Mobilidade

Contorno Sul de Maringá deve começar pelo trevo da PR-317; veja valores, prazos e impactos

Prefeito Silvio Barros aponta a ligação com a PR-317 como primeira frente da duplicação. Projeto anunciado em R$ 450 milhões já tem ordem de serviço, mas execução física, pagamentos, desapropriações e desvios ainda exigem acompanhamento.

MARINGÁ (PR) — As obras de restauração e duplicação do Contorno Sul de Maringá, na Avenida Prefeito Sincler Sambatti, deverão começar pelo trevo de ligação com a PR-317, na saída para o aeroporto. O prefeito Silvio Barros anunciou a definição em declaração divulgada pela imprensa local em 27 de outubro de 2026.

Segundo o prefeito, a escolha do trecho resulta de um entendimento entre a administração municipal, o Governo do Paraná e o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-PR). A prioridade permitirá avançar na elaboração do projeto executivo de uma das principais conexões rodoviárias de Maringá.

Entretanto, a definição do ponto inicial não significa que a construção física do trevo já começou.

As equipes técnicas da empresa responsável realizam sondagens do terreno e medições de tráfego. Esses levantamentos são necessários para concluir os projetos e organizar as intervenções.

A ordem de serviço do empreendimento foi assinada em 16 de setembro de 2026. Portanto, a obra já possui autorização administrativa, mas isso não significa que todas as etapas construtivas estejam em andamento.

Quanto vai custar a duplicação do Contorno Sul?

O Governo do Paraná anunciou investimento de aproximadamente R$ 450 milhões para restaurar e duplicar cerca de 11,8 quilômetros da Avenida Prefeito Sincler Sambatti, entre a PR-317 e a BR-376.

Contudo, os documentos da licitação apresentam valores distintos, correspondentes a diferentes fases do processo.

A Concorrência Eletrônica Integrada nº 001/2026 estabeleceu inicialmente orçamento estimado de R$ 449.551.145,88.

Após questionamentos e ajustes técnicos, a Prefeitura publicou uma errata que reduziu o orçamento estimado para R$ 449.450.163,01, diferença de R$ 100.982,87.

A atualização foi divulgada durante a retomada do procedimento licitatório, em julho de 2026.

Posteriormente, o Consórcio Novo Contorno Sul de Maringá, formado pelas empresas Tripoloni e HDO Engenharia, venceu a concorrência com proposta de aproximadamente R$ 442,9 milhões.

Assim, é necessário distinguir três referências financeiras:

  • R$ 450 milhões: investimento global anunciado pelo Governo do Paraná.
  • R$ 449.450.163,01: orçamento estimado após a retificação divulgada pela Prefeitura.
  • R$ 442,9 milhões: valor aproximado da proposta vencedora.

Esses números não representam investimentos independentes e não devem ser somados.

Além disso, o valor final efetivamente desembolsado dependerá da execução contratual, das medições, dos pagamentos e de eventuais alterações formalmente autorizadas.

Qual é o prazo para execução das obras?

O edital estabelece um prazo total de execução de 1.080 dias, distribuído em duas etapas.

A primeira prevê 150 dias para elaboração dos projetos básico e executivo, levantamentos, estudos e providências técnicas.

A segunda corresponde a 930 dias para a execução das intervenções físicas.

Entretanto, existe uma diferença importante entre prazo de execução e vigência contratual.

Enquanto a execução está prevista para 1.080 dias, a vigência inicialmente estabelecida para o contrato é de 1.260 dias, equivalentes a 42 meses.

A vigência representa o período jurídico-administrativo previsto para o contrato. Por sua vez, o prazo de execução corresponde ao período estabelecido para a realização dos serviços.

Esses prazos seguem as condições de contagem previstas nos documentos contratuais e nas respectivas ordens de serviço.

Portanto, não é correto estabelecer uma data definitiva de conclusão apenas somando 1.080 dias à data da assinatura da ordem de serviço.

Quando as máquinas começarão a trabalhar no trevo da PR-317?

Uma previsão divulgada em outubro aponta fevereiro de 2027 para o início da etapa construtiva.

Contudo, essa estimativa ainda não equivale a um calendário definitivo de mobilização de máquinas, interdições ou terraplenagem no trevo.

A definição dependerá da conclusão dos projetos, das aprovações necessárias e da solução de interferências existentes no local.

Por enquanto, o fato confirmado é que a administração municipal indicou a ligação com a PR-317 como prioridade para o início das intervenções.

A população deverá acompanhar os próximos comunicados da Prefeitura e dos órgãos rodoviários para conhecer as datas efetivas.

Primeira medição e pagamento: o que já foi informado?

A situação financeira do empreendimento também exige atenção.

Em entrevista à CBN Maringá, divulgada em 22 de outubro, Silvio Barros informou que a primeira medição dos serviços de elaboração de projetos havia sido realizada e que o pagamento estava previsto para a semana seguinte.

Posteriormente, uma notícia publicada pelo Pinga Fogo Notícias informou que a Prefeitura havia assegurado a primeira medição e o pagamento inicial do convênio.

As declarações indicam avanço administrativo e financeiro. Entretanto, não comprovam, isoladamente, que o consórcio construtor já recebeu o dinheiro.

Isso porque a medição dos serviços, o repasse de recursos do convênio e o pagamento à empresa contratada são procedimentos distintos.

Para confirmar a situação, ainda será necessário consultar os registros de empenho, liquidação e pagamento, além dos documentos de transferência dos recursos estaduais.

Também é importante identificar o valor da primeira medição, os serviços efetivamente medidos e o beneficiário do pagamento.

Até a obtenção desses documentos, não é possível afirmar que houve pagamento definitivo à construtora.

Redes elétricas estão entre os desafios técnicos

Antes do avanço das obras físicas, a Prefeitura precisa solucionar interferências de infraestrutura ao longo do trajeto.

Entre os principais desafios estão as redes de energia elétrica, os acessos existentes, os cruzamentos e os retornos utilizados pelos motoristas.

Em outubro, representantes municipais e empresas do setor elétrico participaram de discussões técnicas sobre as adequações necessárias.

O prefeito também mencionou alinhamentos com concessionárias para organizar o remanejamento das redes.

Além disso, a administração municipal criou a Unidade de Gestão de Projetos e Obras (UGPO) Avenida Sincler Sambatti, vinculada à Secretaria de Obras Públicas.

A estrutura foi concebida para acompanhar o planejamento e a execução do empreendimento.

Essas medidas são importantes porque alterações em redes de energia, drenagem e acessos podem influenciar o cronograma de determinadas frentes de serviço.

O que está previsto para o novo Contorno Sul?

O projeto anunciado pelo Governo do Paraná contempla a restauração e duplicação de aproximadamente 11,8 quilômetros.

Entre as intervenções previstas estão:

  • 17 viadutos;
  • Uma nova ponte;
  • Passarelas para pedestres;
  • Ciclovias;
  • Vias marginais;
  • Readequação de acessos e cruzamentos;
  • Melhorias nos sistemas de drenagem;
  • Nova sinalização e iluminação;
  • Recuperação do pavimento com aplicação de concreto.

O projeto utiliza a técnica conhecida como whitetopping, que consiste na aplicação de uma camada estrutural de concreto sobre a base do pavimento asfáltico existente, conforme as condições técnicas previstas.

A solução busca ampliar a durabilidade da pista e melhorar sua capacidade de suportar o tráfego pesado.

Além disso, o conjunto de viadutos e acessos deverá reorganizar a circulação entre bairros, empresas e rodovias que se conectam ao Contorno Sul.

Como a duplicação poderá afetar motoristas e moradores?

O Contorno Sul é uma ligação estratégica entre a BR-376 e a PR-317.

Além de atender moradores de Maringá, a avenida recebe veículos de cidades como Sarandi, Paiçandu e Marialva.

Caminhões que transportam mercadorias e produtos agrícolas também utilizam o corredor.

Por isso, a duplicação poderá beneficiar o transporte regional e reduzir conflitos entre veículos pesados e o tráfego urbano.

Entretanto, os benefícios esperados dependerão da conclusão das intervenções e de seus resultados efetivos.

Durante a construção, motoristas poderão enfrentar alterações temporárias de circulação.

Essas mudanças, porém, ainda precisam ser detalhadas em um plano oficial de sinalização e desvios.

Desapropriações: quais imóveis poderão ser atingidos?

A execução do novo traçado poderá exigir intervenções em áreas próximas à avenida.

Entretanto, a reportagem ainda não obteve uma relação oficial definitiva dos imóveis eventualmente sujeitos a desapropriação.

Também não foram confirmados valores individualizados de indenização ou um calendário completo de notificações.

A ausência dessas informações na apuração não significa que não existam estudos ou documentos administrativos sobre o assunto.

Por isso, será necessário consultar o projeto executivo, os levantamentos topográficos e os eventuais atos de declaração de utilidade pública.

Moradores e comerciantes devem considerar apenas comunicações oficiais antes de concluir que determinado imóvel será atingido.

Haverá bloqueios e desvios no trânsito?

A escolha do trevo da PR-317 como primeira frente torna especialmente importante a definição das rotas alternativas.

O local recebe veículos que utilizam a ligação com o aeroporto e outras regiões da cidade.

Entretanto, até esta apuração, não foi confirmado um calendário oficial completo de interdições relacionadas ao início da construção no trevo.

Também não há confirmação documental de trajetos específicos para os desvios.

Assim, não é possível anunciar datas de bloqueio ou orientar motoristas a utilizar rotas alternativas ainda não oficialmente estabelecidas.

Antes das intervenções, será necessário esclarecer como funcionarão os acessos às empresas, aos bairros e às vias de ligação.

E os R$ 103 milhões mencionados no orçamento de 2027?

O financiamento da duplicação também envolve uma questão já investigada pelo Maringá PR Notícias.

Em setembro, documentos relacionados à proposta orçamentária de 2027 mencionaram aproximadamente R$ 103 milhões como contrapartida municipal para o Contorno Sul.

Entretanto, o edital da obra identifica recursos estaduais vinculados ao Convênio SEIL nº 096/2025 e à Fonte 1397.

Essa diferença exige esclarecimento contábil.

A presença de uma despesa no orçamento municipal não significa necessariamente que o dinheiro tenha origem nos recursos próprios da Prefeitura.

Valores transferidos pelo Estado também podem integrar a receita e a despesa do Município.

Portanto, ainda é necessário identificar se os R$ 103 milhões representam recursos municipais, transferências estaduais previstas para 2027 ou uma composição de diferentes fontes.

Sem a documentação financeira consolidada, não é possível concluir que haverá desembolso desse montante pelo Tesouro Municipal.

Fiscalização: o que ainda precisa ser esclarecido?

Apesar do anúncio sobre o início pelo trevo da PR-317, o acompanhamento da obra exige transparência sobre contratos, recursos e cronograma.

Entre os documentos que precisam ser conferidos estão o contrato consolidado e seus anexos, a versão atualizada do projeto, as medições dos serviços e os registros de pagamentos.

Também será necessário verificar a situação das aprovações técnicas, das desapropriações, das interferências elétricas e do planejamento de desvios.

Outro ponto importante é a identificação das responsabilidades do Município, do DER-PR, das concessionárias e do consórcio executor.

O Maringá PR Notícias também considera necessária a atualização da situação dos questionamentos relacionados à licitação perante o Tribunal de Contas do Estado do Paraná.

A existência de questionamentos técnicos não representa, por si só, comprovação de irregularidade, superfaturamento ou responsabilidade de empresas e agentes públicos.

Qualquer conclusão dessa natureza dependerá de documentação, análise dos órgãos competentes e respeito ao contraditório.

Contorno Sul urbano não é a mesma obra do Contorno Sul Metropolitano

Uma distinção importante para os leitores é que a duplicação da Avenida Prefeito Sincler Sambatti não corresponde ao projeto federal do Contorno Sul Metropolitano.

O empreendimento urbano envolve aproximadamente 11,8 quilômetros e recursos anunciados pelo Governo do Paraná.

Já o Contorno Sul Metropolitano constitui outra intervenção rodoviária, com contratação e acompanhamento federais.

Embora os dois projetos tenham objetivos relacionados à mobilidade regional, seus contratos, fontes de financiamento e cronogramas não devem ser confundidos.

O que acontece agora?

A prioridade anunciada para o trevo da PR-317 representa uma nova etapa no planejamento da duplicação.

O próximo avanço dependerá da conclusão dos projetos e da definição das condições necessárias para iniciar a construção física.

Enquanto isso, a população deverá acompanhar a divulgação dos cronogramas, das interdições e dos documentos financeiros.

O Maringá PR Notícias continuará fiscalizando os valores anunciados, a execução contratual e os impactos das intervenções para motoristas, comerciantes e moradores.

A reportagem poderá receber novas atualizações conforme a Prefeitura, o Governo do Paraná, o DER-PR e o consórcio responsável disponibilizarem informações complementares.

Leia também

Fontes e documentos consultados

Fontes institucionais e referências documentais:

Cobertura complementar:


Redação Maringá PR Notícias

Atualizado em 28 de outubro de 2026.

Transparência editorial: a reportagem diferencia investimento anunciado, orçamento retificado, proposta vencedora, medições e pagamentos. Permanecem pendentes a conferência integral do contrato atualizado, dos comprovantes financeiros, do cronograma executivo, dos documentos de desapropriação e das manifestações específicas dos responsáveis. As informações sobre pagamentos são atribuídas às declarações públicas disponíveis, sem comprovação independente de transferência à construtora. Não houve solicitação formal de posicionamento durante esta revisão.

Imagem de destaque: ilustração gerada por inteligência artificial, sem valor de registro fotográfico do trevo ou de comprovação da execução física das obras.

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