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Córrego Osório: erosão, lixo e cobrança por obras voltam à pauta em Maringá

Córrego Osório: erosão, infraestrutura danificada e descarte irregular preocupam na Zona Norte de Maringá

Fotos mostram desgaste das margens, calçada e estrutura de drenagem danificadas, grade de proteção quebrada e resíduos em fundos de vale; Câmara cobra projeto de contenção e medidas emergenciais, enquanto Prefeitura não respondeu à reportagem até o prazo estabelecido

MARINGÁ — Registros feitos em diferentes pontos do Córrego Osório e de fundos de vale da Zona Norte de Maringá mostram desgaste e erosão aparente nas margens, infraestrutura danificada e descarte irregular de resíduos. Em um dos trechos fotografados, a calçada e a estrutura de drenagem apresentam danos, enquanto a grade de proteção está quebrada e parte da área aparece isolada por fitas de sinalização.

Outro ponto que concentra preocupação fica na Rua Pioneiro Guarino Augusto Basseto, entre as regiões do Conjunto Residencial Rodolpho Bernardi, Jardim Paulino Carlos Filho e Jardim Batel. Há ainda registros feitos durante a apuração em outros fundos de vale da Zona Norte, incluindo áreas em direção ao Jardim Record e proximidades do Rio Madeira.

A situação ganhou um novo componente neste mês. A Câmara Municipal aprovou o Requerimento nº 519/2026, que cobra diretamente da Prefeitura informações sobre estudos, projetos ou cronograma para obras de contenção e recuperação da margem do Córrego Osório na Rua Guarino Augusto Basseto, no Jardim Batel. O documento também questiona quais medidas emergenciais serão tomadas para garantir a segurança de moradores e pedestres enquanto as obras não começam.

Solo exposto e desgaste da margem registrados em trecho do Córrego Osório, na região da Rua Pioneiro Guarino Augusto Basseto, na Zona Norte de Maringá. Crédito: Associação Amigos da Zona Norte / Maringá PR Notícias

Câmara cobra projeto para conter margem do Córrego Osório

O Requerimento nº 519/2026 é de autoria do vereador Bravin Junior.

O texto pede que a Prefeitura informe se existem estudos ou projetos em andamento ou cronograma definido para a execução de obras de contenção e recuperação da margem do Córrego Osório na Rua Guarino Augusto Basseto.

Caso existam, a Câmara solicita o envio dos respectivos documentos.

A cobrança vai além de uma futura obra. O Legislativo também questiona quais medidas emergenciais serão adotadas antes do início da intervenção para garantir a segurança de moradores e pedestres.

O requerimento, entretanto, não significa que uma obra já esteja autorizada, contratada ou tenha recursos reservados.

Permanecem sem esclarecimento público questões como existência de projeto executivo, custo da intervenção, fonte de recursos e prazo para eventual início dos trabalhos.

Três imagens mostram infraestrutura danificada no mesmo trecho

Trecho do Córrego Osório, na Zona Norte de Maringá, apresenta calçada e estrutura de drenagem danificadas, além de grade de proteção quebrada. A área aparece isolada com fitas de sinalização junto ao fundo de vale. Crédito: Associação Amigos da Zona Norte / Maringá PR Notícias

Fotografias revelam problemas diferentes

Os registros analisados pelo Maringá PR Notícias mostram que os problemas encontrados não devem ser tratados como uma única situação.

Na região da Guarino Augusto Basseto, há pontos com desgaste e erosão aparente do terreno e da margem.

Em outro trecho fotografado, são visíveis danos na calçada e na estrutura de drenagem, além da grade de proteção quebrada e da sinalização provisória com fitas.

Em outros fundos de vale acompanhados durante a apuração aparecem resíduos descartados entre a vegetação e nas proximidades das áreas ambientais.

Moradores relatam que a instalação de câmera em um dos pontos contribuiu para reduzir o descarte irregular. Ainda assim, há registros de resíduos no local.

São, portanto, situações que exigem respostas diferentes.

O descarte irregular envolve limpeza, fiscalização e prevenção de novos depósitos.

A deterioração da infraestrutura pode exigir reparos e medidas de segurança.

Já a erosão e a recuperação da margem dependem de avaliação técnica para determinar causas, extensão, eventual risco e tipo adequado de intervenção.

Somente as fotografias não permitem estabelecer o grau de risco estrutural ou ambiental dos locais.

Essa é uma das informações solicitadas pela reportagem à Prefeitura.

Resíduos registrados em área de fundo de vale acompanhada pela reportagem na Zona Norte de Maringá. Crédito: Associação Amigos da Zona Norte / Maringá PR Notícias

Córrego Osório já aparecia em cobrança feita há dez anos

A pesquisa em documentos da Câmara encontrou um antecedente de 2016.

Naquele ano, o Requerimento nº 838/2016, de autoria do então vereador Luizinho Gari, solicitou ao Executivo informações sobre a possibilidade de adoção de providências destinadas à preservação de três cursos d’água do município.

Entre eles estava o Córrego Osório, identificado na região do Jardim São Francisco, Conjunto Residencial Paulino Carlos Filho e Parque Residencial Tuiuti.

O documento foi apresentado em 25 de agosto e votado em 29 de setembro daquele ano.

Esse antecedente precisa ser interpretado com cautela.

O requerimento de 2016 tratava da preservação do curso d’água e, isoladamente, não comprova que os danos registrados atualmente sejam os mesmos existentes naquela época.

O que a documentação permite afirmar é que a preservação do Córrego Osório já havia chegado formalmente à pauta do Legislativo municipal há uma década.

Agora, em 2026, a cobrança é mais específica e menciona diretamente contenção, recuperação da margem e medidas emergenciais.

Setembro aumenta atenção sobre fundos de vale

A situação ocorre em um período de chuvas frequentes em Maringá.

Levantamento anteriormente publicado pelo Maringá PR Notícias registrou 142,4 milímetros nas duas primeiras semanas de setembro, diante de uma média histórica mensal de 94,4 mm.

Somente entre 11 e 13 de setembro foram registrados 84,6 mm.

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Nesta segunda-feira, 21 de setembro, o Sul do Brasil permanece sob influência de instabilidades relacionadas à formação e ao avanço de uma frente fria associados à atuação de um ciclone extratropical.

A reportagem, entretanto, não atribui às chuvas a causa da erosão ou dos danos observados no Córrego Osório.

Para estabelecer essa relação seriam necessários estudos técnicos sobre drenagem, solo, escoamento das águas pluviais, condições das estruturas e histórico da área.

Descarte irregular também aparece em outros fundos de vale

Os registros de resíduos não se restringem ao ponto relacionado à erosão.

Durante a apuração, foram documentados outros trechos de fundos de vale da Zona Norte com materiais descartados entre a vegetação.

A presença desses resíduos abre uma frente diferente da investigação.

Além da retirada do material, permanecem questões sobre fiscalização, identificação de pontos recorrentes, prevenção de novos descartes e acompanhamento das áreas após a limpeza.

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Associação levou situação ao serviço 156

Além da apuração jornalística, a Associação Amigos da Zona Norte encaminhou ao serviço 156 da Prefeitura uma solicitação de providências sobre problemas encontrados nos fundos de vale.

O relato menciona descarte irregular de resíduos, erosão e necessidade de intervenção nos pontos indicados.

O protocolo permite acompanhar agora qual órgão municipal ficará responsável pela demanda, se haverá vistoria técnica e quais providências serão determinadas.

Situação registrada em um dos pontos incluídos na solicitação de providências encaminhada ao Município. Crédito: Associação Amigos da Zona Norte / Maringá PR Notícias

Prefeitura não respondeu até o prazo da reportagem

Antes da publicação, o Maringá PR Notícias encaminhou questionamentos à Prefeitura de Maringá sobre o Córrego Osório e os demais fundos de vale registrados durante a apuração.

Foram solicitadas informações sobre existência de projetos ou estudos para recuperação da margem, avaliação técnica da erosão, previsão de obras, reparo da infraestrutura danificada, situação da grade de proteção quebrada, limpeza, fiscalização contra descarte irregular, medidas emergenciais e eventual cronograma de intervenções.

Para o fechamento da reportagem, foi solicitado retorno até as 12h desta segunda-feira, 21 de setembro de 2026.

Até o horário estabelecido, a Prefeitura não havia encaminhado manifestação à reportagem.

A ausência de resposta não permite concluir que o Município não possua estudos, projetos ou providências em andamento.

O espaço permanece aberto e, caso a administração municipal encaminhe manifestação posteriormente, a posição oficial será incorporada ao texto com a indicação da atualização.

Cinco respostas continuam em aberto

1. Existe avaliação técnica da erosão?
A reportagem busca saber se técnicos do Município já inspecionaram a margem na Guarino Augusto Basseto, qual é a extensão do desgaste e se foi identificado algum risco que demande intervenção.

2. Existe projeto de contenção e recuperação?
O próprio Requerimento nº 519/2026 pergunta se há estudo, projeto ou cronograma para a margem do Córrego Osório.

3. Quanto custaria a intervenção e de onde sairia o recurso?
Até o fechamento, a reportagem não havia localizado orçamento público que permitisse conhecer o valor de uma eventual obra naquele trecho.

4. Haverá reparos emergenciais na infraestrutura?
As imagens mostram calçada e estrutura de drenagem danificadas e grade de proteção quebrada. Uma das questões encaminhadas à Prefeitura é se haverá reparo ou outra medida de segurança antes de uma solução definitiva.

5. Como será enfrentado o descarte irregular?
Além das intervenções físicas, permanece a necessidade de esclarecer como serão feitas limpeza, fiscalização e prevenção para impedir que resíduos voltem a ser depositados nos fundos de vale.

As respostas são importantes para diferenciar problemas ambientais, danos de infraestrutura e situações que eventualmente exijam intervenção emergencial.

O que a reportagem continuará acompanhando

O Maringá PR Notícias continuará acompanhando a resposta do Executivo ao Requerimento nº 519/2026.

Também serão acompanhados o protocolo encaminhado ao serviço 156, eventuais vistorias, reparos na grade de proteção, serviços de limpeza, intervenções na drenagem e novos documentos disponibilizados pelo Município.

Caso sejam obtidos laudos, projetos, orçamento, cronograma ou ordem de serviço, as informações serão incorporadas à investigação.

Transparência editorial

Parte das fotografias e informações utilizadas nesta reportagem foi obtida durante acompanhamento realizado pela Associação Amigos da Zona Norte.

O presidente da associação, Gismael Santos, também é fundador e editor do Maringá PR Notícias.

Por essa razão, a reportagem explicita essa relação.

As conclusões apresentadas se limitam ao que pode ser sustentado por registros fotográficos, documentos públicos e informações verificáveis.

A Prefeitura de Maringá foi procurada antes da publicação e teve espaço oferecido para manifestação.

Fontes

Câmara Municipal de Maringá / SAPL — Requerimento nº 519/2026
Consultar o Requerimento nº 519/2026

Câmara Municipal de Maringá / SAPL — Requerimento nº 838/2016
Consultar o Requerimento nº 838/2016

Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) — frente fria, ciclone extratropical e instabilidades na Região Sul
Consultar a previsão oficial do INMET

Maringá PR Notícias — chuvas acima da média em setembro
Maringá já recebeu 51% mais chuva que a média de setembro; temporal pressiona estrutura da cidade

Maringá PR Notícias — descarte e limpeza urbana
Maringá recolhe 34,6 toneladas de resíduos em ação do Dia Mundial da Limpeza

Apuração própria — Maringá PR Notícias
Registros fotográficos, acompanhamento dos pontos indicados, relatos de moradores, questionamentos encaminhados à Prefeitura de Maringá e solicitação apresentada ao serviço 156.

Redação — Maringá PR Notícias

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