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Você Conhece Maringá? Quem foi Dirce de Aguiar Maia, pioneira da educação na cidade?

Antes de Maringá se tornar município, uma professora ajudou a organizar as primeiras salas de aula, mobilizou famílias e participou da formação do ensino local. Conheça a trajetória de Dirce de Aguiar Maia.

A história da educação em Maringá começou muito antes da construção das grandes escolas que hoje atendem milhares de estudantes. Em 1946, quando a localidade ainda era um patrimônio em formação, moradores se mobilizaram para criar um espaço onde as crianças pudessem aprender a ler, escrever e fazer contas.

Entre os nomes que marcaram esse período está o de Dirce de Aguiar Maia, reconhecida por pesquisas históricas como a primeira professora e diretora da cidade.

Uma escola construída pela comunidade

A primeira instituição de ensino ficou conhecida como Casa Escolar. Instalada no Maringá Velho, na antiga Rua Pinguim, atual Rua Antônio Carniel, funcionava em condições bastante simples.

Segundo o acervo histórico, a sala não tinha janelas e contava com 18 carteiras rústicas. Mesmo com essa estrutura limitada, a escola atendia crianças em diferentes períodos. Uma das fontes menciona 48 estudantes. Em outro relato, Dirce menciona 28 alunos em um momento específico; os dois números não representam necessariamente a mesma contagem. As fontes também divergem quanto ao dia de abertura, razão pela qual adotamos apenas o ano de 1946.

A iniciativa reuniu moradores e lideranças locais, com apoio do poder público de Apucarana, município ao qual o patrimônio de Maringá estava vinculado. Conforme a pesquisa acadêmica da UEM, há divergência entre relatos sobre o peso da iniciativa comunitária e a responsabilidade da prefeitura de Apucarana na criação da escola.

O trabalho de Dirce de Aguiar Maia

Nascida em Macaé, no Rio de Janeiro, em 1921, Dirce chegou à região na década de 1940. O acervo Maringá Histórica registra 1944, mas outras fontes apresentam cronologias diferentes. Consulte o registro biográfico.

Convidada para atuar na Casa Escolar, assumiu responsabilidades que iam além das aulas. Ela também procurou famílias para incentivar as matrículas e participou da organização do trabalho de outros professores.

A tese de doutorado de Mônica Vasconcelo, defendida na Universidade Estadual de Maringá em 2023, recupera relatos sobre a primeira escola e a atuação de Dirce, com base em obras históricas. O trabalho menciona a data de 9 de julho de 1946 para a criação da instituição, enquanto o acervo Maringá Histórica aponta março daquele ano. Por isso, esta reportagem registra 1946 como marco comum às fontes, sem estabelecer um dia definitivo.

Em 1947, a Casa Escolar passou a ser conhecida como Escola Isolada do Maringá Velho. Com o crescimento da população, a estrutura educacional precisou se ampliar.

Linha do tempo da primeira escola de Maringá

  • 1946: criação da Casa Escolar no Maringá Velho, com atuação de Dirce e outras professoras; as fontes divergem quanto ao mês de início.
  • 1947: o estabelecimento passa a ser conhecido como Escola Isolada do Maringá Velho.
  • 1948: inauguração de novas instalações do Grupo Escolar de Maringá em 1º de agosto, conforme o acervo Maringá Histórica.

As outras mulheres que ajudaram a ensinar

Embora Dirce tenha recebido o reconhecimento de primeira professora e diretora, a implantação do ensino em Maringá foi um esforço coletivo.

Entre as educadoras citadas nos estudos históricos estão Maria Balani Planas, Candinha Balani, Aparecida Cunha e Stefânia Moreno.

Além disso, reconhecer essas profissionais permite contar uma história mais completa. Afinal, diferentes mulheres e a própria comunidade ajudaram a construir a educação local.

Uma trajetória além da educação

Dirce também atuou em iniciativas sociais e exerceu funções cartorárias.

Em 1956, um episódio de violência política também atingiu sua família. Relatos históricos apontam seu marido, Aníbal Goulart Maia, como responsável por ordenar uma agressão ao então prefeito Américo Dias Ferraz. Essa atribuição depende de confronto com documentos primários.

Após o episódio, moradores invadiram e incendiaram a residência da família Maia.

O acontecimento integra a história política da cidade. Entretanto, as fontes consultadas não demonstram participação de Dirce na agressão. Portanto, o episódio não pode ser usado para atribuir a ela responsabilidades não comprovadas.

O reconhecimento de uma pioneira

Registros do acervo Maringá Histórica apontam homenagens em 1970 e 1975 relacionadas à contribuição de Dirce para o ensino. Os atos oficiais originais ainda precisam ser localizados. O nome da educadora também identifica o Colégio Estadual Dirce de Aguiar Maia, em Maringá.

Segundo o acervo biográfico Maringá Histórica, ela morreu em 19 de dezembro de 2012, aos 91 anos.

Sua história ajuda a compreender como a educação surgiu em Maringá: em instalações modestas, com participação dos moradores e o trabalho de professoras que enfrentaram as dificuldades de uma cidade ainda em formação.

A trajetória de Dirce de Aguiar Maia permanece como parte da memória das primeiras gerações de estudantes maringaenses.

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Fontes

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