Manifestação que embasou pedido de prisão preventiva afirma preliminarmente que investigado não aceitava o fim do relacionamento; Polícia Civil ainda apura pontos da dinâmica e aguarda respostas das perícias
MARINGÁ — Novos elementos do caso envolvendo o feminicídio da médica Gassi Paola de Souza Mazia, de 37 anos, em Maringá, começam a mostrar o que levou o Ministério Público do Paraná (MPPR) a defender a prisão preventiva de João Vitor Domingues Romeiro, de 25 anos.
Em manifestação apresentada à Justiça, o Ministério Público aponta, de forma preliminar, que João Vitor não aceitava o término do relacionamento e teria invadido o apartamento da ex-companheira.
O promotor Marcelo Alessandro da Silva Gobbato assinou a manifestação e pediu a conversão da prisão em flagrante em preventiva. A Justiça acolheu o pedido no domingo (6).
Assim, João Vitor permanece preso preventivamente e sob custódia enquanto recebe atendimento no Hospital Universitário de Maringá (HU).
Até a manhã desta quinta-feira (10), a reportagem não havia localizado em consulta pública a íntegra da manifestação do Ministério Público nem da decisão que decretou a prisão preventiva.
MP aponta possível motivação, mas investigação continua
Ao abordar a possível motivação, o Ministério Público trata a conclusão como preliminar.
De acordo com os trechos da manifestação divulgados pelo UOL, os elementos reunidos inicialmente indicam que João Vitor não aceitava o encerramento do relacionamento.
Além disso, o MP sustenta que ele teria invadido o apartamento da ex-companheira antes do crime.
A manifestação considera informações obtidas nos primeiros atos da investigação, entre elas depoimentos de policiais e testemunhas.
Por outro lado, a Polícia Civil ainda trabalha para esclarecer completamente a dinâmica e outros pontos do feminicídio.
Essa diferença é importante: a manifestação do MP apresenta a tese utilizada para sustentar a prisão cautelar, enquanto o inquérito policial continua reunindo provas.
A prisão preventiva também não representa condenação. A Justiça ainda analisará a responsabilidade criminal no decorrer do processo, com direito ao contraditório e à ampla defesa.
Delegacia da Mulher assumiu o inquérito
A Delegacia de Homicídios de Maringá formalizou inicialmente o flagrante.
Depois, a Polícia Civil do Paraná (PCPR) encaminhou o inquérito para a Delegacia da Mulher de Maringá, que passou a aprofundar a investigação.
Entre as questões que ainda exigem esclarecimento estão a sequência das agressões, a origem dos ferimentos apresentados pelo investigado e a cronologia dos acontecimentos dentro e depois da saída do apartamento.
Além disso, os investigadores analisam diferentes elementos materiais recolhidos durante a apuração.
Três facas estavam próximas ao corpo
Informações do boletim de ocorrência divulgadas pela imprensa apontam que a perícia encontrou três facas próximas ao corpo de Gassi.
No entanto, esse dado não permite concluir que os três objetos tenham provocado as lesões.
Os exames periciais precisam estabelecer quais instrumentos possuem relação efetiva com o crime.
O delegado Adriano Garcia, que atuou no flagrante pela Delegacia de Homicídios, relatou a existência de sangue em diferentes cômodos do apartamento e falou inicialmente em pelo menos dez golpes de arma branca. A declaração e outros detalhes da investigação foram reproduzidos pelo UOL.
Antes disso, informações preliminares da Polícia Militar mencionavam pelo menos quatro perfurações.
Por isso, o laudo necroscópico ganha importância para determinar tecnicamente a quantidade e a natureza das lesões, além da causa médica da morte.
Até a manhã desta quinta-feira, não havia divulgação pública do resultado integral desse exame.
Relatos sobre a dinâmica ainda precisam de confirmação pericial
Outro ponto que exige cautela envolve os relatos prestados por familiares depois do crime.
Informações divulgadas posteriormente mencionam relatos sobre sufocamento ou esganadura. Ao mesmo tempo, a investigação encontrou múltiplas lesões provocadas por arma branca e apreendeu facas no apartamento.
Portanto, essas informações isoladas não permitem estabelecer como ocorreu toda a sequência de agressões nem determinar a causa definitiva da morte.
A necropsia e as demais perícias poderão esclarecer essa questão.
Bebê de oito meses estava no apartamento
O filho de Gassi e João Vitor, um bebê de oito meses, estava no apartamento e foi encontrado com vida.
Segundo informações divulgadas sobre a investigação, familiares receberam informações sobre o ocorrido e foram até o imóvel.
Ao chegar, um familiar ouviu o bebê chorando e entrou no apartamento, onde encontrou Gassi.
O atendimento médico constatou a morte.
Embora algumas publicações tenham afirmado que a criança teria presenciado o crime, os elementos públicos disponíveis permitem afirmar com segurança que o bebê estava no imóvel. Não há, até agora, informação documental pública suficiente para concluir que a criança tenha efetivamente visto as agressões.
Confissão relatada por familiar levou polícia ao investigado
A investigação também reconstrói o que aconteceu depois que João Vitor deixou Maringá.
Uma familiar relatou à Polícia Civil que recebeu uma mensagem do investigado por volta das 20h, perguntando se ela estava em Mandaguari.
Cerca de 50 minutos depois, segundo o depoimento confirmado pela Polícia Civil e divulgado pelo UOL, João Vitor telefonou e pediu o endereço.
Posteriormente, ele teria chegado ao local e relatado à familiar que havia discutido com Gassi e a matado.
A família acionou a polícia.
Esse relato se tornou um dos elementos utilizados na reconstrução inicial do caso.
Celular pode ajudar a estabelecer cronologia
A Polícia Civil também apreendeu o telefone celular do investigado para análise.
Os dados poderão ajudar a confrontar os horários das mensagens e ligações com outros elementos reunidos no inquérito.
Além disso, os registros digitais podem contribuir para esclarecer a cronologia entre os acontecimentos no apartamento, a saída de Maringá e a chegada a Mandaguari.
Os investigadores, entretanto, ainda não divulgaram publicamente o resultado dessa análise.
Veículo também entrou na investigação
A polícia também apreendeu o veículo utilizado no deslocamento até Mandaguari.
Segundo informações da investigação divulgadas após a manifestação do MP, um Nissan Kicks apresentava vestígios aparentes de sangue.
Agora, os exames técnicos deverão identificar a origem desses vestígios e verificar sua eventual relação com o crime ou com os ferimentos apresentados pelo próprio investigado.
Mais uma vez, a existência de sangue no veículo, isoladamente, não permite estabelecer sua origem.
Ferimentos do investigado também estão sob apuração
Quando a polícia localizou João Vitor em Mandaguari, ele apresentava ferimentos provocados por arma branca.
Por isso, a investigação também tenta esclarecer quando e como essas lesões ocorreram.
Essa resposta pode contribuir para a reconstrução da dinâmica dentro do apartamento.
No entanto, até agora, a Polícia Civil não divulgou conclusão pericial que permita estabelecer se os ferimentos decorreram de reação da vítima, de lesões posteriores ou de outra circunstância.
Audiência de custódia foi cancelada pela segunda vez
Enquanto a investigação avança, João Vitor permanece hospitalizado sob custódia.
A Justiça marcou inicialmente uma audiência de custódia, mas o quadro clínico impediu sua realização.
Depois, o Judiciário programou nova tentativa para quarta-feira (9). Novamente, a audiência não ocorreu.
Segundo informações divulgadas após o segundo cancelamento, João Vitor utilizava traqueostomia e não tinha condições de se comunicar verbalmente.
Até a manhã desta quinta-feira (10), não havia nova data publicamente informada para a audiência.
Investigação ainda precisa responder questões importantes
A manifestação do Ministério Público acrescentou um elemento importante ao caso ao apresentar uma possível motivação para o feminicídio.
Entretanto, várias respostas ainda dependem do trabalho da Polícia Civil e dos exames periciais.
Entre elas estão a causa médica definitiva da morte, a quantidade e a natureza das lesões, o resultado da análise das facas, a origem dos vestígios encontrados no veículo e a explicação para os ferimentos apresentados pelo investigado.
Além disso, a investigação poderá avançar com a análise do celular e de outros elementos recolhidos durante o inquérito.
O Maringá PR Notícias continuará acompanhando o caso e buscará a íntegra da decisão que decretou a prisão preventiva, da manifestação do Ministério Público e dos resultados periciais quando esses documentos se tornarem oficialmente acessíveis.
Leia Também
[INSERIR LINK INTERNO] — primeira matéria do Maringá PR Notícias sobre o caso Gassi Mazia.
[INSERIR LINK INTERNO] — matéria anterior sobre a prisão, investigação ou audiência de custódia.
Fontes
Ministério Público do Paraná (MPPR) — informações institucionais e manifestação ministerial, conforme trechos tornados públicos.
Polícia Civil do Paraná (PCPR) — informações sobre a investigação policial.
Delegacia da Mulher de Maringá — unidade responsável pelo prosseguimento da investigação.
UOL — MP aponta possível motivação e detalha fundamentos da prisão preventiva
UOL/Agência Estado — delegado relata elementos encontrados no apartamento
