Mobilidade

Comissão começa novo mapa de cruzamentos críticos em Maringá; dados já revelam pontos de maior concentração de acidentes

Programa Maringá pela Vida prepara levantamento para orientar fiscalização e intervenções; dados anteriores ajudam a identificar corredores que podem permanecer entre os pontos prioritários

MARINGÁ — O mapa dos cruzamentos críticos de Maringá começou a ganhar forma nesta semana, justamente quando a cidade enfrenta uma nova rodada de chuva. Ao mesmo tempo, a Comissão Interinstitucional do programa Maringá pela Vida iniciou um levantamento que deverá orientar fiscalização, intervenções de engenharia e outras ações de segurança viária.

Nesta quarta-feira (9), cerca de 30 representantes de órgãos públicos e da sociedade civil participaram da primeira reunião de trabalho da comissão.

Além do novo mapa, o programa prevê intensificação de blitze noturnas, operações integradas, ações direcionadas aos motociclistas e ampliação da fiscalização eletrônica.

Diante disso, surge uma pergunta importante: quais pontos da cidade já aparecem entre os mais críticos nos dados disponíveis?

Para buscar essa resposta, o Maringá PR Notícias cruzou informações anteriores da Plataforma +VIDA com rankings de acidentes e levantamentos produzidos pelo próprio portal.

Como resultado, alguns corredores reaparecem em diferentes períodos. Entretanto, a posição deles muda à medida que novas ocorrências entram na base.

Mapa dos cruzamentos críticos de Maringá parte de dados que já existem

O novo mapa dos cruzamentos críticos de Maringá não começa do zero.

Entre janeiro e 21 de maio de 2026, o cruzamento da Avenida Advogado Horácio Raccanello Filho com a Avenida Pedro Taques aparecia na primeira posição entre os pontos analisados, com 11 acidentes.

Na sequência estavam:

  • Avenida JK × Avenida São Paulo — 10 acidentes
  • Avenida Colombo × Avenida Pedro Taques — 9 acidentes
  • Avenida Duque de Caxias × Avenida XV de Novembro — 7 acidentes
  • Avenida Doutor Luiz Teixeira Mendes × Avenida Euclides da Cunha — 7 acidentes

Esse levantamento considerava os dados disponíveis até 21 de maio. Portanto, os números não representam o novo mapa que a comissão começou a elaborar nesta semana.

Em vez disso, funcionam como uma fotografia anterior de 2026 e ajudam a identificar pontos que já concentravam ocorrências.

Segundo informações divulgadas anteriormente, a Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob) utiliza esses dados para acompanhar os cruzamentos e direcionar ações de fiscalização.

Ranking mudou quando período avançou até julho

Outro levantamento baseado na Plataforma +VIDA, desta vez considerando informações entre janeiro e o início de julho, mostra como a classificação pode mudar conforme novos acidentes entram na base.

Nesse recorte, Horácio Raccanello × Pedro Taques passou a registrar 14 acidentes e seis feridos.

Enquanto isso, outros pontos apareceram entre os mais críticos:

  • Avenida Itororó × Avenida JK — 12 acidentes e quatro feridos
  • Avenida Colombo × Avenida Morangueira — 11 acidentes
  • Avenida JK × Avenida São Paulo — 10 acidentes e um ferido

No período analisado, nenhum desses quatro cruzamentos registrava morte.

Dessa forma, a atualização reforça a necessidade de indicar sempre o intervalo considerado. Afinal, um ranking produzido em maio não necessariamente permanece igual em setembro.

Pedro Taques pode continuar entre os pontos críticos

Quando os dados de 2025 e 2026 são colocados lado a lado, um corredor merece atenção especial: a Avenida Pedro Taques.

Em 2025, por exemplo, o cruzamento da Pedro Taques com a Avenida Colombo liderou o ranking municipal, com 25 acidentes.

Logo atrás, Pedro Taques com Horácio Raccanello apareceu com 24 ocorrências.

Nos primeiros meses de 2026, por sua vez, Horácio Raccanello com Pedro Taques voltou a aparecer no topo.

Por isso, será importante verificar se esse eixo continuará entre os locais apontados pelo mapa dos cruzamentos críticos de Maringá.

Ainda assim, isso não significa que a avenida inteira tenha o mesmo nível de risco. Afinal, os dados correspondem a cruzamentos e períodos específicos.

Petrônio Portela também entra no radar

Outro ponto que merece acompanhamento é o cruzamento da Avenida Senador Petrônio Portela com a Avenida Doutor Gastão Vidigal.

Em 2025, por exemplo, o local registrou 22 acidentes e ficou na terceira posição entre os cinco cruzamentos com maior número de ocorrências da cidade.

Nesta semana, o Maringá PR Notícias mostrou por que a Petrônio Portela se tornou alvo recorrente de blitze.

Nesse levantamento, a investigação identificou pelo menos 146 autos de infração em quatro ações realizadas desde abril que tiveram resultados individualizados para a avenida.

Além disso, outras operações também incluíram o corredor. Contudo, os órgãos responsáveis não divulgaram os resultados separados por local.

Dessa forma, a combinação entre histórico de acidentes, denúncias, fiscalização e infrações transforma a Petrônio Portela em outro ponto importante para acompanhar quando a Prefeitura apresentar o novo mapa.

+VIDA permite identificar manchas de risco

A Plataforma +VIDA reúne mais de 50 painéis e cruza informações sobre acidentes, infrações, fluxo viário, excesso de velocidade, denúncias, feridos e mortes.

Além dos indicadores numéricos, a ferramenta utiliza uma mancha de calor para indicar áreas com concentração de ocorrências.

Segundo informações divulgadas no lançamento do sistema, a Semob utiliza dados da Polícia Militar, por meio do sistema Bateu, assim como informações do Corpo de Bombeiros e do Samu.

O secretário municipal de Mobilidade Urbana, Luciano Brito, já afirmou que a pasta acompanha os indicadores periodicamente e direciona equipes para cruzamentos que apresentam maior risco.

Por isso, o novo mapa anunciado pela comissão não começa do zero. Maringá já dispõe de uma infraestrutura de dados capaz de apontar concentração de acidentes.

Mesmo assim, ainda falta saber qual metodologia a comissão utilizará para transformar essas informações no novo mapa e quais cruzamentos aparecerão como prioritários em setembro.

33 ou 40 mortes? Diferença depende da base

Nesse cenário, o novo mapeamento surge em um momento de atenção para a mortalidade no trânsito.

Uma investigação do Maringá PR Notícias sobre a diferença entre 33 e 40 mortes mostrou que a Plataforma +VIDA apresentava 33 mortes em 2026 no período consultado.

Posteriormente, levantamentos externos acrescentaram sete ocorrências relacionadas à área de atuação da Polícia Rodoviária Federal. Com isso, o total chegou a 40.

Por essa razão, os dois números não devem ser apresentados como se viessem automaticamente da mesma base.

Na +VIDA, por outro lado, as 33 mortes de 2026 já igualavam o total registrado em todo o ano de 2025.

Além disso, no comparativo equivalente entre janeiro e setembro, o número passou de 23 mortes em 2025 para 33 em 2026, crescimento de aproximadamente 43,5%.

Motociclistas concentram quase sete de cada dez mortes

Além dos locais dos acidentes, o perfil das vítimas ajuda a explicar por que o programa Maringá pela Vida colocou os motociclistas no centro das ações.

Das 33 mortes identificadas na base da +VIDA, 23 envolviam motociclistas. Portanto, esse grupo correspondia a aproximadamente 69,7% das vítimas fatais.

Na sequência, aparecem sete pedestres, dois passageiros e um ciclista entre as vítimas registradas na base.

Consequentemente, o problema não envolve apenas os locais onde os acidentes acontecem. Também exige identificar quem está mais exposto aos sinistros graves.

Por esse motivo, a concentração de mortes entre motociclistas já havia levado o município a colocar esse público no centro do Plano de Segurança Viária de Maringá.

Chuva acrescenta atenção aos pontos críticos

Enquanto a comissão começa a estruturar o mapa dos cruzamentos críticos de Maringá, a cidade atravessa um período de instabilidade meteorológica.

Para esta quinta-feira (10), a previsão do Simepar para Maringá indica 98% de probabilidade de chuva, com previsão de 50,8 milímetros de precipitação acumulada e rajadas de vento de até 43 km/h.

Já na sexta-feira (11), a previsão aponta mais 23,6 milímetros, também com alta probabilidade de chuva, além de rajadas que podem chegar a 65 km/h.

Além disso, segundo o Simepar, setembro pode ter chuvas acima da média no Paraná, principalmente na primeira quinzena, em razão da passagem de frentes frias e da atuação de sistemas de baixa pressão.

Diante desse cenário, os motoristas precisam redobrar a atenção, principalmente em pontos sujeitos a acúmulo de água, baixa visibilidade e redução da aderência dos pneus.

Apesar disso, não há base para atribuir à chuva o fato de determinados cruzamentos liderarem rankings de acidentes. Portanto, o fator meteorológico representa uma condição adicional de risco no momento atual, e não uma explicação para o histórico das ocorrências.

Temporal recente atingiu diferentes corredores

Por outro lado, o temporal registrado na noite de sábado (5) mostrou como episódios de chuva intensa podem afetar a circulação pela cidade.

Segundo levantamento da Defesa Civil, Maringá registrou oito pontos de alagamento e 19 locais com acúmulo de lama, além de três quedas de árvores e outros danos.

Nesse levantamento, regiões das avenidas Colombo, Tuiuti, Morangueira, Sophia Rasgulaeff e Juscelino Kubitschek apareceram entre os corredores atingidos.

Como algumas dessas vias também aparecem nos levantamentos relacionados à segurança viária, a coincidência geográfica merece acompanhamento.

Ainda assim, não há comprovação de relação causal entre os alagamentos e o histórico de acidentes nesses corredores.

Fiscalização deve mirar locais e horários de maior risco

A primeira reunião da comissão indicou que as novas operações devem considerar os locais e horários em que os problemas aparecem com maior frequência.

Com isso, a estratégia prevê concentrar fiscalização nos pontos considerados prioritários.

Paralelamente, o município trabalha com medidas de engenharia, novos semáforos, ampliação da fiscalização eletrônica e ações educativas.

Dessa maneira, abre-se uma nova etapa de acompanhamento.

Quando a Prefeitura concluir o mapa dos cruzamentos críticos de Maringá, será possível confrontar os locais prioritários com acidentes, feridos, mortes, radares existentes, novas instalações de fiscalização eletrônica e operações realizadas pela Semob.

Novo mapa precisa indicar onde agir primeiro

Embora os dados disponíveis já revelem parte do problema, ainda falta conhecer o resultado do levantamento que a Comissão Interinstitucional começou a construir.

Primeiramente, o Maringá PR Notícias buscará identificar quais cruzamentos lideram o ranking atualizado, quantos acidentes e feridos cada ponto registra e se houve mortes nesses locais.

Na etapa seguinte, a reportagem acompanhará o período utilizado pela comissão, os critérios para definir prioridades e quais pontos poderão receber intervenções de engenharia, radares ou novos semáforos.

Além disso, será importante verificar se corredores que aparecem repetidamente nos levantamentos anteriores — como Pedro Taques, Horácio Raccanello, Colombo, JK e Petrônio Portela — permanecerão entre os locais prioritários.

Assim, o novo mapa poderá fazer mais do que identificar onde os acidentes se concentram.

Sobretudo, permitirá verificar se a fiscalização e os investimentos municipais estão chegando justamente aos locais onde os dados apontam maior risco.


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Fontes

Plataforma +VIDA — Prefeitura de Maringá — base municipal utilizada para acompanhamento de acidentes, vítimas, infrações e outros indicadores de segurança viária.

Prefeitura de Maringá — portal oficial — informações institucionais relacionadas ao Programa Maringá pela Vida, Comissão Interinstitucional e ações municipais de mobilidade.

GMC Online — raio-X das vias e cruzamentos mais perigosos de Maringá — levantamento baseado na Plataforma +VIDA com atualização dos cruzamentos e números de acidentes e feridos.

GMC Online — Comissão do Maringá pela Vida define ações de segurança no trânsito — informações sobre a primeira reunião de trabalho da Comissão Interinstitucional e elaboração do novo mapa.

Simepar — previsão do tempo para Maringá — previsão meteorológica utilizada para contextualizar as condições de chuva e vento.

Maringá PR Notícias — mortes no trânsito: por que aparecem 33 ou 40 casos — levantamento do portal sobre as diferenças entre as bases utilizadas na contabilização das mortes no trânsito.

Maringá PR Notícias — investigação da Avenida Petrônio Portela — levantamento sobre acidentes, denúncias, operações e autos de infração registrados no corredor.

Maringá PR Notícias — Plano de Segurança Viária de Maringá — reportagem sobre a concentração de mortes entre motociclistas e as medidas previstas pelo município.

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