Segurança Pública

Maringá integra rota de grupo familiar investigado por enviar drogas e fuzis ao Rio; polícia rastreia R$ 28,8 milhões

Operação desta sexta-feira cumpre 14 ordens de prisão e 14 mandados de busca no Paraná, São Paulo e Rio; investigação relaciona o grupo a quase meia tonelada de cocaína e crack, carregamentos de fuzis e uma estrutura logística que passava por Maringá

MARINGÁ — Uma operação em Maringá deflagrada pela Polícia Civil do Paraná (PCPR) nesta sexta-feira, 18 de setembro, faz parte de uma investigação sobre uma estrutura logística usada, segundo a polícia, para transportar grandes carregamentos de drogas e armas em direção ao Rio de Janeiro.

Ao todo, a Justiça expediu 14 ordens de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão. As equipes atuam em Maringá, Foz do Iguaçu, São Miguel do Iguaçu e Santa Terezinha de Itaipu, no Paraná, além de endereços em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Além disso, a Justiça determinou o bloqueio de 21 contas bancárias e aplicações financeiras, até o limite de R$ 10 milhões, e adotou medidas patrimoniais sobre 19 veículos.

Confira os detalhes da operação desta sexta-feira e das medidas determinadas pela Justiça

Porém, ainda existe uma diferença importante entre o total de ordens judiciais expedidas e o resultado específico da operação em Maringá.

Até o fechamento desta reportagem, a Polícia Civil não havia informado quantos dos 14 mandados de prisão e dos 14 mandados de busca tinham endereço no município. A corporação também não havia divulgado quantas prisões ocorreram na cidade.

Por esse motivo, o Maringá PR Notícias não apresenta números locais que ainda não tenham confirmação oficial.

Operação em Maringá faz parte de investigação iniciada após prisão em 2025

As apurações que resultaram na operação desta sexta-feira começaram em fevereiro de 2026.

Segundo a Polícia Civil, o ponto de partida foi o compartilhamento judicial de provas reunidas após a prisão, em dezembro de 2025, de um homem investigado por transportar grandes quantidades de drogas e armas de Curitiba para áreas dominadas por grupos criminosos no Rio de Janeiro.

Depois da prisão daquele operador, outro homem teria assumido a função.

Nesse contexto, segundo os investigadores, surgiu uma estrutura organizada no eixo Maringá–Curitiba–Rio de Janeiro.

O delegado Victor Loureiro Mattar Assad informou que o novo responsável pela logística contaria com a participação da companheira e dos quatro filhos. Conforme a investigação, cada integrante exerceria uma função dentro da estrutura.

Portanto, a conexão de Maringá com o caso vai além das diligências realizadas nesta sexta-feira.

A cidade também aparece na rota logística que a polícia passou a acompanhar durante a investigação.

Veículo ligado ao grupo circulou entre Maringá e Curitiba

Outro elemento reforça a conexão com Maringá.

Segundo a PCPR, uma empresa formalmente ligada aos setores de serralheria e vidraçaria e apontada como elo financeiro entre o núcleo familiar paranaense e criminosos do Rio de Janeiro pagou à vista um veículo que depois teria sido usado no transporte de entorpecentes entre Maringá e Curitiba.

Com isso, a investigação oferece uma pista mais concreta sobre a função de Maringá dentro da estrutura logística.

Ainda assim, os dados disponíveis não permitem afirmar que a transportadora utilizada pelo grupo mantinha sede no município.

A Polícia Civil afirma que a organização utilizava uma transportadora como núcleo logístico. No entanto, até esta versão da reportagem, a corporação não havia divulgado endereço ou sede dessa empresa em Maringá.

Por outro lado, os investigadores localizaram uma das empresas abertas por integrante da família na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo. As equipes cumpriram mandado de busca nesse endereço durante a operação desta sexta-feira.

Transportadora ocultaria drogas e armas em cargas legais

Segundo a investigação, o homem apontado como líder da estrutura familiar teria criado uma identidade civil falsa.

Com esses documentos, ele teria aberto contas bancárias, registrado veículos de alto valor, realizado negócios e constituído uma transportadora.

Além disso, a polícia sustenta que o grupo escondia drogas e armas no meio de cargas lícitas transportadas pelos caminhões da própria empresa.

Enquanto os caminhões seguiam pelas rodovias, veículos menores funcionariam como “batedores”. De acordo com a PCPR, eles iam à frente e informavam aos motoristas a localização de postos da Polícia Rodoviária Federal e de viaturas.

Essa forma de atuação ajuda a explicar por que a investigação não se limita às apreensões isoladas. O foco da polícia passou a ser a estrutura usada para movimentar cargas, veículos, dinheiro e patrimônio.

Apreensão de 459 quilos de drogas chegou a pai e filho

Uma das peças centrais da investigação surgiu em 18 de junho, em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba.

Naquele dia, policiais civis monitoravam um caminhão de uma empresa de transportes.

Durante a vigilância, a equipe flagrou a transferência de pacotes do caminhão para um veículo utilitário.

Em seguida, os agentes abordaram os veículos e prenderam dois homens, de 26 e 65 anos. A PCPR informou que eles eram pai e filho.

No utilitário, os policiais localizaram mais de 100 quilos de crack, 35 quilos de cocaína, um fuzil AR-15 calibre 5,56 mm, nove pistolas calibre 9 mm e aproximadamente 15 peças desmontadas de fuzil calibre 7,62 mm.

Já no caminhão, a equipe encontrou outros 317 quilos de cocaína.

Assim, a apreensão total chegou a 459 quilos de drogas — 352 quilos de cocaína e 107 quilos de crack.

Além das drogas, a polícia recolheu armas, veículos e outros bens. A PCPR calculou o valor conjunto da apreensão em mais de R$ 22 milhões.

Confira a operação de 18 de junho no site oficial da Polícia Civil do Paraná

Agora, a PCPR afirma que pai e filho integravam o núcleo familiar alcançado pela investigação desta sexta-feira.

Onze dias depois, polícia encontrou 18 fuzis em Ourinhos

A apreensão de Campo Largo, entretanto, não encerrou a movimentação que a investigação atribui à estrutura.

Apenas 11 dias depois, em 29 de junho, policiais rodoviários de São Paulo tentaram abordar uma caminhonete em Ourinhos, no interior paulista.

O motorista não obedeceu à ordem de parada. Depois da perseguição, ele abandonou o veículo próximo a uma plantação e fugiu a pé.

Dentro da caminhonete, os policiais encontraram 123 tabletes de pasta-base de cocaína, 17 tabletes de cocaína, três tabletes de skunk, 47 pacotes de dry, 18 fuzis de diferentes calibres e 33 carregadores.

A Polícia Militar de São Paulo documentou oficialmente a ocorrência.

Veja o balanço oficial da apreensão dos 18 fuzis em Ourinhos

Posteriormente, a investigação da PCPR vinculou esse segundo carregamento ao mesmo grupo familiar investigado nesta sexta-feira.

Segundo os investigadores, o intervalo de apenas 11 dias entre as duas apreensões chamou a atenção para a capacidade da estrutura de reorganizar rapidamente seus carregamentos.

Operação contra drogas e armas rastreou R$ 28,8 milhões

Além da logística, a movimentação financeira tornou-se outro ponto central da investigação.

Segundo a Polícia Civil, a análise das contas e empresas relacionadas aos investigados encontrou cerca de R$ 28,8 milhões em créditos que, na avaliação dos investigadores, não seriam compatíveis com a capacidade econômica declarada.

A transportadora apontada como núcleo logístico teria recebido aproximadamente R$ 2,5 milhões em 2025.

Enquanto isso, outra empresa ligada a integrantes da família recebeu R$ 4,2 milhões entre 2025 e 2026, embora tivesse informado ao contador faturamento pouco superior a R$ 34 mil.

Além disso, um dos filhos do homem apontado como líder teria recebido individualmente cerca de R$ 1,145 milhão.

A investigação também aponta mais de R$ 393 mil em saques em espécie realizados por esse integrante.

Da mesma forma, a polícia identificou depósitos feitos em agências bancárias do Rio de Janeiro e de Angra dos Reis.

Empresa ligada ao Rio recebeu mais de R$ 17 milhões

A PCPR afirma ter localizado ainda um elo financeiro entre a família investigada no Paraná e criminosos que atuam no Rio de Janeiro.

Segundo os investigadores, essa conexão passaria por uma empresa formalmente registrada nos setores de serralheria e vidraçaria.

Somente em 2025, essa empresa teria recebido mais de R$ 17 milhões em créditos.

Ao mesmo tempo, o responsável formal declarou renda mensal de R$ 1,5 mil. Conforme a investigação, porém, ele teria recebido cerca de R$ 3,656 milhões em créditos.

Além disso, a polícia afirma que essa empresa pagou à vista o veículo posteriormente relacionado ao transporte de drogas entre Maringá e Curitiba.

Esse é um dos elementos que reforçam a importância de esclarecer detalhadamente a atuação da operação em Maringá e o papel local dentro da estrutura investigada.

Aeronave, hangar e clube de voo entraram na investigação

A análise patrimonial também encontrou operações envolvendo uma aeronave.

Além disso, os investigadores identificaram a contratação da construção de um hangar em Foz do Iguaçu e a aquisição de uma cota em um clube de voo no interior de São Paulo.

Segundo a PCPR, essa cota custou aproximadamente R$ 989,5 mil.

A polícia investiga se empresas, terceiros e sucessivas negociações envolvendo veículos, aeronaves e outros bens serviram para ocultar patrimônio e movimentações financeiras.

Outras investigações já colocaram Maringá em rotas do tráfico

Maringá já apareceu anteriormente em investigações envolvendo estruturas logísticas do tráfico de drogas.

Em 2024, por exemplo, a Polícia Federal deflagrou a Operação Pó de Serra contra uma organização investigada por tráfico internacional de cocaína. A apuração apontava Maringá entre os destinos usados pela estrutura e estimava que o grupo tivesse movimentado mais de 20 toneladas da droga desde 2020.

Leia também: PF desarticula organização criminosa de tráfico internacional; operação teve alvos em Maringá

O Maringá PR Notícias acompanha continuamente operações policiais, investigações e ocorrências com impacto para o município.

Veja mais: acompanhe as reportagens de Segurança Pública do Maringá PR Notícias

O que a operação em Maringá ainda precisa esclarecer

Embora a investigação coloque Maringá no eixo logístico acompanhado pela polícia e a operação desta sexta-feira tenha alcançado a cidade, vários pontos locais continuam sem resposta pública.

Primeiro, a PCPR ainda precisa informar quantos mandados de prisão e busca tinham endereço em Maringá.

Além disso, falta esclarecer quantos investigados foram presos no município.

Também permanece sem resposta quais regiões ou bairros da cidade receberam as equipes policiais.

Outro ponto fundamental é saber se alguma empresa, depósito, garagem ou imóvel ligado à estrutura logística funcionava em Maringá.

Por fim, a polícia ainda não informou se a operação em Maringá resultou na apreensão de veículos, documentos, dinheiro, armas ou drogas.

Essas respostas poderão definir com maior precisão se Maringá funcionava apenas como ponto de passagem ou se havia uma estrutura operacional permanente no município.

O Maringá PR Notícias continuará acompanhando o caso e atualizará esta reportagem assim que a Polícia Civil divulgar o balanço específico das diligências realizadas na cidade.

Os fatos apresentados nesta reportagem correspondem a elementos divulgados pelas forças policiais em uma investigação em andamento. A Justiça deverá definir eventuais responsabilidades individuais ao longo do processo, assegurados o direito à defesa e a presunção de inocência.

Redação Maringá PR Notícias

Fontes: Polícia Civil do Paraná (PCPR); Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP); informações divulgadas pela PCPR sobre a operação de 18 de setembro de 2026.

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