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Duas nascentes reaparecem na gruta do Parque do Ingá

Pontos de água foram identificados após dois dias sem chuva. Instituto Ambiental de Maringá relaciona ocorrência à recuperação do lago principal, que atingiu o maior nível dos últimos dez anos.

Duas nascentes no Parque do Ingá foram identificadas no lago da gruta, em Maringá, no domingo (18 de outubro de 2026). A identificação foi anunciada pelo Instituto Ambiental de Maringá (IAM), que atribui o fenômeno à recuperação do nível do lago principal. A relação é uma avaliação do órgão e ainda depende de acompanhamento técnico divulgado publicamente.

De acordo com a Prefeitura, os dois pontos de água apareceram após dois dias sem chuva. O último registro de água no lago da gruta citado pelo órgão, com base no Plano de Manejo do parque, é de 2018.

O acontecimento chama atenção por ocorrer poucos dias após a reabertura da Gruta de Nossa Senhora Aparecida, revitalizada e entregue à população em 9 de outubro.

Entretanto, o IAM ainda pretende aprofundar o monitoramento para compreender o comportamento das águas subterrâneas.

Por que as nascentes reapareceram?

Segundo o diretor-presidente do Instituto Ambiental de Maringá, José Roberto Behrend, a elevação do nível do lago principal modificou o comportamento da água no lençol freático, favorecendo o aparecimento das nascentes.

O instituto associa essa recuperação a medidas de manutenção e operação do sistema hídrico do parque.

Entre as intervenções já divulgadas estão alterações nos canais de drenagem, limpeza, desassoreamento e desobstrução de estruturas que conduzem água até o lago.

Apesar da explicação apresentada pelo IAM, a nota não contém medições específicas da vazão das nascentes nem um estudo hidrogeológico detalhando a conexão entre os dois locais.

Portanto, ainda não é possível determinar se os pontos manterão fluxo permanente ou se apresentarão variações relacionadas às chuvas e ao nível da água subterrânea.

Lago principal atingiu 480,66 metros

No dia 6 de outubro, o lago principal do Parque do Ingá alcançou a marca de 480,66 metros acima do nível do mar, conforme medições divulgadas pelo IAM.

A Prefeitura classificou o patamar como o maior dos últimos dez anos. Contudo, o anexo técnico disponível sobre a recuperação do lago não apresenta, na mesma divulgação, toda a série histórica desse período; assim, o recorde decenal permanece atribuído ao Município.

A medição corresponde à altitude da superfície da água, e não à profundidade do lago.

Além disso, essa é a cota do vertedouro. Quando a água chega a esse nível, o excedente pode seguir pelo sistema hidráulico em direção ao Córrego Moscados.

O Maringá PR Notícias já havia mostrado que, segundo dados municipais, as intervenções nos canais contribuíram para a recuperação do lago, além dos efeitos da chuva.

A nova ocorrência na gruta acrescenta uma questão ambiental importante: compreender como o nível do lago principal influencia a circulação da água subterrânea no restante do parque.

Último registro mencionado pelo IAM é de 2018

A nota municipal cita o Plano de Manejo do Parque do Ingá para informar que o último registro de água no lago da gruta havia ocorrido em 2018.

Esse dado é relevante, mas exige interpretação cuidadosa.

A ausência de registros divulgados mais recentes não significa, necessariamente, que os pontos tenham permanecido secos durante todos os últimos oito anos.

Da mesma forma, o surgimento observado em outubro não comprova que se trate de nascentes geologicamente novas.

O fato confirmado é que a equipe ambiental identificou dois pontos de surgimento de água em 18 de outubro de 2026.

O monitoramento poderá esclarecer se a água reapareceu em locais historicamente conhecidos e qual é a duração do fluxo.

Gruta foi revitalizada e reaberta em outubro

A Gruta de Nossa Senhora Aparecida reabriu ao público em 9 de outubro, após quase dez meses de interdição.

O fechamento preventivo havia ocorrido em dezembro de 2025, depois de problemas relacionados à movimentação de solo na encosta.

Durante as intervenções, a Prefeitura realizou trabalhos de recuperação estrutural, estabilização e melhorias na circulação de visitantes.

Além disso, a imagem de Nossa Senhora Aparecida retornou ao espaço após permanecer sob os cuidados da Arquidiocese de Maringá.

Embora o registro das nascentes tenha acontecido poucos dias depois da reabertura, não existem dados suficientes para estabelecer relação direta entre a reforma da gruta e o fenômeno.

A explicação apresentada pelo IAM está associada à recuperação do nível do lago principal.

O que os pesquisadores precisam esclarecer?

O Instituto Ambiental informou que acompanhará os dois pontos de água para aprofundar a avaliação dos recursos ambientais do parque.

Entre os aspectos que merecem investigação estão a vazão, a permanência do fluxo, a qualidade da água e as possíveis relações com a dinâmica do lençol freático.

Também será importante esclarecer se as medições serão realizadas em diferentes períodos do ano e se os resultados ficarão disponíveis ao público.

A nota municipal não apresentou um cronograma detalhado para essas avaliações.

Por que o fenômeno importa para Maringá?

O Parque do Ingá é um dos principais espaços de conservação ambiental da cidade. Além da importância turística e histórica, abriga vegetação e fauna de uma área remanescente de Mata Atlântica.

O comportamento das águas influencia diferentes componentes desse ambiente.

Por isso, acompanhar as nascentes pode contribuir para compreender melhor a circulação hídrica e orientar futuras medidas de manejo ambiental.

Entretanto, o simples aparecimento de água não permite concluir que ela seja potável, que exista uma recuperação completa do sistema ecológico ou que todos os problemas ambientais do parque estejam resolvidos.

Essas conclusões dependem de avaliações específicas.

O Maringá PR Notícias continuará acompanhando os dados do IAM e os resultados do monitoramento. O instituto ainda não divulgou, nos documentos consultados, resultados de análises de qualidade da água, vazão medida das duas nascentes ou periodicidade de monitoramento.

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Fontes oficiais

Nota de transparência: a informação sobre os dois pontos de água e sua possível relação com o lago principal foi divulgada pelo IAM. A redação não realizou medição própria de vazão ou qualidade da água, nem confirmou de forma independente a página do Plano de Manejo que fundamenta o registro de 2018.

Redação Maringá PR Notícias

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