Política & Gestão Pública

PNCP registra parceria de R$ 58 milhões do InPACTA para solução Free Flow; cobrança depende de autorização

Contratação com a GR Vias ocorreu por inexigibilidade e envolve mobilidade, monitoramento de tráfego e tecnologia de livre passagem; até agora, documentos não comprovam criação de pedágio urbano em Maringá

MARINGÁ — Uma contratação publicada no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) colocou uma nova tecnologia de monitoramento viário e cobrança eletrônica no radar de Maringá. O Instituto de Projetos Avançados para Cidades, Tecnologia e Administração (InPACTA) registrou parceria com a GR Vias Ltda. para desenvolver e expandir a solução denominada VIAS Smart Free Flow.

O registro oficial apresenta valor estimado de R$ 58 milhões e informa que o InPACTA adotou a modalidade de inexigibilidade.

O objeto tem alcance amplo. A parceria prevê organização, desenvolvimento, adequação, disponibilização, implantação, operação assistida, suporte, manutenção, evolução e expansão da plataforma.

Além disso, a tecnologia poderá atender projetos de mobilidade, infraestrutura viária e monitoramento de tráfego.

O documento também menciona a possibilidade de cobrança eletrônica por livre passagem, conhecida como Free Flow.

Entretanto, o próprio objeto impõe uma condição relevante.

A cobrança só poderá ocorrer quando houver autorização jurídica do ente competente.

Portanto, o registro localizado não comprova que Maringá terá pedágio urbano nem que motoristas da cidade passarão a pagar tarifa.

O que está confirmado

O registro disponível no PNCP identifica a contratação pelo número 63783232000183-1-000029/2026.

O Instituto de Projetos Avançados para Cidades, Tecnologia e Administração, o InPACTA, aparece como contratante, com sede registrada em Maringá.

O procedimento ocorreu por inexigibilidade.

Além disso, o PNCP informa valor estimado de:

R$ 58.000.000,00.

O portal publicou o registro em 21 de setembro de 2026.

O objeto oficial descreve a parceria como associação de esforços voltada à solução integrada VIAS Smart Free Flow.

Assim, neste momento, os documentos comprovam a existência da parceria e registram um valor estimado de R$ 58 milhões ligado ao instrumento.

R$ 58 milhões não significam automaticamente gasto da Prefeitura

Existe uma diferença importante entre o valor registrado em uma contratação e dinheiro efetivamente desembolsado pelo Município.

O PNCP apresenta R$ 58 milhões como valor estimado da parceria entre InPACTA e GR Vias.

Contudo, esse registro, isoladamente, não comprova que a Prefeitura pagará R$ 58 milhões à empresa.

Também não demonstra que o Município desembolsará todo esse valor, nem que existe pagamento imediato nesse montante.

Por isso, não se deve somar automaticamente os R$ 58 milhões a outras contratações municipais envolvendo o InPACTA.

Um exemplo já apareceu em outra apuração do Maringá PR Notícias. Na contratação da assistente virtual Mari, foi necessário separar o contrato entre Município e InPACTA de outra parceria mantida pelo Instituto com uma empresa fornecedora de tecnologia.

Leia: Mari começa a atender 369 serviços no WhatsApp; contratação de governo digital soma R$ 23,7 milhões

Nesse sentido, a análise completa da nova parceria precisa identificar as cláusulas econômicas, as responsabilidades de cada parte, possíveis percentuais de remuneração e a origem dos recursos.

Só então será possível determinar o fluxo financeiro real dos R$ 58 milhões.

O que é Free Flow?

O Free Flow permite identificar veículos sem as tradicionais praças de pedágio com cancelas.

Para isso, câmeras, leitores de placas e outros equipamentos registram a passagem dos veículos.

A própria GR Vias informa que seus serviços podem utilizar dados de identificação do veículo, registros de passagem, imagens e informações relacionadas a pagamentos.

Além disso, a empresa informa que segue a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) no tratamento dessas informações.

Esse ponto abre outra frente de interesse público: a proteção dos dados pessoais e veiculares.

Caso alguma solução desse tipo chegue a Maringá, será necessário esclarecer quais informações o sistema captará, por quanto tempo os dados permanecerão armazenados e quem poderá acessá-los.

Também será preciso identificar a base legal para esse tratamento.

Empresa já possui contrato de Free Flow em município paulista

A GR Vias também participa de uma concessão realizada pela Prefeitura de Álvaro de Carvalho, no interior de São Paulo.

O Contrato nº 63/2025, disponibilizado oficialmente pelo município, prevê implantação, operação, manutenção, modernização e gerenciamento de sistema automatizado de tarifação veicular com tecnologia Free Flow.

Nesse caso, o contrato afirma expressamente que haverá cobrança de tarifa pelo uso da infraestrutura viária municipal.

O município estabeleceu a concessão por 15 anos e ainda previu possibilidade de prorrogação.

O exemplo paulista mostra uma aplicação possível da tecnologia.

Entretanto, isso não significa que Maringá adotará o mesmo modelo financeiro ou tarifário.

No caso maringaense, os documentos localizados até agora tratam do desenvolvimento e da expansão da solução.

Além disso, o objeto condiciona qualquer cobrança à autorização jurídica do ente competente.

InPACTA pode desenvolver soluções para outros municípios

A Lei Complementar Municipal nº 1.503/2025 criou o InPACTA como pessoa jurídica de direito privado, com natureza de serviço social autônomo, sem fins lucrativos e de interesse coletivo.

A legislação atribui ao Instituto funções ligadas a cidades inteligentes, soluções tecnológicas, modernização da administração pública, infraestrutura e desenvolvimento urbano.

Além disso, o InPACTA pode integrar tecnologias próprias ou de terceiros e desenvolver projetos para outros entes públicos.

Portanto, a parceria com a GR Vias não precisa ficar restrita ao território de Maringá.

O Instituto pode incorporar a solução ao conjunto de tecnologias oferecidas em projetos com outras administrações públicas.

Essa possibilidade ganha importância na análise dos R$ 58 milhões.

Afinal, o valor registrado pode estar ligado a uma operação mais ampla do que um eventual projeto local.

Tecnologia entra em um InPACTA que amplia sua carteira de projetos

A parceria surge enquanto o Instituto aumenta sua presença em projetos tecnológicos ligados ao poder público.

Recentemente, o Maringá PR Notícias mostrou que a contratação municipal relacionada ao programa Maringá + Digital soma R$ 23,69 milhões.

Ao mesmo tempo, o InPACTA mantém separadamente uma parceria tecnológica de valor superior com uma fornecedora.

Leia: Mari começa a atender 369 serviços no WhatsApp; contratação de governo digital soma R$ 23,7 milhões

Além disso, o Executivo encaminhou à Câmara outro projeto voltado à infraestrutura tecnológica.

A proposta cria a Maringá Data e Tecnologia S.A., empresa pública que deverá implantar e operar um data center relacionado ao projeto da futura Zona de Processamento de Exportação (ZPE).

O projeto autoriza aporte municipal de até R$ 20 milhões ao longo de quatro anos.

Leia: Maringá propõe empresa pública para data center; projeto autoriza aporte de R$ 20 milhões

Apesar da proximidade temática, os projetos possuem estruturas jurídicas diferentes.

Portanto, seus valores não devem ser simplesmente somados como se representassem uma única despesa municipal.

Ainda assim, os projetos mostram o avanço da agenda de tecnologia, infraestrutura digital e cidades inteligentes dentro da administração pública de Maringá.

Inexigibilidade precisa ser compreendida

Outro ponto central envolve a modalidade escolhida para a parceria.

O registro da contratação informa que o InPACTA utilizou inexigibilidade.

Até agora, o resumo público confirma essa modalidade.

Contudo, o material consultado ainda não explica integralmente por que o Instituto escolheu a GR Vias sem realizar um processo competitivo convencional.

Para responder a essa questão, será necessário analisar a justificativa técnica e jurídica da contratação.

Também será importante verificar os documentos que fundamentaram a escolha.

Entre os pontos que ainda precisam de esclarecimento estão eventual exclusividade tecnológica, critérios usados para selecionar a empresa, demonstração da compatibilidade econômica e metodologia utilizada para chegar aos R$ 58 milhões.

Há pedágio urbano previsto para Maringá?

Os documentos analisados até agora não comprovam isso.

O objeto menciona expressamente a possibilidade de cobrança eletrônica.

Porém, o próprio texto estabelece que essa cobrança só poderá acontecer quando o ente competente conceder autorização jurídica.

Além disso, o resumo público não apresenta pontos de cobrança dentro de Maringá.

Também não informa avenidas que receberiam equipamentos, valores de tarifa ou categorias de veículos sujeitas a pagamento.

Portanto, afirmar que Maringá já decidiu instalar pedágio urbano iria além do que os documentos demonstram.

A GR Vias já mantém modelo de tarifação Free Flow em Álvaro de Carvalho.

Ainda assim, esse fato não comprova que Maringá seguirá a mesma estrutura.

O que ainda precisa ser esclarecido

A publicação da parceria abre várias perguntas relevantes para o acompanhamento público:

Qual é exatamente a composição dos R$ 58 milhões?

Esse valor representa receita projetada, teto contratual, investimento, remuneração ou outra referência econômica?

Quem poderá pagar e quem poderá receber recursos dentro da parceria?

Existe algum projeto concreto para implantar a solução em Maringá?

Quais vias ou municípios poderão receber o sistema?

O InPACTA pretende oferecer a solução a outras prefeituras?

Qual justificativa técnica e jurídica sustentou a inexigibilidade?

Quais dados de veículos e usuários o sistema poderá coletar e armazenar?

Qual participação financeira o InPACTA terá em contratos futuros que utilizarem a plataforma?

Portanto, essas respostas serão decisivas para definir o alcance real da parceria.

Elas também permitirão saber se o acordo representa apenas a incorporação de uma nova tecnologia ao portfólio do Instituto ou se já existem projetos concretos de implantação.

LEIA TAMBÉM

➡️ Mari começa a atender 369 serviços no WhatsApp; contratação de governo digital soma R$ 23,7 milhões

➡️ Maringá propõe empresa pública para data center; projeto autoriza aporte de R$ 20 milhões

FONTES

Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) — contratação nº 63783232000183-1-000029/2026

Câmara Municipal de Maringá / SAPL — Lei Complementar nº 1.503/2025, que criou o InPACTA

Prefeitura de Álvaro de Carvalho (SP) — Contrato de Concessão Administrativa nº 63/2025 com a GR Vias

GR Vias — informações institucionais, Free Flow e tratamento de dados

Maringá PR Notícias — Mari começa a atender 369 serviços no WhatsApp; contratação de governo digital soma R$ 23,7 milhões

Maringá PR Notícias — Maringá propõe empresa pública para data center; projeto autoriza aporte de R$ 20 milhões

Redação Maringá PR Notícias

Postagens relacionadas

Castração química para pedófilos

Danielle Machado

Eleições 2026: campanhas ligadas a Maringá já movimentam cifras milionárias; veja os primeiros dados

Gismael Gomes

Câmara mantém veto à Sala da Juventude em Maringá; entenda o que acontece com o projeto

Gismael Gomes

Este site utiliza cookies para melhorar sua experiência. Presumiremos que você concorda com isso, mas você pode cancelar se desejar. Aceitar Leia Mais

Política de Privacidade e Cookies