Quatro dias depois do fenômeno que atingiu a cidade, concessionária já restabeleceu o fornecimento para 71,9 mil unidades consumidoras. Reconstrução da rede envolve substituição de centenas de postes e atendimento aos trechos mais danificados.
Maringá (PR), 5 de novembro de 2026 — atualização às 18h15.
Quatro dias após o tornado que atingiu Maringá na madrugada de segunda-feira (2), 16,1 mil unidades consumidoras ainda permaneciam sem energia elétrica no início da noite desta quinta-feira (5). O número faz parte do balanço atualizado da Companhia Paranaense de Energia (Copel), divulgado às 18h15.
Apesar das dificuldades, o fornecimento já havia sido restabelecido para 71,9 mil unidades consumidoras, o equivalente a 81% dos clientes afetados. Para acelerar os trabalhos, a Copel mobilizou 1.100 profissionais, incluindo eletricistas, técnicos, projetistas e equipes de manutenção.
A recuperação, entretanto, vai além de religar os imóveis. Em diversos pontos da cidade, o tornado destruiu postes, rompeu cabos e danificou equipamentos. Por isso, os profissionais precisam reconstruir trechos inteiros da rede antes de restabelecer o serviço com segurança.
Copel identifica 430 postes quebrados em Maringá
O levantamento das 18h15 desta quinta-feira apontou 430 postes quebrados em consequência do tornado.
Durante a tarde, mais 4,3 mil clientes tiveram o fornecimento restabelecido. Com isso, o total de unidades consumidoras religadas chegou a 71,9 mil.
Os dados mostram uma evolução em relação ao boletim do meio-dia, quando a companhia informava 20,4 mil unidades sem energia e 372 postes quebrados identificados.
A diferença entre os levantamentos reflete tanto o avanço das religações quanto a identificação de novos danos pelas equipes em campo.
Segundo a Copel, os serviços agora se concentram principalmente nas áreas onde houve destruição mais severa da infraestrutura.
A companhia informou que manterá a mobilização até concluir o restabelecimento do fornecimento.
Por que a recuperação demora em alguns bairros?
A extensão dos danos ajuda a explicar por que parte da população ainda enfrenta interrupções prolongadas.
Quando uma árvore derruba cabos ou postes, pode ser necessário retirar a vegetação, isolar a área, substituir estruturas, instalar equipamentos e testar as condições de segurança antes da religação.
Em alguns locais, o trabalho também depende da liberação das vias e da atuação conjunta entre a Copel, a Prefeitura e equipes de emergência.
Além disso, imóveis com danos no padrão particular de entrada de energia podem precisar de adequações técnicas antes da religação individual.
A Copel informou anteriormente que prioriza hospitais, unidades de saúde, pessoas que dependem de equipamentos elétricos para sobreviver e outras instalações essenciais.
Simepar confirma tornado F2 com ventos de até 250 km/h
O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) confirmou que Maringá foi atingida por um tornado de categoria F2 na Escala Fujita.
Segundo o órgão, os ventos foram estimados entre 180 km/h e 250 km/h.
A análise identificou uma trajetória de aproximadamente 15 quilômetros, iniciada na região sudoeste da cidade.
Para chegar à classificação, os meteorologistas avaliaram imagens aéreas, dados de radar, registros de satélite e danos observados em campo.
A força dos ventos provocou quedas de árvores, destelhamentos e danos em estruturas urbanas, além de comprometer a rede elétrica.
Confira a análise oficial do Simepar.
Queda de árvores e danos em imóveis aumentam dificuldades dos moradores
Enquanto as equipes trabalham na reconstrução da rede pública, moradores enfrentam outra etapa da recuperação: reparar telhados, muros, instalações elétricas e equipamentos danificados.
Em determinadas situações, árvores caíram sobre a fiação e atingiram postes de entrada de energia de residências.
Nesses casos, é importante distinguir a infraestrutura pública de distribuição das instalações particulares do imóvel.
A Copel é responsável pela manutenção da rede de distribuição sob sua responsabilidade. Já o padrão de entrada particular possui regras técnicas e obrigações próprias, que devem ser esclarecidas individualmente.
Isso não significa que o proprietário necessariamente terá de suportar todos os prejuízos. Dependendo das circunstâncias, poderá existir cobertura de seguro ou possibilidade de solicitar ressarcimento.
Árvore já tinha pedido de remoção: quem responde pelos prejuízos?
Quando uma árvore que caiu durante o tornado já havia sido objeto de solicitação de poda ou retirada, o histórico do atendimento pode ser importante para esclarecer responsabilidades.
O morador deve guardar o número do protocolo, fotografias anteriores, eventuais laudos e documentos que comprovem a comunicação do risco.
Entretanto, a existência de uma solicitação anterior não significa, automaticamente, que a Prefeitura seja responsável pelo dano.
É necessário verificar onde a árvore estava localizada, se havia risco conhecido, se houve vistoria, quais providências foram adotadas e se existe relação entre eventual falha e o prejuízo.
Quando a árvore pertence a um imóvel particular, a análise também pode envolver o proprietário.
A intensidade excepcional do tornado é outro elemento relevante para a avaliação.
Até que os documentos sejam examinados, não é possível atribuir responsabilidade por casos específicos.
Como solicitar ressarcimento à Copel?
Consumidores que tiveram aparelhos elétricos danificados podem apresentar pedido de ressarcimento à concessionária.
Segundo as regras divulgadas pela Copel, o prazo máximo para solicitar ressarcimento de danos elétricos é de cinco anos após a ocorrência.
A companhia analisa se existe relação entre o dano e perturbações no sistema elétrico ou falhas no serviço.
O registro do pedido não garante pagamento automático.
Para outros tipos de danos, como prejuízos estruturais, a Copel mantém procedimento próprio, com condições e prazos diferentes. Por isso, o consumidor deve procurar atendimento e informar exatamente o que foi danificado.
Consulte as regras oficiais de ressarcimento da Copel.
Seguro residencial pode cobrir os prejuízos?
Moradores que possuem seguro residencial devem verificar as coberturas contratadas.
Algumas apólices oferecem proteção contra vendaval, tornado, queda de árvores e danos elétricos. Entretanto, os riscos cobertos, as exclusões, os limites e as franquias variam conforme o contrato.
O segurado deve comunicar a ocorrência à seguradora, registrar os prejuízos e guardar os comprovantes das despesas.
Antes de descartar equipamentos danificados ou realizar reparos que não sejam emergenciais, é recomendável consultar as orientações da seguradora.
Quando houver risco imediato, a segurança dos moradores deve vir em primeiro lugar.
Defesa Civil: quando pedir ajuda?
Famílias com residências danificadas, risco de desabamento ou necessidade de atendimento emergencial podem procurar a Defesa Civil.
Os órgãos municipais também podem orientar sobre ocorrências envolvendo árvores, estruturas públicas e situações de risco.
A assistência emergencial, entretanto, é diferente de um pedido de indenização.
O atendimento da Defesa Civil não representa, por si só, reconhecimento de responsabilidade pelo prejuízo.
O que fazer se ainda estiver sem energia?
A Copel orienta a população a não se aproximar de fios caídos, postes danificados ou equipamentos da rede elétrica que apresentem sinais de avaria.
Mesmo um cabo aparentemente desligado pode oferecer risco.
Em caso de danos ou interrupção do fornecimento:
- Mantenha distância de fios e estruturas danificadas.
- Afaste crianças e animais da área de risco.
- Registre a falta de energia pelos canais oficiais da Copel.
- Informe a existência de postes quebrados, árvores sobre a fiação ou outros riscos.
- Guarde os números de protocolo.
- Fotografe os prejuízos apenas de locais seguros.
- Se houver dano no padrão de entrada, solicite orientação técnica antes de contratar o reparo.
Moradores que dependem de equipamentos elétricos para manutenção da vida devem informar essa condição à concessionária e procurar atendimento de emergência se houver risco à saúde.
Telefones úteis
Copel: 0800 51 00 116
WhatsApp Copel: (41) 3013-8973
Defesa Civil: 199
Corpo de Bombeiros: 193
Samu: 192
Prefeitura de Maringá: 156
O registro de falta de energia também pode ser realizado pelo site oficial da Copel.
Reconstrução de Maringá ainda exige trabalho e transparência
O restabelecimento da energia representa uma etapa importante da recuperação, mas não encerra os problemas provocados pelo tornado.
Além da rede elétrica, há prejuízos em imóveis, árvores caídas, estruturas particulares danificadas e despesas inesperadas para famílias e comerciantes.
A recuperação também exige informações claras sobre os prazos dos serviços, a responsabilidade por reparos e os procedimentos para solicitar assistência ou ressarcimento.
O Maringá PR Notícias continuará acompanhando os balanços da Copel, os trabalhos da Prefeitura, a atuação da Defesa Civil e as dificuldades enfrentadas pelos moradores.
Os números desta reportagem correspondem ao balanço das 18h15 de 5 de novembro de 2026 e poderão ser atualizados com novos comunicados.
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