Política & Gestão Pública

Maringá avança em proposta para teste molecular de HPV; entenda o exame e o que pode mudar

Projeto aprovado em segunda discussão prevê uso prioritário do teste PCR DNA-HPV, acesso progressivo e ações de prevenção; proposta ainda não deve ser tratada como lei em vigor

MARINGÁ — Uma proposta em tramitação na Câmara Municipal de Maringá pretende estabelecer diretrizes municipais para ampliar o diagnóstico e o combate ao Papilomavírus Humano (HPV). O texto coloca o teste molecular PCR DNA-HPV entre as estratégias prioritárias de rastreamento.

O Projeto de Lei nº 17.728/2025 passou pela segunda discussão na quinta-feira (17).

No entanto, a aprovação pela Câmara não significa que o exame já esteja disponível automaticamente em toda a rede municipal.

O próprio projeto estabelece que o acesso deverá ocorrer de forma progressiva e conforme a disponibilidade orçamentária.

Além disso, idade e periodicidade do exame deverão seguir regras definidas em regulamentação.

O que o projeto prevê

De autoria do vereador Lemuel do Salvando Vidas, o projeto estabelece diretrizes para prevenção, diagnóstico precoce e tratamento oportuno das infecções por HPV.

Entre os princípios estão universalidade, integralidade e equidade no acesso à saúde.

O texto também inclui a promoção da prevenção de doenças evitáveis, a humanização do atendimento e o uso de ciência e inovação na saúde pública.

Além disso, a proposta prevê ações integradas entre poder público, sociedade civil e instituições de pesquisa.

Outro objetivo é ampliar as informações sobre prevenção do câncer do colo do útero.

O projeto também propõe campanhas de conscientização e educação sexual voltadas à prevenção do HPV.

Teste molecular aparece como prioridade

Um dos principais pontos do projeto é a previsão de estratégias de rastreamento populacional.

Nesse modelo, o Município deverá priorizar o teste molecular PCR HPV DNA, seguindo as recomendações do Ministério da Saúde.

O exame identifica material genético de tipos de HPV associados ao desenvolvimento do câncer do colo do útero.

A proposta municipal também prevê encaminhamento para atendimento especializado quando houver diagnóstico positivo.

Porém, o texto condiciona a ampliação do acesso à existência de recursos no orçamento municipal.

Assim, a aprovação do projeto, isoladamente, não cria uma oferta imediata e universal do exame.

Brasil já mudou diretriz de rastreamento

A discussão em Maringá ocorre enquanto o Brasil passa por uma mudança no rastreamento do câncer do colo do útero.

As Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero adotam o teste molecular de DNA-HPV como exame primário de rastreamento.

A recomendação vale para mulheres e outras pessoas com colo do útero entre 25 e 64 anos que já tiveram atividade sexual.

Quando o resultado do teste é negativo, a orientação nacional prevê novo rastreamento após cinco anos.

O Ministério da Saúde explica que o DNA-HPV passou a ser o exame primário nesse rastreamento.

A mudança ocorre porque o teste molecular apresenta maior sensibilidade para identificar infecções por HPV oncogênico e lesões precursoras.

E o Papanicolau?

A adoção do DNA-HPV modifica o papel tradicional do exame citopatológico, conhecido como Papanicolau.

Onde a nova tecnologia já está disponível, o teste molecular passa a funcionar como exame inicial de rastreamento.

Por outro lado, o Papanicolau continua sendo uma técnica válida.

Nos locais que ainda não oferecem o DNA-HPV, o exame citopatológico permanece como alternativa para garantir a continuidade da prevenção.

Além disso, ele continua tendo função dentro da investigação de determinados casos após resultados positivos.

O Ministério da Saúde mantém informações atualizadas sobre HPV e rastreamento.

O que pode mudar em Maringá

Caso a proposta conclua a tramitação e entre em vigor, o Município passará a ter diretrizes locais específicas para o enfrentamento do HPV.

Na prática, o projeto aponta cinco frentes principais:

1. Ampliação do diagnóstico precoce
O Município poderá estruturar estratégias para aumentar o rastreamento da população indicada.

2. Prioridade ao teste molecular
O PCR DNA-HPV aparece no projeto como tecnologia prioritária para o rastreamento.

3. Atendimento progressivo
A oferta deverá avançar conforme a disponibilidade de recursos públicos.

4. Atenção à vulnerabilidade
A proposta estabelece prioridade para mulheres vítimas de violência doméstica ou em situação de vulnerabilidade social.

5. Encaminhamento dos casos positivos
O projeto prevê encaminhamento para tratamento especializado quando necessário.

Dinheiro terá de aparecer no planejamento municipal

Outro trecho importante trata diretamente do orçamento.

O texto integral do projeto determina que as ações relacionadas à política sejam integradas às metas e programas do Plano Plurianual (PPA).

Também deverão existir compatibilidade com a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e com a Lei Orçamentária Anual (LOA).

Esse ponto é relevante porque o texto não estabelece um valor específico para implantação da estratégia.

Portanto, uma eventual ampliação dos testes dependerá não apenas da conclusão do processo legislativo, mas também da implementação administrativa e dos recursos disponíveis.

Projeto já passou por duas votações

A Câmara aprovou o projeto em primeira discussão em 15 de setembro.

Dois dias depois, em 17 de setembro, a proposta recebeu aprovação em segunda discussão.

Até este domingo (20), o sistema legislativo da Câmara registra o texto com status de aprovado em segunda discussão.

Por isso, neste momento, a proposta ainda deve ser tratada como projeto de lei em tramitação, e não como uma política municipal já implantada.

Por que o teste é importante

O HPV é uma infecção sexualmente transmissível muito comum.

Alguns tipos do vírus estão associados ao desenvolvimento de diferentes tipos de câncer, especialmente o câncer do colo do útero.

Por isso, a estratégia de prevenção envolve diferentes medidas.

Entre elas estão vacinação contra o HPV, educação em saúde e rastreamento adequado da população indicada.

O teste molecular acrescenta uma ferramenta mais sensível para identificar HPV oncogênico antes do aparecimento de alterações mais avançadas.

O INCA detalha as novas diretrizes brasileiras para o uso do teste DNA-HPV.

O que ainda precisa ser acompanhado

A próxima etapa da cobertura será verificar o encerramento da tramitação legislativa e uma eventual transformação do projeto em lei.

Depois disso, haverá outra questão essencial: como a Prefeitura pretende executar a medida.

Ainda será necessário saber se Maringá já dispõe do teste na rede pública, qual seria a capacidade mensal e quanto custaria ampliar a oferta.

Também será importante verificar quais unidades fariam a coleta e qual seria o fluxo entre resultado positivo, investigação complementar e tratamento.

Essas respostas permitirão medir a diferença entre a diretriz aprovada no Legislativo e a aplicação prática na rede municipal.

FONTES

Câmara Municipal de Maringá — Projeto de Lei nº 17.728/2025

SAPL — aprovação em primeira discussão em 15 de setembro de 2026

SAPL — aprovação em segunda discussão em 17 de setembro de 2026

Ministério da Saúde — Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero

Ministério da Saúde — como funciona o rastreamento do câncer no SUS

INCA — Diretrizes para rastreamento com teste molecular DNA-HPV

Redação Maringá PR Notícias

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