UBS é a porta de entrada indicada pela rede municipal; rastreamento prioritário vai dos 50 aos 74 anos, mas mulheres fora dessa faixa também podem ter acesso após avaliação profissional
MARINGÁ — Com o início do Outubro Rosa, uma dúvida volta a aparecer: afinal, a partir de qual idade uma mulher pode fazer mamografia pelo SUS? Em Maringá, a orientação divulgada pela rede municipal neste ano é procurar primeiro a Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência para avaliação e encaminhamento. Entretanto, a idade indicada depende de uma diferença importante entre rastreamento de rotina e investigação de sintomas.
Atualmente, o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer (INCA) recomendam a mamografia de rastreamento prioritariamente para mulheres de 50 a 74 anos, a cada dois anos, quando não existem sinais ou sintomas suspeitos.
Por outro lado, o SUS não impede o acesso de mulheres entre 40 e 49 anos ou acima dos 74 anos que desejem realizar mamografia de rastreamento. Nesses casos, a orientação federal prevê conversa com um profissional de saúde sobre benefícios e possíveis riscos antes da decisão.
Confira as orientações atuais do INCA sobre mamografia
Como conseguir mamografia pelo SUS em Maringá
Em junho e julho deste ano, quando a Prefeitura ampliou a oferta de exames por meio da Carreta da Mulher, a orientação municipal era procurar a UBS de referência.
Na unidade, a paciente passa por avaliação e, quando há indicação, segue para encaminhamento dentro da rede pública.
O próprio Município reforçou esse fluxo ao divulgar que a Carreta da Mulher atendia pacientes que já haviam procurado as UBSs e aguardavam consultas ou procedimentos especializados.
Portanto, a Carreta não funcionava como serviço de livre procura.
O Maringá PR Notícias acompanhou a ação e mostrou que o atendimento ocorria exclusivamente após encaminhamento e agendamento.
Leia: Carreta da Mulher permanece em Maringá até 31 de julho para ampliar atendimentos pelo SUS
Além disso, a estrutura móvel encerrou a permanência prevista em Maringá no fim de julho. Assim, ela não deve ser confundida com um ponto de atendimento disponível atualmente durante o Outubro Rosa.
Tenho entre 50 e 74 anos: quando fazer?
Para mulheres sem sinais ou sintomas suspeitos, o rastreamento populacional prioritário recomendado pelo Ministério da Saúde ocorre dos 50 aos 74 anos.
Nesse grupo, a orientação é realizar mamografia uma vez a cada dois anos.
Veja a recomendação oficial do INCA
A mudança mais recente ampliou o limite superior da faixa prioritária, que anteriormente terminava aos 69 anos.
Dessa forma, mulheres entre 50 e 74 anos formam atualmente o público-alvo principal da estratégia nacional de rastreamento.
Tenho 40 a 49 anos: posso fazer mamografia pelo SUS?
Sim. Porém, existe uma diferença importante.
Mulheres de 40 a 49 anos, mesmo sem sintomas, podem ter acesso à mamografia de rastreamento pelo SUS. Contudo, o Ministério da Saúde orienta que a decisão ocorra após conversa com profissional de saúde sobre benefícios e possíveis riscos.
Entre os pontos discutidos podem estar resultados falso-positivos, exames complementares desnecessários e sobrediagnóstico.
Portanto, “poder fazer a partir dos 40” não significa que o Ministério da Saúde recomende automaticamente mamografia bienal para todas as mulheres dessa faixa etária.
Essa distinção é importante porque uma divulgação feita em Maringá em julho apresentou de forma mais ampla a faixa de 40 a 74 anos.
A orientação federal atual, porém, diferencia acesso ao exame de faixa prioritária de rastreamento populacional.
E depois dos 74 anos?
A mesma lógica vale para mulheres acima de 74 anos sem sinais ou sintomas.
O SUS não bloqueia o acesso à mamografia exclusivamente por causa da idade. Entretanto, a decisão deve considerar a avaliação individual e a orientação profissional.
Assim, quem está fora da faixa prioritária de 50 a 74 anos deve procurar a UBS para discutir o caso.
Se houver nódulo ou outro sintoma, a regra muda
Quando existem sinais suspeitos, a situação não deve ser tratada como simples rastreamento de rotina.
A mamografia diagnóstica pode ser solicitada em qualquer idade, conforme avaliação médica.
Veja a diferença entre rastreamento e investigação diagnóstica no INCA
Além da mamografia, o profissional pode considerar outros exames, como ultrassonografia ou ressonância, dependendo da idade e das características da alteração.
Por isso, uma pessoa que percebe um nódulo ou outra mudança suspeita não deve esperar chegar à idade do rastreamento para procurar atendimento.
Quais sinais devem ser investigados?
O INCA orienta atenção principalmente a alterações persistentes ou novas nas mamas.
Entre os sinais que exigem avaliação estão nódulo endurecido, fixo ou que aumenta de tamanho; saída espontânea de líquido pelo mamilo; mudança no formato do mamilo; retração da pele; aspecto de “casca de laranja”; aumento progressivo da mama; lesão de pele que não melhora; e caroços na região das axilas ou do pescoço.
Consultar os sinais e sintomas descritos pelo INCA
Essas alterações não significam automaticamente câncer. Contudo, o INCA recomenda investigação para esclarecer a causa.
HU/UEM recebe pacientes encaminhadas para diagnóstico
Em Maringá, o Hospital Universitário da Universidade Estadual de Maringá (HU/UEM) atua como referência secundária para diagnóstico de câncer de mama.
Segundo a UEM, as pacientes chegam ao Ambulatório de Especialidades por meio de consultas previamente agendadas.
Quando a equipe encontra indícios da doença ou identifica necessidade de exames complementares, a paciente pode seguir para serviços de referência terciária responsáveis pelo tratamento oncológico.
Leia a orientação divulgada pelo Hospital Universitário da UEM neste Outubro Rosa
Além disso, a UEM destaca que a estimativa para o Paraná é de aproximadamente 4,3 mil novos casos de câncer de mama por ano.
Planos de saúde têm nova regra desde 1º de outubro
O início do Outubro Rosa também trouxe uma mudança para quem utiliza plano de saúde.
Desde 1º de outubro, a cobertura obrigatória da mamografia digital deixou de ter restrição de idade quando existe indicação médica.
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) retirou a limitação que anteriormente restringia essa cobertura obrigatória a mulheres de 40 a 69 anos.
Consultar a nova regra diretamente na ANS
Assim, quando o médico indicar a mamografia digital, a idade, por si só, não impede mais a cobertura obrigatória pelo plano.
Essa regra, porém, diz respeito à saúde suplementar e não deve ser confundida com a faixa prioritária de rastreamento adotada pelo SUS.
Maringá ampliou exames com a Carreta da Mulher
Entre junho e julho, a Carreta da Mulher ajudou a ampliar temporariamente a capacidade de atendimento em Maringá.
A estrutura oferecia mamografia, ultrassonografias, punção de mama, biópsias e outros procedimentos.
Além disso, a Prefeitura informou que o serviço atendia prioritariamente mulheres que já estavam na fila da rede pública.
Relembre como funcionou a Carreta da Mulher em Maringá
Naquela ação, a recomendação municipal também era clara: quem precisava dos exames deveria procurar primeiro a UBS para avaliação.
Outubro Rosa ainda deixa perguntas locais
Embora outubro tenha começado, a reportagem não localizou até esta apuração uma programação municipal atualizada que detalhe eventual ampliação de horários das UBSs, mutirão específico de mamografias ou oferta adicional de exames para o Outubro Rosa 2026.
Por isso, alguns números ainda merecem acompanhamento.
Entre eles estão a quantidade atual de mulheres aguardando mamografia em Maringá, o maior tempo de espera, a capacidade mensal de realização dos exames e eventual ampliação da oferta durante outubro.
Além disso, será importante saber se a Secretaria Municipal de Saúde pretende abrir horários adicionais nas UBSs ou contratar novos procedimentos para reduzir a fila.
O Maringá PR Notícias atualizará esta mesma reportagem caso a Prefeitura divulgue uma programação específica ou novos dados sobre a oferta do exame.
Serviço — como buscar atendimento em Maringá
Quem deseja realizar mamografia pelo SUS deve começar pela UBS de referência, conforme o fluxo divulgado pela Prefeitura neste ano.
Para mulheres sem sintomas, a faixa prioritária de rastreamento é dos 50 aos 74 anos, a cada dois anos. Já mulheres de 40 a 49 anos ou acima de 74 também podem discutir o exame com um profissional de saúde.
Quando houver nódulo ou outro sinal suspeito, a orientação é procurar atendimento sem esperar a idade do rastreamento, porque a investigação diagnóstica segue critérios clínicos.
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Para acompanhar outras pautas de saúde da mulher no município, veja Carreta da Mulher permanece em Maringá até 31 de julho para ampliar atendimentos pelo SUS, Fila de histerossalpingografia em Maringá volta à Câmara e Agosto Dourado destaca apoio à amamentação no Hospital Universitário da UEM.
Fontes
Instituto Nacional de Câncer (INCA): orientações atualizadas sobre rastreamento, acesso à mamografia fora da faixa prioritária, investigação diagnóstica e sinais suspeitos. Consultar as recomendações.
Ministério da Saúde / INCA: a faixa prioritária atual para rastreamento populacional é de 50 a 74 anos, a cada dois anos. Veja a atualização.
Hospital Universitário da UEM: informações sobre o papel do HU como referência secundária para diagnóstico e encaminhamento. Consultar a publicação do Outubro Rosa 2026.
Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS): nova cobertura da mamografia digital sem restrição de idade quando houver indicação médica. Consultar a regra.
Prefeitura de Maringá / Secretaria Municipal de Saúde: informações divulgadas neste ano sobre o fluxo de encaminhamento pelas UBSs e funcionamento da Carreta da Mulher.
Redação — Maringá PR Notícias
