Total era de 29 quando Município apresentou Plano de Segurança Viária em agosto; 2026 já supera todo o ano de 2025 e motociclistas concentram a maior parte das vítimas
MARINGÁ — As mortes no trânsito em Maringá chegaram a 39 em 2026 após o atropelamento de Katsuo Suzuki Kaetsu, de 80 anos, na Avenida Bento Munhoz da Rocha Neto. Além disso, setembro terminou com sete vítimas fatais. O novo caso atualizou um balanço anterior da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob), que apontava 38 mortes entre janeiro e setembro.
A diferença entre 38 e 39, neste caso, não indica necessariamente conflito entre bases. O balanço de 38 circulou antes da incorporação do atropelamento ocorrido no fim da tarde de 29 de setembro.
Depois da ocorrência, levantamentos que consultaram a Plataforma +VIDA, da Prefeitura de Maringá, passaram a apontar Katsuo como a 39ª morte no trânsito da cidade em 2026 e a sétima somente em setembro.
Para acompanhar os dados municipais de segurança viária, o leitor pode consultar a Plataforma +VIDA.
O novo total também amplia a diferença em relação ao ano passado. Em todo o ano de 2025, a Semob registrou 33 mortes. Em 2024, foram 38 óbitos.
Portanto, antes de completar dez meses, 2026 já supera os dois anos anteriores.
Mortes no trânsito em Maringá: indicador passou de 29 para 39
Outro ponto chama atenção na evolução recente do indicador.
Em 14 de agosto, quando o Município apresentou o Plano de Segurança Viária e o movimento Maringá pela Vida, a contagem divulgada estava em 29 mortes no trânsito em 2026.
O Maringá PR Notícias acompanhou o lançamento e mostrou que a estratégia reúne medidas de engenharia, educação, fiscalização e tecnologia, além de ações direcionadas aos motociclistas.
Em 46 dias, entre aquele balanço e a atualização após 29 de setembro, o total divulgado passou de 29 para 39.
A diferença representa dez registros a mais no indicador.
Entretanto, esse dado não permite afirmar que todas as dez mortes ocorreram exatamente nesse intervalo nem avaliar, sozinho, o resultado das medidas anunciadas. A +VIDA recebe atualizações e consolida informações de diferentes fontes.
Por isso, uma avaliação das políticas de segurança viária exige observar as datas das ocorrências, a implementação das ações, os locais dos acidentes e os indicadores definidos pelo Município.
Ainda assim, a velocidade da mudança reforça a importância de acompanhar quais medidas já saíram do planejamento e chegaram efetivamente às ruas.
Setembro terminou com sete mortes
O último caso fatal de setembro ocorreu na Avenida Bento Munhoz da Rocha Neto, próximo à Avenida Pedro Taques.
Katsuo Suzuki Kaetsu, de 80 anos, sofreu um atropelamento por motocicleta no fim da tarde de 29 de setembro.
Equipes de emergência tentaram reanimá-la, mas a vítima morreu no local. A Polícia Militar registrou a ocorrência, enquanto a Polícia Civil deverá apurar as circunstâncias do acidente.
Posteriormente, publicações que consultaram a +VIDA passaram a classificar o caso como a 39ª morte de 2026 e a sétima de setembro.
Por que apareceram 38 e depois 39 mortes?
Os dois números correspondem a momentos diferentes do acompanhamento.
Antes do último atropelamento, o balanço divulgado pela Semob apontava 38 vítimas. Naquele recorte, o perfil informado era:
- 24 motociclistas;
- 10 pedestres;
- dois passageiros de motocicleta;
- um ciclista;
- um motorista.
A soma chega exatamente às 38 mortes divulgadas naquele momento.
Depois disso, o atropelamento de Katsuo acrescentou uma nova ocorrência ao acompanhamento.
Por esse motivo, o Maringá PR Notícias não trata 38 e 39 como números necessariamente conflitantes. O primeiro corresponde a um recorte anterior, enquanto o segundo incorpora uma morte posterior.
Embora Katsuo fosse pedestre, o portal não atualizará por conta própria a distribuição oficial das 39 vítimas por modal sem uma nova consolidação da base.
Caso é diferente da antiga divergência entre 33 e 40
Essa distinção é importante porque o Maringá PR Notícias já investigou outro problema relacionado aos números do trânsito.
Em 5 de setembro, uma auditoria do portal encontrou 33 mortes na base pública da +VIDA, enquanto levantamentos ampliados chegavam a 40 ao acrescentar ocorrências associadas à área de atuação da Polícia Rodoviária Federal.
Leia a investigação: por que aparecem 33 ou 40 mortes no trânsito de Maringá
Naquele caso, a diferença envolvia bases, jurisdições e universos estatísticos distintos.
Agora, porém, a situação é outra. A passagem de 38 para 39 acompanha uma nova morte incorporada ao levantamento municipal.
Dessa forma, as duas discussões não devem ser misturadas.
2026 já supera 2024 e 2025
A comparação com os dois últimos anos completos mostra a dimensão do atual cenário.
Segundo balanço da Semob, Maringá terminou 2024 com 38 mortes no trânsito. Em 2025, foram 33.
Com 39 registros em 2026, a cidade já ultrapassou ambos antes do fim do ano.
Por outro lado, essa comparação exige cautela: 2024 e 2025 representam anos fechados, enquanto 2026 continua em andamento.
O objetivo, portanto, não é projetar qual será o total até dezembro, mas mostrar que o número atual já superou os dois exercícios anteriores.
Motociclistas concentram a maior parte das vítimas
O balanço de 38 mortes divulgado antes da última ocorrência mostrava os motociclistas como o principal grupo de vítimas.
Eram 24 motociclistas mortos, além de dois passageiros de motocicleta.
Assim, pessoas que estavam sobre motocicletas representavam 26 das 38 mortes daquele recorte.
Esse cenário ajuda a explicar por que o Município direcionou parte das ações de segurança viária a esse público.
Entre elas está o programa Moto + Vida, voltado à capacitação de motofretistas.
Leia: Moto + Vida abre inscrições em Maringá e pretende capacitar mais de 600 motoboys
Ao mesmo tempo, o atropelamento que levou o total a 39 também reforça a necessidade de acompanhar a situação dos pedestres.
Setembro acelerou a mudança do indicador
No início do mês, o cenário era diferente.
Em 5 de setembro, quando o Maringá PR Notícias auditou a +VIDA, a plataforma apresentava 33 mortes.
Posteriormente, a morte de Gilmar da Silva, de 48 anos, após atropelamento no cruzamento das avenidas Franklin Delano Roosevelt e Guaiapó, levou o acompanhamento a 34 vítimas.
Leia: morte de pedestre reabre divergência sobre número de vítimas no trânsito de Maringá
Mais tarde, em 22 de setembro, a morte do motoboy Reginaldo Aparecido Francisco no Contorno Sul apareceu como a 36ª vítima no recorte divulgado após a ocorrência.
Leia: câmera mostra carro atravessando canteiro antes de acidente fatal no Contorno Sul
Outros acidentes fatais ocorreram nos dias seguintes.
Por isso, a reconstrução individual das vítimas continua sendo importante. Ela permitirá verificar datas de ocorrência, eventual demora de lançamento e possíveis diferenças de classificação.
Plataforma +VIDA é dinâmica
A natureza da própria base ajuda a explicar por que números divulgados em momentos diferentes podem mudar.
A Plataforma +VIDA reúne painéis sobre acidentes, vítimas, mortes, infrações, fluxo viário e outros indicadores utilizados no acompanhamento da segurança no trânsito.
Além disso, o sistema recebe informações originadas em diferentes órgãos.
Consequentemente, uma nova ocorrência ou atualização de registro pode alterar o total disponível para consulta.
Por esse motivo, toda análise deve informar a data da consulta e o universo estatístico utilizado.
Esse cuidado também evita comparar números capturados em períodos distintos como se fossem necessariamente contraditórios.
O que a Semob ainda precisa esclarecer
O avanço do indicador para 39 mortes abre novas perguntas sobre o trânsito e sobre a implementação das políticas anunciadas pelo Município.
Entre os pontos que ainda precisam de resposta estão a distribuição atualizada das 39 vítimas por modal, a identificação dos registros que fizeram o total passar de 33 para 39 e o tempo médio entre uma ocorrência fatal e sua inclusão na +VIDA.
Além disso, é necessário acompanhar quais medidas do Plano de Segurança Viária já foram executadas, quais metas quantitativas o Município adotou para reduzir mortes e feridos e quais vias concentram as ocorrências mais recentes.
Outro ponto relevante envolve as intervenções de engenharia previstas nos locais considerados críticos.
Essas informações permitirão passar da simples contagem de vítimas para uma análise sobre como os dados orientam ações concretas.
Total municipal não deve ser somado automaticamente aos registros da PRF
Outra precaução continua válida.
O total de 39 utilizado nesta reportagem corresponde ao recorte municipal associado à Plataforma +VIDA após a última ocorrência.
Esse número não deve ser somado automaticamente a mortes registradas pela Polícia Rodoviária Federal em trechos sob jurisdição federal.
A investigação anterior do portal mostrou que uma soma sem conferência individual pode misturar universos estatísticos ou até produzir dupla contagem.
Portanto, o Maringá PR Notícias continuará tratando separadamente o recorte municipal, os registros federais e eventuais levantamentos ampliados.
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Fontes
Plataforma +VIDA / Prefeitura de Maringá — painel público utilizado no acompanhamento dos indicadores municipais de segurança viária.
Consultar a Plataforma +VIDA
Semob — balanço anterior de 38 mortes — levantamento divulgado em 29 de setembro apontou 24 motociclistas, dez pedestres, dois passageiros de motocicleta, um ciclista e um motorista entre as vítimas.
Atualização da 39ª morte — reportagens posteriores ao atropelamento de Katsuo Suzuki Kaetsu consultaram a +VIDA e apontaram 39 mortes no ano e sete em setembro.
Maringá PR Notícias — auditorias anteriores da +VIDA, investigação sobre os diferentes recortes estatísticos e acompanhamento do Plano de Segurança Viária.
Redação — Maringá PR Notícias
Dados atualizados até 1º de outubro de 2026. Como a Plataforma +VIDA é dinâmica, o total poderá mudar com a inclusão ou revisão de ocorrências.
