Saúde

PAMs Leste e Oeste: Maringá ainda precisa esclarecer pagamentos, novas empresas e repasses

Após notícia de rompimento dos contratos com a Embracol, documentos sobre execução das obras, pagamentos e continuidade dos recursos estaduais permanecem pendentes de confirmação.

A construção dos Prontos Atendimentos Municipais (PAMs) das zonas Leste e Oeste de Maringá enfrenta um impasse que vai além da troca de construtora. Após a imprensa noticiar a decisão da Prefeitura de romper os contratos com a Embracol Obras Ltda., surgiram novas perguntas. Afinal, quanto a empresa executou, quanto recebeu e quais medidas a administração adotará para concluir as unidades?

Os contratos originais somam R$ 10.395.380,19. Entretanto, esse valor não representa necessariamente a quantia já desembolsada pelo município.

Além disso, o Governo do Paraná anunciou, em janeiro, R$ 14 milhões para a construção dos dois PAMs. Entretanto, os documentos disponíveis nesta apuração não comprovam perda dos recursos nem garantem sua continuidade integral para os dois empreendimentos.

Quanto custaria cada PAM?

A Prefeitura dividiu a Concorrência Eletrônica nº 90004/2026 em dois lotes:

  • PAM Zona Leste: R$ 4.873.573,99, no Loteamento Bom Jardim.
  • PAM Zona Oeste: R$ 5.521.806,20, no Jardim Everest.

A Embracol Obras Ltda. venceu as duas disputas.

Conforme o projeto, a unidade Leste ocupará um terreno na Rua Henoch Vieira de Quental. Já a unidade Oeste ficará na Rua Bem-te-vi.

Os projetos seguem o modelo de pronto atendimento do Governo do Paraná. Cada unidade terá área estimada de 812,89 metros quadrados e, segundo a previsão estadual, capacidade para 2,1 mil atendimentos mensais.

Quanto das obras foi realmente executado?

Essa é uma das principais perguntas ainda sem resposta documental conclusiva.

Informações divulgadas pela imprensa regional apontam diferenças entre a situação dos dois canteiros. Entretanto, a reportagem ainda não obteve boletins de medição, relatórios de fiscalização e registros fotográficos oficiais para confrontar essas informações.

Esses documentos são fundamentais para distinguir serviços iniciados, etapas efetivamente concluídas e valores autorizados para pagamento.

Além disso, a Prefeitura precisa esclarecer se a construtora realizou serviços que ainda aguardam medição ou pagamento.

A Prefeitura já pagou à Embracol?

A reportagem ainda não confirmou os valores que a Prefeitura efetivamente pagou em cada contrato.

Para chegar ao resultado, a equipe precisa examinar, separadamente, empenhos, liquidações, pagamentos, notas fiscais e medições correspondentes.

O valor contratado não pode ser apresentado como gasto efetivo.

Da mesma forma, a ausência desses documentos nesta apuração não permite concluir que a Prefeitura deixou de realizar pagamentos.

A rescisão dos contratos foi formalizada?

Em 27 de outubro, a imprensa regional noticiou a decisão da Prefeitura de romper os contratos com a Embracol.

Entretanto, a reportagem ainda não dispõe dos termos administrativos de rescisão, das notificações e de eventuais manifestações da empresa.

Por isso, a investigação precisa confirmar a data da formalização, os fundamentos jurídicos e a eventual aplicação de sanções ou execução de garantias.

Além disso, a decisão administrativa não comprova, por si só, irregularidade da construtora. A análise exige acesso ao procedimento e às manifestações da empresa.

Outras construtoras poderão assumir as obras?

A Prefeitura teria iniciado procedimentos para consultar empresas que participaram da licitação.

A legislação admite, em determinadas circunstâncias, a convocação de licitantes remanescentes. Contudo, essa possibilidade não significa que uma nova empresa já tenha aceitado as condições ou firmado contrato.

Até o momento, a reportagem não encontrou documentos que comprovem novo contrato, empresa substituta ou emissão de outra ordem de serviço.

Os R$ 14 milhões do Governo do Paraná estão em risco?

Em janeiro de 2026, o Governo do Estado anunciou R$ 14 milhões destinados à construção das duas unidades.

Em outubro, a CBN Maringá informou que a administração municipal buscava assegurar a continuidade dos recursos estaduais e que condições relativas à licitação e à primeira medição haviam sido discutidas com o governo.

A confirmação do risco exige acesso aos instrumentos de transferência de recursos, aos prazos e às eventuais prorrogações.

Portanto, a apuração deve verificar as condições de cada PAM separadamente.

Sem examinar esses documentos, não há base suficiente para anunciar perda dos recursos.

Qual será o novo prazo de entrega?

Os contratos originais estabeleciam um prazo de 480 dias.

Consequentemente, o impasse contratual impede uma previsão segura de conclusão. Assim, a Prefeitura precisará definir as empresas executoras, regularizar os instrumentos administrativos e aprovar novos cronogramas antes de divulgar outra data.

Além da entrega dos prédios, a Secretaria Municipal de Saúde precisará providenciar equipamentos, profissionais e a organização dos serviços antes de iniciar os atendimentos.

O que a população precisa saber?

O município planejou os PAMs para ampliar a distribuição dos serviços de urgência e emergência em Maringá.

Segundo o projeto estadual, as duas unidades poderão realizar aproximadamente 4,2 mil atendimentos mensais.

Portanto, enquanto as obras não avançarem, essa capacidade adicional permanecerá apenas no planejamento, sem atendimento disponível à população.

Documentos e respostas ainda necessários

A investigação continuará dependendo de:

  1. Termos de rescisão e publicações oficiais.
  2. Notificações e eventuais defesas apresentadas pela Embracol.
  3. Boletins de medição e relatórios de fiscalização.
  4. Empenhos, liquidações e pagamentos por unidade.
  5. Atos de convocação de empresas remanescentes.
  6. Instrumentos e prazos dos repasses estaduais.
  7. Novo cronograma e manifestação formal da Prefeitura e da construtora.

A reportagem permanece aberta à manifestação dos envolvidos. Até esta etapa, a reportagem não recebeu resposta oficial específica que permita preencher essas lacunas.

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Fontes para conferência

Apuração preliminar de 29 de outubro de 2026. As informações serão atualizadas mediante documentação e manifestações oficiais.

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