Mobilidade

Por que a Petrônio Portela virou alvo recorrente de blitze em Maringá? Investigação revela acidentes, denúncias e 146 autuações

Avenida recebe operações recorrentes desde pelo menos abril; levantamento do Maringá PR Notícias encontrou quatro fiscalizações com resultados individualizados que somam 146 autos de infração, além de outras ações sem números separados

MARINGÁ — As 42 autuações da mais recente operação de trânsito na Avenida Senador Petrônio Portela poderiam parecer apenas mais um balanço de fiscalização em Maringá. No entanto, quando o Maringá PR Notícias reconstruiu as ações realizadas no corredor desde abril, encontrou um padrão mais amplo.

Desde então, as equipes de fiscalização voltaram diversas vezes à avenida para enfrentar problemas relacionados a trânsito, álcool ao volante, estacionamento irregular, denúncias de perturbação do sossego e prevenção de acidentes.

Além disso, outro dado ajuda a explicar por que o corredor merece atenção. O cruzamento da Avenida Senador Petrônio Portela com a Avenida Doutor Gastão Vidigal registrou 22 acidentes em 2025 e ocupou o terceiro lugar entre os cinco cruzamentos com mais ocorrências da cidade.

A reportagem identificou ao menos quatro operações desde abril com resultados divulgados especificamente para a Petrônio Portela. Juntas, essas quatro ações produziram 146 autos de infração.

Ainda assim, esse total não representa todas as autuações realizadas no corredor. Outras operações também incluíram a avenida, mas os órgãos responsáveis divulgaram apenas o balanço geral, sem informar quantos autos pertenciam especificamente à Petrônio Portela.

Fiscalização começou antes das grandes operações de agosto

A sequência documentada começou antes das grandes blitze do movimento Maringá pela Vida.

Em 16 de abril, equipes da Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob) e da Guarda Civil Municipal reforçaram a fiscalização na Petrônio Portela após receberem denúncias de perturbação do sossego pelo telefone 153.

Naquela noite, os agentes lavraram 16 autos de infração na avenida. Desse total, 12 envolveram estacionamento em local e horário proibidos. Além disso, os fiscais registraram um caso de condução sob efeito de álcool e três recusas ao teste do etilômetro.

As equipes também removeram quatro veículos.

Porém, a operação revelou outro detalhe importante: aquela já era a segunda ação realizada na avenida em aproximadamente duas semanas.

Portanto, a presença recorrente das equipes no corredor começou antes das blitze que ganharam força em agosto.

Junho teve nova operação na avenida

Em 3 de junho, as forças de fiscalização voltaram à Petrônio Portela.

A operação terminou com 17 autuações e dois veículos removidos. Além disso, os agentes aplicaram dez testes do etilômetro, registraram duas recusas ao bafômetro e encontraram um condutor dirigindo sem habilitação.

Assim, entre abril e junho, as operações já mostravam uma combinação de problemas relacionados ao trânsito e à intensa movimentação noturna.

Agosto muda a dimensão das operações

Em agosto, entretanto, as fiscalizações ganharam outra dimensão.

Entre os dias 13 e 14, Semob, Guarda Civil Municipal e Polícia Militar realizaram quatro blitze integradas dentro do movimento Maringá pela Vida.

No conjunto dessas ações, os agentes lavraram 376 autos de infração e removeram 63 veículos.

Uma das blitze ocorreu justamente na Petrônio Portela.

Nesse ponto, entre 22h30 e 0h30, as equipes fizeram 25 abordagens, lavraram 71 autos de infração e removeram 28 veículos.

Com isso, a operação alcançou uma média aproximada de 2,84 autos por veículo abordado.

Esse indicador, porém, exige interpretação cuidadosa. Ele não significa que cada motorista que circula pela Petrônio Portela cometa quase três infrações.

Isso ocorre porque os agentes selecionam veículos durante a fiscalização e um mesmo condutor ou automóvel pode gerar mais de um auto de infração.

Ainda assim, o resultado mostra uma elevada concentração de irregularidades entre os veículos que as equipes efetivamente fiscalizaram.

O Maringá PR Notícias já mostrou que as quatro blitze realizadas em agosto terminaram com 376 autuações, 63 remoções, casos de embriaguez e 24 condutores sem habilitação regular.

Avenida voltou ao roteiro dias depois

A Petrônio Portela voltou ao roteiro das equipes entre 20 e 22 de agosto.

Dessa vez, as ações também alcançaram as avenidas São Paulo, Herval e Duque de Caxias.

No conjunto das quatro blitze, os agentes abordaram 327 veículos, lavraram 302 autos e removeram 26 veículos.

Entretanto, o balanço geral não informou quantas dessas autuações ocorreram especificamente na Petrônio Portela.

Por isso, o Maringá PR Notícias não incluiu esses registros nos 146 autos contabilizados neste levantamento.

Essa separação evita atribuir à avenida infrações que podem ter ocorrido em outros pontos da cidade.

Setembro: 42 autuações em 16 veículos

No início de setembro, a Petrônio Portela entrou novamente no roteiro das operações.

Entre os dias 3 e 5, as equipes registraram 68 autuações e oito remoções de veículos em diferentes pontos de Maringá.

Na Petrônio Portela, porém, 16 veículos abordados resultaram em 42 autos de infração.

Portanto, aproximadamente 61,8% das 68 autuações do balanço geral vieram daquela fiscalização.

A relação ficou em cerca de 2,63 autos por veículo abordado.

Quando cruzamos esse resultado com a operação de 13 de agosto, o padrão chama ainda mais atenção. Nas duas ações, os agentes abordaram 41 veículos e lavraram 113 autos de infração, o que representa média aproximada de 2,76 autos por veículo fiscalizado.

Novamente, esse cálculo mede apenas a concentração de autos entre veículos selecionados para abordagem.

Por isso, ele não representa um índice de irregularidade de todos os motoristas que trafegam pela avenida.

Levantamento encontra pelo menos 146 autuações

Ao considerar somente as operações com resultado individualizado para a Petrônio Portela, a reportagem encontrou:

16 de abril — 16 autuações

3 de junho — 17 autuações

13 de agosto — 71 autuações

3 a 5 de setembro — 42 autuações

Total identificado: 146 autos de infração.

O levantamento adotou um critério conservador.

Isso porque a primeira operação de abril ocorreu antes da ação do dia 16. Além disso, a Petrônio Portela participou da rodada de 20 a 22 de agosto, mas o balanço daquela operação não apresentou o resultado separado por avenida.

Consequentemente, 146 não representa o total de autuações realizadas na Petrônio Portela durante todas as operações de 2026.

Esse número corresponde ao total mínimo que a reportagem conseguiu documentar nas quatro ações com resultados individualizados.

Álcool aparece repetidamente nas fiscalizações

A reconstrução das operações revelou outro padrão: ocorrências relacionadas a álcool e direção aparecem em diferentes momentos.

Em abril, os agentes registraram uma autuação por condução sob efeito de álcool e três recusas ao bafômetro.

Em junho, as equipes aplicaram dez testes e registraram duas recusas.

Já em setembro, o balanço preliminar apontou novamente a recusa de um condutor ao teste do etilômetro.

Portanto, o álcool aparece de forma recorrente nas fiscalizações realizadas no corredor.

Por outro lado, os dados disponíveis não permitem afirmar que esse seja o principal problema da Petrônio Portela. Para isso, seria necessário conhecer a distribuição completa dos autos por tipo de infração.

Cruzamento teve 22 acidentes em 2025

A repetição das blitze ganha outra dimensão quando o levantamento considera o mapa de acidentes de Maringá.

Segundo dados divulgados a partir de levantamento da Prefeitura, o cruzamento da Petrônio Portela com a Gastão Vidigal registrou 22 acidentes em 2025.

Com esse resultado, o local ocupou o terceiro lugar entre os cinco cruzamentos com maior número de acidentes da cidade.

A Avenida Pedro Taques com a Avenida Colombo liderou o ranking, com 25 ocorrências. Na sequência, o cruzamento da Pedro Taques com a Avenida Advogado Horácio Raccanello Filho somou 24.

Enquanto isso, Petrônio Portela e Gastão Vidigal apareceram logo atrás, com 22 ocorrências.

O ponto já conta com semáforos de LED de alta visibilidade, ciclovias e sinalização horizontal reforçada.

Mesmo assim, o histórico de acidentes permanece relevante. Isso acrescenta outra dimensão à análise: o problema não se resume à ausência de sinalização ou estrutura viária.

Semob utiliza dados para direcionar ações

A escolha dos pontos prioritários de fiscalização em Maringá não depende apenas da quantidade absoluta de acidentes.

A Semob trabalha com informações reunidas pela Plataforma +VIDA para identificar áreas e comportamentos de maior risco.

Entre os indicadores analisados aparecem fluxo de veículos, número de sinistros, infrações, denúncias, avanço de sinal e ocorrências com vítimas.

A partir desses dados, o município pode direcionar medidas de fiscalização, educação para o trânsito e engenharia viária.

Nesse contexto, a Petrônio Portela reúne diferentes elementos que aparecem na estratégia municipal: acidentes, infrações e denúncias.

Ainda assim, o Maringá PR Notícias não encontrou uma manifestação pública da Semob afirmando que cada uma das operações recentes na Petrônio Portela ocorreu especificamente por determinação dos dados da Plataforma +VIDA.

Essa diferença é importante.

Os dados mostram uma convergência entre o histórico do corredor e os critérios utilizados pela política municipal de segurança viária. Porém, sem manifestação específica da Semob, não é possível estabelecer uma relação direta para cada blitz.

Risco na Petrônio Portela já chegou à Câmara

A preocupação com a segurança viária no corredor também chegou formalmente ao Legislativo.

Em abril de 2025, a Câmara Municipal aprovou um requerimento que solicitava à Prefeitura informações sobre a possibilidade de implantar medidas de segurança para conter veículos em alta velocidade na Avenida Petrônio Portela, no sentido da Gastão Vidigal.

O documento mencionava o risco enfrentado por pedestres que tentavam atravessar em direção à UniCesumar. Além disso, registrava reivindicações relacionadas ao problema.

Posteriormente, o cruzamento Petrônio Portela × Gastão Vidigal também passou a contar com fiscalização eletrônica de avanço de sinal dentro da ampliação dos equipamentos adotada pelo município após análises de segurança viária.

Assim, a preocupação com o corredor antecede as operações realizadas neste ano.

Acidentes, denúncias e vida noturna convergem no mesmo corredor

Os dados levantados pelo Maringá PR Notícias indicam que não existe uma única explicação para a presença constante da fiscalização na Petrônio Portela.

Em abril, por exemplo, denúncias de perturbação do sossego e a movimentação noturna motivaram parte das operações.

Ao mesmo tempo, as equipes encontraram estacionamento irregular, álcool ao volante e recusas ao bafômetro.

Depois, em agosto, as forças de segurança passaram a integrar essas fiscalizações a uma estratégia municipal mais ampla de prevenção de acidentes e combate a comportamentos de risco.

Além disso, o histórico de 22 acidentes no cruzamento com a Gastão Vidigal em 2025 acrescenta o componente da segurança viária.

Dessa forma, vida noturna, denúncias, irregularidades de trânsito e histórico de acidentes convergem no mesmo corredor.

O cenário ajuda a explicar por que a Petrônio Portela reaparece nas operações, embora os dados públicos ainda não permitam medir isoladamente o peso de cada fator na definição das blitze.

O que ainda falta saber

Apesar da quantidade de informações disponíveis, ainda falta uma peça importante: quantos acidentes ocorreram em toda a Avenida Petrônio Portela em 2026.

A reportagem também não encontrou uma base pública individualizada que apresente, especificamente para esse corredor, o número de feridos, os horários de maior concentração das ocorrências, a participação de motociclistas e a evolução em relação a 2025.

Com esses dados, seria possível verificar se a repetição das operações acompanha uma redução efetiva dos acidentes.

Além disso, uma série histórica permitiria comparar o período anterior ao reforço das blitze com os meses posteriores.

O Maringá PR Notícias continuará acompanhando os números da Plataforma +VIDA e os resultados das próximas operações no corredor.

Por fim, depois de reconstruir meses de fiscalizações, a pergunta passa a ir além da quantidade de multas:

as operações sucessivas estão conseguindo tornar a Avenida Senador Petrônio Portela mais segura?

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Fontes

CBN Maringá — Operação na Avenida Petrônio Portela em abril

O Fato Maringá — Operação na Petrônio Portela em junho

Rádio Maringá — Operações integradas de trânsito em agosto

Jornal do Povo de Maringá — Quatro blitze somam 302 autuações e 26 remoções

Maringá Atual — Operações de setembro somam 68 autuações

GMC Online — Fiscalização na Petrônio Portela em setembro

GMC Online — Cruzamentos com maior número de acidentes em Maringá

Câmara Municipal de Maringá — Requerimento nº 771/2025 e tramitação legislativa

Prefeitura de Maringá — Portal da Transparência e publicações oficiais

Redação — Maringá PR Notícias

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