Maringá PR Notícias acessou dados públicos da Plataforma +VIDA, cruzou informações de diferentes jurisdições e refez cálculos sobre mais de 305 mil autuações; apuração encontrou diferença de escopo nos óbitos e inconsistência na média diária de infrações divulgada
MARINGÁ — As mortes no trânsito de Maringá chegaram a 33 ou 40 em 2026? A resposta muda conforme a base consultada. Uma investigação do Maringá PR Notícias encontrou diferença relevante entre os números apresentados pela Plataforma +VIDA, da Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob), e levantamentos que acrescentam registros relacionados à Polícia Rodoviária Federal (PRF). Além disso, outros levantamentos divulgaram as 305.466 autuações registradas entre janeiro e julho como uma média de 2.036 por dia, embora a divisão correta resulte em aproximadamente 1.441.
Por isso, para entender por que os números das mortes no trânsito de Maringá variam conforme a fonte, a reportagem foi além dos gráficos visíveis da Plataforma +VIDA e analisou os conjuntos de dados que o próprio sistema carrega publicamente.
Na sequência, a redação confrontou essas informações com outras fontes públicas, registros relacionados à PRF, documentação oficial e cálculos independentes.
Dessa forma, foi possível separar números que parecem contraditórios, mas que podem representar universos diferentes.
Mortes no trânsito de Maringá: o que a +VIDA mostra
Nos dados públicos carregados pelo painel, o Maringá PR Notícias encontrou 33 mortes em 2026.
Além disso, diferentes conjuntos utilizados pela plataforma repetem o mesmo total. Por consequência, essa convergência reduz a possibilidade de uma divergência restrita a apenas um gráfico.
Nesse sentido, a série histórica ajuda a colocar os números em perspectiva:
- 2021: 31 mortes
- 2022: 43
- 2023: 47
- 2024: 38
- 2025: 33
- 2026: 33 até o período disponível
Diante desse histórico, a base da +VIDA mostra que 2026 já alcançou o total de mortes de todo o ano de 2025.
Entretanto, uma comparação entre um ano ainda em andamento e os 12 meses completos do período anterior não oferece a melhor medida de evolução.
Mortes no trânsito de Maringá sobem 43,5% no comparativo equivalente
Para eliminar essa distorção, a própria +VIDA oferece uma comparação entre períodos equivalentes.
Desse modo, no recorte de janeiro a setembro, os dados apresentam:
| Período analisado | Número de mortes |
|---|---|
| Jan.–set. de 2025 | 23 |
| Jan.–set. de 2026 | 33 |
| Diferença absoluta | +10 |
| Variação percentual | +43,5% |
Nesse comparativo, as mortes no trânsito de Maringá passaram de 23 para 33 na base da plataforma.
Em termos percentuais, portanto, o aumento chegou a 43,5%.
Ou seja, o mesmo intervalo do calendário registrou dez mortes a mais.
Por isso, comparar janeiro a setembro dos dois anos oferece uma leitura mais adequada do que confrontar nove meses de 2026 com todo o ano de 2025.
Motociclistas concentram quase 70% das mortes no trânsito de Maringá
Além da evolução temporal, outro resultado importante aparece no perfil das vítimas.
Nesse caso, as 33 mortes que a +VIDA apresenta em 2026 se distribuem da seguinte forma:
| Perfil da vítima | Número | Participação |
|---|---|---|
| Motociclista | 23 | 69,7% |
| Pedestre | 7 | 21,2% |
| Passageiro | 2 | 6,1% |
| Ciclista | 1 | 3,0% |
| Total | 33 | 100% |
Com esse resultado, os motociclistas representam aproximadamente sete de cada dez vítimas fatais nessa base.
Além disso, o percentual reforça uma preocupação que o próprio Município já identificava.
Em agosto, o Maringá PR Notícias mostrou que o Plano de Segurança Viária de Maringá colocou os motociclistas entre as prioridades das ações de fiscalização, engenharia e educação.
Ao mesmo tempo, a cobertura anterior do portal já destacava a importância de acompanhar a Plataforma +VIDA e seus indicadores de segurança viária.
Por que as mortes no trânsito de Maringá aparecem como 33 ou 40?
É justamente nesse ponto que surge, porém, a principal questão da investigação.
Enquanto a +VIDA apresenta 33 casos, levantamentos publicados por outros veículos chegaram a 40 mortes depois de acrescentar outras sete ocorrências relacionadas à área de atuação da PRF.
A partir dessa informação, o Maringá PR Notícias começou a reconstruir separadamente esses registros.
Durante o cruzamento, a apuração localizou sete ocorrências fatais associadas a trechos federais em Maringá ou no distrito de Iguatemi, incluindo acidentes na BR-376 e no trecho urbano correspondente à Avenida Colombo.
Matematicamente, a composição é:
33 + 7 = 40
Contudo, existe uma diferença essencial para compreender esses números.
Nos dados públicos que a reportagem auditou, a +VIDA apresenta 33 mortes, e não 40.
Portanto, não é correto atribuir diretamente à plataforma municipal o total ampliado de 40.
Documentação ajuda a explicar a diferença de escopo
Depois de identificar a divergência, a reportagem procurou entender como o Município apresentou a plataforma e quais instituições aparecem relacionadas à alimentação do sistema.
De acordo com as informações do lançamento, a +VIDA cruza diferentes bases e utiliza dados de instituições apoiadoras, entre elas Polícia Militar, por meio do sistema Bateu, Corpo de Bombeiros e Samu.
Nesse material específico, a lista não cita a PRF.
Ainda assim, essa ausência não permite concluir que nenhum dado federal possa aparecer em algum painel da plataforma.
Por outro lado, ela oferece uma explicação consistente para a diferença entre o universo apresentado pela +VIDA e levantamentos que acrescentam registros ligados à jurisdição federal.
Em paralelo, a própria Polícia Rodoviária Federal mantém dados abertos de acidentes, inclusive arquivos de 2026 agrupados por ocorrência e por pessoa.
Além disso, o dicionário oficial dos dados de acidentes da PRF descreve variáveis relacionadas ao município, local da ocorrência, pessoas envolvidas e outras características dos acidentes.
Consequentemente, 33 e 40 não devem ser tratados automaticamente como números produzidos pela mesma metodologia.
Na prática, a principal dificuldade surge quando o cidadão recebe apenas o total, sem explicação sobre território, jurisdição ou base utilizada.
Investigação encontra um limite metodológico
Até aqui, portanto, os elementos levantados oferecem uma explicação consistente para a diferença entre 33 e 40.
Entretanto, permanece um ponto que exige cautela.
Para declarar definitivamente que as 40 vítimas representam pessoas únicas, sem qualquer sobreposição entre os bancos analisados, seria necessário confrontar individualmente os registros federais com o universo utilizado pela Semob.
Atualmente, a interface pública da +VIDA não fornece elementos suficientes para essa conferência vítima por vítima.
Por esse motivo, o Maringá PR Notícias não afirma que “a +VIDA registra 40 mortes”.
A formulação mais precisa é:
A +VIDA apresenta 33 mortes em sua base; levantamentos que acrescentam sete registros relacionados à PRF chegam a 40.
Assim, metodologia, território e jurisdição precisam acompanhar a estatística quando diferentes números chegam à população.
Mais de 305 mil autuações revelam outra inconsistência
Além das mortes, a investigação revisou os números relacionados à fiscalização de trânsito.
Entre janeiro e julho de 2026, o levantamento contabilizou 305.466 autuações.
Desse total:
- 239.977 vieram da fiscalização eletrônica de velocidade;
- 34.260 correspondem à fiscalização eletrônica em semáforos;
- agentes, EstaR e Polícia Militar respondem pelas demais ocorrências.
Somadas, as duas modalidades eletrônicas alcançam 274.237 autuações.
Consequentemente, radares e fiscalização semafórica responderam por aproximadamente 89,8% das autuações do período.
Já os radares, considerados separadamente, concentraram cerca de 78,6%.
Média de 2.036 autuações por dia não fecha
Algumas publicações que repercutiram as 305.466 autuações apresentaram uma média de 2.036 registros por dia.
Para verificar essa informação, o Maringá PR Notícias refez a conta.
Considerando todo o intervalo, de 1º de janeiro a 31 de julho são 212 dias.
Logo:
305.466 ÷ 212 = 1.440,88
Depois do arredondamento, o resultado é:
1.441 autuações por dia
e não 2.036.
Para alcançar uma média próxima de 2.036, seria necessário dividir as 305.466 autuações por aproximadamente 150 dias.
No entanto, esse intervalo não corresponde aos sete meses informados na própria tabela.
Além disso, a soma individual dos registros mensais confirma as 305.466 autuações.
Portanto, a inconsistência está na média diária divulgada, e não no total acumulado.
Quase 90% das autuações vieram da fiscalização eletrônica
Ao reorganizar os números, outro dado ganha relevância.
Quase nove de cada dez autuações vieram dos dois grupos de fiscalização eletrônica analisados: velocidade e semáforos.
Porém, essa proporção não permite concluir, sozinha, que exista fiscalização excessiva ou insuficiente.
Da mesma forma, os números não estabelecem relação causal automática entre quantidade de multas e quantidade de mortes.
Ainda assim, eles permitem levantar uma pergunta importante para a política pública:
A ampliação da fiscalização está conseguindo reduzir comportamentos de risco, sinistros graves e mortes?
Nesse contexto, a questão se torna ainda mais relevante porque Maringá está expandindo sua estrutura de fiscalização eletrônica.
Conforme mostrou o Maringá PR Notícias, o Município prevê ampliar a fiscalização eletrônica para 220 faixas monitoradas, enquanto a cobertura dos cruzamentos fiscalizados deverá avançar de 13% para 16%.
R$ 41,35 milhões em multas: o que foi possível verificar
Publicações recentes que atribuem a informação ao Portal da Transparência de Maringá apontam arrecadação de R$ 41.353.380,45 com multas de trânsito em 2026.
Durante esta investigação, o Maringá PR Notícias procurou conferir o valor diretamente na execução financeira municipal.
Nesse processo, a apuração localizou documentação orçamentária relacionada ao gerenciamento do trânsito.
Contudo, a consulta pública não permitiu recuperar a linha de execução financeira necessária para certificar independentemente os R$ 41.353.380,45.
Por transparência com o leitor, a reportagem mantém o número atribuído ao levantamento realizado a partir do Portal da Transparência, e não como cálculo independente do Maringá PR Notícias.
Em outras palavras, o texto reproduz o valor com indicação clara de sua origem.
Essa distinção é necessária, pois receita arrecadada, orçamento autorizado e despesa executada são conceitos diferentes.
O que esta investigação comprovou
Depois do cruzamento das informações, os principais resultados ficam assim:
| Indicador analisado | Resultado |
|---|---|
| Total da +VIDA em 2026 | 33 mortes |
| Período equivalente de 2025 | 23 mortes |
| Crescimento entre os períodos | +43,5% |
| Motociclistas na base de 2026 | 23 de 33 |
| Soma ampliada com sete registros relacionados à PRF | 40 |
| Autuações de janeiro a julho | 305.466 |
| Radares + fiscalização semafórica | 274.237 |
| Participação das duas modalidades | 89,8% |
| Média diária calculada | 1.441 autuações |
Dessa maneira, o cruzamento separa aquilo que a +VIDA efetivamente apresenta dos números que surgem quando outras jurisdições entram no levantamento.
O que os números não permitem afirmar
Mesmo diante desse volume de informações, algumas conclusões seriam precipitadas.
Por exemplo, a quantidade de autuações não prova que radares aumentem ou reduzam as mortes.
Da mesma forma, não se deve comparar automaticamente a arrecadação proveniente de multas ao número de vítimas como se existisse uma relação direta de causa e efeito.
Para avaliar adequadamente a segurança viária, é necessário considerar comportamento, velocidade, locais dos sinistros, exposição ao risco, fiscalização, engenharia, educação, tipo de veículo e evolução histórica.
Portanto, o principal resultado desta investigação não está apenas nos números encontrados.
Acima de tudo, a questão central está na transparência: estatísticas públicas sobre mortes no trânsito de Maringá precisam informar claramente período, território, jurisdição e metodologia.
Sem essas informações, cidadãos que fazem a mesma pergunta podem encontrar respostas diferentes: 33 ou 40.
Maringá PR Notícias continuará acompanhando
A partir desta investigação, o Maringá PR Notícias seguirá monitorando a +VIDA, os dados abertos da PRF, a ampliação da fiscalização eletrônica e as ações do programa Maringá pela Vida.
Além disso, o acompanhamento não ficará restrito ao número de radares instalados ou à quantidade de autuações.
Por fim, outro indicador será decisivo para avaliar essas políticas:
Maringá conseguirá reduzir mortes e lesões graves no trânsito?
Ao longo do tempo, essa resposta ajudará a medir a efetividade das políticas públicas de segurança viária.
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Fontes da reportagem
Apuração própria: Maringá PR Notícias — análise das respostas de dados carregadas pela interface pública da Plataforma +VIDA; cruzamento dos conjuntos dados-mensais-completos, fatalidade-ano, comparativo-sazonal, banner-azul e evolucao_completa; conferências e cálculos independentes realizados pela redação.
Base municipal: Plataforma +VIDA / Secretaria de Mobilidade Urbana de Maringá — dados públicos sobre mortes, evolução histórica, comparação temporal e perfil das vítimas.
Base federal: Polícia Rodoviária Federal — Dados Abertos — arquivos públicos relacionados aos acidentes de trânsito, incluindo dados de 2026 agrupados por ocorrência e por pessoa.
Metodologia da PRF: Dicionário de Dados de Acidentes — descrição dos campos e variáveis das bases públicas.
Transparência municipal: Portal da Transparência de Maringá — consulta financeira utilizada na tentativa de conferir a informação sobre arrecadação com multas.
Orçamento municipal: Câmara Municipal de Maringá / Prefeitura de Maringá — Lei Orçamentária Anual de 2026 e documentação relacionada ao gerenciamento do trânsito.
Contexto editorial: Maringá PR Notícias — reportagens anteriores sobre Plano de Segurança Viária, Plataforma +VIDA e ampliação da fiscalização eletrônica.
Nota metodológica
A +VIDA pode atualizar seus dados à medida que incorpora novos registros ou revisa ocorrências.
Por isso, esta reportagem utiliza as informações disponíveis durante a apuração realizada em 4 de setembro de 2026.
Além disso, o texto diferencia dados observados diretamente na +VIDA, documentos públicos, cálculos próprios e informações atribuídas a levantamentos de terceiros.
Com esse procedimento, a reportagem evita apresentar números produzidos por fontes, períodos ou jurisdições diferentes como se representassem exatamente o mesmo universo.
