Educação

UEM conquista 80ª patente com moléculas estudadas contra infecções fúngicas

Tecnologia desenvolvida com UnB e Unemat busca alternativas aos antifúngicos atuais; universidade ainda tem 64 pedidos em análise no INPI

MARINGÁ — A 80ª patente da UEM protege duas moléculas estudadas como possíveis alternativas no desenvolvimento de tratamentos contra infecções fúngicas sistêmicas. O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) expediu a carta patente em 8 de setembro.

Os compostos pertencem à classe dos 1,3,4-oxadiazólicos e resultam de uma pesquisa desenvolvida em parceria entre a Universidade Estadual de Maringá, a Universidade de Brasília (UnB) e a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat).

Segundo a divulgação oficial da UEM, as moléculas são pesquisadas diante das limitações dos antifúngicos atualmente disponíveis.

No entanto, a concessão da patente não significa que um novo medicamento já esteja pronto para uso. Os pesquisadores ainda desenvolvem formulações, avaliam derivados das moléculas e buscam avançar para etapas de transferência da tecnologia.

80ª patente da UEM mira enzima essencial aos fungos

A estratégia adotada pelo grupo partiu de um alvo específico: a tioredoxina redutase, uma enzima considerada essencial para os fungos estudados.

Em vez de começar por uma substância e descobrir posteriormente como ela age, os pesquisadores fizeram o caminho inverso.

Primeiramente, definiram a enzima que pretendiam bloquear. Depois, por meio de métodos computacionais, selecionaram moléculas com potencial para inibir esse alvo.

De acordo com a professora Érika Seki Kioshima Cotica, do Departamento de Análises Clínicas e Biomedicina da UEM, essa estratégia pode ajudar a reduzir problemas como toxicidade e reações adversas.

Além disso, a pesquisadora destaca que as infecções fúngicas ainda dispõem de poucas opções terapêuticas e enfrentam desafios como resistência dos fungos e interação entre medicamentos.

Compostos foram estudados contra diferentes fungos

Um dos principais focos da pesquisa é a paracoccidioidomicose, infecção que ocorre principalmente no Brasil e em outros países da América Latina.

Entretanto, os testes também identificaram atividade contra Candida albicans, associada a infecções que podem se disseminar pelo organismo, e Cryptococcus neoformans, fungo relacionado a quadros de meningite fúngica.

Os pesquisadores também observaram ação contra a Mycobacterium tuberculosis, bactéria responsável pela tuberculose.

Nesse caso, porém, a aplicação integra outro pedido de patente, que ainda permanece em análise no INPI.

Pesquisa passou por testes de laboratório e em animais

O trabalho começou na Universidade de Brasília, dentro de um grupo coordenado pela professora Maria Sueli Soares Felipe e dedicado ao desenvolvimento de novos tratamentos para infecções fúngicas.

Posteriormente, a linha de pesquisa continuou na UEM com participação da professora Terezinha Inez Estivalet Svidzinski.

Além disso, o projeto reuniu pesquisadores da UEM, UnB, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Unemat e do Laboratório Lorrain de Pesquisa em Informática e suas Aplicações (Loria), na França.

Durante o desenvolvimento, os pesquisadores avaliaram os compostos em laboratório e também em testes com camundongos.

Agora, o grupo trabalha no desenvolvimento de formulações e procura derivados das moléculas que apresentem maior atividade.

Patente ainda não significa medicamento disponível

A concessão pelo INPI garante proteção sobre a invenção, mas não encerra o desenvolvimento científico.

Por isso, os compostos ainda precisam passar por novas etapas antes de qualquer eventual utilização como medicamento.

Segundo a UEM, o próximo objetivo é aprimorar as formulações e avançar na transferência da tecnologia.

Além disso, pesquisadores já fizeram aproximações com indústrias farmacêuticas interessadas na área.

A universidade também informa que o grupo recebeu recursos da Fundação Araucária, Finep, CNPq, Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) e Capes para dar continuidade aos estudos.

Para quem quiser entender como funciona a proteção tecnológica no país, o INPI mantém uma área pública de consulta e busca de patentes.

80ª patente da UEM eleva total de concessões da universidade

Com essa concessão, a Universidade Estadual de Maringá alcançou 80 patentes concedidas ao longo de sua história.

Além disso, outros 64 pedidos depositados pela instituição ainda aguardam análise do INPI.

O número mostra que a universidade mantém tecnologias em diferentes estágios de avaliação e proteção.

O portal de Patentes do INPI reúne serviços de consulta, acompanhamento de processos e informações sobre propriedade industrial.

Leia também: UEM entra em pesquisa nacional que vai mapear a saúde mental nas universidades

Estrutura de micologia da UEM participa da pesquisa

A UEM destaca ainda a atuação de sua estrutura na área de Micologia Médica.

O setor, em conjunto com o Laboratório de Ensino e Pesquisa em Análises Clínicas (Lepac), atua no diagnóstico e na pesquisa de infecções causadas por fungos.

Segundo a universidade, o projeto que resultou na patente também ajudou a consolidar um grupo multidisciplinar dedicado ao estudo dessas doenças.

Próximos passos dependem de pesquisa e transferência de tecnologia

A partir de agora, os pesquisadores pretendem aprofundar os estudos das moléculas, desenvolver novas formulações e buscar condições para que a tecnologia avance para aplicações futuras.

Caso essas etapas apresentem resultados positivos, ainda será necessário percorrer processos adicionais de desenvolvimento, avaliação e eventual regulação antes de qualquer uso clínico.

Portanto, a 80ª patente da UEM representa uma etapa de proteção e valorização da pesquisa, e não a aprovação de um novo tratamento.

O que já sabemos

Instituição: Universidade Estadual de Maringá (UEM)

Tecnologia: duas moléculas da classe dos 1,3,4-oxadiazólicos

Área: pesquisa de alternativas para infecções fúngicas sistêmicas

Carta patente: expedida em 8 de setembro

Instituições envolvidas: UEM, UnB e Unemat, com colaboração de outros grupos de pesquisa

Patentes concedidas à UEM: 80

Pedidos ainda em análise no INPI: 64

Situação atual: desenvolvimento de formulações e busca por transferência de tecnologia

Fontes e documentos

UEM — patente de compostos para tratamento de infecções fúngicas

INPI — Patentes

INPI — busca de patentes

Lepac/UEM — Laboratório de Ensino e Pesquisa em Análises Clínicas

Redação Maringá PR Notícias

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