Com 124 metros de altura, monumento nasceu da visão de Dom Jaime Luiz Coelho, ganhou projeto do arquiteto José Augusto Bellucci e atravessou quase 14 anos de construção até marcar definitivamente a paisagem de Maringá
A história da Catedral de Maringá acompanha uma parte importante do desenvolvimento da própria Cidade Canção. Com 124 metros de altura, a Catedral Basílica Menor Nossa Senhora da Glória domina o horizonte e se tornou um dos símbolos mais reconhecidos do município.
Entretanto, antes do enorme cone de concreto, outra igreja ocupava aquele espaço.
Quando Dom Jaime Luiz Coelho assumiu como primeiro bispo de Maringá, em março de 1957, encontrou uma Catedral de madeira. Logo depois, começou a planejar um templo monumental que acompanhasse o crescimento da jovem cidade.
Para transformar a ideia em projeto, Dom Jaime contou com o arquiteto José Augusto Bellucci. Assim nasceu uma das obras arquitetônicas mais singulares de Maringá.
A Arquidiocese de Maringá preserva parte dessa trajetória e registra momentos importantes da construção.
Resumo do que você vai encontrar
- o que existia antes da atual Catedral;
- quem idealizou o monumento;
- quem criou o projeto arquitetônico;
- de onde surgiu o formato cônico;
- quando começaram as obras;
- quanto tempo durou a construção;
- por que 1972, 1981 e 1982 são datas importantes;
- curiosidades sobre o monumento;
- por que a Catedral se tornou símbolo de Maringá.
Antes do monumento, havia uma igreja de madeira
Para entender a história da Catedral de Maringá, precisamos voltar aos primeiros anos da cidade.
Uma igreja de madeira atendia a comunidade católica na área central. Ao longo do tempo, ela passou por ampliações e mudanças.
Em 24 de março de 1957, Dom Jaime Luiz Coelho tomou posse como primeiro bispo de Maringá.
Naquele momento, segundo a história oficial da Arquidiocese, a nova Diocese abrangia uma população de aproximadamente 450 mil habitantes distribuída por oito municípios.
Maringá, por sua vez, vivia um período de expansão acelerada.
Para entender como a cidade chegou até aquele momento, vale conhecer também o Maringá Velho, núcleo pioneiro onde começou parte dessa história.
Por isso, Dom Jaime começou a imaginar um templo de grandes proporções para a cidade que continuava crescendo.
VOCÊ SABIA?
Antes da Catedral de concreto, uma igreja de madeira ocupava a área. Portanto, durante parte da construção do novo templo, a antiga estrutura permaneceu próxima ao gigantesco canteiro de obras.
Dom Jaime queria uma Catedral para a Maringá do futuro
Dom Jaime não pensava apenas nas necessidades daquele momento.
Ele enxergava o crescimento que Maringá experimentava e queria construir uma Catedral capaz de acompanhar essa transformação.
Dessa forma, o projeto ganhou proporções incomuns para uma cidade que tinha pouco mais de uma década de existência oficial.
Enquanto a região central se desenvolvia, outros núcleos urbanos também cresciam. A Vila Operária, por exemplo, acompanhou os primeiros anos de formação e expansão de Maringá.
Nesse cenário, o bispo apresentou sua ideia ao arquiteto paulista José Augusto Bellucci, que transformou o conceito em projeto arquitetônico.
A história oficial da Catedral de Maringá registra Bellucci como responsável pelos traços da nova igreja.
Afinal, por que a Catedral tem formato de cone?
Essa é uma das maiores curiosidades sobre Maringá.
Durante muitos anos, moradores repetiram que o formato da Catedral surgiu diretamente do Sputnik, satélite soviético lançado em 1957.
Entretanto, a história é mais interessante.
Segundo um relato publicado pela própria Catedral de Maringá, Dom Jaime viu em um jornal uma fotografia de dois funcionários da empresa norte-americana Martin Company ao lado da ogiva de proteção de um satélite piloto.
A imagem chamou sua atenção.
Então, Dom Jaime desenhou uma cruz sobre o vértice da figura e imaginou naquele formato as linhas da futura igreja.
O Acervo Maringá Histórica também recupera essa história e explica por que a versão simplificada envolvendo diretamente o Sputnik ganhou força posteriormente.
Portanto, atribuir o desenho exclusivamente ao satélite soviético não conta toda a história.
CURIOSIDADE
A inspiração inicial teria vindo da imagem de uma ogiva de proteção de um projeto espacial norte-americano, publicada em 1957. Posteriormente, Dom Jaime também relacionou o significado atribuído ao termo Sputnik à ideia espiritual de afastar-se da terra e elevar-se aos céus.
Pedra fundamental chegou do Vaticano
Em 15 de agosto de 1958, Maringá viveu outro momento decisivo.
Dom Jaime lançou a pedra fundamental da nova Catedral.
Segundo a Arquidiocese, a pedra veio do Vaticano. Além disso, a data escolhida coincidiu com a celebração de Nossa Senhora da Glória, padroeira de Maringá.
No entanto, erguer um monumento daquele porte exigiria muito mais do que um projeto ousado.
Seriam necessários anos de trabalho, recursos financeiros, engenharia e mobilização da comunidade.
Construção em concreto começou em 1959
Em julho de 1959, começaram os trabalhos de construção do novo templo em concreto.
A partir daí, o enorme cone começou lentamente a transformar a paisagem.
Porém, as obras não avançaram continuamente durante todos aqueles anos.
O Maringá Histórica registra períodos de interrupção e dificuldades durante a década de 1960.
Em 1967, por exemplo, o cone ainda estava em estágio inicial.
Por isso, diferentes campanhas buscaram recursos e apoio para acelerar os trabalhos.
A cidade ajudou a erguer a Catedral
A construção mobilizou diferentes setores de Maringá.
Empresários, entidades, bancos, poder público e comunidade participaram do esforço necessário para levar o projeto adiante.
Além disso, uma comissão especial ajudou a coordenar ações relacionadas à obra.
O acervo histórico sobre a construção registra inclusive a participação de prefeitos na presidência dessa comissão.
Dessa maneira, a construção da Catedral deixou de representar apenas um projeto religioso e passou a envolver parte significativa da sociedade maringaense.
Estruturas de madeira ajudaram a construir o enorme cone
Erguer uma estrutura de concreto daquela altura representava um grande desafio técnico.
Durante a construção, os trabalhadores utilizaram estruturas auxiliares de madeira para alcançar as partes mais altas e sustentar etapas da concretagem.
Fotografias históricas mostram esse processo.
À medida que o cone crescia, a Catedral também ganhava espaço no imaginário dos moradores.
Quem viveu em Maringá nas décadas de 1960 e 1970 acompanhou uma transformação que durou anos.
10 de maio de 1972: uma data histórica
Depois de quase 14 anos desde o lançamento da pedra fundamental, a obra chegou a um momento decisivo.
Em 10 de maio de 1972, durante as comemorações pelos 25 anos de Maringá, uma missa solene marcou a conclusão das obras em concreto.
A Catedral de Maringá registra essa data como o encerramento da principal etapa de construção.
Entretanto, o trabalho ainda não terminou completamente.
Nos anos seguintes, o templo recebeu vitrais, obras de arte, mobiliário e outros acabamentos.
A antiga Catedral de madeira desaparece da paisagem
Enquanto o grande cone crescia, a velha igreja de madeira permanecia ao lado.
Porém, essa convivência terminou no começo de 1973.
Em 7 de janeiro de 1973, a retirada da primeira telha marcou simbolicamente o início da desmontagem da antiga Catedral.
A Arquidiocese de Maringá registra essa transição entre os dois templos.
Assim, o novo monumento assumiu definitivamente o protagonismo na paisagem central.
1981 e 1982 também entram na história
A trajetória não termina em 1972.
Em 3 de maio de 1981, a Igreja realizou a consagração da Catedral.
Depois, em 21 de janeiro de 1982, o templo recebeu oficialmente o título de Basílica Menor.
Essas datas ajudam a explicar por que encontramos diferentes anos quando pesquisamos a história do monumento.
Em resumo: 1972 marca a conclusão da principal etapa da construção; 1981 marca a consagração; e 1982 marca a concessão do título de Basílica Menor.
Uma Catedral de 124 metros
A dimensão ajuda a explicar por que o monumento impressiona quem chega a Maringá.
A Catedral alcança 124 metros de altura, considerando a cruz instalada no topo.
Além disso, a estrutura possui formato cônico e se destaca de praticamente qualquer ponto da região central.
A Arquidiocese de Maringá registra o monumento entre os templos religiosos mais altos do mundo.
O arquiteto José Augusto Bellucci criou o projeto, enquanto outros artistas participaram posteriormente da composição interna.
Entre eles aparecem Zanzal Mattar, responsável por murais, Manfred Osterroht, ligado ao mobiliário, e Lorenz Heilmair, autor dos 16 vitrais que circundam a nave principal.
Linha do tempo da Catedral de Maringá
1947 — Fundação de Maringá.
1957 — Dom Jaime Luiz Coelho assume como primeiro bispo da Diocese de Maringá.
1958 — Dom Jaime lança a pedra fundamental da nova Catedral em 15 de agosto.
1959 — Começa a construção em concreto, em julho.
Década de 1960 — Obras avançam entre desafios, interrupções e campanhas para arrecadação de recursos.
1972 — Missa de 10 de maio marca a conclusão da principal etapa da construção.
1973 — Começa a desmontagem da antiga Catedral de madeira.
1981 — Igreja realiza a consagração da Catedral em 3 de maio.
1982 — Templo recebe o título de Basílica Menor.
Hoje — Catedral permanece como um dos principais símbolos arquitetônicos, religiosos e turísticos de Maringá.
Curiosidades sobre a Catedral
A Catedral possui 124 metros de altura, incluindo a cruz.
Além disso, José Augusto Bellucci desenvolveu o projeto arquitetônico a partir da ideia apresentada por Dom Jaime.
A pedra fundamental veio do Vaticano.
Por outro lado, a famosa história de que o desenho simplesmente “imita o Sputnik” precisa de contexto histórico.
O templo também possui 16 vitrais ao redor da nave principal.
Por fim, a Catedral guarda na cripta os restos mortais de Dom Jaime Luiz Coelho, que morreu em 2013. A Arquidiocese de Maringá mantém uma biografia do primeiro bispo e registra algumas de suas principais contribuições para a cidade.
Você Sabia? A verdadeira história do Sputnik
Talvez esta seja a curiosidade mais interessante de toda a reportagem.
A versão popular diz que o Sputnik inspirou diretamente a Catedral.
No entanto, registros históricos apresentam uma narrativa mais detalhada.
Em novembro de 1957, Dom Jaime teria encontrado em um jornal uma fotografia relacionada ao programa espacial norte-americano. A imagem mostrava a ogiva de proteção de um satélite piloto.
Aquela forma despertou sua imaginação.
Posteriormente, a associação com o Sputnik ganhou força e acabou se tornando uma das histórias mais repetidas sobre o monumento.
Quem quiser conhecer essa investigação histórica pode consultar o especial A verdadeira inspiração da Catedral, do Maringá Histórica.
Mais do que um cartão-postal
A Catedral exerce uma função religiosa, mas sua presença ultrapassa os limites da comunidade católica.
Ao longo das décadas, o monumento entrou em fotografias, cartões-postais, materiais turísticos e na própria identidade visual da cidade.
Consequentemente, sua silhueta passou a representar Maringá dentro e fora do Paraná.
Essa relação com a identidade local também aparece na origem do apelido da cidade. No Maringá PR Notícias, contamos por que Maringá ficou conhecida como Cidade Canção e qual é a relação do nome da cidade com a música de Joubert de Carvalho.
O edifício também ajuda a contar uma época em que a cidade crescia rapidamente e buscava construir símbolos compatíveis com suas ambições.
Por isso, conhecer a Catedral significa também compreender uma parte da formação urbana de Maringá.
Visitação
A Catedral fica na região central de Maringá, na Avenida Tiradentes, diante da ampla praça que envolve o monumento.
O templo recebe moradores, fiéis e turistas.
Entretanto, horários de celebrações, visitação interna e acesso a áreas específicas podem mudar.
Por isso, antes de programar uma visita, consulte o site oficial da Catedral de Maringá.
Na próxima vez, olhe para a Catedral de outra maneira
Quem mora em Maringá talvez passe pelo monumento com frequência.
No entanto, conhecer sua história muda a experiência.
Imagine a cidade em 1958, com pouco mais de uma década de existência oficial. Depois, imagine o enorme desafio de levantar um cone de concreto de 124 metros em uma cidade que ainda construía grande parte de sua infraestrutura.
Assim, a Catedral deixa de ser apenas parte da paisagem.
Ela passa a representar uma geração que acompanhou Maringá crescer enquanto o monumento também subia em direção ao céu.
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Você Conhece Maringá?
A série Você Conhece Maringá?, do Maringá PR Notícias, recupera histórias de bairros, avenidas, monumentos, personagens e lugares que ajudam a explicar como a cidade se formou.
A Catedral talvez seja o exemplo mais visível dessa transformação.
Primeiramente, surgiu como uma ideia considerada ousada. Depois, mobilizou a comunidade durante anos de construção. Por fim, tornou-se uma das imagens mais reconhecidas de Maringá.
Mais do que conhecer um monumento, conhecer Maringá é descobrir as histórias que permanecem diante dos nossos olhos todos os dias.
Fontes consultadas
A reportagem consultou a história oficial da Arquidiocese de Maringá, a história da Catedral de Maringá e registros do Acervo Maringá Histórica.
Para esclarecer a origem do formato arquitetônico, também consultamos o relato da Catedral sobre a concepção do projeto e o levantamento A verdadeira inspiração da Catedral.
