Prefeitura voltou a colocar a transposição da Avenida Herval entre os projetos de mobilidade da cidade; proposta depende de aprovação dentro da UEM e retoma discussão que atravessa diferentes gestões
Um antigo projeto de mobilidade urbana voltou ao centro das discussões em Maringá: a Avenida Herval na UEM, com a proposta de prolongamento da via por dentro do campus da Universidade Estadual de Maringá.
Nesse contexto, a Prefeitura apresentou novamente a proposta ao divulgar um amplo conjunto de investimentos em infraestrutura para os próximos anos. Segundo o município, a intervenção integra os projetos de novas ligações viárias planejados para a cidade.
No entanto, a obra ainda não está liberada para execução.
De acordo com a Prefeitura de Maringá, o projeto depende da aprovação do Conselho de Administração (CAD) da UEM. Além disso, documentos divulgados anteriormente pela própria Universidade mostram que a continuidade da transposição precisa passar por projeto, estudos e apreciação institucional.
Portanto, apesar de voltar à agenda municipal, a proposta ainda tem etapas importantes pela frente.
Resumo do que você vai encontrar
- o que a Prefeitura anunciou sobre a Avenida Herval;
- por onde está prevista a continuidade da via;
- o que ainda precisa ser aprovado pela UEM;
- a diferença entre a Rua Ardinal Ribas e a transposição pelo campus;
- por que o projeto é discutido há tantos anos;
- quanto se sabe sobre o custo da intervenção;
- quais são os possíveis impactos para a mobilidade;
- quais questões ainda precisam ser esclarecidas;
- e o que acompanhar nos próximos capítulos.
O que a Prefeitura anunciou sobre a Avenida Herval
Ao apresentar novos investimentos em infraestrutura, a Prefeitura de Maringá incluiu entre as intervenções previstas o prolongamento da Avenida Herval por dentro do campus da UEM.
De acordo com a administração municipal, a obra depende da aprovação do Conselho de Administração da Universidade.
Além disso, a Prefeitura informou que os recursos previstos para essa intervenção deverão vir de convênios com os governos estadual e federal.
Ao mesmo tempo, o anúncio faz parte de um conjunto maior de projetos de infraestrutura. Entre eles estão novas ligações viárias, obras de pavimentação e recuperação da malha urbana.
Além disso, a administração citou a futura ligação entre as avenidas Horácio Raccanello Filho e Mauá e a conexão dos dois trechos da Avenida Guedner, no Jardim Aclimação.
No conjunto anunciado pela Prefeitura, estão previstos quase R$ 2 bilhões em 81 obras de pavimentação, além de outros projetos e ações.
Entretanto, a administração municipal não divulgou, na publicação consultada, o custo específico da transposição da Avenida Herval.
➡️ Fonte oficial: Prefeitura de Maringá — quase R$ 2 bilhões em obras de infraestrutura
Quanto custará a transposição da Avenida Herval?
Nesse cenário, essa é uma das principais perguntas ainda sem resposta.
A publicação oficial da Prefeitura não apresenta um orçamento individual para a transposição da Avenida Herval.
Ao mesmo tempo, o município informa que os recursos previstos para o prolongamento pelo campus deverão vir de convênios com os governos estadual e federal.
Por isso, não é possível atribuir à intervenção um valor específico neste momento.
Dessa forma, será necessário acompanhar a apresentação do projeto, a definição do traçado, o orçamento e a forma de financiamento antes de estabelecer quanto a obra poderá efetivamente custar.
O projeto pretende criar uma nova ligação urbana
A proposta busca dar continuidade ao eixo da Avenida Herval e ampliar a conexão viária na região.
Nesse percurso, a continuidade do eixo encontra a área do campus-sede da UEM, o que exige definição de traçado e aprovação institucional.
Por isso, a discussão envolve uma transposição da área universitária e, posteriormente, a continuidade do sistema viário em direção à região da Vila Esperança e Avenida Campolina.
Vale lembrar, porém, que a ligação com a Avenida Campolina não é uma referência nova.
Em 2015, por exemplo, uma indicação registrada na Câmara Municipal solicitou o prolongamento da Avenida Herval até a Rua João Luiz Dias, com interseção na Avenida Pioneiro Alício Arantes Campolina, na Vila Esperança.
➡️ Documento legislativo: Câmara Municipal — Indicação nº 1024/2015
Consequentemente, o assunto ultrapassa uma obra convencional de pavimentação.
A intervenção envolve patrimônio estadual, planejamento urbano, funcionamento do campus universitário, mobilidade, comunidade acadêmica e regiões vizinhas.
Rua Ardinal Ribas e transposição da UEM não são exatamente a mesma etapa
Esse é um dos pontos mais importantes para entender o projeto.
Em fevereiro de 2025, a UEM divulgou uma nota oficial explicando as diferentes etapas relacionadas ao eixo da Avenida Herval.
Em primeiro lugar, uma das etapas envolve a duplicação da Rua Ardinal Ribas, considerada prolongamento da Herval.
Nesse caso, segundo a Universidade, essa etapa já recebeu aprovações institucionais anteriores.
A UEM cita a Resolução nº 204/2017 do Conselho de Administração (CAD) e as resoluções nº 028/2017 e nº 004/2019 do Conselho Universitário (COU).
Além disso, a Universidade registra tramitação na Assembleia Legislativa do Paraná por meio do Projeto de Lei nº 1056/2023.
Entretanto, existe uma segunda etapa: a continuidade da transposição da Avenida Herval em direção à Avenida Campolina.
Nesse caso, a situação institucional é diferente.
➡️ Documento oficial: UEM — Nota Oficial sobre a transposição da Avenida Herval, de 1º de fevereiro de 2025
UEM condicionou continuidade a projeto e aprovação dos Conselhos
Na nota oficial publicada em 1º de fevereiro de 2025, a Universidade informou que a continuidade da transposição no sentido da Avenida Campolina dependeria da elaboração de projeto.
Na sequência, depois dos estudos, a proposta deveria seguir para apreciação e aprovação pelos Conselhos Superiores da UEM.
Portanto, não se deve tratar a transposição completa como uma obra definitivamente autorizada pela Universidade.
Mais recentemente, em agosto de 2026, a Prefeitura voltou a afirmar que o prolongamento por dentro do campus depende da aprovação do Conselho de Administração da UEM.
Nesse contexto, a etapa institucional continua sendo determinante para o futuro da proposta.
Uma discussão que atravessa diferentes gestões
A ideia de prolongar a Avenida Herval não surgiu agora.
De fato, o assunto aparece há anos nas discussões sobre mobilidade e integração do campus da UEM à estrutura urbana de Maringá.
Em 2021, por exemplo, o Requerimento nº 599/2021, apresentado na Câmara Municipal, pediu esclarecimentos à Prefeitura sobre estudos e planejamento para a extensão da Avenida Herval no trecho relacionado ao campus da UEM.
Nesse sentido, o registro legislativo mostra que a questão já vinha sendo discutida pelo poder público e pela Universidade.
➡️ Registro oficial: Câmara Municipal de Maringá — Requerimento nº 599/2021
Além disso, registros da própria UEM mostram discussões ainda anteriores.
Você Sabia? | Debate já ocorria em 2013
A discussão sobre a passagem da Avenida Herval pela área da UEM não começou em 2026.
Já em 2013, a Universidade estudava alternativas relacionadas ao projeto apresentado pelo município.
Naquele período, a UEM instituiu uma comissão para analisar propostas e promover discussões sobre a transposição.
Entre os temas considerados, por exemplo, estava a preservação da Estação Climatológica e de seu entorno.
➡️ Fonte histórica oficial: UEM — Propostas apresentadas em audiência subsidiarão conselhos da Universidade
Portanto, a retomada anunciada agora representa mais um capítulo de uma discussão urbana que atravessa diferentes gestões.
E a Estação Climatológica da UEM?
A possibilidade de uma nova ligação viária pela área universitária também provocou, historicamente, discussões sobre estruturas acadêmicas e científicas existentes no campus.
Naquele momento, a Estação Climatológica da UEM e seu entorno apareceram entre os pontos considerados na análise das alternativas.
Entretanto, isso não significa que a proposta atual necessariamente afetará a Estação Climatológica.
Nesse momento, sem a divulgação do traçado atualizado, não é possível afirmar qual será a interferência da nova proposta sobre essa ou outras estruturas da Universidade.
Por isso, esse será um dos pontos que precisarão ser esclarecidos quando o projeto detalhado for apresentado.
Por que a transposição provoca debate?
Para a administração municipal, uma nova ligação pode melhorar a circulação e ampliar as alternativas dentro do sistema viário de Maringá.
Por outro lado, uma avenida atravessando a área de uma universidade pública exige análise de impactos que vão além do fluxo de veículos.
Nesse sentido, entre os pontos que precisam ser considerados estão:
- segurança de estudantes, servidores e pedestres;
- circulação interna da Universidade;
- ciclistas e transporte coletivo;
- possível interferência em estruturas acadêmicas;
- áreas ambientais e de pesquisa;
- impacto sobre regiões vizinhas;
- eventual necessidade de desapropriações;
- volume de veículos que poderá utilizar o novo corredor;
- desenho das interseções;
- e integração com o restante da malha viária.
Portanto, estudos técnicos serão fundamentais para determinar os efeitos reais da intervenção.
Vila Esperança também entra na discussão
A transposição do campus não encerra o desafio de planejamento.
Além disso, depois da área da Universidade, a continuidade historicamente discutida para o eixo alcança a região da Vila Esperança.
Por exemplo, registros legislativos anteriores mostram propostas de prolongamento em direção à Avenida Pioneiro Alício Arantes Campolina.
Entretanto, esses registros são históricos e não definem, por si só, o desenho da proposta atual.
Consequentemente, será necessário verificar qual é o traçado atualmente pretendido depois do campus.
Somente com a divulgação desse desenho será possível avaliar eventuais impactos sobre imóveis, moradores e o sistema viário da região.
O que pode mudar no trânsito de Maringá?
Caso o projeto seja aprovado e posteriormente executado, a nova ligação poderá criar uma alternativa de deslocamento dentro do sistema viário da cidade.
Entretanto, ainda não é possível afirmar quanto a intervenção reduziria tempos de viagem ou congestionamentos.
Por esse motivo, serão necessários estudos de tráfego que considerem, entre outros fatores, o volume atual de veículos, a demanda futura, os cruzamentos envolvidos e a distribuição do fluxo pelas vias próximas.
Assim, a expectativa de melhoria da mobilidade precisa ser confrontada com os resultados dos estudos técnicos.
Dica do Editor | O que observar antes de formar uma opinião
Uma obra dessa dimensão não deve ser analisada apenas pela pergunta: “a avenida deve ou não atravessar a UEM?”
Antes de tudo, existem questões importantes que precisam ser respondidas.
Qual será exatamente o traçado?
Quantas pistas serão construídas?
Haverá ciclovia?
Como ficarão os pedestres?
Qual será o impacto sobre as atividades acadêmicas?
Haverá interferência em estruturas de pesquisa?
Existe previsão de desapropriações?
Quanto custará exclusivamente a transposição?
De onde virão os recursos?
E, principalmente, qual ganho de mobilidade os estudos técnicos projetam para a população?
Dessa maneira, as respostas permitirão que o debate público avance com base em dados.
O que já sabemos e o que ainda falta saber
Já sabemos
A Prefeitura voltou a colocar o prolongamento da Avenida Herval pelo campus entre seus projetos.
Além disso, o município afirma que a obra depende de aprovação dentro da UEM.
A administração municipal também informou que os recursos previstos deverão vir de convênios com os governos estadual e federal.
Por sua vez, a Universidade já havia informado que a continuidade da transposição no sentido da Avenida Campolina exige projeto e apreciação institucional.
Ainda falta saber
Por outro lado, ainda não foram apresentados publicamente, nas fontes consultadas para esta reportagem:
- o traçado definitivo;
- o projeto executivo;
- o custo específico da intervenção;
- o cronograma;
- a extensão e as características da avenida dentro do campus;
- os impactos ambientais e acadêmicos da proposta atual;
- eventual necessidade de desapropriações;
- a solução definitiva para a continuidade depois do campus;
- e as decisões que ainda deverão ser tomadas pelos órgãos competentes da UEM.
Próximos passos
A partir de agora, um dos principais pontos será acompanhar a tramitação da proposta dentro da Universidade.
Ao mesmo tempo, será necessário verificar quando a Prefeitura apresentará estudos e projeto detalhado da intervenção.
Posteriormente, caso a proposta obtenha as aprovações necessárias, outras etapas ainda poderão ocorrer antes do início efetivo da construção. Entre elas estão definições técnicas, orçamento, obtenção dos recursos e procedimentos administrativos necessários à execução.
Por isso, o anúncio não significa início imediato da obra.
Assim, na prática, o anúncio recoloca oficialmente a transposição da Avenida Herval na agenda de infraestrutura e mobilidade de Maringá.
Maringá PR Notícias vai acompanhar
A discussão sobre a Avenida Herval reúne assuntos diretamente ligados ao cotidiano da população: mobilidade urbana, recursos públicos, planejamento da cidade e funcionamento de uma universidade pública.
Por isso, o Maringá PR Notícias acompanhará os próximos capítulos:
1. apresentação do projeto e do traçado;
2. tramitação e decisões dentro da UEM;
3. manifestação da comunidade universitária;
4. impactos sobre as regiões vizinhas;
5. definição do orçamento;
6. origem dos recursos;
7. eventual necessidade de desapropriações;
8. procedimentos para contratação e cronograma;
9. estudos sobre os impactos no trânsito.
Mais do que informar sobre o anúncio de uma obra, nosso compromisso é acompanhar como ela será decidida, quanto poderá custar, quais impactos produzirá e quais resultados poderá entregar à população.
Fontes consultadas
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