Município soma 175 casos desde janeiro, diante de 4.134 no mesmo período de 2025 e 22.531 em 2024; apesar da forte redução, presença do Aedes aegypti mantém necessidade de prevenção
Os casos de dengue em Maringá apresentam uma queda expressiva em 2026. No período mais recente, a cidade registrou apenas duas novas confirmações da doença em um mês, segundo balanço divulgado pela Prefeitura.
Desde janeiro, Maringá contabiliza 175 casos confirmados. Além disso, nos últimos três meses foram registrados apenas 31 casos.
Quando os números são comparados aos anos anteriores, a diferença fica ainda mais evidente. No mesmo período, segundo a Prefeitura, foram 4.134 confirmações em 2025 e 22.531 em 2024.
Apesar do cenário favorável, a redução dos casos não significa que o risco desapareceu. Ao longo de 2026, levantamentos ainda encontraram focos do Aedes aegypti em imóveis da cidade.
Por isso, o momento exige duas leituras ao mesmo tempo: Maringá registra uma queda histórica nas confirmações, mas precisa manter as medidas de prevenção para evitar uma nova alta da doença.
Resumo do que você vai encontrar
Nesta reportagem, você confere quantos casos de dengue Maringá registrou em 2026 e como os números se comparam aos de 2024 e 2025.
Além disso, mostramos por que existe uma divergência no percentual de redução divulgado pela Prefeitura, o que o Lira revelou sobre a presença do mosquito e quais estratégias estão sendo utilizadas.
Por fim, você encontra orientações para eliminar possíveis criadouros e entende por que números baixos não significam o fim do risco.
Casos de dengue em Maringá | 2024 × 2025 × 2026
Os dados divulgados pela Prefeitura mostram uma mudança expressiva no cenário epidemiológico da cidade.
| Período informado pela Prefeitura | Casos confirmados |
|---|---|
| 2024 | 22.531 |
| 2025 | 4.134 |
| 2026 | 175 |
| Últimos três meses de 2026 | 31 |
| Último mês | 2 |
Assim, o número de confirmações caiu de dezenas de milhares em 2024 para algumas centenas em 2026.
Entretanto, a comparação precisa ser feita com cuidado. Isso porque há uma divergência entre o percentual informado no comunicado municipal e os próprios números apresentados.
➡️ Fonte oficial: Prefeitura de Maringá — Em um mês, Maringá registra apenas duas confirmações de dengue
Atenção | Percentual de 81,6% não corresponde aos números publicados
Na publicação mais recente, a Prefeitura informou que os 175 casos registrados desde janeiro de 2026 representam redução de 81,6% em relação ao mesmo período de 2025, quando teriam ocorrido 4.134 casos.
No entanto, existe uma divergência matemática nessa informação.
Considerando exclusivamente os números publicados pelo próprio município, a redução de 4.134 para 175 casos corresponde a aproximadamente 95,8%, e não 81,6%.
Em outras palavras, o cálculo é:
(4.134 – 175) ÷ 4.134 × 100 = aproximadamente 95,8%
Já na comparação com 2024, quando foram informados 22.531 casos, a redução para 175 confirmações em 2026 chega a aproximadamente 99,2%.
Nesse caso, o resultado coincide com o percentual apresentado pela Prefeitura para essa comparação.
Por transparência, o Maringá PR Notícias mantém tanto os números oficiais divulgados quanto a indicação da inconsistência encontrada no percentual de 81,6%.
De onde podem ter vindo os 81,6%?
Há um dado histórico que ajuda a contextualizar a divergência. Ainda assim, ele não permite afirmar que essa seja a explicação para o comunicado atual.
Em setembro de 2025, a própria Prefeitura anunciou uma redução de 81,7% nos casos de dengue.
Naquela ocasião, porém, a comparação era outra.
Entre 1º de janeiro e 31 de agosto de 2024, Maringá havia registrado 22.694 casos confirmados.
Já no mesmo intervalo de 2025, foram 4.163 casos.
Portanto, os 81,7% divulgados em 2025 correspondiam à comparação entre 2024 e 2025.
➡️ Fonte oficial: Prefeitura de Maringá — campanha Primavera Sem Dengue e redução de 81,7%
Dessa forma, embora os percentuais sejam muito próximos, não é possível simplesmente aplicar aquele índice à comparação atual entre 2025 e 2026.
Queda acentuada já aparecia no primeiro semestre
A redução observada agora não surgiu apenas nas últimas semanas.
Em junho, durante a apresentação do 2º Levantamento de Índice Rápido para Aedes aegypti (Lira) de 2026, a Secretaria de Saúde já havia registrado uma queda expressiva.
Entre janeiro e maio de 2026, Maringá contabilizou 163 casos confirmados de dengue.
Em comparação, no mesmo período de 2025 foram registrados 3.509 casos.
Nesse recorte, a redução calculada e divulgada oficialmente foi de 95,35%.
Além disso, quando a Secretaria comparou apenas o mês de maio, encontrou 39 casos em maio de 2026, diante de 990 em maio de 2025.
Consequentemente, nesse recorte mensal, a redução chegou a 96,06%.
➡️ Fonte oficial: Prefeitura de Maringá — 2º Lira aponta redução de 95% nos casos de dengue
Dessa maneira, diferentes levantamentos realizados ao longo do ano apontam para a mesma tendência: 2026 apresenta uma redução muito acentuada nas confirmações de dengue em Maringá.
Apenas duas confirmações no último mês
O dado mais recente chama atenção não apenas pelo acumulado do ano.
Segundo a Prefeitura, Maringá registrou 31 casos nos últimos três meses.
Além disso, os boletins epidemiológicos mais recentes vinham registrando, no máximo, dez confirmações por semana.
Nas 13 semanas analisadas pelo município, houve seis semanas não consecutivas sem nenhuma confirmação.
Em outras quatro semanas, também não consecutivas, foram registrados dois casos em cada uma.
Mais recentemente, no período de um mês, foram apenas duas confirmações.
Embora esse cenário reforce a tendência de redução, ele não elimina a circulação do mosquito nem a possibilidade de novos casos.
Menos casos não significam ausência do mosquito
Esse é um dos pontos mais importantes da reportagem.
Enquanto os casos da doença diminuíram, o levantamento de infestação realizado entre 25 e 30 de maio de 2026 encontrou índice geral de 2% em Maringá.
Na prática, isso significa que, a cada 100 imóveis pesquisados, dois apresentavam foco do mosquito.
De acordo com a classificação informada pela Prefeitura, com base nos parâmetros do Ministério da Saúde, o resultado representa risco médio.
Por outro lado, o índice considerado aceitável é de até 1%.
Portanto, mesmo com forte queda nas confirmações da doença, o Aedes aegypti continua presente na cidade.
Algumas regiões apresentaram risco crítico no Lira
O levantamento divulgado em junho também mostrou diferenças entre as regiões de Maringá.
Entre as áreas com índices mais baixos, estavam Zona Sul, Operária, Tuiuti, Internorte, Parigot de Souza e Grevíleas III.
Por outro lado, o levantamento apontou risco médio em regiões como Mandacaru, Maringá Velho, Iguaçu, Paris VI, Quebec e Morangueira, entre outras.
Já na faixa de risco crítico, apareceram as regiões Zona 7, Paulino, Pinheiros, Céu Azul, São Silvestre, Paraíso e Industrial, além dos distritos de Iguatemi e Floriano.
Esses resultados pertencem ao levantamento realizado no fim de maio.
Por isso, não devem ser interpretados como um retrato permanente da situação atual de cada bairro.
Ainda assim, os dados mostram por que a vigilância precisa continuar mesmo durante períodos com poucos casos confirmados.
O que Maringá está fazendo contra o mosquito?
A Prefeitura atribui a redução dos casos a um conjunto de estratégias de prevenção adotadas principalmente a partir de 2025.
Entre as medidas utilizadas, estão as ovitrampas, destinadas ao monitoramento da presença do mosquito.
Além delas, outra estratégia envolve as Estações Disseminadoras de Larvicidas (EDLs).
Segundo o município, foram instaladas 2.383 armadilhas inteligentes desse tipo pela cidade.
Por meio desse sistema, os equipamentos atraem fêmeas do Aedes aegypti, que entram em contato com o produto e podem transportá-lo para outros criadouros, onde ele atua sobre as larvas.
Além dessas iniciativas, o município utiliza a Borrifação Residual Intradomiciliar (BRI) em locais de grande circulação de pessoas, como unidades de saúde, escolas municipais e outros espaços.
Nesse método, o inseticida permanece fixado em determinadas superfícies e mantém ação residual por determinado período.
Dica do Editor | O principal combate ainda começa dentro de casa
Tecnologia e ações do poder público ajudam no controle do mosquito. Entretanto, o morador continua tendo papel fundamental.
Isso acontece porque pequenos recipientes com água podem se transformar em criadouros.
Por esse motivo, uma vistoria rápida e frequente no imóvel continua sendo uma das medidas mais importantes de prevenção.
Serviço | O que verificar em casa
Antes de tudo, reserve alguns minutos para observar os principais pontos onde a água pode ficar acumulada:
- pratos de vasos de plantas;
- garrafas, latas e recipientes abandonados;
- calhas;
- ralos pouco utilizados;
- caixas-d’água sem vedação adequada;
- pneus;
- lonas;
- baldes;
- bandejas externas;
- recipientes de animais;
- quintais e áreas descobertas;
- objetos capazes de acumular água da chuva.
Além disso, mantenha os recipientes necessários sempre limpos e protegidos.
Caso encontre um possível foco em terreno, imóvel abandonado ou espaço público, o morador pode comunicar a situação aos canais oficiais da Prefeitura para que o caso seja encaminhado ao setor responsável.
Atenção aos sintomas
A prevenção também envolve reconhecer sinais da doença.
Entre os sintomas que podem ocorrer, estão febre, dor de cabeça, dores no corpo e nas articulações, mal-estar e manchas na pele.
Entretanto, o quadro pode variar de uma pessoa para outra.
Por isso, quem apresentar sintomas compatíveis deve procurar orientação nos serviços de saúde, especialmente diante de piora do estado geral ou de sinais de alarme.
Além disso, a automedicação exige cuidado, já que alguns medicamentos podem aumentar riscos em casos suspeitos de dengue.
Por que o alerta precisa continuar?
A experiência recente de Maringá mostra como o cenário pode mudar de um ano para outro.
Segundo os dados divulgados pelo município, foram 22.531 casos no período comparável de 2024, 4.134 em 2025 e 175 em 2026.
Assim, a trajetória é de forte queda.
Por outro lado, o Lira realizado neste ano ainda encontrou presença do mosquito e áreas classificadas com diferentes níveis de risco.
Além disso, fatores como chuva, calor e disponibilidade de recipientes com água podem favorecer novamente a proliferação do Aedes aegypti.
Consequentemente, o melhor resultado epidemiológico não deve ser interpretado como autorização para abandonar os cuidados.
O que já sabemos
Os dados oficiais mostram que Maringá vive um cenário muito diferente daquele registrado em 2024.
Atualmente, são 175 confirmações desde janeiro de 2026.
Além disso, foram apenas 31 casos nos últimos três meses e duas confirmações no último mês, segundo o balanço municipal.
No primeiro semestre, o 2º Lira já havia demonstrado redução superior a 95% no recorte de janeiro a maio em comparação com 2025.
Ao mesmo tempo, porém, o índice de infestação registrado no levantamento de maio ficou em 2%, acima do limite considerado aceitável.
Portanto, os indicadores apontam uma melhora expressiva no número de casos, mas também reforçam a necessidade de manter a prevenção.
O que acompanhar agora
A partir daqui, alguns indicadores serão fundamentais para saber se a tendência continuará.
Entre eles estão os novos boletins epidemiológicos, o número semanal de confirmações e os próximos levantamentos de infestação.
Além disso, será importante observar as regiões com maior presença do mosquito e a evolução das EDLs e das demais estratégias de controle.
Ao mesmo tempo, mudanças de temperatura e períodos de chuva podem influenciar a proliferação do Aedes aegypti.
Por fim, também será necessário acompanhar eventual correção ou esclarecimento da Prefeitura sobre o percentual de 81,6% divulgado no balanço atual.
Maringá PR Notícias vai acompanhar
A queda dos casos é uma notícia positiva para Maringá. Entretanto, números menores não encerram o problema da dengue.
Agora, o desafio é manter a redução.
Por isso, o Maringá PR Notícias continuará acompanhando os boletins, os levantamentos de infestação e as medidas adotadas pelo município.
Mais do que registrar a queda, nosso compromisso é mostrar se ela será sustentada, onde o mosquito continua presente e quais medidas podem ajudar a impedir que Maringá volte aos números registrados nos anos anteriores.
Fontes consultadas
2º Lira de 2026 — levantamento municipal aponta redução de 95% nos casos de dengue
Campanha Primavera Sem Dengue — município registrou redução de 81,7% nos casos em 2025
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