Profissionais da rede municipal participaram de capacitação nesta sexta-feira (23). Teste molecular identifica 14 tipos de HPV de alto risco e terá implantação gradual nas unidades de saúde.
A Prefeitura de Maringá confirmou nesta sexta-feira, 23 de outubro de 2026, que o município recebeu 758 testes moleculares de DNA-HPV enviados pelo Ministério da Saúde. A nova tecnologia será utilizada no rastreamento do câncer do colo do útero nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
Para preparar a rede municipal, dezenas de profissionais participaram de uma capacitação no Auditório Hélio Moreira, com turmas nos períodos da manhã e da tarde.
A implantação ocorrerá gradualmente. Entretanto, a Prefeitura ainda não informou a data exata do início das coletas nem quais unidades oferecerão primeiro o exame.
Como funciona o novo teste de HPV
O exame molecular identifica o material genético de 14 tipos de HPV considerados de alto risco para o desenvolvimento do câncer do colo do útero.
Diferentemente do Papanicolau, que analisa alterações celulares, o DNA-HPV permite identificar infecções por tipos oncogênicos do vírus antes do surgimento dessas alterações.
Por isso, a tecnologia passa a ocupar papel central na estratégia de rastreamento da doença.
O resultado positivo não significa, por si só, que a paciente tenha câncer. Nesse caso, a equipe de saúde deverá avaliar a necessidade de exames complementares e acompanhamento conforme os protocolos clínicos.
Quem terá prioridade nas UBSs de Maringá?
Segundo a Prefeitura, o município dará prioridade inicial às mulheres de 30 a 49 anos que nunca realizaram o exame preventivo ou estão com o rastreamento atrasado.
Essa prioridade operacional não deve ser confundida com a faixa etária mais ampla prevista nas diretrizes de rastreamento.
O Paraná informa que a estratégia estadual contempla mulheres de 25 a 64 anos, conforme os critérios do Ministério da Saúde.
Assim, a Secretaria Municipal de Saúde ainda precisa esclarecer como organizará o atendimento das demais faixas etárias e de outras pessoas com colo do útero contempladas pelas diretrizes nacionais.
Quando o novo exame estará disponível?
A Prefeitura informou que os 758 testes começarão a ser utilizados nas UBSs após a capacitação dos profissionais.
Contudo, o comunicado de 23 de outubro não estabelece um calendário detalhado para a implantação.
Também não informa quais unidades receberão os primeiros kits, se haverá agendamento presencial ou telefônico e como ocorrerá a convocação das pacientes prioritárias.
Diante disso, as pessoas interessadas devem buscar orientação na UBS de referência e manter o acompanhamento preventivo recomendado pela equipe de saúde.
O Papanicolau vai acabar?
Não imediatamente.
A substituição do Papanicolau pelo teste molecular ocorrerá de forma gradual. Enquanto a rede amplia a nova tecnologia, o exame citopatológico continuará disponível conforme a organização dos serviços.
Além disso, o Papanicolau poderá ser utilizado como exame complementar em situações específicas, inclusive após determinados resultados positivos para HPV.
Quando o teste molecular apresenta resultado negativo, as diretrizes permitem intervalo de até cinco anos para o próximo rastreamento, conforme as condições clínicas e o protocolo aplicável.
Maringá participa de pesquisas sobre autocoleta desde 2013
A capacitação contou com a participação da professora de citologia da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Márcia Consolaro.
A pesquisadora participou da elaboração das novas diretrizes nacionais e destacou a importância do teste molecular para identificar infecções antes do aparecimento de alterações celulares.
Desde 2013, Maringá participa de estudos sobre autocoleta, modalidade em que a própria paciente coleta o material necessário ao exame.
Segundo a Prefeitura, a coleta convencional continuará sendo realizada preferencialmente por profissionais de saúde. Já a autocoleta poderá representar uma alternativa para pessoas que enfrentam dificuldades de acesso ou resistência ao procedimento convencional.
Lei municipal já prevê ampliação do rastreamento
A implantação também ocorre após a entrada em vigor da Lei Municipal nº 12.272, divulgada pela Câmara de Maringá em 16 de outubro.
A legislação estabelece diretrizes para diagnóstico e combate ao HPV, com prioridade ao teste molecular e ampliação progressiva do acesso.
Além disso, prevê atenção especial a mulheres em situação de vulnerabilidade social e vítimas de violência doméstica.
Entretanto, a existência da lei não significa que todos os serviços já estejam implantados. A execução depende da organização da rede e das condições administrativas e orçamentárias.
O que ainda precisa ser esclarecido
A Secretaria Municipal de Saúde ainda precisa detalhar:
- A data de início das coletas.
- A relação das UBSs que oferecerão o teste.
- A capacidade mensal de atendimento.
- O procedimento de agendamento ou convocação.
- Os critérios de acesso para pacientes fora da faixa prioritária inicial.
- O fluxo de comunicação dos resultados e de encaminhamento para exames complementares.
O Maringá PR Notícias acompanhará essas informações para atualizar o serviço à população.
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Fontes
- Prefeitura de Maringá — Capacitação para novo exame de HPV, 23/10/2026
- Secretaria de Estado da Saúde — Distribuição dos testes DNA-HPV
- Câmara de Maringá — Lei Municipal nº 12.272
Redação Maringá PR Notícias
Nota de transparência: a Prefeitura confirmou o recebimento dos testes e a capacitação dos profissionais, mas não divulgou o calendário completo de implantação nas UBSs. As informações serão atualizadas quando houver novos esclarecimentos oficiais.
