Crise na unidade envolve dificuldades financeiras, falta de anestesistas e divergências sobre fiscalização. Secretaria de Saúde afirma que iniciou o encaminhamento de pacientes para outros hospitais.
MARINGÁ (PR) — 30 de outubro de 2026. A suspensão de cirurgias eletivas de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) no Hospital do Câncer de Maringá provocou uma reação da Secretaria Municipal de Saúde e levantou questionamentos sobre a continuidade dos tratamentos oncológicos na cidade.
Segundo informações divulgadas nesta sexta-feira (30), a Prefeitura notificou a instituição em 28 de outubro, solicitando a retomada dos procedimentos. Diante da continuidade das dificuldades, a administração municipal informou que começou a encaminhar pacientes para outros prestadores da rede credenciada, incluindo o Hospital Santa Rita.
A situação envolve dificuldades financeiras relatadas pela direção hospitalar, problemas na contratação de anestesistas e divergências sobre a fiscalização dos serviços prestados ao SUS.
Até o fechamento desta reportagem, não havia confirmação documental do número total de pacientes afetados, das cirurgias efetivamente canceladas ou da data prevista para a normalização dos atendimentos.
Prefeitura cobra retomada das cirurgias
O secretário municipal de Saúde, Antônio Carlos Nardi, informou que a administração municipal adotou medidas para assegurar a continuidade da assistência aos pacientes oncológicos.
De acordo com as declarações divulgadas pela imprensa regional, o hospital não conseguiu recompor a equipe de anestesiologia necessária para realizar os procedimentos eletivos.
Por isso, a Secretaria de Saúde iniciou o remanejamento de pacientes para outras instituições habilitadas.
A administração municipal também informou que os tratamentos de quimioterapia e radioterapia continuam sendo realizados. Entretanto, a continuidade desses serviços não elimina a necessidade de esclarecer a situação dos pacientes que aguardam intervenções cirúrgicas.
A reportagem ainda busca confirmar quantas pessoas receberam novos encaminhamentos e quais prazos foram estabelecidos para a realização dos procedimentos.
Hospital aponta dificuldades financeiras e falta de anestesistas
A direção do Hospital do Câncer reconheceu dificuldades na realização de parte das cirurgias e atribuiu o problema principalmente à insuficiência dos recursos disponíveis e aos obstáculos para contratar profissionais de anestesiologia.
Segundo manifestações divulgadas pela imprensa regional, a instituição afirma que propostas recebidas para contratação de anestesistas chegaram a aproximadamente três vezes o valor disponível para essa finalidade.
O hospital também informou que passa por recuperação judicial e que aproximadamente 90% dos atendimentos realizados pela instituição são destinados a pacientes do SUS.
Essas declarações precisam ser confrontadas com os contratos de prestação de serviços, os valores pactuados, os repasses efetivamente realizados e os custos demonstrados pela instituição.
A recuperação judicial, por si só, não comprova irregularidades na utilização de recursos públicos nem determina automaticamente a interrupção de serviços assistenciais.
Prefeitura e hospital apresentam versões divergentes sobre auditoria
Outro ponto da crise envolve uma divergência sobre a fiscalização municipal.
A Secretaria de Saúde informou ter realizado uma auditoria na instituição antes da notificação para retomada das cirurgias.
Entretanto, conforme reportagem divulgada pela Pinga Fogo, a direção hospitalar contestou a informação de que essa auditoria teria ocorrido.
Até o momento, a redação não obteve o relatório integral da fiscalização, eventuais ordens de serviço, registros de visitas técnicas ou documentos que permitam esclarecer a divergência.
A existência, o alcance e os resultados dessa auditoria são importantes para avaliar quais problemas foram identificados e quais providências a administração pública determinou.
Quantos pacientes tiveram cirurgias suspensas?
Essa permanece uma das principais perguntas da investigação.
Ainda não foi possível confirmar documentalmente:
- Quantas cirurgias estavam programadas para outubro e novembro.
- Quantos procedimentos foram adiados ou cancelados.
- Quantos pacientes aguardam uma nova data.
- Quantos pacientes já foram transferidos para outros hospitais.
- Qual é o tempo previsto para realização das cirurgias remanejadas.
- Quando o Hospital do Câncer poderá normalizar os procedimentos.
A ausência desses números impede uma avaliação completa do impacto assistencial.
Também não é possível afirmar, neste momento, que todos os pacientes afetados já receberam novos agendamentos.
Câmara de Maringá cobra informações sobre repasses financeiros
A crise ocorre em meio a questionamentos sobre a relação financeira entre o poder público e o Hospital do Câncer.
O Requerimento nº 579/2026, aprovado pela Câmara Municipal de Maringá em 20 de outubro, solicita esclarecimentos sobre os repasses destinados à instituição durante 2026.
O documento também aborda denúncias relacionadas à alimentação de funcionários, que ainda precisam de confirmação independente.
A solicitação de informações financeiras é relevante para verificar os valores previstos, transferidos e efetivamente recebidos pela instituição.
No entanto, até que os documentos sejam analisados integralmente, não é possível concluir que a suspensão das cirurgias tenha sido provocada por atraso de repasses, descumprimento contratual ou falhas administrativas específicas.
Essas hipóteses exigem comprovação documental e manifestação das partes envolvidas.
Contratos do SUS precisam ser esclarecidos
A investigação busca identificar os contratos e instrumentos administrativos que regulamentam a prestação de serviços oncológicos pelo Hospital do Câncer de Maringá.
Entre os documentos necessários estão os contratos vigentes, aditivos, metas assistenciais, valores destinados às cirurgias, pagamentos realizados e eventuais notificações anteriores.
Também é necessário verificar quais obrigações cabem à instituição e quais responsabilidades pertencem ao Município e aos demais gestores do SUS.
Esses documentos permitirão avaliar se existe diferença entre os recursos contratados, os valores efetivamente pagos e os custos alegados pelo hospital.
Sem essas informações, qualquer conclusão sobre responsabilidade financeira seria prematura.
O que os pacientes devem fazer?
Pacientes que tiveram cirurgias adiadas devem procurar o serviço responsável pelo agendamento e solicitar informações sobre a situação do procedimento.
Também é importante confirmar se houve encaminhamento para outra instituição, guardar comprovantes e registrar protocolos de atendimento.
Em caso de agravamento do quadro clínico, o paciente deve buscar avaliação médica imediatamente.
O remanejamento de procedimentos exige acompanhamento individualizado, especialmente quando existe indicação médica de cirurgia oncológica.
O que ainda precisa ser respondido?
O Maringá PR Notícias considera essenciais os seguintes esclarecimentos:
- Quantas cirurgias oncológicas foram suspensas?
- Quantos pacientes foram afetados e quantos já receberam novo encaminhamento?
- Quais são os valores contratados e efetivamente repassados ao hospital em 2026?
- A Secretaria Municipal de Saúde realizou auditoria formal? Onde está o relatório?
- Qual é o prazo previsto para normalização dos procedimentos?
- Qual é o posicionamento atualizado do hospital sobre o remanejamento dos pacientes?
- Quais medidas estão sendo adotadas para garantir a continuidade da assistência?
A redação continuará acompanhando os desdobramentos e poderá atualizar esta reportagem conforme novos documentos e manifestações oficiais forem obtidos.
Leia também
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Oncologia do Hospital da Criança de Maringá: balanço de um ano
Fontes e documentos
GMC Online — Informações sobre a suspensão de cirurgias e o encaminhamento de pacientes.
https://gmconline.com.br/noticias/cidade/hospital-do-cancer-suspende-cirurgias-para-pacientes-do-sus-que-estao-sendo-encaminhados-a-outras-unidades/
Maringá Post — Notificação da Secretaria Municipal de Saúde.
Secretaria de Saúde notifica Hospital do Câncer de Maringá para retomada de cirurgias oncológicas
Câmara Municipal de Maringá — Requerimento nº 579/2026.
https://sapl.cmm.pr.gov.br/materia/67893
Datasus — Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES).
https://cnes2.datasus.gov.br/
Nota editorial: informações atualizadas até 30 de outubro de 2026. A reportagem distingue manifestações divulgadas pelas partes de documentos ainda não disponibilizados; os números de pacientes afetados, contratos e relatório de auditoria permanecem sem confirmação documental.
