Política & Gestão Pública

Maringá prevê R$ 5,63 milhões em medicamentos; cinco itens concentram mais da metade do valor

Pregão eletrônico reúne 53 itens para abastecer a rede pública de saúde; metoprolol, gliclazida e metformina estão entre os maiores valores previstos, mas contratação ainda não representa gasto realizado

MARINGÁ — A Prefeitura de Maringá prevê até R$ 5.632.280,58 para a aquisição de medicamentos destinados ao abastecimento da rede municipal de saúde. O Pregão Eletrônico nº 399/2026 reúne 53 itens e tem encerramento do prazo para apresentação de propostas previsto para esta sexta-feira (9), às 8h30. Uma análise do Maringá PR Notícias identificou que apenas cinco itens concentram aproximadamente 53,1% do valor total estimado da contratação.

Entre os medicamentos com maiores valores aparecem o metoprolol, utilizado em tratamentos cardiovasculares, a gliclazida e a metformina, relacionadas ao controle do diabetes, além da sinvastatina e do ibuprofeno.

A Secretaria Municipal de Saúde solicitou o registro de preços para atender às necessidades da rede pública. Entretanto, os R$ 5,63 milhões representam uma estimativa máxima, e não uma despesa já realizada.

Além disso, o procedimento não confirma, por si só, que existam medicamentos em falta nas farmácias municipais.

Consulte o Pregão Eletrônico 399/2026 no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP).

Cinco medicamentos concentram quase R$ 3 milhões

O levantamento dos valores registrados para cada item permite identificar onde se concentra a maior parte da estimativa financeira.

O metoprolol succinato de 50 mg apresenta o maior valor total, com R$ 1.094.238,70 previstos para 2.453.450 comprimidos.

Em seguida, aparece a gliclazida de 30 mg, com 5.535.050 comprimidos e valor estimado de R$ 630.995,70.

A metformina de 850 mg ocupa a terceira posição, com previsão de 4.004.140 comprimidos e R$ 488.505,08.

Confira os cinco maiores valores:

MedicamentoQuantidade previstaValor estimado
Metoprolol 50 mg2.453.450R$ 1.094.238,70
Gliclazida 30 mg5.535.050R$ 630.995,70
Metformina 850 mg4.004.140R$ 488.505,08
Sinvastatina 40 mg3.595.800R$ 431.496,00
Ibuprofeno 600 mg2.431.700R$ 347.733,10
Total dos cinco itens—R$ 2.992.968,58

Fonte: relação pública dos itens vinculados ao Pregão Eletrônico 399/2026, conforme dados divulgados no PNCP.

ANÁLISE MARINGÁ PR NOTÍCIAS — Os cinco itens somam aproximadamente R$ 2,99 milhões, equivalentes a 53,1% do valor máximo estimado para toda a licitação.

Portanto, mais da metade da estimativa financeira está concentrada em uma parcela pequena dos 53 itens.

Essa concentração não demonstra irregularidade. Entretanto, evidencia quais medicamentos merecem acompanhamento prioritário durante a disputa e as futuras compras.

Tratamentos de doenças crônicas têm peso importante na contratação

A relação de medicamentos contempla produtos utilizados em diferentes tipos de tratamento.

O metoprolol, por exemplo, possui aplicações em determinadas doenças cardiovasculares. Já a gliclazida e a metformina são utilizadas no tratamento do diabetes tipo 2, conforme indicação clínica.

Enquanto isso, a sinvastatina participa do controle de alterações nos níveis de colesterol, e o ibuprofeno possui ação analgésica e anti-inflamatória.

Além dos cinco maiores valores, a contratação prevê outros medicamentos utilizados em cuidados contínuos e atendimentos específicos.

Entre eles aparecem enalapril, diazepam, imipramina, nortriptilina, prednisona e diferentes apresentações de sinvastatina.

O edital também reúne soluções injetáveis, produtos oftálmicos e outras apresentações farmacêuticas.

Dessa forma, a lista abrange diferentes necessidades assistenciais da rede municipal.

É importante observar que os 53 itens não representam necessariamente 53 princípios ativos distintos. Isso ocorre porque um mesmo medicamento pode aparecer em apresentações ou dosagens diferentes.

Gliclazida tem previsão de mais de 5,5 milhões de comprimidos

Outro ponto relevante envolve as quantidades previstas.

A gliclazida de 30 mg apresenta uma das maiores demandas registradas, com 5.535.050 comprimidos.

Além disso, a sinvastatina de 20 mg aparece com 4.053.680 unidades, enquanto a metformina de 850 mg reúne 4.004.140 comprimidos.

Esses quantitativos indicam o volume previsto para eventual aquisição, conforme as regras do registro de preços.

Entretanto, não significam que todos os medicamentos serão comprados de uma só vez.

Também não permitem determinar quantos pacientes receberão os produtos, uma vez que a quantidade utilizada varia conforme o medicamento, a prescrição e o período de tratamento.

Para avaliar a relação entre as quantidades previstas e a necessidade efetiva da população, seria necessário confrontar a licitação com o consumo histórico e os estoques da Secretaria Municipal de Saúde.

Como funciona o registro de preços de R$ 5,63 milhões?

O Município utiliza o sistema de registro de preços, previsto na legislação federal de licitações.

Nesse modelo, a administração realiza uma disputa para selecionar fornecedores e registrar os preços dos produtos.

Posteriormente, poderá efetuar aquisições conforme suas necessidades e as condições estabelecidas no procedimento.

Por isso, a existência de uma ata não significa, automaticamente, que a Prefeitura comprará toda a quantidade prevista.

Além disso, os preços finais poderão ser inferiores aos valores estimados, dependendo do resultado da disputa.

O acompanhamento financeiro deverá distinguir quatro etapas: o valor estimado, o preço efetivamente registrado, os pedidos realizados e os pagamentos efetuados.

Consequentemente, apenas a análise dos documentos posteriores permitirá saber quanto o Município realmente gastou.

Prefeitura abriu outro pregão de medicamentos em setembro

A contratação atual não é a primeira licitação recente da Secretaria Municipal de Saúde com essa finalidade.

Em setembro, o Maringá PR Notícias publicou uma reportagem sobre o Pregão Eletrônico nº 375/2026, estimado em R$ 5.439.269,33.

Aquele procedimento reunia 45 itens, com disputa prevista para 22 de setembro.

Relembre a reportagem sobre o pregão anterior de R$ 5,44 milhões para medicamentos.

Embora os dois processos tenham a mesma finalidade geral de abastecer a rede municipal, eles possuem identificações administrativas distintas.

O novo procedimento é o Pregão 399/2026, enquanto o anterior recebeu o número 375/2026.

Além disso, as quantidades de itens e os valores estimados são diferentes.

Portanto, não se trata da republicação identificada de um mesmo pregão.

Entretanto, a simples existência de duas licitações não permite concluir que houve duplicação indevida de compras.

Para essa avaliação, seria necessário comparar os produtos, as quantidades, as justificativas administrativas e os contratos decorrentes de cada procedimento.

Licitação não comprova falta de medicamentos nas UBSs

O objeto da contratação informa que os produtos são necessários ao abastecimento da rede pública municipal.

No entanto, essa justificativa não demonstra que os medicamentos relacionados estejam atualmente indisponíveis para os usuários do SUS.

As licitações podem atender à reposição de estoques, ao consumo previsto ou a outras necessidades de planejamento da assistência farmacêutica.

Além disso, nem todos os produtos necessariamente terão a mesma destinação. A lista contempla medicamentos orais, injetáveis e outras apresentações.

Portanto, não é correto afirmar que os 53 itens serão distribuídos diretamente nas farmácias das Unidades Básicas de Saúde.

O detalhamento dos locais de distribuição e das quantidades destinadas a cada serviço não foi confirmado nos registros consultados.

Para identificar eventuais faltas, seria necessário examinar os estoques, o consumo e os registros de indisponibilidade dos medicamentos.

Quando acontece a disputa?

A Prefeitura divulgou a contratação no Portal Nacional de Contratações Públicas em 24 de setembro de 2026.

O cronograma cadastrado prevê o encerramento do recebimento de propostas nesta sexta-feira (9), às 8h30, no horário de Brasília.

A disputa utiliza a modalidade de pregão eletrônico, com modo aberto.

Os dados do processo são:

  • Pregão eletrônico: 399/2026.
  • Processo administrativo: 130546/2026.77.
  • Valor máximo estimado: R$ 5.632.280,58.
  • Quantidade de itens: 53.
  • Encerramento previsto das propostas: 9 de outubro de 2026, às 8h30.
  • Unidade compradora: Prefeitura Municipal de Maringá.
  • Órgão solicitante: Secretaria Municipal de Saúde.
  • Controle PNCP: 76282656000106-1-000816/2026.

Acompanhe a contratação no Compras.gov.br.

A reportagem não identificou, até o fechamento desta apuração, um resultado homologado para o novo pregão.

O que precisa ser fiscalizado depois da licitação?

O encerramento do prazo de propostas representa apenas uma etapa do procedimento.

Depois disso, será necessário verificar quais empresas venceram cada item e quais preços foram registrados.

Além disso, o Maringá PR Notícias acompanhará se todos os medicamentos receberam propostas válidas ou se algum item terminou sem contratação.

Outra questão envolve a efetiva entrega dos produtos.

A fiscalização deverá identificar quanto foi solicitado, quais quantidades chegaram à rede pública e quais valores foram pagos aos fornecedores.

Também será importante comparar as aquisições com os estoques e as necessidades dos serviços de saúde.

Esses documentos permitirão avaliar os resultados concretos da contratação, sem confundir planejamento, seleção de fornecedores e fornecimento efetivo.

Transparência da apuração

O Maringá PR Notícias consultou o registro do Pregão Eletrônico 399/2026, a relação pública dos 53 itens, os quantitativos e os valores estimados vinculados à contratação.

Além disso, a Redação comparou a identificação do novo processo com o Pregão 375/2026, noticiado anteriormente pelo portal.

O percentual de 53,1% é um cálculo editorial realizado com os valores totais dos cinco maiores itens e a estimativa global da licitação.

A íntegra do PDF do edital não pôde ser examinada nesta etapa. Por isso, a reportagem não apresenta como confirmados os prazos contratuais de entrega ou outras exigências específicas de fornecimento.

Também não foram localizados dados consolidados que permitam afirmar a existência de desabastecimento na rede municipal.

O portal continuará acompanhando a contratação para identificar fornecedores, preços finais, documentos de aquisição e pagamentos efetivamente realizados.

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Fontes

Redação — Maringá PR Notícias

Apuração documental realizada na madrugada de 9 de outubro de 2026. Os valores apresentados são estimativas da contratação e não representam despesas já realizadas.

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