Mortes em dois dias reacendem alerta sobre segurança no trânsito em Maringá
Casal morreu na Avenida Guedner e outro motociclista perdeu a vida no dia seguinte; dados mostram milhares de acidentes e apontam os principais pontos críticos da cidade
Maringá voltou a discutir um problema que faz parte da rotina de milhares de pessoas: a segurança no trânsito.
Em menos de 24 horas, dois acidentes fatais envolvendo motociclistas chamaram a atenção na cidade. Na noite de segunda-feira (10), um casal morreu após uma colisão na Avenida Guedner, nas proximidades do Contorno Sul. Na terça-feira (11), outro motociclista morreu após uma colisão na Avenida Arquiteto Nildo Ribeiro da Rocha.
Os casos ocorreram em locais diferentes e possuem circunstâncias distintas, que ainda precisam ser esclarecidas pelas autoridades. No entanto, as duas ocorrências voltaram a colocar uma questão no centro do debate: o que pode ser feito para reduzir os acidentes e evitar que colisões terminem em mortes?
O cenário ganha ainda mais relevância diante do volume de ocorrências registrado na cidade. Dados divulgados com base nos registros do sistema BATEU apontam 4.252 acidentes de trânsito em Maringá no primeiro semestre de 2026, uma média próxima de uma ocorrência por hora.
Importante: os números utilizados nesta reportagem têm períodos e bases de dados diferentes. Por isso, eles não devem ser somados ou comparados diretamente sem considerar a metodologia e o intervalo analisado.
Casal morre em acidente na Avenida Guedner
O acidente aconteceu na noite de segunda-feira (10), na Avenida Guedner, nas proximidades do Contorno Sul.
As vítimas foram identificadas como Aparecida de Fátima Xavier Carvalho Souza, de 52 anos, e Rosimar de Oliveira Souza, de 57 anos.
Segundo informações divulgadas após a ocorrência, o casal estava em uma motocicleta que se envolveu em uma colisão com um veículo utilitário pertencente a uma empresa de distribuição de gás.
As vítimas sofreram ferimentos graves e morreram no local.
Equipes do Samu e do Corpo de Bombeiros foram acionadas para atender a ocorrência. A área foi isolada para os trabalhos de perícia, e os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico-Legal (IML) de Maringá.
Investigação deve esclarecer as circunstâncias
A dinâmica da colisão e as circunstâncias que levaram ao acidente ainda precisam ser esclarecidas pela investigação.
Por isso, não cabe neste momento atribuir responsabilidade a qualquer um dos envolvidos.
A apuração das autoridades deverá considerar as condições da via, os veículos envolvidos, eventuais testemunhos e demais elementos técnicos obtidos durante a investigação.
Outro acidente fatal aconteceu no dia seguinte
Na tarde de terça-feira (11), outro acidente grave terminou com a morte de um motociclista em Maringá.
Felipe Silveirinha Zangari, de 20 anos, morreu após uma colisão no cruzamento da Avenida Arquiteto Nildo Ribeiro da Rocha com a Rua dos Gerânios, no Jardim Iguaçu.
Segundo as informações divulgadas sobre a ocorrência, o motociclista foi atingido por um Fiat Punto.
Equipes do Samu realizaram manobras de reanimação por aproximadamente 35 minutos, mas o jovem não resistiu aos ferimentos.
O caso também chamou a atenção do prefeito Silvio Barros, que esteve no local e conversou com comerciantes.
Após a ocorrência, foram divulgadas informações sobre possíveis medidas para reforçar a segurança no trecho, incluindo melhorias na sinalização e o estudo para implantação de uma faixa elevada.
Até que uma medida seja oficialmente anunciada ou implantada, essas ações devem ser tratadas como propostas ou estudos, e não como obras já definidas.
📊 Maringá registrou milhares de acidentes em 2026
Os dois acidentes fatais não são casos isolados dentro do cenário de segurança viária do município.
Um levantamento divulgado a partir dos dados da plataforma Mais Vida, utilizada pelo município para acompanhar ocorrências, registrou 2.886 acidentes, 14 mortes e 736 feridos entre janeiro e 21 de maio de 2026.
Nesse período, a Avenida Colombo apareceu como a via com maior número de ocorrências, com 179 acidentes.
Na sequência estavam:
| Via | Acidentes |
|---|---|
| Avenida Colombo | 179 |
| PR-317 | 144 |
| Contorno Sul | 116 |
| Avenida Brasil | 96 |
| Avenida São Paulo | 90 |
Os dados mostram que os acidentes estão distribuídos pela cidade, mas algumas das principais avenidas concentram um número significativamente maior de ocorrências.
Por que identificar esses locais é importante?
Mapear os pontos de maior concentração de acidentes permite direcionar ações de fiscalização, educação e engenharia de trânsito.
Isso significa que os dados podem ajudar o município a decidir onde fiscalizar, onde melhorar a sinalização e onde estudar mudanças na infraestrutura viária.
🚦 Prefeitura utiliza dados para identificar cruzamentos críticos
Em janeiro de 2026, a Prefeitura de Maringá, por meio da Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob), colocou em prática a Operação Cruzamento.
A iniciativa utiliza dados técnicos para identificar locais considerados prioritários e direcionar ações de fiscalização.
Segundo informações da Prefeitura, entre os critérios utilizados estão:
- quantidade de sinistros;
- fluxo de veículos;
- registros de infrações;
- denúncias;
- avanço de sinal;
- ocorrências com vítimas;
- mortes registradas.
Os cinco cruzamentos com mais acidentes em 2025
Segundo o levantamento utilizado pela Semob, estes foram os cinco cruzamentos com maior número de acidentes em 2025:
| Cruzamento | Acidentes em 2025 |
|---|---|
| Avenida Pedro Taques × Avenida Colombo | 25 |
| Avenida Pedro Taques × Avenida Advogado Horácio Raccanello Filho | 24 |
| Avenida Senador Petrônio Portela × Avenida Doutor Gastão Vidigal | 22 |
| Avenida Morangueira × Avenida Colombo | 19 |
| Avenida Duque de Caxias × Avenida Brasil | 18 |
A Prefeitura informa que os dados são utilizados para orientar ações de educação no trânsito, fiscalização, intervenções de engenharia e possíveis ajustes no desenho viário.
🟨 DADO IMPORTANTE
O risco não é definido apenas pela quantidade de acidentes
A Semob utiliza uma metodologia conhecida como “mancha de calor” para identificar áreas que concentram maior risco.
O levantamento considera diferentes indicadores, como:
- número de sinistros;
- fluxo de veículos;
- infrações;
- avanço de sinal;
- denúncias;
- ocorrências com vítimas;
- mortes.
Com essa metodologia, a administração municipal consegue direcionar recursos e equipes para locais considerados prioritários.
🚨 Como funciona a Operação Cruzamento
De acordo com a Prefeitura, a operação prevê ações de fiscalização ao longo da semana.
Entre dois e quatro cruzamentos podem ser selecionados para receber equipes nos períodos da manhã e da tarde.
A estratégia busca:
- orientar motoristas;
- reforçar o cumprimento das regras de trânsito;
- combater comportamentos de risco;
- reduzir acidentes;
- identificar necessidades de melhorias nas vias.
Entre os comportamentos considerados de risco estão o avanço do sinal vermelho, uso do celular ao volante e velocidade incompatível com as condições da via.
📈 O problema também aparece nos números de 2025
A preocupação com a segurança viária não começou em 2026.
Dados apresentados em debates realizados na Câmara Municipal indicam que Maringá registrou mais de 7 mil acidentes em 2025, número aproximadamente 4% superior ao registrado em 2024.
Apesar do aumento das ocorrências, houve redução no número total de mortes.
Em 2025, foram registradas 33 mortes, contra 38 em 2024.
A Avenida Colombo apareceu entre as vias com maior número de acidentes, enquanto os motociclistas representaram parcela significativa das vítimas fatais.
O que essa combinação de números revela?
O aumento do número de acidentes não significa necessariamente aumento proporcional das mortes.
Isso mostra que a análise da segurança viária precisa considerar diferentes indicadores: quantidade de ocorrências, gravidade dos acidentes, número de feridos e número de mortes.
Por isso, reduzir o número de colisões continua sendo importante, mas reduzir a gravidade das ocorrências também precisa fazer parte da política de segurança viária.
🏍️ Por que os motociclistas estão entre os mais vulneráveis?
Os motociclistas estão entre os usuários mais expostos no trânsito.
Enquanto ocupantes de automóveis contam com uma estrutura metálica ao redor do corpo, motociclistas ficam diretamente expostos à força do impacto.
Por isso, uma colisão que pode resultar apenas em danos materiais para um automóvel pode provocar ferimentos graves ou morte quando envolve uma motocicleta.
Os acidentes fatais registrados nos dias 10 e 11 de agosto reforçam essa preocupação.
A responsabilidade, entretanto, não é exclusiva dos motociclistas.
Motoristas de carros, motociclistas, ciclistas e pedestres compartilham o mesmo espaço e precisam adotar comportamentos capazes de reduzir os riscos.
🚗 O que cada motorista pode fazer para reduzir o risco?
A prevenção começa com atitudes simples, mas que precisam ser mantidas durante todo o trajeto.
1. Reduza a velocidade
Não observe apenas o limite indicado na placa.
Considere também chuva, visibilidade, condições da pista, fluxo de veículos e presença de pedestres e motociclistas.
2. Respeite o sinal vermelho
Não tente ganhar alguns segundos atravessando um cruzamento quando o sinal estiver fechando.
Em cruzamentos movimentados, reduza a velocidade com antecedência e esteja preparado para situações inesperadas.
3. Não use o celular
Uma mensagem pode esperar.
Uma notificação pode esperar.
Uma ligação pode esperar.
A atenção necessária para dirigir não pode ser dividida com o celular.
4. Use a seta
Antes de mudar de faixa, fazer uma conversão ou estacionar, sinalize sua intenção.
Isso permite que os demais usuários antecipem seu movimento.
5. Confira os pontos cegos
Antes de mudar de faixa, observe os retrovisores e verifique os pontos que não aparecem diretamente no campo de visão.
A atenção deve ser redobrada quando houver motocicletas próximas.
6. Mantenha distância
Uma distância adequada oferece mais tempo para reagir diante de uma frenagem inesperada.
7. Nunca dirija após consumir álcool
O álcool pode comprometer reflexos, percepção e capacidade de tomada de decisão.
A combinação entre bebida e direção aumenta o risco de acidentes graves.
🟨 DICA DO EDITOR
Não confunda pressa com segurança
Chegar alguns minutos antes não vale o risco de provocar uma colisão.
Em cruzamentos movimentados, reduza a velocidade, observe todos os lados e esteja preparado para uma atitude inesperada de outro usuário da via.
No trânsito, dirigir defensivamente significa antecipar situações de risco e reduzir a possibilidade de uma colisão.
🟥 ATENÇÃO
Um acidente grave pode começar com pequenas decisões
Velocidade acima do adequado.
Celular na mão.
Distância insuficiente.
Distração.
Cruzamento movimentado.
Isoladamente, cada comportamento pode parecer pequeno. Entretanto, quando vários fatores acontecem ao mesmo tempo, o risco aumenta.
Por isso, segurança viária exige atenção durante todo o trajeto.
📊 Raio-X do trânsito de Maringá
| Indicador | Número |
|---|---|
| Acidentes no 1º semestre de 2026 | 4.252 |
| Acidentes entre janeiro e 21 de maio de 2026 | 2.886 |
| Mortes até 21 de maio de 2026 | 14 |
| Feridos até 21 de maio de 2026 | 736 |
| Acidentes em 2025 | Mais de 7 mil |
| Mortes em 2025 | 33 |
Atenção: os indicadores acima possuem períodos, fontes e metodologias diferentes. Portanto, não devem ser somados nem interpretados como uma única série estatística.
🏙️ O que Maringá precisa discutir daqui para frente?
Os acidentes recentes mostram que o debate sobre segurança viária não pode surgir apenas depois de uma tragédia.
Maringá já possui mecanismos para identificar pontos críticos e direcionar fiscalização.
A Operação Cruzamento é um exemplo.
O próximo passo é acompanhar os resultados dessas ações.
A cidade precisa saber:
- quais pontos continuam concentrando acidentes;
- onde as intervenções reduziram ocorrências;
- quais cruzamentos precisam de novas soluções;
- quais comportamentos mais provocam colisões;
- onde ocorre maior concentração de vítimas;
- quais medidas efetivamente conseguem reduzir mortes.
Esse acompanhamento permite transformar estatística em política pública.
📍 O que os acidentes da Avenida Guedner e da Nildo Ribeiro deixam como alerta?
As mortes de Aparecida, Rosimar e Felipe não devem ser tratadas apenas como números de uma estatística.
São três vidas interrompidas em acidentes ocorridos em um intervalo de poucas horas.
As circunstâncias de cada ocorrência são diferentes e precisam ser investigadas individualmente. O jornalismo, portanto, não deve antecipar culpados nem transformar informações preliminares em conclusões.
Mas os casos reforçam uma realidade: qualquer pessoa que utiliza as ruas da cidade está sujeita aos riscos do trânsito.
Por isso, segurança viária precisa ser uma política permanente.
Não basta agir depois que uma tragédia acontece.
É necessário identificar riscos, corrigir problemas, fiscalizar comportamentos perigosos, melhorar a infraestrutura e orientar a população.
❓ Mobilidade e segurança precisam competir?
Não.
O desafio de uma cidade moderna é permitir deslocamentos eficientes sem transformar velocidade em prioridade absoluta.
Fiscalização é necessária.
Educação é necessária.
Engenharia de tráfego é necessária.
Infraestrutura adequada é necessária.
E existe também uma responsabilidade individual.
Cada motorista, motociclista, ciclista e pedestre participa diariamente da construção de um trânsito mais seguro.
No trânsito, alguns segundos de atenção podem fazer a diferença entre chegar ao destino e não chegar.
📌 VOCÊ SABIA?
Maringá utiliza dados de acidentes e infrações para definir locais prioritários de fiscalização.
Segundo a Prefeitura, a Operação Cruzamento considera indicadores como registros de sinistros, fluxo de veículos, infrações, denúncias, ocorrências com vítimas e mortes.
A estratégia permite concentrar ações nos locais identificados como de maior risco.
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📍 FONTES CONSULTADAS
Prefeitura de Maringá / Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob)
Plataforma Mais Vida / dados municipais
Mais do que informar
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