Cidadania e Serviços Públicos

Sanepar avança em projetos para ampliar abastecimento de Maringá e Paiçandu; nova captação do Pirapó está no plano

Novas licitações envolvem estruturas, sistema elétrico, automação e equipamentos; planejamento anterior já previa nova captação, elevatórias, adutora e ampliação da ETA

MARINGÁ — A Sanepar mantém em andamento novas etapas de engenharia para ampliar a produção de água dos sistemas de Maringá e Paiçandu. Os projetos envolvem novas estações elevatórias, ampliação da Estação de Tratamento de Água (ETA), estrutura de tratamento de lodo e intervenções nos centros de reservação Jardim América e Higienópolis.

A movimentação ganha relevância poucos dias depois de uma falta de energia interromper a captação do Rio Pirapó durante o temporal de 21 de setembro e afetar o abastecimento de aproximadamente 85% dos consumidores de Maringá.

No entanto, os documentos mostram que o planejamento da ampliação começou antes daquele temporal.

Em 2024, a companhia já havia contratado a elaboração de um projeto básico para uma nova captação no Rio Pirapó, além de novas elevatórias, adutora e ampliações em outras estruturas do sistema.

Agora, duas licitações lançadas em 2026 avançam sobre áreas específicas desse planejamento.

Nova licitação trata de sistema elétrico, automação e equipamentos

A Licitação Eletrônica 274/2026 da Sanepar está aberta para contratar projetos básicos elétrico, de automação e mecânico.

Segundo a companhia, o objetivo é ampliar a produção do Sistema de Abastecimento de Água de Maringá e Paiçandu.

Entre as estruturas citadas, aparecem as novas elevatórias EEB-00 e EEB-01, a ampliação da ETA, a estrutura de tratamento de lodo e os centros de reservação Higienópolis e Jardim América.

Além disso, a Sanepar estabelece prazo de 180 dias para execução dos projetos.

As empresas interessadas podem apresentar propostas até 16 de outubro, às 10h. Logo depois, a abertura está programada para 11h do mesmo dia.

Para acompanhar o andamento, a companhia mantém disponível a página oficial da LE 274/2026.

Outra licitação trata das estruturas e do solo

Paralelamente, a companhia mantém em julgamento a Licitação Eletrônica 242/2026.

Nesse processo, a Sanepar procura contratar os projetos básicos geotécnico e estrutural necessários à ampliação da produção de água.

Assim como na LE 274, o objeto menciona as novas EEB-00 e EEB-01, além da ampliação da ETA e da estrutura de tratamento de lodo.

O prazo de execução também é de 180 dias.

Dessa forma, os dois processos de 2026 atuam em disciplinas diferentes: um concentra estruturas e condições geotécnicas, enquanto o outro avança sobre eletricidade, automação e componentes mecânicos.

Projeto de 2024 já previa nova captação no Rio Pirapó

O planejamento, porém, é anterior.

Em 2024, a Sanepar realizou a Licitação 34/2024 para elaborar o projeto básico hidráulico e projetos complementares da ampliação do abastecimento de Maringá e Paiçandu.

Naquela contratação, o escopo incluía projetos hidráulico, estrutural, geotécnico, sondagem, mecânico, elétrico e de automação para uma nova captação no Rio Pirapó.

Também estavam previstas as elevatórias EEB-00 e EEB-01, uma nova adutora, intervenções na ETA e na estrutura de tratamento de lodo, além da ampliação dos centros de reservação Jardim América e Higienópolis.

O valor máximo do lote era de R$ 2.334.791,47.

Ao final da licitação, a empresa MPB Saneamento Ltda. venceu por R$ 2.334.700, diferença de apenas R$ 91,47 em relação ao limite máximo.

Por que há novas licitações se o projeto de 2024 já citava essas áreas?

Essa é uma das principais questões abertas pela documentação.

A contratação de 2024 já mencionava projetos estrutural, geotécnico, mecânico, elétrico e de automação para a nova captação.

Dois anos depois, a Sanepar lançou processos separados justamente para projetos estruturais e geotécnicos e para projetos elétricos, mecânicos e de automação.

Isso, porém, não comprova duplicidade de contratação.

Por exemplo, os novos processos podem corresponder a detalhamento posterior, atualização das soluções, complementação dos estudos ou desmembramento técnico do projeto inicial.

Até agora, os resumos públicos consultados pelo Maringá PR Notícias não permitem definir documentalmente qual dessas situações explica as novas contratações.

Por esse motivo, o portal buscará esclarecimentos da Sanepar sobre a relação entre a licitação de 2024 e os processos lançados em 2026.

Temporal voltou a mostrar dependência do Rio Pirapó

A discussão ganhou novo peso depois do temporal da semana passada.

Entre a noite de 21 e a manhã de 22 de setembro, a estação de captação do Rio Pirapó ficou sem energia entre aproximadamente 18h30 e 9h.

Segundo informação da Sanepar divulgada naquele período, a interrupção afetou cerca de 85% dos consumidores de Maringá.

Enquanto isso, os 15% restantes correspondiam principalmente a regiões atendidas por poços.

Leia também: Temporal em Maringá deixa 55 árvores caídas e 59 ocorrências; captação do Pirapó teve energia restabelecida

Depois do restabelecimento da energia, a produção voltou gradualmente. Na sequência, os reservatórios começaram a se recuperar e o abastecimento avançou para a normalização.

Com isso, o episódio voltou a evidenciar a importância da captação do Rio Pirapó para o sistema de abastecimento da cidade.

Sistema depende de energia para bombear água

A produção de água exige o funcionamento de sistemas elétricos, equipamentos de bombeamento e automação.

No caso de Maringá, a estrutura ligada ao Pirapó utiliza estações elevatórias e conjuntos de motobombas para conduzir a água bruta até a ETA.

Historicamente, a companhia também investiu na infraestrutura elétrica da captação.

Em 2011, por exemplo, a Sanepar informou que uma nova subestação de 34,5 mil volts elevaria a capacidade futura de bombeamento de água bruta de 900 para 1.400 litros por segundo.

Na época, a empresa informou investimento de aproximadamente R$ 2 milhões na estrutura.

Para entender esse histórico, veja a ampliação da subestação da captação do Rio Pirapó.

Novos projetos terão redundância elétrica?

Essa pergunta continua sem resposta documental.

A LE 274/2026 prevê projetos elétricos e de automação das novas estruturas.

Entretanto, o resumo público consultado pela reportagem não informa se o sistema terá alimentação elétrica redundante, segunda fonte independente de energia ou outra solução capaz de manter a captação funcionando durante uma interrupção da rede de distribuição.

Portanto, não é possível afirmar neste momento que a ampliação impediria uma repetição do problema registrado durante o temporal.

Esse será um dos pontos encaminhados à companhia.

Primeiramente, a reportagem buscará saber quanto a ampliação acrescentará à capacidade de captação e produção de água.

Depois, o portal questionará quando as obras físicas poderão começar e qual cronograma está previsto.

Além disso, será solicitada uma estimativa do custo total para implantar o novo sistema.

Outra pergunta tratará da relação técnica entre a contratação de 2024 e as licitações de 2026.

Por fim, a Sanepar será questionada sobre quais soluções de segurança e redundância energética estão previstas para a nova estrutura.

Licitações ainda são etapas de projeto

As licitações atuais não representam, isoladamente, o início da construção da nova captação.

Na prática, os processos tratam da elaboração de projetos de engenharia necessários para definir soluções, estruturas, equipamentos e futuras intervenções.

Por isso, ainda haverá outras etapas antes da implantação física completa do sistema.

Ao mesmo tempo, a documentação de 2024 e os processos de 2026 mostram continuidade de um planejamento que reúne nova captação, elevatórias, ETA e outras estruturas ligadas ao abastecimento de Maringá e Paiçandu.

O que já está comprovado

Até agora, os documentos oficiais permitem afirmar que a Sanepar contratou por R$ 2,334 milhões uma etapa de projeto para ampliar o sistema de Maringá e Paiçandu.

Além disso, uma licitação para projetos estruturais e geotécnicos está em julgamento.

Em paralelo, outro processo busca contratar projetos elétricos, de automação e mecânicos, com abertura marcada para 16 de outubro.

O planejamento de 2024, por sua vez, identifica expressamente uma nova captação no Rio Pirapó como parte da ampliação.

Por outro lado, ainda faltam elementos públicos suficientes para determinar o custo total das futuras obras, a capacidade adicional que será instalada e o modelo de segurança energética da nova estrutura.

Assim, esses pontos permanecem em apuração pelo Maringá PR Notícias.

Fontes

Licitação 34/2024 — projeto da nova captação e ampliação do sistema

LE 242/2026 — projetos geotécnico e estrutural

LE 274/2026 — projetos elétrico, de automação e mecânico

Histórico da subestação da captação do Rio Pirapó

Temporal e interrupção da captação do Rio Pirapó

Balanço posterior do temporal com 127 ocorrências

Redação Maringá PR Notícias

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