Saúde

Hospital Municipal de Maringá transforma mantas que iriam para descarte em bolsas para pacientes

Projeto Ciclo Reverso reaproveita material usado na embalagem de instrumentos e caixas cirúrgicas; participantes do curso de costura do CSU produzem as peças, que retornam ao hospital para atender pacientes

MARINGÁ — Um material que antes seguia para descarte após cumprir sua função no centro cirúrgico ganhou um novo destino no Hospital Municipal de Maringá. Por meio do projeto Ciclo Reverso, a equipe separa mantas usadas na embalagem e proteção de instrumentos e caixas cirúrgicas e encaminha o material para produção de bolsas, ecobags, estojos e outros itens destinados aos pacientes.

A iniciativa surgiu a partir da observação da enfermeira Jéssica Marciano, que atua na área cirúrgica e percebeu a quantidade de material resistente que deixava de ter função depois da abertura dos pacotes.

Em vez de simplesmente descartar parte dessas mantas, o projeto criou um novo fluxo de reaproveitamento.

Dessa forma, o material sai do hospital, passa pelo curso de costura do Centro Social Urbano (CSU) e retorna à unidade de saúde já transformado em peças úteis aos pacientes.

Veja a divulgação sobre o projeto Ciclo Reverso

O que o projeto reaproveita

O projeto utiliza a chamada manta SMS, material semelhante ao TNT.

No Hospital Municipal, a equipe usa essa manta para embalar e proteger instrumentos e caixas do centro cirúrgico.

Depois que o material cumpre essa finalidade, profissionais do hospital separam parte das mantas para o reaproveitamento.

Assim, o projeto prolonga a utilização de um material resistente que, até então, perderia sua função original.

O reaproveitamento, portanto, não envolve instrumentos médicos nem resíduos hospitalares contaminados.

O foco está especificamente no material de embalagem selecionado para o projeto.

Por isso, essa distinção ajuda a explicar com precisão como a iniciativa funciona.

Ideia nasceu dentro do centro cirúrgico

A enfermeira Jéssica Marciano idealizou o Ciclo Reverso depois de acompanhar diariamente o descarte dessas mantas.

Segundo a divulgação desta segunda-feira (5), ela percebeu que o material mantinha resistência suficiente para ganhar uma segunda finalidade.

A partir dessa observação, começou a buscar uma forma prática de reaproveitá-lo.

No entanto, o projeto precisava de uma etapa adicional: alguém teria de cortar, modelar e costurar as mantas.

Foi nesse ponto que o Centro Social Urbano passou a integrar a iniciativa.

Curso de costura do CSU transforma as mantas

Depois da separação no Hospital Municipal, as mantas seguem para o Centro Social Urbano (CSU).

No local, participantes do curso de costura trabalham o material e produzem bolsas, sacolas, ecobags, estojos e outros artigos.

A atividade está ligada à Secretaria Municipal de Assistência Social, Políticas sobre Drogas e Pessoa Idosa (SAS).

Além disso, o projeto insere o reaproveitamento dentro de uma atividade de aprendizagem e qualificação.

Segundo a divulgação, o trabalho com a manta SMS exigiu adaptação, já que o material apresenta características diferentes dos tecidos usados normalmente nas aulas.

Ainda assim, os participantes desenvolveram técnicas para transformar as mantas em peças com utilidade prática.

Peças retornam ao hospital

Depois de prontas, as bolsas e demais peças retornam ao Hospital Municipal.

Durante a internação, a equipe identifica pacientes que precisam de apoio para guardar roupas, documentos, produtos de higiene ou outros pertences pessoais.

A partir dessa necessidade, os profissionais entregam os itens aos pacientes.

Consequentemente, o mesmo material que antes seguiria para descarte completa um novo ciclo dentro da rede municipal.

Ao mesmo tempo, o projeto reúne saúde, assistência social, reaproveitamento de materiais e qualificação profissional.

Projeto também reduz descarte

Embora as bolsas sejam o resultado mais visível, o Ciclo Reverso também atua na redução de resíduos.

Cada manta reaproveitada permanece em uso por mais tempo antes de chegar à destinação final.

Nesse sentido, a iniciativa se aproxima de outras ações locais voltadas à redução, separação e destinação de materiais.

O Maringá PR Notícias mostrou recentemente, por exemplo, que uma mobilização do Dia Mundial da Limpeza retirou 34,6 toneladas de resíduos de diferentes pontos do município.

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Por outro lado, o impacto ambiental específico do Ciclo Reverso ainda depende de indicadores que permitam medir o alcance da iniciativa.

Projeto ainda não tem indicadores públicos de volume

A divulgação consultada explica o funcionamento do projeto, porém não informa quanto de manta SMS o Hospital Municipal descarta normalmente, quanto desse volume entra no reaproveitamento nem quantas peças o curso de costura produz mensalmente.

Também não há, até agora, uma estimativa pública de eventual redução de custos ou de resíduos.

Por isso, alguns indicadores serão importantes para medir o alcance do Ciclo Reverso ao longo do tempo:

  • quantidade de manta reaproveitada por mês;
  • número de peças produzidas;
  • quantidade de pacientes atendidos;
  • participação de alunos do curso de costura;
  • redução estimada de resíduos;
  • eventual expansão para outras unidades da rede municipal.

Com esses números, será possível avaliar não apenas a proposta, mas também o impacto concreto do projeto.

Hospital Municipal integra rede que passa por mudanças

O Ciclo Reverso surge em um momento de diferentes movimentações na rede pública de saúde de Maringá.

Em setembro, por exemplo, o Município autorizou a construção de um novo Pronto Atendimento Municipal 24 horas na Zona Oeste, com contrato de R$ 5,52 milhões.

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Além disso, outra mudança recente colocou em lei municipal regras para a aceitação de receitas emitidas por profissionais particulares na retirada de medicamentos pelo SUS de Maringá.

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Nesse contexto, o Ciclo Reverso atua em uma escala diferente.

Enquanto obras e mudanças legais alteram estruturas e procedimentos da rede, o projeto reorganiza um fluxo interno e transforma um material que perderia sua função original em apoio direto aos pacientes.

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Fontes

O Maringá — divulgação do projeto Ciclo Reverso no Hospital Municipal
Material descartado em cirurgias vira bolsas e sacolas para pacientes

Maringá PR Notícias — acompanhamento da rede municipal de saúde e das ações ambientais do município

Redação Maringá PR Notícias

Matéria produzida com as informações disponíveis nesta segunda-feira (5). A divulgação consultada ainda não apresenta indicadores de volume reaproveitado, quantidade de peças produzidas ou número de pacientes beneficiados.

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