Kauã Kazahaya de Arruda e Angelina Oliveira da Silva têm mandados de prisão por homicídio qualificado; registros mostram passagem pela região de Foz do Iguaçu, enquanto investigação acompanha movimentações feitas com recursos da vítima
MARINGÁ — A Polícia Civil não descarta que Kauã Kazahaya de Arruda, de 20 anos, e Angelina Oliveira da Silva, de 18, procurados pela morte do norte-americano Tamir Nadav, de 46 anos, tenham deixado o Brasil. A possibilidade de fuga internacional abre uma nova frente na investigação iniciada em Maringá.
A Justiça expediu mandados de prisão contra os dois por homicídio qualificado. Desde então, a Polícia Civil tenta localizar o casal.
O delegado Adailton Ribeiro Júnior, que assumiu a investigação, confirmou que a polícia considera a possibilidade de os suspeitos terem deixado o território brasileiro.
No entanto, até agora, os investigadores não anunciaram qualquer confirmação de que Kauã e Angelina tenham efetivamente cruzado a fronteira.
A hipótese ganhou relevância porque registros divulgados nos últimos dias mostram o casal na região de Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, depois da saída de Maringá.
As imagens mostram passagens por hotéis, restaurantes e outros estabelecimentos.
Além disso, Foz do Iguaçu integra a tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina. Por isso, a passagem dos investigados pela região tornou-se um dos pontos importantes para reconstruir os deslocamentos posteriores ao desaparecimento de Tamir.
Polícia apura possível deslocamento para o Paraguai
A investigação acompanha informações de que Kauã e Angelina podem ter seguido da região de Foz do Iguaçu para o Paraguai.
Entre os pontos em análise está a possível aquisição de uma motocicleta zero quilômetro no Paraguai com recursos relacionados à vítima.
Até o momento, porém, a Polícia Civil não apresentou publicamente documentação que confirme a compra do veículo nem informou em nome de quem a motocicleta teria sido registrada.
Portanto, esse episódio permanece como parte da apuração.
Ao mesmo tempo, a polícia já identificou movimentações financeiras anteriores envolvendo dinheiro de Tamir.
Segundo informações divulgadas sobre a investigação, os policiais encontraram compras feitas em 1º de setembro com recursos da vítima.
Somente dois relógios custaram aproximadamente R$ 10 mil, conforme informações atribuídas à Polícia Civil.
Essas movimentações fazem parte da linha investigativa sobre uma possível motivação patrimonial para o crime.
Entretanto, a polícia ainda não informou o valor total que os investigados teriam movimentado ou gasto.
Compras ocorreram antes do registro do desaparecimento
A cronologia das movimentações financeiras chama atenção porque as compras identificadas pela investigação aconteceram antes do registro formal do desaparecimento.
Os investigadores localizaram transações em 1º de setembro.
Dois dias depois, em 3 de setembro, uma pessoa próxima a Tamir registrou o desaparecimento.
Segundo as informações divulgadas sobre o caso, uma amiga procurou Tamir na residência onde ele morava e encontrou Kauã e Angelina no imóvel.
Na ocasião, o casal teria informado que o norte-americano havia viajado para São Paulo.
A explicação gerou desconfiança e, posteriormente, o desaparecimento chegou às autoridades.
A Polícia Civil também encontrou elementos que podem indicar que os suspeitos deixaram a residência rapidamente.
Entre eles estava um pacote de comida sobre uma mesa, ainda intacto.
A partir desses elementos, os investigadores passaram a reconstruir não apenas os últimos dias de Tamir, mas também os movimentos do casal depois de deixar Maringá.
Corpo estava em cômodo fechado
Na madrugada de 19 de setembro, policiais entraram na residência de Tamir, no Jardim Novo Horizonte, depois que pessoas próximas estranharam a falta de contato e o forte odor que vinha do imóvel.
Dentro da casa, as equipes encontraram ambientes revirados.
No segundo andar, os policiais localizaram um cômodo fechado com cadeado.
Após acessarem o local, encontraram o corpo de Tamir com as mãos e os pés amarrados com fita adesiva.
Posteriormente, a Polícia Científica confirmou a identidade por meio da arcada dentária.
O estado avançado de decomposição, entretanto, dificultou a definição imediata da causa e da data exata da morte.
Investigação avançou desde a primeira reportagem
O Maringá PR Notícias acompanha o caso desde a localização do corpo.
Na reportagem publicada em 23 de setembro, o portal já havia mostrado que a investigação identificou Tamir Nadav e apontou um casal como suspeito do crime.
Naquele momento, porém, apenas um dos investigados aparecia publicamente com prisão decretada.
Agora, a situação mudou.
A Justiça expediu mandados contra Kauã Kazahaya de Arruda e Angelina Oliveira da Silva, e a Polícia Civil considera os dois foragidos.
Além disso, a passagem pela região de Foz do Iguaçu ampliou a investigação sobre os deslocamentos posteriores à saída de Maringá.
Leia também: Polícia identifica norte-americano morto em Maringá e aponta casal como suspeito
Fuga internacional ainda não está confirmada
Apesar da nova linha investigativa, não há confirmação pública de que Kauã e Angelina tenham entrado no Paraguai ou em qualquer outro país.
Também permanecem sem resposta pública algumas questões centrais.
A Polícia Civil ainda tenta estabelecer qual foi a última localização comprovada dos investigados, quanto dinheiro pertencente a Tamir foi movimentado, se outros bens foram adquiridos e se alguém ajudou o casal durante o deslocamento.
Além disso, a investigação precisa esclarecer a data exata da morte, a dinâmica do crime e a participação atribuída a cada investigado.
A eventual compra da motocicleta no Paraguai também depende de confirmação documental.
Enquanto isso, a Polícia Civil mantém as buscas.
Até o fechamento desta reportagem, as autoridades não haviam anunciado a prisão de Kauã e Angelina nem confirmado oficialmente que os dois deixaram o Brasil.
O Maringá PR Notícias continuará acompanhando o caso e atualizará a reportagem diante de novas informações oficiais.
