História do espaço passa pela Cerealista Tamandaré e acompanha diferentes fases do desenvolvimento de Maringá; desde 2009, o antigo complexo abriga gastronomia, comércio e lazer
Quem entra hoje no Mercadão de Maringá encontra restaurantes, empórios, lojas e diferentes experiências gastronômicas. Entretanto, os galpões guardam uma história muito anterior às mesas, vitrines e encontros que movimentam o espaço atualmente.
A origem dessa história passa pela Cerealista Tamandaré e pela família Tozzo, que participou do desenvolvimento comercial de Maringá durante as primeiras décadas da cidade.
O Mercadão de Maringá informa que o espaço preserva a memória de um antigo armazém cerealista construído em 1958, onde a família Tozzo estocava e comercializava produtos secos e molhados.
Outras fontes históricas ajudam a ampliar essa linha do tempo. O Maringá Histórica registra que Gomercindo Antonio Tozzo criou a Cerealista Tamandaré em 1953. Posteriormente, a empresa ampliou sua presença na região onde hoje encontramos o Mercadão.
Décadas depois, uma nova atividade ocupou os antigos galpões.
Em outubro de 2009, o Mercadão abriu as portas e iniciou outro capítulo da história daquele endereço.
Resumo do que você vai encontrar
- quem criou a Cerealista Tamandaré;
- o que existia antes do Mercadão;
- por que as datas de 1953, 1958 e 1964 aparecem na história;
- como funcionava a atividade cerealista;
- quando nasceu o atual Mercadão;
- como o espaço ganhou vocação gastronômica;
- o que o prédio revela sobre o crescimento de Maringá;
- onde encontrar o Mercadão atualmente.
A história começa antes do Mercadão
Para entender o atual Mercadão, precisamos voltar às primeiras décadas de Maringá.
O acervo Maringá Histórica informa que Gomercindo Antonio Tozzo criou a Cerealista Tamandaré em 1953, depois que sua família chegou a Maringá.
Na época, a agricultura impulsionava fortemente a economia regional. Consequentemente, empresas ligadas à compra, armazenamento e comercialização da produção agrícola encontraram espaço para crescer.
A Cerealista Tamandaré fez parte desse período.
Por outro lado, o site oficial do Mercadão destaca 1958 como o ano de construção do antigo barracão cerealista associado à família Tozzo.
Assim, as datas contam acontecimentos diferentes dentro de uma trajetória maior: a atividade empresarial começou nos anos 1950 e passou por mudanças e ampliações conforme Maringá crescia.
VOCÊ SABIA?
O Mercadão não nasceu originalmente como centro gastronômico. A história do local está ligada à atividade cerealista e ao comércio de produtos em uma Maringá que ainda consolidava sua economia e sua estrutura urbana.
1953, 1958 ou 1964? Entenda as datas
Ao pesquisar a história do Mercadão, o leitor pode encontrar diferentes anos. Entretanto, eles não precisam representar necessariamente uma contradição.
1953 marca a criação da Cerealista Tamandaré, segundo o Maringá Histórica.
1958 aparece na história apresentada pelo Mercadão como o ano de construção do antigo barracão cerealista.
Já 1964 marca outro momento relevante.
Segundo o Maringá Histórica, a Companhia Melhoramentos Norte do Paraná loteou terrenos próximos ao pátio ferroviário naquele período. Em novembro daquele ano, Gomercindo Tozzo adquiriu uma área superior a 14 mil metros quadrados e a Cerealista Tamandaré ampliou suas atividades na região.
Portanto, cada data ajuda a explicar uma etapa da trajetória empresarial e urbana ligada ao local.
O crescimento de Maringá mudou aquela região
A localização também ajuda a entender essa história.
O desenvolvimento urbano aproximou empresas e atividades comerciais da área ferroviária. Naquele período, os trilhos exerciam papel estratégico na circulação da produção regional.
Por isso, a região próxima ao pátio ferroviário atraiu diferentes empresas.
Ao mesmo tempo, Maringá expandia bairros, comércio, serviços e infraestrutura.
Nesse contexto, a Cerealista Tamandaré ampliou suas atividades e acompanhou uma fase de rápido desenvolvimento econômico da cidade.
Uma pesquisa acadêmica da Universidade Estadual de Maringá também relaciona o atual Mercadão ao antigo complexo cerealista e analisa sua inserção no espaço urbano.
Os galpões atravessaram décadas
Durante décadas, a atividade cerealista ocupou aquele espaço.
Segundo o Maringá Histórica, a Cerealista Tamandaré encerrou as atividades no final de 2008, depois de 56 anos de atuação.
A partir daí, os antigos galpões começaram a receber uma nova proposta.
Em vez de eliminar completamente a memória da estrutura, o novo projeto aproveitou características do antigo complexo e mudou sua função.
Assim, o endereço entrou em outra fase.
2009 marca o nascimento do Mercadão
Em outubro de 2009, o Mercadão de Maringá abriu as portas.
O site oficial do empreendimento confirma a data e informa que o espaço passou a funcionar como local de compras e lazer.
Além disso, um estudo da Universidade Estadual de Maringá registra que o complexo alcançou aproximadamente 7 mil metros quadrados depois das obras de reforma e ampliação.
A transformação mudou completamente a experiência oferecida naquele endereço.
Antes, a atividade principal envolvia armazenamento e comércio de produtos. Hoje, gastronomia, convivência e comércio especializado movimentam os corredores.
A gastronomia ganhou protagonismo
Com o passar dos anos, o Mercadão fortaleceu sua vocação gastronômica.
Atualmente, o site do Mercadão de Maringá apresenta operações de diferentes segmentos, incluindo restaurantes, empórios e lojas especializadas.
Curiosamente, existe um elo entre o antigo e o novo uso.
No passado, produtos alimentícios e mercadorias movimentavam a atividade comercial. Atualmente, alimentos e bebidas continuam ocupando posição central, embora dentro de uma proposta totalmente diferente.
Dessa forma, o endereço mudou de função sem perder completamente sua ligação histórica com o comércio de alimentos.
DICA DO EDITOR
Na próxima visita, observe também a construção. Os galpões ajudam a contar uma história que começou muito antes da fase gastronômica do Mercadão.
O prédio ajuda a contar a história da cidade
Quando pensamos em patrimônio e memória, monumentos e prédios públicos costumam aparecer primeiro.
Entretanto, antigas estruturas comerciais também contam histórias.
Elas revelam como uma cidade produzia, armazenava mercadorias, negociava e organizava sua economia.
No caso do Mercadão, a estrutura conecta dois períodos bastante diferentes de Maringá.
De um lado, encontramos a cidade fortemente ligada à agricultura e à atividade cerealista. Do outro, vemos uma Maringá voltada também para serviços, gastronomia, lazer e turismo.
Por isso, o Mercadão oferece mais do que uma experiência comercial. O espaço permite observar uma transformação urbana.
Por que aparece o nome “Mercado Municipal”?
Outra curiosidade envolve o nome.
Apesar da expressão Mercado Municipal de Maringá, o empreendimento tem natureza privada.
A pesquisa acadêmica da UEM registra que a Prefeitura autorizou o uso do termo “municipal” no nome da organização.
Portanto, o nome não significa que o Mercadão funcione como um mercado público municipal tradicional.
Essa diferença ajuda a compreender corretamente a identidade atual do espaço.
Mercadão também ganhou espaço no turismo
A transformação dos antigos galpões ampliou a função do endereço.
Além de atender moradores, o Mercadão passou a integrar referências turísticas de Maringá.
A pesquisa da UEM registra a presença do espaço no Guia Turístico de Maringá de 2020.
Enquanto isso, gastronomia, comércio e lazer ajudaram a consolidar o local como ponto de encontro.
Assim, um endereço que nasceu ligado à atividade econômica das primeiras décadas da cidade ganhou uma nova relação com moradores e visitantes.
Mercadão em datas
LINHA DO TEMPO
1953 — Gomercindo Antonio Tozzo cria a Cerealista Tamandaré, segundo o acervo Maringá Histórica.
1958 — o Mercadão aponta esse ano como a data de construção do antigo barracão cerealista associado à família Tozzo.
1964 — Gomercindo Tozzo adquire uma grande área próxima ao pátio ferroviário e a Cerealista Tamandaré amplia suas atividades na região, conforme o Maringá Histórica.
2008 — a Cerealista Tamandaré encerra suas atividades.
Outubro de 2009 — o Mercadão de Maringá inicia suas atividades.
A partir de 2011 — o próprio empreendimento aponta um período de transformação e consolidação.
Hoje — gastronomia, comércio e lazer ocupam os antigos espaços ligados à atividade cerealista.
Onde fica o Mercadão?
O Mercadão fica na:
Avenida Prudente de Morais, 601 — Zona 7 — Maringá (PR).
Quem pretende visitar pode consultar informações atualizadas sobre estabelecimentos e funcionamento diretamente no site oficial do Mercadão de Maringá.
Como diferentes operações podem adotar horários próprios, vale verificar o estabelecimento desejado antes da visita.
Na próxima visita, olhe para cima
Quem frequenta o Mercadão talvez conheça bem os restaurantes, vitrines e corredores.
Entretanto, a próxima visita pode oferecer uma experiência diferente.
Observe a dimensão dos galpões, a cobertura e os elementos estruturais.
Depois, tente imaginar a mesma região quando empresas cerealistas movimentavam produtos ligados à agricultura e a ferrovia ainda exercia papel decisivo na dinâmica econômica da cidade.
Esse exercício transforma um passeio cotidiano em contato com a memória urbana.
Você Conhece Maringá?
A série Você Conhece Maringá?, do Maringá PR Notícias, apresenta histórias, bairros, avenidas, espaços, personagens e curiosidades que ajudam a explicar a formação da cidade.
No caso do Mercadão, a história mostra como Maringá reaproveitou um espaço ligado a outra fase de sua economia.
Primeiro, a atividade cerealista marcou aquele endereço. Depois, a cidade mudou, os galpões ganharam outra função e a gastronomia passou a movimentar o local.
Ainda assim, conhecer o que existia ali permite enxergar o Mercadão de outra maneira.
Mais do que conhecer um endereço, conhecer Maringá é descobrir as histórias que permanecem nos lugares por onde passamos todos os dias.
Fontes consultadas
Para reconstruir essa história, a reportagem consultou a história oficial apresentada pelo Mercadão de Maringá, o acervo Maringá Histórica sobre a família Tozzo e a Cerealista Tamandaré e uma pesquisa acadêmica da Universidade Estadual de Maringá.
As fontes apresentam diferenças na cronologia de alguns elementos da história. Por isso, a reportagem separou os acontecimentos e atribuiu cada informação à respectiva referência, em vez de tratar datas distintas como um único fato.
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