Prefeitura afirma que marca é a maior dos últimos dez anos; cota supera em 1,22 metro o recorde divulgado em julho, enquanto dado de 2,66 metros representa elevação em relação à referência inicial — e não a profundidade do lago
MARINGÁ — O nível do lago do Parque do Ingá chegou nesta terça-feira (6) à cota de 480,66 metros acima do nível do mar e alcançou a altura do vertedouro. Segundo a Prefeitura de Maringá, trata-se do maior nível registrado pelo Município nos últimos dez anos. O novo dado também supera a marca de 479,44 metros divulgada em julho, que naquele momento havia sido apresentada como recorde da série sistemática monitorada desde setembro de 2022.
A informação divulgada nesta quarta-feira (7) ajuda também a esclarecer um número que pode gerar interpretação equivocada.
A Prefeitura afirma que o patamar do lago subiu cerca de 2,66 metros em relação à referência inicial utilizada no acompanhamento.
Portanto, os 2,66 metros não representam a profundidade total do lago.
Já os 480,66 metros correspondem à chamada cota altimétrica — isto é, à altura da superfície da água em relação ao nível do mar.
Veja a publicação oficial da Prefeitura sobre o novo nível do lago do Parque do Ingá
Lago do Parque do Ingá superou recorde divulgado em julho
Em 26 de julho, após as chuvas registradas naquele mês, o Instituto Ambiental de Maringá (IAM) informou que o lago havia atingido 479,44 metros acima do nível do mar.
Na ocasião, a Prefeitura apresentou o número como o maior registro desde o início do acompanhamento sistemático, em setembro de 2022.
O recorde anterior era de 479,16 metros, registrado em 2023.
Agora, pouco mais de dois meses depois, o nível chegou a 480,66 metros.
Assim, a nova cota está 1,22 metro acima da marca registrada em julho.
Além da importância ambiental, o lago também faz parte da própria história do parque. O Maringá PR Notícias já mostrou que ele é artificial e surgiu durante a implantação da área de lazer inaugurada em 1971.
O que significa chegar aos 480,66 metros
O dado tem uma explicação física importante.
Segundo o Instituto Ambiental de Maringá, 480,66 metros é a cota do vertedouro do lago.
Quando a superfície da água alcança esse patamar, o excedente passa pela estrutura hidráulica e segue naturalmente pelo Córrego Moscados.
Ou seja, o lago chegou ao nível em que o próprio sistema começa a liberar a água excedente.
O anexo técnico divulgado pelo Município também identifica explicitamente os 480,66 metros como a “cota do vertedouro do lago”.
Consulte o documento técnico do IAM sobre o nível do lago
Chuva ajudou, mas IAM aponta outro fator
As chuvas tiveram papel na recuperação do nível do lago. Entretanto, o IAM afirma que elas não explicam sozinhas o comportamento observado.
Entre setembro e dezembro de 2025, o pluviômetro instalado no Parque do Ingá registrou 800 milímetros de chuva.
Mesmo assim, naquele período o nível do lago apresentou resposta considerada baixa e chegou a um dos menores patamares da série recente: 478,02 metros.
Em 2026, o cenário mudou.
Entre julho e setembro, o parque registrou 430 milímetros de chuva. Apesar de o acumulado ser inferior ao observado entre setembro e dezembro do ano anterior, o nível da água subiu de maneira muito mais acentuada.
É importante observar que os períodos comparados têm durações diferentes: quatro meses em 2025 e três meses em 2026.
Ainda assim, os dados mostram que simplesmente associar maior volume acumulado de chuva a um nível mais alto do lago não explica sozinho a mudança.
Mudanças nos canais passaram a direcionar mais água ao lago
O IAM relaciona a recuperação também às intervenções realizadas nos canais que abastecem o lago.
Ao longo de 2025 e 2026, equipes municipais executaram mudanças no funcionamento dos canais Leste e Oeste.
Entre as medidas estão o rebaixamento da soleira do canal de desvio Oeste, implantação de pontos de desvio parcial da água da chuva, limpeza, desassoreamento e desobstrução das estruturas.
Segundo o instituto, antes das intervenções o Canal Leste apresentava baixa capacidade de contribuição para o lago, enquanto o Canal Oeste praticamente não encaminhava água para o sistema.
Por isso, a Prefeitura atribui parte do comportamento atual à melhoria na captação e condução das águas pluviais.
As intervenções no entorno do Parque do Ingá também têm sido objeto de acompanhamento do Maringá PR Notícias. Em outra investigação, documentos mostraram que a pista emborrachada já apresentava problemas antes mesmo do recebimento definitivo da obra.
Veja a investigação sobre os problemas da pista emborrachada do Parque do Ingá
De 478,02 para 480,66 metros
O material técnico publicado nesta quarta-feira mostra com clareza a mudança recente.
O menor nível indicado para 2025 é de 478,02 metros.
Agora, o lago alcançou 480,66 metros.
Na prática, a diferença entre esses dois pontos chega a aproximadamente 2,64 metros.
A própria comunicação da Prefeitura usa a referência de cerca de 2,66 metros para descrever a recuperação do patamar.
Isso também explica por que o número não deve ser interpretado como profundidade do lago.
Prefeitura fala em maior nível dos últimos dez anos
Há outro ponto que merece atenção.
Em julho, o Município informou que os 479,44 metros representavam o maior registro da série de monitoramento sistemático iniciada em setembro de 2022.
Nesta quarta-feira, com a cota de 480,66 metros, a Prefeitura ampliou a referência e afirmou que se trata do maior nível registrado nos últimos dez anos.
Entretanto, o anexo técnico disponibilizado junto à notícia desta quarta-feira apresenta gráfico e informações referentes ao período de 2025 a 2026.
O documento não traz, na mesma publicação, a tabela completa com todos os níveis registrados ao longo dos dez anos mencionados pela Prefeitura.
Por isso, o Maringá PR Notícias atribui ao Município a afirmação sobre o recorde decenal e diferencia esse dado do período exibido no material técnico tornado público nesta quarta-feira.
Monitoramento continua
O Instituto Ambiental de Maringá acompanha o comportamento do lago e o volume das chuvas no Parque do Ingá.
O monitoramento utiliza instrumentos instalados na unidade de conservação e serve para acompanhar a resposta do sistema de drenagem e orientar intervenções futuras.
Com o nível agora na cota do vertedouro, o IAM informou que continuará observando o comportamento do lago.
Assim, a principal conclusão dos dados divulgados nesta quarta-feira é dupla: o lago atingiu 480,66 metros acima do nível do mar, estabelecendo um novo patamar, e a recuperação não pode ser explicada apenas pela quantidade de chuva registrada na região.
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Fontes
Instituto Ambiental de Maringá — análise técnica do nível do lago e da pluviosidade
Redação Maringá PR Notícias
