Política & Gestão Pública

Após contrato emergencial e licitação de R$ 21 milhões, Rodoviária de Maringá volta a ficar sem vigilância privada 24 horas

Documentos e registros públicos levantados pelo Maringá PR Notícias mostram que Município buscava desde 2025 uma solução global para a vigilância; contrato que mantinha 16 profissionais na Rodoviária terminou, enquanto nova contratação ainda passa por etapas administrativas

MARINGÁ — A interrupção da vigilância privada 24 horas na Rodoviária de Maringá, nesta sexta-feira (4), representa o capítulo mais recente de uma sequência de contratações e processos administrativos iniciada há mais de um ano. Levantamento do Maringá PR Notícias mostra que, desde a primeira interrupção do serviço, em maio de 2025, a Prefeitura adotou uma contratação emergencial e abriu processos em busca de uma solução global para a vigilância. Mesmo assim, em setembro de 2026, o terminal voltou a ficar sem os 16 profissionais responsáveis pelo monitoramento permanente.

O secretário municipal de Mobilidade Urbana, Luciano Brito, confirmou o encerramento do contrato atual. Conforme declaração publicada nesta sexta-feira pelo Maringá Mais, um novo processo de contratação está em andamento. Segundo ele, a expectativa é restabelecer o serviço em aproximadamente dez dias.

Enquanto isso, de acordo com o secretário, equipes de segurança realizam rondas na Rodoviária e no Terminal Urbano e atendem eventuais situações emergenciais.

Entretanto, documentos públicos analisados pelo Maringá PR Notícias mostram que a discussão sobre a contratação da vigilância nos terminais começou muito antes da interrupção desta semana.

O problema começou em maio de 2025

Em maio de 2025, o contrato que atendia diferentes prédios públicos chegou ao fim. Entre os locais afetados estavam o Terminal Urbano, a Rodoviária e unidades municipais de saúde.

Além disso, a situação chegou à Câmara Municipal. O Requerimento nº 1.136/2025 questionou formalmente a Prefeitura sobre como o Município manteria a vigilância nesses espaços depois do encerramento do contrato.

Naquele período, a Guarda Civil Municipal passou a realizar patrulhamento no Terminal Urbano e na Rodoviária enquanto a administração preparava uma nova contratação.

Ao mesmo tempo, a própria Prefeitura informou que trabalhava em uma licitação global destinada a atender diferentes secretarias municipais. Assim, já naquele momento, a contratação emergencial aparecia como solução temporária.

Semob recorreu a uma contratação emergencial

Como a contratação global ainda não estava concluída, a Secretaria de Mobilidade Urbana recorreu a uma contratação emergencial específica.

Registros públicos identificam como objeto do procedimento a prestação de vigilância desarmada no Terminal Intermodal Dr. Said Felício Ferreira, Terminal Rodoviário Vereador Dr. Jamil Josepetti, sede da Semob e Gerência de Sinalização e Obras.

Nesse processo, a Fortico Segurança Ltda. venceu a contratação. Na época, informações públicas apontaram valor global de R$ 3.209.148,60 para o serviço emergencial.

Posteriormente, em 25 de agosto de 2025, os vigilantes retornaram aos terminais.

Na Rodoviária, a estrutura contou com quatro postos de vigilância e 16 profissionais distribuídos em escalas para manter cobertura durante 24 horas. Já o Terminal Urbano recebeu estrutura equivalente.

Naquele momento, Luciano Brito também informou que a Prefeitura conduzia, paralelamente à solução emergencial, uma licitação global para serviços de vigilância em diferentes equipamentos municipais.

Além disso, a expectativa divulgada naquele período apontava para a conclusão do processo global até dezembro de 2025.

Prefeitura abriu licitação estimada em mais de R$ 21 milhões

A investigação do Maringá PR Notícias localizou registros de mais de um procedimento relacionado à tentativa de contratação global.

Primeiramente, apareceu o Pregão Eletrônico 90055/2025, que tinha abertura prevista para 22 de agosto daquele ano e valor estimado em aproximadamente R$ 21,1 milhões.

Posteriormente, a Prefeitura lançou o Pregão Eletrônico 90135/2025, vinculado ao processo administrativo 01.05.00139124/2025.75.

Nesse caso, o objeto era amplo: registro de preços para contratação de serviços terceirizados de vigilância desarmada destinados às secretarias municipais e aos órgãos vinculados.

Conforme o edital e os registros oficiais, o Município estimou a contratação em:

R$ 21.301.349

É importante destacar que R$ 21,3 milhões correspondem ao valor estimado da licitação. Portanto, esse número não representa necessariamente o valor contratado, empenhado ou efetivamente pago pela Prefeitura.

Os registros do Compras.gov mostram que o procedimento previa diferentes modalidades de postos de vigilância.

Entre elas estavam postos diurnos e noturnos em regime 12×36, vigilância motorizada, atendimento aos sábados, domingos e feriados, além de segurança para eventos.

Somente os dois principais grupos correspondiam ao equivalente a 42 postos diurnos e 43 postos noturnos durante 12 meses.

Dessa forma, o Município planejava uma solução estrutural para diferentes equipamentos públicos, muito mais ampla do que a contratação emergencial específica utilizada pela Semob.

O que aconteceu com a licitação global?

Esse é um dos principais pontos que permanecem abertos na investigação.

Ao consultar os registros públicos acessíveis, o Maringá PR Notícias procurou o desfecho do Pregão Eletrônico 90135/2025. Até a publicação desta reportagem, porém, o portal não localizou documento que permita afirmar com segurança qual foi o resultado definitivo do procedimento, seja homologação, revogação, anulação, fracasso ou outra decisão administrativa.

Por esse motivo, a reportagem não atribui nenhuma dessas situações ao pregão sem localizar o respectivo ato administrativo.

Ainda assim, um fato está documentalmente estabelecido: a Prefeitura estruturou uma contratação global estimada em R$ 21,3 milhões enquanto utilizava uma solução emergencial para manter a vigilância dos terminais.

Consequentemente, o destino desse procedimento tornou-se uma das peças centrais para entender por que a transição não evitou uma nova interrupção.

Um ano depois, os 16 vigilantes deixam a Rodoviária

Agora, em 4 de setembro de 2026, a Rodoviária voltou a ficar sem a equipe privada permanente.

Com o término do contrato, 16 profissionais que trabalhavam no local deixaram o serviço.

Luciano Brito informou que existe um novo processo de contratação em andamento. Segundo o secretário, o procedimento ainda precisa cumprir etapas administrativas, incluindo o período destinado à apresentação de recursos pelas empresas participantes.

Por isso, a expectativa apresentada pelo Município é concluir a contratação em aproximadamente dez dias.

A referência à possibilidade de recursos indica que o procedimento ainda possui etapas administrativas pendentes. Contudo, até a publicação desta reportagem, o Maringá PR Notícias não havia localizado nos registros públicos consultados o número desse processo, as empresas participantes, o valor estimado ou eventual primeira colocada.

Rodoviária entra novamente em período de transição

Durante esse intervalo, segundo a Semob, equipes de segurança realizam rondas e atendem eventuais ocorrências.

A situação se assemelha ao período registrado em 2025, quando a Guarda Civil Municipal também passou a atender os terminais depois do término do contrato anterior.

Desta vez, porém, existe uma diferença relevante: a nova interrupção ocorre depois de mais de um ano de procedimentos administrativos que buscavam justamente estabelecer uma solução para a vigilância municipal.

Assim, a continuidade do serviço e o destino das contratações anteriores passam a ser pontos centrais da apuração.

O que os documentos mostram

Contratação emergencial de 2025

  • Empresa: Fortico Segurança Ltda.
  • Serviço: vigilância desarmada
  • Locais: Terminal Intermodal, Rodoviária, sede da Semob e Gerência de Sinalização e Obras
  • Valor divulgado: R$ 3.209.148,60
  • Estrutura na Rodoviária: 4 postos e 16 profissionais
  • Cobertura: 24 horas

Pregão Eletrônico 90135/2025

  • Processo: 01.05.00139124/2025.75
  • Objeto: contratação global de vigilância desarmada
  • Valor estimado: R$ 21.301.349
  • Abrangência: diferentes secretarias e órgãos municipais
  • Resultado definitivo: não localizado pela reportagem nos registros públicos consultados

Situação em 4 de setembro de 2026

  • Equipe privada permanente da Rodoviária: 16 profissionais deixaram o serviço
  • Vigilância privada 24 horas: interrompida
  • Novo processo: em andamento, segundo a Semob
  • Previsão informada: aproximadamente dez dias

Linha do tempo

Maio de 2025
O contrato anterior chega ao fim e, consequentemente, os terminais entram em período de transição.

23 de maio de 2025
Terminal Urbano e Rodoviária permanecem sem vigilância privada. Como alternativa temporária, a Guarda Municipal realiza rondas nos locais.

Maio/junho de 2025
Nesse período, a Câmara Municipal cobra oficialmente informações da Prefeitura sobre a continuidade da vigilância.

Julho de 2025
Enquanto o Município continua buscando uma solução global, a Semob prepara uma contratação emergencial.

25 de agosto de 2025
Depois disso, a vigilância privada retorna ao Terminal Urbano e à Rodoviária. Cada terminal recebe quatro postos e 16 profissionais.

Segundo semestre de 2025
Na sequência, a Prefeitura estrutura o Pregão Eletrônico 90135/2025, com contratação global estimada em R$ 21,3 milhões.

4 de setembro de 2026
Por fim, o contrato que mantinha os 16 vigilantes da Rodoviária termina. Enquanto isso, outro procedimento de contratação ainda passa por etapas administrativas.

A pergunta que permanece

Diante dessa sequência documental, uma questão permanece:

Por que a solução de vigilância planejada desde 2025 não estava operacional quando terminou o contrato que mantinha os 16 profissionais na Rodoviária?

A existência de diferentes processos administrativos ou de um intervalo entre contratos, isoladamente, não comprova qualquer irregularidade.

No entanto, a repetição de um período sem vigilância privada permanente em um equipamento público de grande circulação exige esclarecimentos sobre a sucessão das contratações e, principalmente, sobre o destino dos procedimentos anteriores.

O que o Maringá PR Notícias ainda busca esclarecer

Por isso, a reportagem busca confirmar junto à Prefeitura:

  • o resultado definitivo do Pregão 90055/2025;
  • o resultado definitivo do Pregão 90135/2025, estimado em R$ 21,3 milhões;
  • o número e a modalidade do processo atualmente em andamento;
  • quais empresas participam da nova contratação;
  • qual é o valor estimado;
  • quais recursos administrativos foram apresentados ou ainda poderão ser apresentados;
  • por que o contrato anterior terminou antes de a contratação substituta entrar em operação;
  • qual estrutura de segurança permanecerá na Rodoviária durante esse período de transição.

Assim que houver resposta oficial ou novos documentos, o Maringá PR Notícias atualizará esta reportagem.

Transparência da apuração

O Maringá PR Notícias produziu esta reportagem por meio do cruzamento de registros do Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), Compras.gov, documentos de licitações do Município de Maringá, registros legislativos da Câmara Municipal de Maringá e informações públicas relacionadas às contratações de vigilância.

Além disso, a reportagem cruzou números de processos, objetos, valores e empresas para evitar atribuir a uma licitação informações pertencentes a outro procedimento.

Durante a investigação, por exemplo, apareceu outra contratação da Fortico realizada em 2026. Depois da conferência do objeto, porém, o portal constatou que ela se destinava à segurança operacional do Carnaval de Maringá 2026. Portanto, a apuração excluiu esse procedimento da análise sobre a Rodoviária.

Da mesma forma, outros contratos municipais de segurança privada voltados a eventos culturais também ficaram fora da comparação, já que não se referiam à vigilância permanente dos terminais.

Por fim, o portal optou por não atribuir resultado definitivo aos procedimentos administrativos cujo ato final não foi localizado. Dessa maneira, a reportagem mantém separados os fatos comprovados documentalmente e as questões que ainda dependem de esclarecimento oficial.

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Fontes

Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) — registros de contratações e editais do Município de Maringá.

Compras.gov — Pregão Eletrônico 90135/2025, UASG 987691.

Câmara Municipal de Maringá — registros legislativos relacionados à interrupção da vigilância e ao Requerimento nº 1.136/2025.

Maringá Mais — informações sobre o encerramento do contrato e declarações do secretário municipal de Mobilidade Urbana, Luciano Brito, em 4 de setembro de 2026.

CBN Maringá / GMC Online — registros jornalísticos sobre a retomada da vigilância nos terminais em agosto de 2025 e informações divulgadas naquele período sobre a contratação global.

Apuração própria: Maringá PR Notícias — levantamento, conferência e cruzamento de documentos públicos realizados em setembro de 2026.

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