Modelo usa análise de dados para priorizar situações de maior risco; Prefeitura afirma que não houve feminicídio entre mulheres monitoradas ativamente no período avaliado
MARINGÁ — A Patrulha Maria da Penha em Maringá acompanha atualmente cerca de 1,2 mil mulheres com medidas protetivas e utiliza análise de dados para identificar situações que exigem maior atenção das equipes. Em balanço apresentado pela Prefeitura, os atendimentos classificados como risco iminente caíram de 256 para 148 na comparação entre o primeiro quadrimestre de 2025 e o mesmo período de 2026 — redução de 42,2%.
O modelo de acompanhamento mais próximo começou em janeiro de 2025, após uma reestruturação da atuação da Patrulha.
A estratégia reúne visitas preventivas, acompanhamento contínuo, verificação do cumprimento das medidas protetivas, patrulhamento direcionado e ferramentas de Business Intelligence (BI) desenvolvidas pela Guarda Civil Municipal.
Confira a divulgação sobre análise de dados e medidas protetivas em Maringá
Patrulha Maria da Penha em Maringá usa dados para definir prioridades
O sistema busca identificar padrões de risco para direcionar as equipes aos casos que necessitam de acompanhamento mais próximo.
A frequência das visitas pode variar conforme a avaliação de cada situação. Além disso, o modelo prevê patrulhamento em regiões com maior concentração de casos e integração entre Guarda Civil Municipal, Vara de Violência Doméstica e Ministério Público diante de sinais de descumprimento de medidas protetivas.
A redistribuição das equipes pelas diferentes regiões também buscou diminuir o tempo de deslocamento. Segundo o Município, em situações de urgência a equipe especializada consegue chegar ao local em até cinco minutos, em média, após o acionamento.
A descentralização da Guarda Civil já vinha sendo acompanhada pelo Maringá PR Notícias.
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Casos classificados como risco iminente caíram 42,2%
O indicador mais objetivo apresentado até agora compara os atendimentos que exigiram intervenção adicional da Patrulha em situações classificadas como risco iminente.
| Período | Casos |
|---|---|
| Janeiro a abril de 2025 | 256 |
| Janeiro a abril de 2026 | 148 |
| Variação | -42,2% |
Portanto, foram 108 registros a menos entre os dois períodos comparados.
Os números indicam queda no indicador acompanhado pelo programa. Entretanto, não permitem afirmar isoladamente que toda a redução ocorreu exclusivamente por causa do novo modelo, já que diferentes fatores podem influenciar a quantidade de ocorrências.
O que significa o dado de “zero feminicídio”
Outro resultado apresentado pela administração municipal exige uma leitura cuidadosa.
Segundo a Prefeitura, não houve registro de feminicídio entre as mulheres monitoradas ativamente pela Patrulha durante o período avaliado.
Isso não significa que Maringá tenha registrado zero feminicídio no período.
O recorte se refere especificamente às mulheres incluídas no acompanhamento ativo da Patrulha Maria da Penha e não à totalidade da população feminina do município.
Por isso, o indicador deve ser apresentado dentro desse universo específico.
Em junho, o secretário municipal de Segurança já havia declarado publicamente que nenhuma mulher acompanhada pelo programa havia sido vítima de feminicídio. O balanço divulgado posteriormente manteve o resultado dentro do grupo monitorado.
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Prefeitura cita aumento de 161%, mas não abre memória do cálculo
Na divulgação desta terça-feira, 6 de outubro, a Prefeitura afirma ainda que “o alcance da proteção aumentou 161%”.
O material público consultado pelo Maringá PR Notícias, porém, não apresenta os números usados para chegar a esse percentual.
Não estão informados conjuntamente o valor inicial, o valor final, o período exato da comparação nem a definição quantitativa de “alcance da proteção”.
Dessa forma, não é possível reproduzir de maneira independente o cálculo dos 161% somente com os dados publicados.
Por esse motivo, o percentual deve permanecer atribuído à Prefeitura. Já a redução de 256 para 148 casos pode ser conferida diretamente pelos valores absolutos divulgados.
Balanços recentes variam entre 1,2 mil e 1,5 mil mulheres
Outro ponto merece atenção.
Em agosto, uma divulgação sobre a rede de atendimento às vítimas de violência informava que aproximadamente 1,5 mil mulheres eram acompanhadas pela Patrulha Maria da Penha.
Em setembro, o Município passou a informar cerca de 1,2 mil mulheres. O mesmo número aparece novamente na divulgação de outubro.
Essa diferença de aproximadamente 300 mulheres não deve ser interpretada automaticamente como redução do atendimento.
Os materiais públicos não esclarecem se os números representam exatamente o mesmo universo, se refletem altas e encerramentos de medidas protetivas ou se utilizam datas de corte diferentes.
Por isso, o dado mais recente — cerca de 1,2 mil — é o utilizado como referência nesta reportagem.
Patrulha acumula mais de 18,7 mil atendimentos
A Patrulha Maria da Penha em Maringá completou nove anos de atuação em setembro de 2026.
Segundo balanço apresentado durante a comemoração, a equipe realizou mais de 18,7 mil atendimentos desde a criação do serviço.
O Município também informou naquele momento que aproximadamente 1,2 mil mulheres estavam sendo acompanhadas e que o tempo médio de resposta nas situações urgentes chegava a cinco minutos.
A rede de proteção municipal não se limita à atuação policial. O Centro de Referência de Atendimento à Mulher (Cram), por exemplo, registrou 241 mulheres atendidas e 650 atendimentos, incluindo retornos, no primeiro semestre de 2026.
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Projeto disputa prêmio internacional em novembro
O modelo de acompanhamento da Patrulha também colocou Maringá entre os finalistas do Herman Goldstein Award 2026, voltado a projetos de policiamento orientado para problemas.
A iniciativa maringaense recebeu o título “Prevenção da Escalada e Reincidência da Violência Doméstica Contra Mulheres Através de Monitoramento Contínuo Orientado por Inteligência”.
A apresentação dos finalistas está prevista para novembro, em Austin, no Texas.
O Center for Problem-Oriented Policing, ligado à Arizona State University, informa que o prêmio reconhece projetos que apresentem resultados mensuráveis na solução de problemas recorrentes de crime, desordem ou segurança pública.
Consulte as informações oficiais do Herman Goldstein Award 2026
Dados ainda precisam de maior detalhamento
Os resultados apresentados mostram indicadores relevantes da atuação da Patrulha. Ao mesmo tempo, ainda faltam informações públicas para uma avaliação mais completa.
Entre os pontos que permanecem sem detalhamento estão a memória de cálculo do aumento de 161%, a explicação para a variação recente entre 1,5 mil e 1,2 mil mulheres acompanhadas, a série histórica anual de mulheres monitoradas, a quantidade de descumprimentos de medidas protetivas, o volume de visitas preventivas e os critérios utilizados para classificar os diferentes níveis de risco.
A divulgação desses dados permitiria acompanhar com mais precisão a evolução e os resultados do programa.
Como pedir ajuda
Mulheres em situação de violência ou pessoas que presenciarem uma situação de risco podem procurar a rede de proteção.
Guarda Civil Municipal: 153
Polícia Militar: 190
Central de Atendimento à Mulher: 180
Em situações de emergência, a orientação é acionar imediatamente as forças de segurança.
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Fontes
Prefeitura de Maringá / Secretaria de Segurança — informações sobre o modelo de acompanhamento, uso de análise de dados, medidas protetivas e indicador de 161%.
Consultar a divulgação de 6 de outubro da Prefeitura de Maringá
Prefeitura de Maringá / Guarda Civil Municipal — dados do projeto finalista, redução de 42,2%, 1,2 mil mulheres acompanhadas e tempo de resposta informado.
Center for Problem-Oriented Policing — Arizona State University — regras e informações oficiais do Herman Goldstein Award 2026.
Consultar o Herman Goldstein Award
Maringá PR Notícias — acompanhamento da rede de proteção às mulheres, feminicídios e estrutura da Guarda Civil Municipal.
Redação — Maringá PR Notícias
