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Temporal põe preparação climática de Maringá à prova; documentos mostram medidas ainda em estruturação

Um dia depois de o Maringá PR Notícias publicar investigação sobre a capacidade municipal diante de eventos extremos, tempestade atingiu a cidade; alertas e mobilização funcionaram, enquanto documentos anteriores ao evento mantêm questões abertas sobre prevenção, arborização, planos de contingência e estruturas criadas em 2026

MARINGÁ — Um dia depois de o Maringá PR Notícias publicar uma investigação sobre a estrutura de Maringá para enfrentar eventos climáticos extremos, uma tempestade colocou parte desse sistema à prova.

Na noite de sexta-feira, 11 de setembro, chuva intensa e fortes rajadas de vento derrubaram árvores e galhos, atingiram imóveis, veículos, postes e a rede elétrica. Além disso, o temporal mobilizou equipes municipais em diferentes regiões da cidade.

O balanço inicial da área de arborização registrava 58 ocorrências: 46 quedas de árvores e 12 de galhos. Desse total, 21 apresentavam algum tipo de dano, 32 não tinham danos identificados e cinco ainda estavam sem essa informação no levantamento parcial.

Posteriormente, com o avanço dos atendimentos, o número aumentou. Neste domingo (13), o balanço apontava cerca de 80 ocorrências envolvendo árvores e galhos, além de mais de 20 registros de outros tipos de danos.

Durante o fim de semana, o Município mobilizou mais de 200 profissionais para recuperar as áreas atingidas.

Além disso, entre sexta-feira e domingo, Maringá acumulou 84,6 milímetros de chuva, conforme dados atribuídos ao Simepar no balanço municipal deste domingo.

As velocidades do vento variaram conforme o ponto de medição. Portanto, não é adequado tratar registros de diferentes estações como se representassem uma única medição para toda a cidade.

A tempestade, porém, não chegou sem aviso.

Alertas chegaram antes do temporal

Na tarde de sexta-feira, a região já estava sob alerta para tempestades.

Entre os riscos apontados estavam justamente quedas de árvores, alagamentos, enxurradas, granizo, destelhamentos e interrupções no fornecimento de energia.

A própria Prefeitura de Maringá havia informado, em alerta publicado em 10 de setembro, que equipes da Limpeza Urbana, Infraestrutura e Defesa Civil permaneciam mobilizadas para atendimento de ocorrências.

Dessa forma, os documentos e as informações reunidos pela reportagem não sustentam a afirmação de que Maringá estivesse sem mecanismos de alerta ou capacidade de resposta.

Pelo contrário, houve aviso prévio. Depois do temporal, servidores e equipes municipais também participaram de uma ampla mobilização.

A investigação, portanto, conduz a outra pergunta:

quanto das medidas estruturais de prevenção e preparação climática anunciadas, discutidas ou criadas nos últimos anos já estava efetivamente operacional quando o temporal chegou?

A pergunta havia sido feita um dia antes

Em 10 de setembro, o Maringá PR Notícias publicou a reportagem “Defesa Civil de Maringá: documentos revelam estrutura e desafios”.

Naquela apuração, documentos mostraram que o município vinha ampliando sua estrutura legal e administrativa de proteção e Defesa Civil. Ao mesmo tempo, permaneciam questões sobre planejamento, regulamentação, recursos financeiros, estrutura operacional e execução das medidas.

No dia seguinte, veio o temporal.

Agora, portanto, é possível confrontar os documentos levantados anteriormente com uma situação real de emergência.

Plano para eventos climáticos e árvores era discutido desde 2024

A preocupação com tempestades e arborização não começou em setembro de 2026.

Ainda em 2024, documentos encontrados pela reportagem mostram que a Câmara Municipal questionou a Prefeitura sobre a criação de um Plano Municipal de Emergência e Catástrofe voltado especialmente a eventos climáticos capazes de afetar a arborização.

A proposta dividia a atuação em três momentos: preparação antes do evento, ações na chamada “hora zero” e reconstrução após o desastre.

Em resposta, o Município informou que abriu o procedimento administrativo SEI 01.04.00067061/2024.12 e o encaminhou aos órgãos competentes para análise.

Posteriormente, o assunto reapareceu em 2025.

No Requerimento 659/2025, a Câmara voltou a perguntar sobre a criação do plano.

A resposta do Executivo trouxe uma informação relevante: Maringá possuía um Plano de Contingência Municipal atualizado em 24 de outubro de 2024. Entretanto, a própria Defesa Civil apontava a necessidade de aprimoramentos estruturais e operacionais.

Entre os pontos citados estavam maior integração entre secretarias, protocolos intersetoriais e planos temáticos complementares.

Defesa Civil anunciou PMEC com foco inicial na arborização

Em novembro de 2025, a Defesa Civil informou que estruturaria um Plano Municipal de Emergência e Catástrofe (PMEC).

O Município previa como foco inicial justamente os eventos climáticos que impactassem a arborização urbana.

Além disso, o planejamento deveria se integrar a outros instrumentos, entre eles:

  • Plano Diretor de Redução de Riscos;
  • planos de contingência temáticos;
  • Plano de Comunicação de Risco;
  • Plano de Recuperação e Reconstrução Pós-Desastre;
  • Manual de Procedimentos de Crise e ativação do Centro de Operações de Emergência (COE);
  • protocolos operacionais padronizados.

Naquela resposta, porém, o Município informou que não era possível estabelecer uma data definitiva para conclusão e publicação do PMEC.

Até o fechamento desta apuração, a reportagem não encontrou, nas bases públicas consultadas, uma versão final do PMEC que permita confirmar sua conclusão antes do temporal de 11 de setembro.

Ainda assim, essa ausência pública não permite concluir que o documento não exista internamente.

Por isso, o Maringá PR Notícias busca esclarecer qual plano e qual versão estavam oficialmente vigentes quando a tempestade atingiu a cidade.

Câmara voltou a cobrar capacidade de resposta em agosto

Poucas semanas antes do temporal, a discussão ganhou um novo capítulo.

A Câmara aprovou, em discussão única, no dia 25 de agosto, o Requerimento 437/2026, apresentado pela vereadora Professora Ana Lúcia.

O documento solicitou informações detalhadas sobre a capacidade municipal diante de possíveis eventos climáticos extremos. A própria Câmara Municipal publicou as questões formuladas no requerimento.

No processo 26.0.000009717-8, o Legislativo pediu informações sobre:

  • Plano de Contingência atualizado para 2026/2027;
  • cenários de risco;
  • protocolos de atuação;
  • responsáveis pela coordenação;
  • locais de abrigo;
  • eventuais rotas de evacuação;
  • canais de alerta;
  • cooperação regional;
  • estoque de materiais emergenciais;
  • orçamento e aquisições;
  • treinamentos e simulados;
  • sistema de monitoramento meteorológico;
  • estratégias para alcançar pessoas vulneráveis.

Até a conclusão desta apuração, a reportagem não encontrou, nas bases públicas consultadas, resposta do Executivo vinculada ao requerimento no SAPL.

Entretanto, isso não significa necessariamente ausência de resposta por outro meio. Da mesma forma, a reportagem não encontrou elementos suficientes para concluir que houve descumprimento de prazo administrativo.

Prefeitura anunciava novas tecnologias

Enquanto essas questões tramitavam, a administração municipal informou, em agosto, que preparava um novo sistema para monitoramento e atendimento das ocorrências da Defesa Civil.

A proposta previa tablets nos veículos, visualização das ocorrências e indicação de rotas para agilizar o deslocamento das equipes.

Além disso, o Município anunciou ampliação do monitoramento meteorológico.

Agora, a reportagem busca esclarecer quantos desses equipamentos e sistemas já estavam instalados e operacionais em 11 de setembro e se as equipes os utilizaram durante o temporal.

FUMPDEC e NUPDECs foram criados em maio

Outra mudança importante ocorreu em 14 de maio de 2026.

Naquela data, a Lei Municipal nº 12.171/2026 criou o Fundo Municipal de Proteção e Defesa Civil (FUMPDEC).

O fundo pode financiar ações de prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação diante de desastres.

Além disso, no mesmo dia, a Lei nº 12.172/2026 incorporou os Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil (NUPDECs) à estrutura municipal.

Os núcleos podem atuar na prevenção, preparação comunitária, organização de voluntários, diagnóstico de riscos e apoio durante situações de emergência.

A legislação também determina que o Executivo regulamente, por decreto específico, a estruturação, a capacitação e o funcionamento dos NUPDECs.

Até o fechamento desta reportagem, porém, as buscas nas bases públicas consultadas não encontraram o decreto específico de regulamentação nem uma relação pública capaz de mostrar quantos núcleos estavam formalmente reconhecidos e operacionais em 11 de setembro.

Da mesma forma, a reportagem ainda verifica a constituição e a execução financeira do FUMPDEC.

Novamente, a ausência desses documentos nas bases públicas pesquisadas não permite afirmar que as estruturas não estivessem funcionando.

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Arborização já apresentava demanda acumulada

Na arborização, o temporal encontra um dos contextos mais sensíveis da investigação.

Em junho, levantamento jornalístico baseado em dados da Secretaria de Limpeza Urbana apontava aproximadamente 6,4 mil protocolos com parecer técnico aguardando algum tipo de execução, além de cerca de 10,2 mil solicitações à espera de vistoria.

Além disso, havia protocolos antigos entre os casos classificados como Emergência.

Mais próximo do temporal, em 2 de setembro, uma consulta à plataforma municipal indicava 6.610 árvores na lista do setor de arborização para poda ou remoção.

Naquele mesmo dia, uma árvore caiu sobre um automóvel na Avenida Carneiro Leão. Não houve relato de vítimas.

A plataforma mostrava sete protocolos de poda ou remoção naquela avenida, inclusive registros classificados como Emergência e Urgência.

Contudo, a presença de protocolos na mesma avenida não comprova que a árvore que caiu estivesse entre eles.

A mesma cautela, portanto, vale para o temporal de 11 de setembro.

Documentos municipais já apontavam limitação operacional

Outro elemento relevante aparece na contratação preparada pela Prefeitura para ampliar os serviços de manejo arbóreo.

O Pregão Eletrônico 90081/2026 prevê serviços de poda, desbaste, destoca, remoção de árvores, recolhimento, trituração, transporte e destinação de resíduos.

Além disso, inclui equipamentos, veículos e solução tecnológica para controle e emissão de laudos.

O valor estimado chega a R$ 80,579 milhões.

Durante a análise do processo licitatório pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná, documentação do estudo municipal apontava “insuficiência da estrutura operacional do Município para atendimento da demanda de manejo arbóreo”, além de demanda acumulada e necessidade de reduzir riscos.

O diagnóstico é anterior ao temporal.

Por outro lado, a reportagem ainda não conseguiu confirmar com segurança, nas bases públicas consultadas, se a contratação já havia resultado em contrato e execução operacional antes de 11 de setembro.

Também permanecem sem confirmação suficiente a empresa eventualmente contratada, o número de equipes em atividade e o volume de serviços executados.

Portanto, os elementos disponíveis não permitem atribuir ao estágio dessa contratação os danos registrados durante a tempestade.

Alguma árvore que caiu já tinha protocolo?

Essa permanece como uma das principais perguntas da investigação.

O relatório parcial da Diretoria Técnica de Arborização registrou ocorrências em vias como Avenida São Domingos, Avenida Tuiuti, Rua Tietê, Rua Rio Guandu, Rua Noel Rosa e Rua Pioneiro Salvador Gualda Lopes.

Por sua vez, a investigação encontrou pedidos anteriores de intervenção arbórea em algumas dessas mesmas ruas.

Um dos casos fica na Rua Rio Guandu, 1294.

Em 2025, um documento solicitou a retirada de uma árvore descrita como morta e mencionou relatório técnico assinado por profissional da área, com indicação de risco à segurança de pessoas e ao patrimônio.

A Rua Rio Guandu também aparece entre as vias atingidas pelo temporal.

Entretanto, o relatório parcial das ocorrências não informa o número do imóvel atingido.

Assim, não existem elementos suficientes para afirmar que a árvore mencionada no documento anterior foi uma das que caiu.

A reportagem adota a mesma cautela em relação aos demais protocolos encontrados.

O Maringá PR Notícias busca, portanto, o cruzamento oficial entre os endereços atingidos pelo temporal e a base municipal de protocolos.

A pergunta central é:

quantas das árvores atingidas pelo temporal já possuíam pedido anterior de poda, remoção ou vistoria e quantas estavam classificadas como Emergência ou Urgência?

Temporal encontrou cidade em processo de fortalecimento climático

Os documentos analisados não mostram uma cidade sem políticas de preparação.

Maringá possuía estrutura de Defesa Civil, Plano de Contingência mencionado oficialmente, sistemas de alerta e canais de atendimento. Além disso, houve aviso antes do temporal e o Município mobilizou mais de 200 profissionais posteriormente.

Ao longo de 2026, a administração também criou novos instrumentos, iniciou projetos relacionados ao clima, reorganizou estruturas administrativas e anunciou novas tecnologias.

Por outro lado, os documentos mostram que parte desse sistema atravessava um período de transformação.

A arborização apresentava demanda acumulada. Além disso, o Município havia anunciado anteriormente um PMEC específico para eventos climáticos e arborização.

FUMPDEC e NUPDECs, por sua vez, tinham apenas quatro meses de criação.

Enquanto isso, novos sistemas de monitoramento e atendimento haviam sido anunciados semanas antes.

Finalmente, em agosto, a Câmara ainda solicitava informações sobre plano de contingência, estoques, simulados, equipamentos e capacidade operacional.

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O que ainda precisa ser respondido

Para concluir essa etapa da investigação, o Maringá PR Notícias busca respostas do Município que podem esclarecer o grau de implantação das medidas.

Entre as principais questões estão qual versão do Plano de Contingência estava vigente em 11 de setembro; se o PMEC anunciado em 2025 estava concluído; e se o Centro de Operações de Emergência foi formalmente ativado durante o temporal.

Além disso, a reportagem busca saber quantos servidores, veículos e equipamentos da Defesa Civil estavam disponíveis; se o novo sistema de ocorrências e os tablets anunciados em agosto já funcionavam; quantos NUPDECs estavam formalmente reconhecidos e foram acionados; e qual era a situação financeira e operacional do FUMPDEC.

Também permanece aberta a situação da contratação de R$ 80,579 milhões para manejo arbóreo.

Por fim, uma resposta será especialmente importante para dimensionar o problema da arborização:

alguma das árvores derrubadas pelo temporal possuía protocolo anterior ou laudo indicando necessidade de intervenção?

Caso o Município encaminhe novos esclarecimentos depois da publicação, a reportagem poderá incorporar as respostas em atualização.

O que os documentos permitem concluir

O temporal de 11 de setembro, isoladamente, não permite concluir que Maringá estivesse despreparada.

A resposta emergencial demonstrou capacidade de mobilização. Além disso, os alertas chegaram antes da tempestade.

Por outro lado, a documentação reunida desde 2024 mostra que o próprio Município vinha reconhecendo a necessidade de aperfeiçoar planejamento, prevenção, manejo arbóreo, monitoramento e integração operacional diante de eventos extremos.

Assim, a tempestade transforma uma discussão que até então era predominantemente administrativa em uma questão concreta.

Mais do que saber quais estruturas foram criadas, o desafio agora é determinar quais delas já funcionavam efetivamente quando Maringá precisou utilizá-las.

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Fontes da reportagem

Redação — Maringá PR Notícias

Reportagem produzida a partir de documentos públicos, legislação, processos administrativos, registros oficiais e cruzamento de informações disponíveis até 13 de setembro de 2026. Pontos ainda sem confirmação documental aparecem como questões em aberto e poderão receber atualização após manifestação dos órgãos responsáveis.

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