Documento oficial do 3º LIRAa mostra Piatã com 2,6% e Cidade Alta com 1,8%; além disso, pequenos recipientes e lixo concentram 70,61% dos criadouros encontrados
MARINGÁ — O mapa oficial do terceiro Levantamento de Índice Rápido para o Aedes aegypti, o LIRAa, revela diferenças importantes na infestação do mosquito entre os territórios de Maringá. Embora a média municipal tenha caído para 1,1%, o território identificado como Guaiapó chegou a 2,7%, o maior índice apresentado no documento.
Na sequência, aparecem Piatã, com 2,6%, e Cidade Alta, com 1,8%. Além disso, os três territórios foram destacados em vermelho no mapa elaborado para a Secretaria Municipal de Saúde.
O levantamento ocorreu entre 31 de agosto e 4 de setembro de 2026. Já a apresentação oficial, datada de 9 de setembro, reúne o índice municipal, o mapa territorial, a distribuição dos criadouros e comparações com períodos anteriores.
➡️ Consulte a apresentação oficial do 3º LIRAa de 2026
Resumo do que você vai encontrar
Nesta reportagem, você confere:
- quais territórios têm os maiores índices;
- quanto cada local registrou;
- onde estão os principais criadouros;
- como o resultado se compara aos levantamentos anteriores;
- por que o índice de 2,8% ainda não está confirmado;
- como denunciar possíveis focos em Maringá.
Guaiapó lidera o mapa da dengue
Segundo o mapa oficial, Guaiapó, com 2,7%, é o território com maior infestação predial no terceiro LIRAa de 2026.
Logo depois, aparece Piatã, com 2,6%. Por sua vez, Cidade Alta registrou 1,8%, o terceiro maior resultado indicado no documento.
Na prática, o Índice de Infestação Predial corresponde ao percentual de imóveis pesquisados nos quais foram encontradas formas imaturas do mosquito.
Assim, um índice de 2,7% indica que, dentro da amostra pesquisada naquele território, aproximadamente 2,7 imóveis a cada 100 apresentaram resultado positivo.
Quantidade de imóveis não foi divulgada
Apesar de revelar os percentuais, a apresentação não informa quantos imóveis foram vistoriados em cada território.
Além disso, o documento não apresenta o número absoluto de imóveis positivos em Guaiapó, Piatã ou Cidade Alta. Por esse motivo, ainda não é possível converter os índices em uma quantidade exata de imóveis com focos.
[INSERIR AQUI O MAPA OFICIAL DO 3º LIRAA]
Legenda: Mapa do terceiro LIRAa de 2026 apresenta os índices de infestação do Aedes aegypti por território de Maringá. Guaiapó, Piatã e Cidade Alta aparecem com os maiores resultados. Imagem: Secretaria de Saúde/Prefeitura de Maringá.
Texto alternativo: Mapa da dengue em Maringá mostra Guaiapó com 2,7%, Piatã com 2,6% e Cidade Alta com 1,8%.
Territórios com índices a partir de 1%
Além dos três locais destacados em vermelho, o documento aponta outros territórios com índice igual ou superior a 1%.
| Território | Índice |
|---|---|
| Guaiapó | 2,7% |
| Piatã | 2,6% |
| Cidade Alta | 1,8% |
| Morangueira | 1,4% |
| Zona 7 | 1,4% |
| Paulino | 1,3% |
| Pinheiros | 1,3% |
| Zona 6 | 1,3% |
| Tuiuti | 1,2% |
| Parigot de Souza | 1,2% |
| Céu Azul | 1,2% |
| São Silvestre | 1,2% |
| Universo | 1,1% |
| Alvorada III | 1% |
| Vardelina | 1% |
| Mandacaru | 1% |
Enquanto isso, a Zona Sul registrou 0,3%; Vila Esperança, 0,4%; e Iguaçu, 0,5%.
Além desses locais, Iguatemi, Floriano, Industrial, Portal das Torres e Quebec aparecem com 0,6%. Entretanto, índices menores não eliminam a necessidade de prevenção, pois o cenário pode mudar após as chuvas.
Territórios não são necessariamente bairros isolados
De acordo com o documento, os nomes no mapa identificam os territórios avaliados pela Secretaria Municipal de Saúde.
Portanto, o percentual atribuído a Guaiapó, Piatã ou Cidade Alta não significa necessariamente que o levantamento esteja limitado ao bairro com o mesmo nome.
Além disso, a apresentação não esclarece quais bairros ou loteamentos integram cada território. Dessa forma, essa correspondência ainda depende de detalhamento oficial.
Média caiu de 2% para 1,1%
O índice médio municipal passou de 2% no segundo LIRAa de 2026 para 1,1% no terceiro levantamento.
Com isso, houve redução de 45% em aproximadamente três meses, percentual destacado pela Prefeitura.
Apesar da queda, o índice municipal permanece acima de 1%. Além disso, a média não revela sozinha as diferenças existentes dentro da cidade.
Enquanto alguns territórios aparecem abaixo de 1%, Guaiapó e Piatã superam 2,5%. Por isso, o mapa oferece uma leitura mais detalhada do que apenas a média municipal.
Resultado melhorou durante 2026
A comparação entre os levantamentos deste ano mostra melhora desde maio.
| Levantamento | Índice médio |
|---|---|
| 1º LIRAa de 2026 | 1,8% |
| 2º LIRAa de 2026 | 2% |
| 3º LIRAa de 2026 | 1,1% |
Primeiramente, o índice subiu de 1,8% para 2%. Depois, caiu para 1,1% entre agosto e setembro.
Portanto, o resultado atual é o menor entre os três levantamentos realizados em 2026.
Comparação com 2025 mostra aumento
Por outro lado, a comparação anual apresenta um cenário diferente.
No terceiro LIRAa de 2025, Maringá registrou índice médio de 0,4%. Agora, no terceiro levantamento de 2026, o resultado chegou a 1,1%.
Com isso, houve aumento relativo de 175%.
Assim, o índice atual é melhor que o observado em maio de 2026. Entretanto, ele continua acima do resultado registrado no terceiro levantamento de 2025.
Pequenos recipientes lideram os criadouros
Além do mapa, o relatório mostra onde as formas imaturas do mosquito foram encontradas.
De acordo com o documento, os pequenos depósitos móveis responderam por 44,56% dos criadouros. Esse grupo pode incluir pratos de vasos, garrafas, baldes e outros objetos capazes de acumular água.
Em seguida, aparece o lixo ou material passível de remoção, com 26,05%.
Somadas, portanto, as duas categorias representam 70,61% dos criadouros identificados.
Distribuição dos criadouros
| Tipo de criadouro | Participação |
|---|---|
| Pequenos depósitos móveis | 44,56% |
| Lixo e materiais removíveis | 26,05% |
| Outros depósitos baixos de água | 10,53% |
| Pneus e materiais rodantes | 9,21% |
| Depósitos fixos | 6,14% |
| Depósitos naturais | 1,97% |
| Caixas-d’água | 1,54% |
Consequentemente, boa parte dos focos está relacionada a objetos que podem ser retirados, protegidos ou mantidos secos pelos moradores.
Além disso, outros depósitos baixos de água representam 10,53%. Já os pneus e materiais rodantes respondem por 9,21%.
Índice de 2,8% não aparece no relatório
Antes da localização da apresentação integral, uma informação divulgada separadamente apontava que determinada área de Maringá teria alcançado 2,8% de infestação.
No entanto, esse número não aparece no documento oficial analisado pelo Maringá PR Notícias.
Conforme o mapa, o maior resultado é o de Guaiapó, com 2,7%. Em seguida, aparecem Piatã, com 2,6%, e Cidade Alta, com 1,8%.
Além disso, a apresentação não associa esses percentuais a grandes áreas numeradas. Pelo contrário, os índices aparecem relacionados aos territórios nomeados no mapa.
Por transparência, o Maringá PR Notícias considera o índice de 2,8% não confirmado até que a Secretaria Municipal de Saúde esclareça sua origem ou apresente outro documento.
Casos de dengue caíram mais de 95%
A apresentação também registra 183 casos confirmados entre janeiro e agosto de 2026. No mesmo período de 2025, foram contabilizados 4.163 casos.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, portanto, a redução foi de 95,56%.
Considerando apenas agosto, Maringá registrou três casos em 2026, diante de 29 no mesmo mês de 2025. Nesse recorte, a queda chegou a 89,66%.
Além disso, os dados atualizam o balanço anterior, que indicava 175 confirmações no ano.
➡️ Leia a reportagem anterior sobre a queda dos casos de dengue em Maringá
Menos casos não eliminam o risco
Embora as confirmações tenham diminuído, o mosquito continua presente em diferentes partes da cidade.
O LIRAa mede a presença de formas imaturas do Aedes aegypti nos imóveis pesquisados. Já o número de pessoas infectadas depende da circulação dos vírus, das condições climáticas e da exposição da população.
Portanto, o município pode apresentar poucos casos confirmados e, ao mesmo tempo, manter territórios com infestação que exige vigilância.
Por isso, a redução da doença não substitui o combate aos criadouros.
Município usa mapas de calor e armadilhas
Segundo a Prefeitura, mapas de calor são utilizados para direcionar as equipes às áreas com maior incidência.
Além disso, o município mantém 1.300 ovitrampas distribuídas por Maringá e pelos distritos. Dessa forma, as equipes conseguem monitorar a presença do mosquito por meio dos ovos depositados pelas fêmeas.
O relatório também cita drones, borrifação residual intradomiciliar e 2 mil Estações Disseminadoras de Larvicida, as EDLs.
Por fim, outra estratégia é a Pneutrap, armadilha desenvolvida para atrair o mosquito e impedir o desenvolvimento de ovos e larvas.
➡️ Entenda como funciona a Pneutrap instalada em Maringá
O que verificar dentro de casa
Como pequenos recipientes e lixo representam mais de 70% dos criadouros, a orientação é vistoriar o imóvel frequentemente.
Entre os pontos que precisam de atenção estão:
- pratos e vasos de plantas;
- garrafas e embalagens abertas;
- baldes no quintal;
- lonas com água;
- calhas;
- ralos pouco utilizados;
- pneus;
- bebedouros de animais;
- caixas-d’água sem vedação;
- materiais descartados.
Depois das chuvas, a recomendação é repetir a vistoria. Afinal, até recipientes pequenos podem acumular água suficiente para o desenvolvimento do mosquito.
Além disso, materiais sem uso devem ser descartados corretamente ou mantidos em locais cobertos.
Como denunciar possíveis focos
Moradores podem comunicar imóveis abandonados, terrenos com resíduos ou outros locais com possíveis criadouros pelos telefones 156 ou 160.
Além disso, a denúncia pode ser registrada pela Ouvidoria da Prefeitura de Maringá.
O Programa Municipal de Controle da Dengue também informa o telefone (44) 3127-3183 e o e-mail saude_dengue@maringa.pr.gov.br.
Dados que ainda precisam ser divulgados
Embora a apresentação tenha revelado o mapa territorial, alguns dados continuam pendentes:
- número de imóveis pesquisados em cada território;
- quantidade absoluta de imóveis positivos;
- planilha completa por estrato;
- bairros e loteamentos incluídos em cada território;
- relação entre os territórios e as áreas das UBSs;
- mapas de calor utilizados pelas equipes;
- origem da informação de 2,8%.
Por isso, o Maringá PR Notícias continuará acompanhando eventuais esclarecimentos da Secretaria Municipal de Saúde.
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Fontes da matéria
- Prefeitura de Maringá — apresentação oficial do 3º LIRAa de 2026
- Ouvidoria da Prefeitura de Maringá
- Secretaria Municipal de Saúde — Programa Municipal de Controle da Dengue
- Reportagens anteriores do Maringá PR Notícias
Redação Maringá PR Notícias
