Comissão da Câmara acompanha vistorias do IAT; levantamento anterior mostrou que cerca de 97% dos protocolos analisados estavam concentrados nas regiões Norte e Noroeste
MARINGÁ — O canal 156 da Prefeitura de Maringá registrou mais de 1,4 mil reclamações relacionadas a mau cheiro nos últimos quatro anos. Agora, a investigação conduzida por uma comissão especial da Câmara entra na fase de elaboração do relatório final, com conclusão prevista até 1º de dezembro.
Nesta terça-feira (6), a Câmara informou que a Comissão Especial de Estudos voltou a se reunir para avançar na consolidação dos trabalhos.
Ao mesmo tempo, o grupo acompanha vistorias do Instituto Água e Terra (IAT) em empreendimentos e tenta identificar as possíveis causas dos episódios de odor.
O tema já vinha sendo acompanhado pelo Maringá PR Notícias. Em julho, a reportagem mostrou que a comissão havia ampliado as cobranças por fiscalização e solicitado resultados aos órgãos ambientais.
Mais de 1,4 mil chamados chegaram ao 156
O número apresentado pela Câmara ajuda a dimensionar o problema: mais de 1.400 reclamações chegaram ao canal 156 em quatro anos.
Entretanto, os protocolos não se distribuem de maneira uniforme pela cidade.
Durante uma reunião com representantes do IAT, em julho, a comissão informou que aproximadamente 97% dos registros analisados tinham origem nas regiões Norte e Noroeste de Maringá.
Por isso, essa concentração geográfica passou a orientar parte das fiscalizações.
Ainda assim, a localização das reclamações não permite apontar, isoladamente, qual empreendimento ou atividade provoca cada episódio de odor.
Para chegar a essa resposta, os órgãos precisam cruzar análises técnicas, inspeções e informações ambientais.
IAT realiza vistorias em empreendimentos
Nesta nova etapa, a comissão acompanha inspeções realizadas pelo Instituto Água e Terra.
Segundo a Câmara, as equipes analisam se os empreendimentos precisam corrigir ou melhorar seus sistemas de controle de emissões e odores.
A partir dessas avaliações, o IAT pode exigir ajustes específicos nos sistemas existentes e, assim, reduzir a emissão de odores.
Além disso, o próprio Instituto explicou à comissão, em julho, que suas fiscalizações avaliam, entre outros pontos, emissões atmosféricas e efluentes líquidos.
Quando os técnicos encontram irregularidades no cumprimento das condições previstas no licenciamento ambiental, o IAT pode emitir notificações e aplicar autuações.
Da mesma forma, o Instituto Água e Terra e o Instituto Ambiental de Maringá (IAM) mantêm um mecanismo de cooperação para realizar fiscalizações conjuntas.
Veja a atualização da Câmara sobre a reunião da comissão com o IAT
Dois frigoríficos apareceram como possíveis fontes
A investigação acumulou outros elementos importantes ao longo dos últimos meses.
Em junho, durante reunião da comissão no Instituto Ambiental de Maringá, representantes do município apresentaram informações sobre o monitoramento feito pelo órgão.
Na ocasião, segundo a Câmara, o secretário José Roberto Francisco Behrend afirmou que uma análise havia identificado dois frigoríficos como possíveis responsáveis por ocorrências de odor registradas no município.
Contudo, esse dado exige cautela.
A indicação de possíveis fontes não comprova, por si só, responsabilidade ambiental.
Justamente por isso, a comissão continuou reunindo documentos, resultados de fiscalizações e avaliações técnicas.
Além do mais, o IAM explicou que temperatura, condições climáticas e direção dos ventos podem alterar a dispersão dos odores.
Consequentemente, esses fatores dificultam a identificação precisa da fonte emissora.
Consulte a íntegra da atualização da Câmara sobre a reunião com o IAM
Reclamações atingiram diversos bairros
Antes da criação formal da comissão, o problema já havia chegado ao Legislativo por meio de pedidos de informação.
Em maio, o Requerimento nº 269/2026 cobrou esclarecimentos da Prefeitura sobre fiscalizações e investigações destinadas a identificar a origem do mau cheiro relatado por moradores.
Entre os locais mencionados aparecem Jardim Olímpico, Conjunto Habitacional João-de-Barro Thaís, Jardim Arezzo, Jardim Ouro Cola, Parque Hortência I e II, Jardim dos Pássaros, Jardim Everest, Jardim Continental e Parque Residencial Andrea.
Além desses bairros, também constam no documento Jardim Campo Belo, Moradias Atenas, Jardim Guairacá, Conjunto Residencial Ney Braga, Parque Laranjeiras, Jardim Paris, Jardim Monte Rei e Jardim do Carmo.
Diante da continuidade das reclamações, vereadores apresentaram o Requerimento nº 288/2026, que formalizou a criação da Comissão Especial de Estudos.
Com isso, o grupo passou a investigar possíveis causas, identificar eventuais responsáveis e discutir soluções administrativas ou legislativas.
Comissão ganhou mais 90 dias
Inicialmente, a comissão teria 90 dias para desenvolver os trabalhos.
No entanto, os integrantes avaliaram, em setembro, que o prazo seria insuficiente para concluir a investigação.
Por esse motivo, a Câmara aprovou o Requerimento nº 506/2026 e prorrogou o funcionamento da comissão por mais 90 dias.
Consulte o Requerimento nº 506/2026 e a votação no SAPL
Com o prazo ampliado, o grupo passou a concentrar esforços na consolidação das informações reunidas ao longo da investigação.
Relatório deverá apontar próximos passos
Agora, o principal ponto de atenção será o conteúdo do relatório final.
De acordo com a Câmara, o documento deverá reunir os registros do 156, os resultados das fiscalizações, as informações encaminhadas pelos órgãos ambientais e as medidas consideradas necessárias para reduzir os episódios de mau cheiro.
Além disso, os trabalhos devem terminar até 1º de dezembro, conforme a previsão divulgada pelo Legislativo.
Confira a atualização mais recente da Câmara sobre o relatório final
Até lá, permanece uma diferença importante entre identificar uma região onde as reclamações se concentram e comprovar tecnicamente qual fonte produz as emissões.
Embora a investigação já tenha delimitado áreas prioritárias e levantado possíveis fontes, a atualização mais recente da Câmara ainda não apresenta uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade por todos os episódios.
Por enquanto, portanto, a apuração segue aberta.
Nesse sentido, o Maringá PR Notícias continuará acompanhando o relatório final e possíveis notificações, autuações ou determinações de adequação decorrentes das fiscalizações.
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Fontes
Reunião da Comissão Especial de Estudos com o IAT — 22 de julho de 2026
Encontro da comissão com o Instituto Ambiental de Maringá — 23 de junho de 2026
SAPL — Requerimento nº 269/2026 e sessão de 21 de maio
Criação da Comissão Especial de Estudos — Requerimento nº 288/2026
Prorrogação dos trabalhos por mais 90 dias — Requerimento nº 506/2026
Redação — Maringá PR Notícias
