóstico, classificação de gravidade, tratamento e uso de antiveneno no SUS.
Consulte o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas dos Acidentes Escorpiônicos
O que a reportagem ainda acompanha
A manifestação da Secretaria Municipal de Saúde esclareceu pontos importantes da investigação.
Primeiro, a Vigilância explicou como define o recorte dos registros de Maringá.
Além disso, confirmou que ainda verifica as possíveis duplicidades encontradas na base.
Por fim, a Secretaria indicou oficialmente as cinco áreas que considera de maior vulnerabilidade.
A reportagem continua apurando, entretanto, a dimensão das ações municipais de controle, incluindo solicitações da população, vistorias, buscas ativas, recolhimento de escorpiões e distribuição das intervenções pela cidade.
Caso a Vigilância Epidemiológica altere o total depois da revisão da base, o Maringá PR Notícias atualizará esta reportagem.
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TRANSPARÊNCIA
A Secretaria Municipal de Saúde forneceu diretamente ao Maringá PR Notícias a base epidemiológica usada nesta reportagem.
Durante a análise, o portal encontrou registros com informações semelhantes e pediu esclarecimentos ao Município antes da publicação.
A Vigilância Epidemiológica informou que ainda verifica as possíveis duplicidades.
Por isso, o Maringá PR Notícias manteve os 549 registros presentes na base oficial recebida e não excluiu ocorrências por conta própria.
Se a revisão oficial modificar o quantitativo, o portal atualizará os números e registrará a alteração na reportagem.
FONTES
Secretaria Municipal de Saúde de Maringá — base epidemiológica de acidentes com escorpiões e resposta oficial encaminhada ao Maringá PR Notícias em 22 de setembro de 2026.
Prefeitura de Maringá — histórico oficial sobre escorpiões no município, publicado em 2019
Universidade Estadual de Maringá — dados do CIATox/HUM sobre acidentes com escorpiões em 2026
Ministério da Saúde — acidentes por escorpiões
Ministério da Saúde — o que fazer após uma picada de escorpião
Ministério da Saúde — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas dos Acidentes Escorpiônicos
Redação Maringá PR Notícias
