Saúde

Saúde bucal em Maringá: ofícios apontam espera de até 60 dias e problema com insumo

Respostas oficiais à Câmara detalham fila para continuidade de tratamentos, reposição de materiais e equipamentos da UBS Mandacaru; novo requerimento cobra dados sobre falta de dentistas, auxiliares e cancelamentos.

MARINGÁ — A Secretaria Municipal de Saúde reconheceu oficialmente a existência de fila para continuidade de tratamentos odontológicos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Maringá. Ao responder à Câmara em abril de 2026, a pasta informou que a espera para procedimentos não urgentes podia alcançar aproximadamente 60 dias.

Além disso, em setembro, a Secretaria relatou providências para substituir um material odontológico de desempenho insatisfatório. O documento também trouxe informações sobre equipamentos e ausência temporária de auxiliares na UBS Mandacaru.

A reportagem cruzou quatro requerimentos que vereadores protocolaram na Câmara de Maringá em 2026: 91, 454, 504 e 559.

Entretanto, os documentos mostram situações em momentos diferentes. Portanto, os prazos informados em abril e as medidas descritas em setembro não representam, automaticamente, a situação atual de outubro.

Saúde bucal em Maringá: Prefeitura reconheceu fila para tratamentos

Em 30 de abril, a Secretaria Municipal de Saúde encaminhou ao Legislativo o Ofício 145/2026, em resposta ao Requerimento 91/2026, de autoria do vereador Luiz Neto.

Segundo a Prefeitura, as UBSs oferecem consultas com agendamento e recebem pacientes por demanda espontânea.

Nos casos de urgência, como dor aguda, infecções e traumatismos, o paciente passa por classificação de risco. Conforme a avaliação profissional e a organização da unidade, o atendimento pode ocorrer imediatamente ou em até quatro horas.

A Secretaria descreveu esse fluxo, mas o documento não garante atendimento de todos os pacientes nesse intervalo em qualquer unidade.

Quanto tempo demora o retorno odontológico?

Após um atendimento de urgência, o paciente pode precisar de outras consultas para concluir o tratamento.

Segundo a Secretaria, quando não existe lista de espera, o prazo médio estimado para retorno é de aproximadamente 30 dias.

Por outro lado, o município reconheceu a existência de fila para tratamentos de continuidade, principalmente os procedimentos eletivos, que não exigem intervenção imediata.

Nesse cenário, a espera podia alcançar aproximadamente 60 dias, conforme a demanda e a capacidade de cada UBS.

Contudo, o ofício não apresentou o número de pacientes aguardando nem uma planilha com os tempos de espera por unidade.

Assim, não é possível determinar quantos usuários ultrapassaram esse prazo ou se houve redução da fila nos meses seguintes.

UBS Mandacaru: resposta oficial detalha problemas com materiais

Em agosto, o vereador William Gentil apresentou o Requerimento 454/2026, solicitando esclarecimentos sobre a estrutura do setor odontológico da UBS Mandacaru.

O vereador citou relatos de problemas em cadeiras odontológicas, ar-condicionado, torneira, paredes, materiais e disponibilidade de auxiliares.

Essas alegações motivaram a cobrança parlamentar. Entretanto, a reportagem não as considera laudos independentes nem comprovação de todas as falhas relatadas.

A Prefeitura respondeu por meio do Ofício 4805/2026-Gapre e anexou a manifestação que a Secretaria Municipal de Saúde assinou em 8 de setembro.

Secretaria relata desempenho insatisfatório de material odontológico

Um dos pontos mais relevantes da resposta envolve o adesivo odontológico fotopolimerizável, que profissionais utilizam em procedimentos restauradores.

A Secretaria informou que recebeu reclamações de profissionais sobre o desempenho do produto. Em seguida, realizou avaliações técnicas e encaminhou documentos para análise administrativa.

Segundo o Executivo, a Secretaria adotou providências para desclassificar o produto de desempenho insatisfatório e convocar o fornecedor da proposta seguinte na ordem de classificação.

Além disso, a pasta relatou a abertura de procedimentos para regularizar o abastecimento, incluindo contratação direta e nova licitação.

A resposta também mencionou processos para aquisição de óleo lubrificante, papel-carbono, matrizes odontológicas e formocresol.

Em situações pontuais de indisponibilidade, a Gerência de Saúde Bucal afirmou buscar alternativas, como empréstimos e doações, para minimizar os impactos no atendimento.

Entretanto, o documento não demonstra que todos os materiais já estavam disponíveis nas unidades após a resposta.

Por isso, a Prefeitura ainda precisa comprovar a reposição dos estoques e detalhar as providências que adotou nos processos de aquisição.

UBS Mandacaru tinha previsão de receber outra cadeira odontológica

Outro ponto envolve os equipamentos de atendimento.

Na resposta ao requerimento, a Prefeitura informou que planejava instalar outra cadeira odontológica na UBS Mandacaru.

Contudo, a instalação dependeria da conclusão de uma demanda de manutenção e substituição de autoclaves, equipamentos que permitem esterilizar materiais.

O documento não estabeleceu uma data definitiva para a instalação da cadeira.

Além disso, quanto ao ar-condicionado, à torneira e às rachaduras mencionadas pelo vereador, a Secretaria explicou que encaminharia as demandas aos setores responsáveis pela manutenção predial.

Assim, a resposta registra providências administrativas, mas não comprova a conclusão de todos os reparos.

Falta de auxiliares durante férias e licenças também preocupa

O Requerimento 454/2026 trouxe outra questão: a eventual ausência de auxiliar de saúde bucal durante afastamentos e férias.

Segundo os relatos citados pelo parlamentar, essa situação poderia deixar o cirurgião-dentista sem apoio durante parte dos atendimentos.

A Secretaria respondeu que a substituição de servidores não ocorre automaticamente.

Conforme o Executivo, a reposição depende da disponibilidade de profissionais, dos afastamentos e da organização das equipes em toda a rede municipal.

A gestão também afirmou que o cirurgião-dentista pode desempenhar determinadas atividades clínicas sem auxiliar, desde que respeite as atribuições profissionais e as normas sanitárias.

Entretanto, a resposta não trouxe escalas por turno, número de servidores disponíveis ou indicadores sobre o impacto da falta temporária de auxiliares na produtividade dos consultórios.

Essas informações são importantes para avaliar se a organização adotada mantém a continuidade dos tratamentos e os protocolos de biossegurança.

UBS Jardim Quebec: Câmara questionou substituição de dentista aposentado

Outra unidade mencionada nos documentos é a UBS Jardim Quebec.

A vereadora Professora Ana Lúcia apresentou o Requerimento 504/2026 em 31 de agosto.

O pedido trata principalmente da disponibilidade de atendimento pediátrico. Entretanto, também questiona a situação da odontologia.

Segundo relatos citados pela parlamentar, o último profissional que realizava atendimento odontológico na unidade teria se aposentado sem substituição.

A vereadora pediu que o Executivo confirmasse se a informação procede, desde quando o local estaria sem cirurgião-dentista e se existe previsão de reposição.

Além disso, solicitou esclarecimentos sobre alternativas de atendimento à população abrangida pela unidade.

A Câmara aprovou o requerimento em 8 de setembro.

Até esta apuração, a reportagem não localizou resposta pública conclusiva sobre a situação odontológica da UBS Jardim Quebec.

Portanto, ainda não é possível afirmar que a unidade continue sem dentista em outubro de 2026.

UBS Guaiapó/Requião: Câmara cobra número de profissionais e consultas canceladas

O vereador Daniel Malvezzi apresentou, em 7 de outubro, o documento mais recente: o Requerimento 559/2026.

O parlamentar menciona relatos de insuficiência de dentistas e auxiliares em determinadas UBSs, especialmente na Guaiapó/Requião.

Também cita profissionais aprovados em concurso e classificados em Processo Seletivo Simplificado (PSS) que ainda aguardariam convocação.

Entretanto, o requerimento não apresenta uma relação completa de vagas desocupadas nem comprova quantos candidatos a Prefeitura pode convocar.

Por isso, o vereador solicita que a Prefeitura informe a composição atual das equipes de saúde bucal em todas as UBSs.

O pedido também exige números de vagas disponíveis, aprovados que aguardam convocação, validade dos processos seletivos e motivos para eventuais contratações ainda não realizadas.

Quantas consultas odontológicas sofreram cancelamento?

Um dos questionamentos mais importantes envolve a continuidade dos atendimentos.

O vereador solicita o total de consultas odontológicas canceladas ou remarcadas nos últimos 12 meses por falta de dentistas ou auxiliares.

Além disso, pede que a Prefeitura detalhe os números por Unidade Básica de Saúde.

Essa informação permitiria verificar quais regiões sofreram mais interrupções e avaliar se existe relação entre ausência de profissionais e tempo de espera.

Contudo, o requerimento não contém os totais de cancelamentos. Cabe ao Executivo apresentar esses números.

No registro legislativo consultado, o Requerimento 559/2026 ainda aguardava inclusão na pauta para deliberação em Plenário.

Concursos e PSS: ainda faltam dados sobre possíveis convocações

A investigação também buscou registros de concursos públicos e processos seletivos.

Entretanto, a apuração não conseguiu consolidar uma relação documental atualizada com o número de candidatos aptos à convocação especificamente para os cargos odontológicos do Município de Maringá.

É necessário diferenciar processos seletivos municipais de concursos estaduais, contratações de consórcios de saúde e editais de outras cidades.

Além disso, a existência de candidatos classificados não demonstra, isoladamente, quantas vagas estão disponíveis ou se determinada convocação já deveria ocorrer.

Para esclarecer essa situação, será necessário cruzar os editais municipais, suas validades e prorrogações com convocações, nomeações, posses, lotações e afastamentos.

Portanto, a reportagem não atribui números de vagas ou de aprovados aguardando chamada sem documentação suficiente.

O que a Prefeitura informou sobre medidas para reduzir a espera?

Na resposta de abril, a Secretaria de Saúde afirmou que vinha adotando ações para melhorar os atendimentos odontológicos.

Entre as medidas, a pasta citou reorganização do fluxo nas UBSs, ampliação da oferta de consultas, monitoramento das filas, priorização de situações mais complexas e realização de mutirões.

Além disso, a gestão informou que avaliava continuamente a necessidade de ampliar as equipes.

Contudo, o documento não especificou quantas vagas adicionais a Secretaria abriu nem quantos mutirões realizou.

Também não apresentou indicadores demonstrando quanto a fila diminuiu em cada unidade.

Por isso, a investigação precisa avançar dos anúncios administrativos para resultados verificáveis.

O que ainda falta esclarecer sobre a saúde bucal em Maringá?

A análise dos quatro requerimentos e das respostas oficiais aponta seis informações essenciais que a Secretaria ainda precisa atualizar:

  1. Quantos dentistas e auxiliares trabalham atualmente em cada UBS, considerando afastamentos e vagas desocupadas?
  2. Quantos pacientes aguardam consultas iniciais e retornos, e qual é o tempo de espera em cada unidade?
  3. Quantas consultas a rede cancelou ou remarcou devido à ausência de profissionais nos últimos 12 meses?
  4. Quantos candidatos aprovados em concursos e PSS municipais a Prefeitura ainda pode convocar?
  5. A Prefeitura concluiu os reparos, instalou a cadeira e repôs os materiais da UBS Mandacaru?
  6. Qual é a situação efetiva do atendimento odontológico da UBS Jardim Quebec?

Esses dados são necessários para dimensionar o problema e avaliar a efetividade das medidas anunciadas.

Até o fechamento deste rascunho, a redação não encaminhou uma nova solicitação formal de posicionamento nesta apuração. As manifestações oficiais citadas são respostas anteriores da Prefeitura à Câmara Municipal.

O Maringá PR Notícias manterá espaço para novos esclarecimentos da Secretaria Municipal de Saúde.

Serviço: como procurar atendimento odontológico pelo SUS

Quem precisa de atendimento odontológico pode procurar a UBS de referência do seu endereço para receber orientações sobre consultas de rotina, agendamento e possíveis encaminhamentos.

Em casos de dor intensa, infecção ou trauma, é importante informar os sintomas durante o acolhimento, para que a equipe avalie a urgência conforme o protocolo assistencial.

Além disso, se a unidade remarcar uma consulta, o paciente deve confirmar a nova data e guardar os registros do atendimento.

Os prazos que a Prefeitura informou em abril são estimativas e não garantem disponibilidade imediata de dentista em todas as unidades.

Leia também

Fontes e documentos

Redação Maringá PR Notícias

Transparência editorial: os prazos de espera refletem as informações que o Executivo forneceu em abril de 2026. As manifestações sobre a UBS Mandacaru datam de setembro. A redação não trata relatos de requerimentos legislativos como falhas comprovadas sem confirmação. A reportagem poderá atualizar os números de profissionais, cancelamentos e execução das providências.

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