Balanço inclui subestação de R$ 55 milhões inaugurada em maio, modernização da rede e reforço de equipes; após temporais de setembro, resta verificar o impacto das melhorias no fornecimento de energia
MARINGÁ — A Copel divulgou nesta quinta-feira (8) um balanço de investimentos superiores a R$ 100 milhões na infraestrutura elétrica de Maringá em 2026. Segundo a companhia, os recursos abrangem modernização da rede, ampliação da capacidade de fornecimento, manutenção e obras em subestações. Entretanto, parte das intervenções não é nova: a subestação Morangueira, que recebeu R$ 55 milhões, já funciona desde maio. O anúncio também ocorre após os temporais de setembro, que provocaram interrupções no fornecimento de energia e afetaram serviços essenciais da cidade.
A concessionária informou que destinou R$ 41,2 milhões à modernização da rede elétrica neste ano. Além disso, destacou a contratação de 14 eletricistas, organizados em sete duplas exclusivas para o município, e ações preventivas em mais de 700 árvores de grande porte.
Segundo Ricardo Carvalho, gerente-executivo do Departamento de Operação de Campo Noroeste da Copel, os investimentos buscam acompanhar a expansão econômica e urbana de Maringá.
Contudo, a divulgação dos valores não demonstra, por si só, quanto diminuíram as interrupções de energia nem se a rede já consegue responder mais rapidamente aos temporais.
Por isso, o Maringá PR Notícias cruzou o anúncio com o histórico da subestação Morangueira, os episódios de setembro e a comissão criada pela Câmara Municipal para acompanhar a prestação dos serviços da Copel.
Leia o comunicado oficial da Copel divulgado em 8 de outubro.
Como a Copel distribuiu os R$ 41,2 milhões?
No balanço apresentado nesta quinta-feira, a companhia detalhou cinco frentes de investimentos relacionadas à modernização da rede elétrica em Maringá.
| Área informada pela Copel | Valor |
|---|---|
| Intervenções na rede de distribuição | R$ 14,5 milhões |
| Infraestrutura e sistemas | R$ 9,5 milhões |
| Novas ligações | R$ 6,7 milhões |
| Manutenção | R$ 5,6 milhões |
| Obras de alta tensão | R$ 4,7 milhões |
| Soma dos valores discriminados | R$ 41 milhões |
Embora a empresa informe R$ 41,2 milhões como total da modernização, os cinco valores apresentados somam R$ 41 milhões.
Assim, existe uma diferença de R$ 200 mil entre a soma das parcelas publicadas e o valor global divulgado para essa frente.
A diferença pode decorrer de arredondamentos ou de algum item que não aparece no detalhamento. Entretanto, o comunicado não esclarece sua origem.
Além disso, a companhia não apresenta uma planilha completa com contratos, etapas de execução, datas de conclusão e valores efetivamente desembolsados em cada intervenção.
Por isso, não é possível determinar apenas com esse comunicado quanto do programa permanece em execução ou quanto já foi integralmente pago.
Subestação Morangueira, de R$ 55 milhões, foi inaugurada em maio
Uma das principais obras mencionadas no balanço é a subestação Morangueira, localizada na região norte de Maringá.
Entretanto, a estrutura já havia sido inaugurada em 8 de maio de 2026, cinco meses antes do novo comunicado.
Na ocasião, a Copel anunciou um investimento total de R$ 55 milhões.
Desse valor, R$ 44 milhões corresponderam à construção da subestação. Outros R$ 11 milhões financiaram a implantação de oito novos circuitos alimentadores.
A unidade opera em 138 mil volts e acrescentou 60 megavolt-amperes (MVA) de potência de transformação ao sistema que atende a região norte da cidade.
Além disso, a estrutura utiliza operação remota e monitoramento de equipamentos.
Segundo o balanço de outubro, a subestação beneficia aproximadamente 105 mil moradores.
A Copel afirma que a obra amplia a capacidade do sistema e oferece novas possibilidades de operação em situações de emergência.
Portanto, a Morangueira representa uma entrega física anterior ao anúncio desta quinta-feira, e não uma nova obra iniciada depois dos temporais.
Confira o comunicado de 8 de maio sobre a inauguração da subestação Morangueira.
Como os investimentos chegam a mais de R$ 100 milhões?
O comunicado apresenta dois valores centrais para Maringá: R$ 55 milhões na subestação Morangueira e R$ 41,2 milhões na modernização da rede.
Considerados como parcelas inteiramente distintas, esses valores somariam R$ 96,2 milhões.
Entretanto, a Copel não publica no comunicado uma conciliação completa que demonstre como todos os investimentos compõem o total superior a R$ 100 milhões.
Também não esclarece expressamente se existe alguma sobreposição contábil entre as categorias divulgadas.
Dessa maneira, não seria correto tratar a simples soma dos valores como uma auditoria completa da execução financeira.
Outro cuidado envolve os R$ 10,5 milhões em intervenções na rede de Sarandi, citados pela concessionária como investimentos metropolitanos.
Embora essas melhorias possam beneficiar a integração regional do sistema elétrico, o comunicado as identifica geograficamente em Sarandi.
Portanto, esse valor não deve ser automaticamente somado aos investimentos de Maringá para justificar o montante anunciado para o município.
O detalhamento integral dos recursos é um ponto que ainda merece esclarecimento documental.
Copel reforça equipes com 14 eletricistas
Além das obras, a companhia informou que incorporou 14 eletricistas ao quadro funcional de Maringá em 2026.
Os profissionais formam sete duplas de atendimento dedicadas exclusivamente ao município.
Segundo a empresa, essas equipes já atuam em atividades de manutenção, reparos e emergências.
A informação é relevante porque a estrutura operacional da Copel se tornou um dos pontos de discussão após os temporais de setembro.
Entretanto, o balanço não informa quantas equipes próprias e terceirizadas já atendiam Maringá antes das novas incorporações.
Também não apresenta a quantidade total de profissionais disponíveis atualmente ou a capacidade de mobilização durante ocorrências simultâneas de grande porte.
Assim, os 14 novos eletricistas representam um reforço confirmado pela concessionária, mas o comunicado não permite medir isoladamente seu impacto no tempo de restabelecimento da energia.
Mais de 700 árvores passaram por poda preventiva
Em parceria com a Prefeitura de Maringá, a Copel também informou ter realizado poda preventiva padronizada em mais de 700 árvores de grande porte.
Segundo a empresa, as intervenções procuram reduzir o contato da vegetação com os cabos elétricos, uma das causas de interrupções durante tempestades.
Além disso, a companhia informou que mantém trabalhos rotineiros em vegetações menores.
O balanço ganha importância diante dos estragos registrados no município em setembro.
Após o temporal dos dias 21 e 22, a Prefeitura contabilizou 127 ocorrências, incluindo 115 quedas de árvores e 12 quedas de galhos.
O levantamento também registrou danos em postes, veículos e imóveis.
Entretanto, não é possível estabelecer uma relação direta entre as árvores podadas preventivamente e os locais atingidos pelo temporal sem conhecer o mapa das intervenções e das ocorrências.
Da mesma forma, o comunicado não apresenta a distribuição das podas por bairro nem informa quantas demandas ainda aguardam atendimento.
Relembre o balanço de 127 ocorrências e 115 árvores caídas no temporal de setembro.
Temporais de setembro expuseram a vulnerabilidade de serviços essenciais
A sequência de tempestades de setembro ampliou o debate sobre a confiabilidade do fornecimento de energia em Maringá.
No episódio dos dias 21 e 22, a interrupção elétrica atingiu a captação de água da Sanepar no Rio Pirapó.
Como consequência, a produção de água ficou temporariamente interrompida, afetando o abastecimento de grande parte da cidade.
Segundo dados da Sanepar apresentados na cobertura anterior do Maringá PR Notícias, cerca de 85% dos consumidores dependiam do sistema afetado.
Além disso, outro temporal, em 29 de setembro, voltou a provocar quedas de energia.
Naquele dia, um boletim da Copel apontava aproximadamente 4 mil unidades consumidoras sem fornecimento em Maringá às 12h15.
Esses números representam momentos específicos de cada ocorrência e não devem ser interpretados como quantidade total de consumidores atingidos ao longo dos episódios.
Ainda assim, os fatos mostram por que o funcionamento da rede elétrica interessa diretamente a moradores, empresas e serviços de saúde e abastecimento.
Entenda como a falta de energia afetou a captação do Rio Pirapó.
Investimento em Sarandi não comprova solução para a captação do Pirapó
No mesmo comunicado, a Copel menciona R$ 10,5 milhões em melhorias integradas na rede elétrica de Sarandi.
Entre as intervenções estão a modernização de um alimentador que atende ao sistema de abastecimento de água da cidade e a implantação de uma rede com reversão automática.
Além disso, a companhia informa a instalação de 12 religadores automáticos, equipamentos que ajudam a restabelecer o fornecimento para determinados grupos de consumidores quando a configuração da rede permite.
Entretanto, há uma distinção importante.
O comunicado trata de melhorias no sistema elétrico de Sarandi. Ele não identifica a captação de água do Rio Pirapó, responsável pelo abastecimento de Maringá, como beneficiária de uma nova alimentação elétrica alternativa.
Assim, ainda não existe comprovação documental, nesse balanço, de que as intervenções anunciadas impediriam a repetição de uma paralisação como a registrada em setembro.
A questão também aparece em outra investigação do Maringá PR Notícias, sobre os projetos da Sanepar para ampliar o abastecimento de Maringá e Paiçandu.
Embora as futuras intervenções incluam componentes elétricos e automação, os documentos públicos consultados até agora não esclarecem se haverá uma segunda fonte independente de energia para a captação.
Leia a investigação sobre os projetos da Sanepar e a segurança elétrica da captação do Rio Pirapó.
Câmara criou comissão para analisar o serviço da Copel
O balanço de investimentos também chega em um momento de acompanhamento legislativo da concessionária.
Em 29 de setembro, a Câmara Municipal de Maringá aprovou o Requerimento nº 538/2026, que prevê uma Comissão Especial de Estudos para analisar a prestação dos serviços da Copel Distribuição.
A iniciativa, apresentada pelos vereadores Sidnei Telles, Flávio Mantovani e Uilian da Farmácia, estabelece um grupo de três integrantes e prazo de 90 dias para os trabalhos.
Entre os pontos previstos estão as interrupções de energia, os tempos de restabelecimento, a estrutura de atendimento emergencial, a comunicação com os consumidores e a capacidade operacional diante de temporais.
Além disso, a análise deverá abranger a área urbana e os distritos de Floriano, Iguatemi e São Domingos.
O balanço divulgado pela Copel poderá contribuir para essa discussão.
Entretanto, o requerimento aprovado não representa uma conclusão antecipada sobre a qualidade do serviço. A comissão ainda precisa reunir dados, desenvolver os estudos e apresentar seus resultados.
Veja a reportagem sobre a comissão criada pela Câmara para analisar o serviço da Copel.
Como saber se a energia realmente ficou mais estável?
O principal desafio agora é comparar os investimentos com os resultados do serviço.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) acompanha a continuidade do fornecimento por meio de indicadores como DEC e FEC.
O DEC mede o tempo médio de interrupção do fornecimento, enquanto o FEC indica a frequência média dessas interrupções.
Esses indicadores são calculados por conjuntos de unidades consumidoras, que nem sempre correspondem exatamente aos limites de um município.
Além disso, a agência acompanha indicadores relacionados ao atendimento de ocorrências emergenciais.
Portanto, uma avaliação mais completa de Maringá deverá identificar quais conjuntos elétricos atendem a cidade e comparar seus resultados antes e depois das melhorias.
Também será importante conhecer os tempos de resposta em episódios de chuva intensa.
A divulgação dos investimentos, por si só, não substitui esses indicadores de desempenho.
Consulte a explicação da Aneel sobre os indicadores de qualidade do fornecimento de energia.
O que ainda precisa ser esclarecido pela Copel?
O cruzamento dos documentos permite identificar questões relevantes para acompanhar o programa.
Primeiramente, ainda falta uma relação completa das obras e despesas que compõem o montante superior a R$ 100 milhões.
Além disso, a concessionária não apresenta no comunicado um cronograma individual com o que já terminou, o que permanece em execução e quanto foi efetivamente desembolsado.
Outra questão envolve a cobertura das novas equipes de atendimento e os tempos de restabelecimento após interrupções.
Também será importante conhecer o histórico dos indicadores de continuidade dos conjuntos elétricos que atendem Maringá.
Por fim, permanece aberta a pergunta sobre a existência de uma solução de alimentação elétrica alternativa para a captação de água do Rio Pirapó.
A Copel afirma que os investimentos fortalecem a capacidade do sistema e reduzem riscos de interrupção.
Entretanto, medir os resultados dessas intervenções exigirá dados operacionais e comparações ao longo do tempo.
O Maringá PR Notícias continuará acompanhando o tema, incluindo os trabalhos da comissão da Câmara e os próximos balanços da concessionária.
Entenda os investimentos da Copel em Maringá
Total divulgado para 2026: mais de R$ 100 milhões.
Modernização da rede: R$ 41,2 milhões, segundo a Copel.
Subestação Morangueira: R$ 55 milhões; inaugurada em 8 de maio de 2026.
Capacidade adicional da Morangueira: 60 MVA.
Novos circuitos da subestação: oito.
Reforço operacional: 14 eletricistas, organizados em sete duplas.
Podas preventivas: mais de 700 árvores de grande porte.
Investimentos mencionados em Sarandi: R$ 10,5 milhões, em intervenções metropolitanas.
Situação da captação do Pirapó: o comunicado não confirma uma alimentação elétrica alternativa para a estrutura.
Fiscalização legislativa: Comissão Especial de Estudos aprovada pela Câmara em 29 de setembro, com prazo previsto de 90 dias.
Leia também
- Câmara aprova comissão para analisar serviço da Copel em Maringá após novas interrupções
- Temporal em Maringá: balanço sobe para 127 ocorrências e 115 árvores caídas
- Sanepar avança em projetos para ampliar o abastecimento de Maringá e Paiçandu
- Temporal: falta de energia na captação do Pirapó afeta abastecimento de Maringá
Fontes
- Copel — balanço de mais de R$ 100 milhões em investimentos em Maringá, divulgado em 8 de outubro de 2026
- Copel — inauguração da subestação Morangueira em 8 de maio de 2026
- Câmara Municipal de Maringá — Requerimento 538/2026, citado na cobertura sobre a Comissão Especial de Estudos
- Aneel — indicadores de qualidade e continuidade do fornecimento de energia elétrica
- Maringá PR Notícias — investigação documental sobre projetos da Sanepar e o sistema do Rio Pirapó
Redação — Maringá PR Notícias
Nota de transparência: os valores de investimentos, reforço operacional e podas preventivas apresentados nesta reportagem têm como fonte o balanço da Copel divulgado em 8 de outubro de 2026. A redação cruzou esses dados com comunicados anteriores da concessionária, registros legislativos, orientações da Aneel e a cobertura dos temporais de setembro. O anúncio financeiro não constitui, isoladamente, comprovação de desembolso integral dos recursos ou de melhoria mensurada dos indicadores de continuidade do fornecimento.
