Você Conhece Maringá

Você Conhece Maringá? Como o Parque do Ingá se tornou um dos símbolos da cidade

Inaugurado em 1971, parque atravessou diferentes fases da história de Maringá; antigo zoológico, Jardim Japonês, Maria Fumaça, lago artificial e preservação da Mata Atlântica ajudam a contar como o espaço mudou junto com a cidade

MARINGÁ — Para muitas gerações de maringaenses, entrar no Parque do Ingá significa encontrar algumas das imagens mais conhecidas da cidade: o lago cercado pela mata, os caminhos entre as árvores, os animais que circulam livremente e a histórica Maria Fumaça. No entanto, por trás desse cenário existe uma história que começou antes mesmo da inauguração do parque e passou por profundas transformações ao longo de mais de cinco décadas.

O lugar que hoje funciona como uma importante área de conservação ambiental de Maringá já abrigou zoológico, animais em cativeiro, pedalinhos e diferentes estruturas de lazer. Além disso, recebeu uma visita ligada à Família Imperial japonesa e guarda uma locomotiva relacionada à própria chegada da ferrovia à cidade.

Nem tudo que parece natural no parque, porém, surgiu espontaneamente. O lago que se tornou um dos cartões-postais de Maringá, por exemplo, foi construído pelo homem.

Anos depois da inauguração, surgiu o Jardim Japonês. Ao mesmo tempo, o antigo zoológico, que marcou a infância de milhares de visitantes, deu lugar gradualmente a uma concepção diferente de conservação.

Por isso, para entender o Parque do Ingá atual, é necessário voltar à época em que aquela área ainda era uma mata cercada pelo crescimento de uma cidade planejada.


Lago, mata e edifícios formam uma das paisagens características do Parque do Ingá, área verde localizada na região central de Maringá. Foto: Alan Peliser / Wikimedia Commons — CC BY-SA 4.0.


🌳 Antes do Parque do Ingá havia uma mata no desenho de Maringá

Maringá nasceu com áreas verdes inseridas em seu planejamento urbano. Entre elas estava a mata que posteriormente daria origem ao Parque do Ingá.

Esse contexto aparece também na reportagem do Maringá PR Notícias sobre como Maringá foi planejada antes de crescer.

Antes da implantação do parque, registros históricos identificam o local como Bosque Dr. Etelvino Bueno de Oliveira.

Entretanto, preservar uma área no mapa não significava necessariamente mantê-la intacta.

Ao longo dos primeiros anos da cidade, a mata sofreu diferentes pressões. Há registros históricos de incêndios, retirada de madeira e presença de caçadores. Além disso, as nascentes existentes naquela região fizeram parte do cotidiano dos moradores.

Dessa forma, o espaço que hoje associamos à conservação ambiental atravessou um período de degradação.

No final da década de 1960, porém, começou uma transformação decisiva.

🏗️ 1969: começa a nascer o parque

Durante a administração do prefeito Adriano José Valente, iniciada em 1969, avançaram os estudos para transformar a mata em uma grande área pública de lazer.

Nesse processo, o engenheiro-agrônomo Anníbal Bianchini da Rocha participou da consultoria relacionada à implantação.

Naquele momento, porém, a proposta ia além de abrir caminhos dentro da floresta.

Adriano Valente defendia a ideia de criar uma espécie de “Clube do Povo”.

Enquanto clubes particulares ofereciam estruturas de lazer aos associados, o novo parque deveria proporcionar à população um espaço público de convivência, recreação e contato com a natureza.

Esse conceito aparece em registros históricos sobre a implantação e a inauguração do Parque do Ingá.

Assim, a mata começava a assumir uma nova função dentro da cidade.

📅 Parque do Ingá foi inaugurado em 1971

A inauguração histórica ocorreu em 10 de outubro de 1971.

Segundo registros do Maringá Histórica sobre a inauguração do Parque do Ingá, naquele dia ocorreu a abertura oficial do então chamado “Clube do Povo”.

A partir daquele momento, Maringá ganhou oficialmente um parque que passaria a acompanhar diferentes gerações de moradores.

Curiosamente, a data oficial comemorativa adotada posteriormente pelo município não coincide com o dia da inauguração.

Primeiro, a legislação municipal estabeleceu 13 de outubro como Dia do Aniversário do Parque do Ingá. Posteriormente, uma alteração transferiu a comemoração para 15 de outubro.

Portanto, existem duas informações diferentes que não devem ser confundidas:

📍 Inauguração histórica: 10 de outubro de 1971

📅 Data comemorativa oficial atual: 15 de outubro

Essa diferença ajuda a explicar por que publicações sobre a história do parque eventualmente apresentam datas distintas.

💧 O lago do Parque do Ingá não é natural

Talvez essa seja uma das curiosidades que mais surpreendam quem conhece o parque apenas pelo cenário atual.

O lago do Parque do Ingá é artificial.

Durante a implantação do espaço, a área recebeu intervenções para represar a água proveniente das nascentes existentes dentro da mata.

Além disso, registros históricos contam até mesmo como a equipe tentou estimar quanto tempo seria necessário para encher o lago.

Para isso, uma das estratégias teria sido medir a vazão utilizando um recipiente de aproximadamente 18 litros. A partir do tempo necessário para enchê-lo, seria possível estimar a quantidade de água que alimentaria o futuro lago.

Com isso, a paisagem que posteriormente se tornaria cartão-postal de Maringá começava a tomar forma.

Ao longo dos anos, o lago também recebeu estruturas destinadas ao lazer. Pedalinhos e um píer, por exemplo, aparecem em registros históricos das primeiras décadas do parque.


Pedalinhos aparecem no lago artificial do Parque do Ingá. A estrutura de lazer fez parte de diferentes períodos da história do parque. Foto: Alan Peliser / Wikimedia Commons — CC BY-SA 4.0.


🌿 Mas por que o nome “Ingá”?

Essa pergunta apresenta um detalhe interessante: existem versões diferentes registradas sobre a origem do nome.

Uma das explicações relaciona “Ingá” à vegetação existente na área. Nesse caso, o nome faria referência ao gênero botânico Inga, encontrado na região.

Por outro lado, existe outra interpretação registrada na memória histórica da cidade.

O jornalista e memorialista A. A. de Assis relatou uma associação com Maria do Ingá, personagem relacionada à canção que inspirou o próprio nome de Maringá.

A relação entre a cidade e essa música é explicada na reportagem Por que Maringá é chamada de Cidade Canção?.

Sob essa interpretação, “Parque do Ingá” funcionaria também como uma referência poética à identidade da cidade.

Como existem registros apresentando explicações diferentes, não é adequado transformar uma das versões em verdade absoluta.

O que podemos afirmar é que as duas interpretações fazem parte da memória documentada sobre o parque.

🦁 Houve um tempo em que o Parque do Ingá também era zoológico

Para quem visitou o Parque do Ingá décadas atrás, as lembranças podem ser bastante diferentes da experiência encontrada atualmente.

Durante muitos anos, o parque manteve animais em cativeiro. Com o tempo, o zoológico se tornou uma de suas principais atrações e marcou a infância de diferentes gerações de maringaenses.

Além disso, registros históricos citam animais como leões, pumas, jaguatiricas, gatos-do-mato, macacos, jacarés, aves, veados, jabutis, cágados e tigres-d’água, entre outros.

Naquele período, inclusive, o número total de animais chegou à casa das centenas. Na prática, portanto, visitar o Parque do Ingá também significava visitar um zoológico no centro da cidade.

Entretanto, a relação entre conservação ambiental e manutenção de animais em cativeiro começou a mudar.

🐒 Por que o zoológico acabou?

A desativação começou na segunda metade dos anos 2000. Naquele período, avaliações ambientais apontaram problemas relacionados às instalações destinadas aos animais.

Havia aproximadamente 190 animais em cativeiro quando começou o processo de retirada. Ainda assim, eles não deixaram o parque todos ao mesmo tempo.

Por esse motivo, a transferência ocorreu gradualmente e envolveu a busca por locais adequados para receber cada espécie.

Nesse trabalho, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) participou da definição dos destinos, que incluíram zoológicos e criadores autorizados.

Além disso, a operação se mostrou mais complicada do que simplesmente transportar todos os animais de uma vez.

Alguns exemplares haviam passado boa parte da vida em cativeiro e, por isso, não poderiam simplesmente ser soltos na natureza.

Ao mesmo tempo, encontrar instituições com estrutura e disponibilidade para receber determinadas espécies exigia tempo.

Consequentemente, anos depois do início da desativação ainda havia animais aguardando transferência.

🐵 Alguns animais ficaram no parque durante anos

Um exemplo ajuda a mostrar quanto o processo se prolongou.

Em 2015, o Zoológico de Curitiba recebeu três macacos-prego provenientes do Parque do Ingá.

Segundo a Prefeitura de Curitiba, os animais foram enviados a pedido da Prefeitura de Maringá e do Ibama porque não havia estrutura adequada para mantê-los no antigo zoológico.

Além disso, o órgão explicou que animais mantidos em cativeiro não poderiam simplesmente ser soltos na natureza.

Dessa forma, o episódio mostra que a transformação do antigo zoológico em uma área voltada prioritariamente à conservação ambiental aconteceu gradualmente.

🦝 Do zoológico à fauna livre

Hoje, encontrar animais dentro do Parque do Ingá continua sendo algo comum. A diferença fundamental, porém, está na forma como eles vivem.

Em vez de jaulas funcionando como atração de zoológico, diversas espécies circulam livremente pelo fragmento florestal.

Ao longo dos anos, levantamentos ambientais registraram dezenas de espécies de mamíferos no parque.

Além disso, entre os animais registrados no local aparecem capivaras, quatis, gambás, ouriços-cacheiros, lagartos, tucanos e diferentes espécies de aves, além de outros representantes da fauna.

Assim, o parque passou por uma mudança conceitual importante:

de um espaço que mantinha animais em exposição para uma unidade que busca conservar um ambiente onde a fauna possa existir livremente.

⚠️ Nem todo animal encontrado no parque deveria estar ali

Um dos desafios de conservação está justamente nas espécies introduzidas no fragmento florestal.

Nesse sentido, o Plano de Manejo do Parque do Ingá chama atenção para esse problema e propõe medidas de acompanhamento e manejo.

Entre os exemplos está o sagui-de-tufo-branco (Callithrix jacchus), considerado uma espécie introduzida no parque.

Além disso, o documento aponta a necessidade de estudos populacionais e de alimentação, já que esses animais podem predar ovos e pequenos animais nativos.

Por outro lado, espécies exóticas de quelônios encontradas no parque também exigem acompanhamento.

Portanto, conservar o espaço não significa simplesmente deixar tudo como está.

Em alguns casos, preservar o ecossistema exige justamente controlar espécies que chegaram posteriormente.


Sagui-de-tufo-branco fotografado no Parque do Ingá. O Plano de Manejo identifica a espécie como introduzida e recomenda acompanhamento dos impactos sobre a fauna nativa. Foto: Mussangui / Wikimedia Commons — CC BY-SA 3.0.


🌲 Um pedaço da Mata Atlântica no centro de Maringá

O Parque do Ingá preserva um remanescente de Floresta Estacional Semidecidual, formação pertencente ao bioma Mata Atlântica.

Segundo o Plano de Manejo de 2020, a área possui aproximadamente 47,4 hectares.

Entre as espécies vegetais registradas aparecem árvores como cedro, canjarana, monjoleiro, jacaratiá, tapiá, gurucaia e capixingui, entre outras.

Entretanto, assim como ocorreu com a fauna, a vegetação também passou por interferências humanas ao longo das décadas.

Nesse processo, incêndios, espécies exóticas, alterações no entorno e diferentes usos históricos deixaram marcas.

Consequentemente, preservar o Parque do Ingá atualmente envolve também recuperar partes desse ecossistema.

🌱 A floresta continua sendo recuperada

As ações ambientais não ficaram restritas às primeiras décadas do parque.

Nos últimos anos, o município realizou plantios de espécies nativas e trabalhos de recuperação ambiental.

Paralelamente, equipes desenvolveram ações relacionadas ao controle de espécies exóticas e à conservação da vegetação.

Dessa maneira, a mata que o visitante encontra atualmente resulta tanto da floresta original quanto de décadas de intervenções, degradação, recuperação e manejo.

🇯🇵 O Jardim Japonês nasceu depois do parque

Outro espaço conhecido pelos visitantes não fazia parte da configuração original de 1971.

O Jardim Japonês surgiu em 1978, em um momento particularmente importante para a comunidade nipo-brasileira.

Naquele ano, o Brasil comemorava os 70 anos da imigração japonesa. Ao mesmo tempo, Maringá entrou no roteiro da visita do então príncipe herdeiro Akihito e da princesa Michiko, que décadas mais tarde se tornariam imperador e imperatriz do Japão.

Por causa da visita, a cidade preparou uma programação especial para recebê-los.

Foi nesse contexto, portanto, que o Parque do Ingá ganhou um novo espaço.

🌸 Uma visita imperial mudou uma parte do parque

Registros históricos indicam que Akihito e Michiko chegaram a Maringá em 20 de junho de 1978.

Já uma reconstrução detalhada preservada pelo Paraná Histórica aponta que, na manhã de 21 de junho, o casal esteve no Jardim Japonês preparado para a ocasião.

Na época, o espaço tinha aproximadamente 5 mil metros quadrados.

Por sua vez, o projeto é associado ao arquiteto Sidney Barros do Lago.

Na composição do espaço, lagos, pequenas pontes, ilha e paisagismo ajudavam a criar a ambientação.

Além disso, as pontes de madeira foram produzidas pela Marcenaria Moderna, de Saburo Matsuzawa, inspiradas em estruturas do tradicional Jardim Ritsurin, em Takamatsu, no Japão.

Registros históricos sobre o Jardim Japonês também relacionam sua criação à visita de 1978.

Assim, um pedaço do Parque do Ingá passou a carregar também a história da imigração japonesa e sua influência sobre Maringá.


Portal marca a entrada do Jardim Japonês no Parque do Ingá. O espaço surgiu em 1978, no contexto da visita de Akihito e Michiko a Maringá e das comemorações dos 70 anos da imigração japonesa no Brasil. Foto: Simplus Menegati / Wikimedia Commons — CC BY-SA 4.0.


🌳 Akihito e Michiko plantaram uma árvore em Maringá

Durante a passagem pelo parque, o casal também participou do plantio de uma muda de ipê.

Além disso, o episódio deixou até mesmo um pequeno objeto histórico.

A espátula utilizada por Michiko durante o plantio acabou preservada no acervo do Museu Municipal Hélenton Borba Cortes.

Embora pareça um detalhe simples, o objeto ajuda a conectar um espaço cotidiano de Maringá a um acontecimento internacional ocorrido há quase meio século.

🚂 E aquela Maria Fumaça?

Outro personagem do Parque do Ingá parece deslocado em meio à floresta.

Ali permanece preservada uma locomotiva a vapor. No entanto, ela não foi escolhida aleatoriamente para servir como decoração.

Trata-se da histórica Locomotiva nº 608.

Sua trajetória, portanto, está diretamente relacionada à ferrovia que ajudou a transformar Maringá.

🚉 Locomotiva participou de um momento histórico da cidade

Segundo registro histórico sobre a Locomotiva nº 608, a máquina chegou a Maringá em 31 de janeiro de 1954, conduzida pelo maquinista José Mariano, para a inauguração da Estação Ferroviária.

Naquele período, a ferrovia teve papel fundamental no desenvolvimento econômico e urbano da cidade.

Posteriormente, a Rede Ferroviária Federal doou a locomotiva ao município.

Então surgiu um problema bastante incomum:

como transportar uma locomotiva a vapor até o Parque do Ingá?

🛤️ Trilhos foram colocados nas avenidas para levar a locomotiva ao parque

Em janeiro de 1973, começou uma operação que hoje parece difícil de imaginar no trânsito de Maringá.

Para deslocar a locomotiva do pátio ferroviário até o Parque do Ingá, equipes instalaram trilhos provisórios pelas avenidas Tamandaré e São Paulo.

Durante o trajeto, um trator auxiliou no deslocamento da máquina.

Além disso, o episódio aparece nos registros históricos sobre a Maria Fumaça e sua chegada ao Parque do Ingá.

Temporariamente, portanto, ruas da cidade se transformaram em caminho ferroviário.

Finalmente, a nº 608 chegou ao parque e passou a integrar sua paisagem.

Por isso, a Maria Fumaça é muito mais do que uma peça decorativa: ela conecta o Parque do Ingá à própria memória ferroviária de Maringá.


A Locomotiva nº 608 permanece preservada no Parque do Ingá e guarda uma ligação direta com a história ferroviária de Maringá. Em 1973, a máquina foi levada ao parque após uma operação que utilizou trilhos provisórios pelas avenidas Tamandaré e São Paulo.


🏛️ Maria Fumaça ganhou sua própria “estação”

Anos depois, a locomotiva recebeu uma estrutura específica de proteção.

Posteriormente, a chamada Estação Ferroviária dos Pioneiros foi inaugurada em agosto de 1984.

Na ocasião, a locomotiva também recebeu um processo de restauração.

Décadas mais tarde, em fevereiro de 2019, a nº 608 passou por uma restauração completa, conforme registros históricos sobre a Maria Fumaça no Parque do Ingá.

Depois disso, a locomotiva também passou a contar com proteção patrimonial do município.

🌳 De parque de lazer a Unidade de Conservação

Talvez nenhuma mudança explique melhor a transformação do Parque do Ingá do que sua classificação ambiental atual.

Quando surgiu, a proposta estava fortemente associada ao lazer público — o chamado “Clube do Povo”.

Durante décadas, atrações, zoológico e diferentes atividades dividiram espaço com a mata.

Com o tempo, porém, a conservação ambiental ganhou importância cada vez maior.

Por isso, em 2020, a Lei Municipal nº 11.198 oficializou o Parque do Ingá Prefeito Adriano José Valente como Unidade de Conservação, na categoria Parque Natural Municipal.

Dessa forma, a mudança jurídica consolidou uma nova forma de olhar para aquele espaço.

Desde então, o parque passou a ter oficialmente funções relacionadas à proteção da biodiversidade, conservação ambiental, pesquisa, educação ambiental e contato da população com a natureza.

🔄 Um parque que mudou junto com Maringá

Ao colocar os diferentes capítulos lado a lado, é possível perceber que o Parque do Ingá atual não surgiu pronto.

Sua trajetória pode ser resumida em uma longa transformação:

🌳 Mata preservada no planejamento urbano

🔥 Área submetida a degradação e diferentes usos

🏗️ Projeto do “Clube do Povo”

🌿 Inauguração do parque em 1971

🦁 Zoológico e atrações de lazer

🚂 Maria Fumaça chega ao parque em 1973

🇯🇵 Jardim Japonês em 1978

🐒 Desativação gradual do zoológico

🦝 Valorização da fauna livre

🌱 Recuperação ambiental

🌳 Parque Natural Municipal

Em conjunto, cada etapa representa também uma mudança na forma como Maringá se relacionou com aquele pedaço de floresta.

🔎 O que ainda permanece do projeto original?

Mais de cinco décadas depois da inauguração, alguns elementos continuam imediatamente reconhecíveis.

Entre eles, a mata permanece como protagonista.

Enquanto isso, o lago artificial continua formando uma das paisagens mais conhecidas da cidade.

Já a Maria Fumaça preserva uma ligação com a história ferroviária. Por sua vez, o Jardim Japonês mantém viva outra camada da formação cultural de Maringá.

Outras características, entretanto, desapareceram ou mudaram profundamente.

O zoológico deixou de existir e a relação com os animais se transformou. Além disso, algumas estruturas de lazer também passaram por mudanças.

Ao mesmo tempo, conservação ambiental, pesquisa e recuperação da floresta ganharam espaço.

Por isso, visitar o Parque do Ingá atualmente também significa caminhar por diferentes períodos da história da cidade.

💡 Você sabia?

🌊 O lago é artificial: durante a implantação do parque, as nascentes existentes na mata foram utilizadas para ajudar a formar o lago que hoje compõe uma das paisagens mais conhecidas de Maringá.

🦁 Décadas atrás, o parque também funcionava como zoológico: centenas de animais passaram pelo espaço e fizeram parte das lembranças de diferentes gerações de visitantes.

🐒 A retirada dos animais levou anos: embora a desativação tenha começado na segunda metade dos anos 2000, o processo ocorreu gradualmente e algumas transferências aconteceram muito tempo depois.

🇯🇵 Uma visita histórica marcou 1978: Akihito e Michiko estiveram em Maringá durante as comemorações relacionadas aos 70 anos da imigração japonesa no Brasil.

🌳 Na passagem pelo parque, houve o plantio de um ipê: além disso, um objeto utilizado por Michiko naquele momento acabou preservado no acervo do museu municipal.

🚂 Trilhos provisórios levaram a Maria Fumaça até o parque: em 1973, a operação de transporte da locomotiva passou pelas avenidas Tamandaré e São Paulo.

🚉 Parte da memória ferroviária permanece na nº 608: afinal, registros históricos relacionam a locomotiva à inauguração da antiga Estação Ferroviária de Maringá.

🌳 Desde 2020, o parque é oficialmente uma Unidade de Conservação: o espaço possui a categoria de Parque Natural Municipal.

❤️ Muito mais que um cartão-postal

É fácil apresentar o Parque do Ingá apenas como um dos principais pontos turísticos de Maringá.

Sua história, entretanto, revela algo muito maior.

Ali estão preservadas diferentes camadas da cidade: o planejamento urbano das primeiras décadas, a expansão de Maringá, as antigas formas de lazer, a relação com os animais, a presença da comunidade japonesa, a memória ferroviária e, mais recentemente, uma preocupação crescente com conservação ambiental.

Algumas dessas camadas desapareceram fisicamente. Outras, porém, continuam diante dos visitantes.

Há ainda aquelas que sobrevivem principalmente nas fotografias, documentos e lembranças de quem conheceu outro Parque do Ingá.

Por isso, talvez seja justamente essa capacidade de mudar sem perder sua ligação com a memória de Maringá que explique por que o parque permanece, mais de cinco décadas depois, como um dos grandes símbolos da cidade.

📚 Leia também — Você Conhece Maringá?

📌 Fontes da reportagem

📷 Fontes e créditos das imagens

  • Paisagem do Parque do Ingá: Alan Peliser / Wikimedia Commons — CC BY-SA 4.0.
  • Lago artificial e pedalinhos: Alan Peliser / Wikimedia Commons — CC BY-SA 4.0.
  • Sagui-de-tufo-branco: Mussangui / Wikimedia Commons — CC BY-SA 3.0.
  • Jardim Japonês: Simplus Menegati / Wikimedia Commons — CC BY-SA 4.0.
  • Maria Fumaça nº 608: fotografia disponível no Wikimedia Commons. O autor e a licença devem ser reproduzidos exatamente como aparecem na página original do arquivo.

Para otimizar o carregamento, o Maringá PR Notícias utilizou versões redimensionadas e convertidas para WebP, preservando o conteúdo das fotografias.

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