Projeto-piloto foi autorizado em três trechos da Rodovia do Café, todos fora do perímetro urbano maringaense; durante a fase experimental, velocidade média não poderá gerar multa sozinha
MARINGÁ — Maringá não aparece entre os trechos da BR-376 autorizados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para testar o novo sistema de controle de velocidade média. A Decisão SUROD nº 1.339/2026 determina três segmentos para o projeto-piloto no Paraná, e nenhum deles fica no município.
A ANTT autorizou testes entre os km 304 e 309, km 430 e 435 e km 441 e 446 da BR-376.
Por outro lado, o trecho urbano da rodovia em Maringá passa pela região dos km 180 e 181.
Assim, existe uma diferença superior a 120 quilômetros entre o perímetro urbano maringaense e o primeiro trecho experimental, que começa no km 304.
Leia a Decisão SUROD nº 1.339/2026 da ANTT
O que a ANTT autorizou
A decisão oficial permite que a concessionária PRVias implante o sistema em caráter provisório, técnico e experimental.
Além disso, a agência estabeleceu período de 180 dias, contado a partir do início efetivo do monitoramento.
Durante esse prazo, a ANTT pretende avaliar fatores como viabilidade, confiabilidade, desempenho e aplicabilidade da tecnologia.
A agência poderá ampliar o período de testes ou encerrar a experiência antes do prazo, conforme os resultados.
Portanto, a autorização não representa adoção definitiva do novo modelo de fiscalização.
Velocidade média não poderá gerar multa sozinha
Esse é um dos pontos mais importantes para os motoristas.
A decisão da ANTT determina que, durante o projeto-piloto, a concessionária não poderá aplicar autuação ou penalidade baseada exclusivamente na velocidade média calculada.
Assim, nesta fase experimental, o motorista não receberá multa apenas porque o sistema identificou média superior ao limite da rodovia.
No entanto, isso não interfere nos radares convencionais já existentes.
Esses equipamentos continuam medindo a velocidade instantânea do veículo e seguem sujeitos às regras normais de fiscalização.
Como funciona o radar de velocidade média
O funcionamento difere do radar tradicional.
No equipamento convencional, o sistema mede a velocidade do veículo no momento em que ele passa por determinado ponto.
Já o controle por velocidade média acompanha o tempo necessário para o veículo percorrer uma distância conhecida entre dois pontos.
Por exemplo, em um trecho de 5 quilômetros com limite de 80 km/h, um veículo que mantenha exatamente essa média precisaria percorrer a distância em aproximadamente 3 minutos e 45 segundos.
Caso complete o trajeto em tempo significativamente menor, o sistema consegue calcular uma média superior ao limite.
Dessa forma, a tecnologia permite analisar o comportamento do veículo durante um percurso, em vez de observar somente a velocidade diante de um radar isolado.
Onde ficam os trechos experimentais da BR-376
As referências de quilometragem também afastam a possibilidade de algum dos testes ocorrer dentro de Maringá.
Informações operacionais da concessionária situam os km 293 a 320 da BR-376 na região entre Mauá da Serra e Ortigueira.
Enquanto isso, os trechos na faixa dos km 430 e 440 ficam mais ao sul da rodovia, na região de Tibagi e em direção a Ponta Grossa.
Já Maringá aparece na faixa dos km 180 e 181 da BR-376.
Por isso, os três segmentos autorizados pela ANTT estão fora do perímetro urbano maringaense.
Paraná terá testes em outras rodovias
A ANTT publicou outra decisão no mesmo período para a concessionária EPR Paraná.
A Decisão SUROD nº 1.348/2026 autoriza testes de velocidade média na PR-444, entre os km 17 e 24, e na PR-862, entre os km 2 e 10.
Assim como ocorre na BR-376, o prazo experimental será de 180 dias.
Novamente, Maringá não aparece entre os trechos autorizados.
Materiais operacionais da concessionária relacionam a faixa escolhida da PR-444 à região de Arapongas, Apucarana e Mandaguari.
Leia a Decisão SUROD nº 1.348/2026 da ANTT
Concessionárias terão que prestar contas dos resultados
A ANTT também determinou acompanhamento técnico dos testes.
No caso da BR-376, a PRVias deverá encaminhar relatórios mensais à Superintendência de Infraestrutura Rodoviária da agência.
Esses documentos deverão mostrar o funcionamento dos equipamentos, os resultados obtidos e outros indicadores relacionados ao projeto.
Além disso, a concessionária deverá seguir as condições técnicas e operacionais definidas pela ANTT.
Dessa maneira, a agência terá dados para avaliar se o modelo merece novas etapas ou eventual ampliação.
Maringá já tem radares na BR-376
Embora Maringá não participe desse projeto experimental, a cidade já possui fiscalização eletrônica em diferentes pontos da BR-376.
A Avenida Colombo, que integra a rodovia dentro do município, conta com diversos equipamentos de controle.
Além disso, registros de fiscalização apontam equipamentos na região dos km 180,8 e 181,2.
Porém, esses aparelhos não funcionam pelo mesmo princípio do projeto de velocidade média.
Eles medem a velocidade do veículo em um ponto determinado.
Leia: Especial mostra onde estão os radares de Maringá e por que esses locais são fiscalizados
O Maringá PR Notícias também já reuniu os principais pontos de fiscalização eletrônica da cidade.
Veja o mapa completo dos radares de Maringá
Fiscalização eletrônica de Maringá também passa por expansão
Além dos equipamentos atuais, o município iniciou outro processo de ampliação da fiscalização eletrônica.
O planejamento prevê aumentar de 184 para até 220 faixas monitoradas, além de ampliar a participação de cruzamentos fiscalizados.
Porém, essa expansão municipal é diferente do projeto-piloto autorizado pela ANTT.
Enquanto o Município amplia a fiscalização convencional em pontos específicos, o projeto federal pretende avaliar o cálculo da velocidade média durante um percurso.
O que muda para quem dirige em Maringá
Neste momento, as decisões da ANTT não criam fiscalização por velocidade média dentro de Maringá.
Portanto, os motoristas continuam submetidos aos equipamentos e às regras de fiscalização que já operam na cidade e nas rodovias.
Quem viajar pela BR-376 em direção às regiões onde os testes ocorrerão, porém, poderá encontrar os novos equipamentos durante o período experimental.
Ainda assim, a própria ANTT proíbe, nessa fase, multa baseada exclusivamente na velocidade média calculada.
O que poderá acontecer depois dos 180 dias
Os testes fornecerão dados para que a ANTT avalie o desempenho da tecnologia.
Entretanto, a autorização atual não significa que o sistema já tenha aprovação definitiva para gerar multas por velocidade média.
Uma eventual mudança dependerá de novas decisões, das regras legais e regulatórias aplicáveis e dos resultados obtidos durante a experiência.
Por isso, o Maringá PR Notícias acompanhará os relatórios, o encerramento dos testes e possíveis decisões futuras sobre a ampliação do sistema.
Leia também
Especial: saiba onde estão os radares de Maringá e por que esses locais são fiscalizados
Mapa completo dos radares de Maringá: confira os principais pontos de fiscalização eletrônica
Maringá vai ampliar fiscalização eletrônica para 220 faixas; contrato prevê até R$ 26,5 milhões
Fontes
ANTT — Decisão SUROD nº 1.339/2026: projeto-piloto na BR-376
ANTT — Decisão SUROD nº 1.348/2026: projeto-piloto na PR-444 e PR-862
Motiva Paraná / PRVias — referências operacionais e de quilometragem da BR-376
EPR Paraná — referências operacionais da PR-444
Redação — Maringá PR Notícias
Reportagem produzida com base nas decisões oficiais vigentes e nas informações disponíveis até este domingo, 20 de setembro de 2026. As concessionárias e a ANTT poderão atualizar o cronograma e os locais de implantação durante o projeto experimental.
