Emprego & Economia

UEM inaugura frigorífico de peixes em Floriano com capacidade de 1,5 tonelada por dia

Estrutura em Maringá recebeu R$ 700 mil em equipamentos e poderá atender pequenos piscicultores da região; estação acumula mais de R$ 2,3 milhões em melhorias

MARINGÁ — A Universidade Estadual de Maringá (UEM) inaugurou, na sexta-feira (9), o Frigorífico Experimental da Estação de Piscicultura de Floriano, distrito de Maringá. A nova estrutura tem capacidade para processar até 1,5 tonelada de peixe por dia e amplia as atividades de pesquisa, ensino e produção de pescado desenvolvidas pela instituição.

Além de atender aos projetos universitários, a instalação poderá beneficiar pequenos piscicultores e cooperativas da região. Entretanto, a UEM ainda precisa definir as regras para utilização do frigorífico por produtores externos.

O empreendimento representa uma nova etapa de um projeto científico que começou há três décadas e transformou Floriano em referência no melhoramento genético de tilápias.

Frigorífico da UEM recebeu R$ 700 mil em equipamentos

A universidade investiu R$ 700 mil na aquisição dos equipamentos, comprados em dezembro de 2025.

Segundo a UEM, a implantação contou com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e da própria instituição.

A estrutura dispõe de câmara fria e ambientes destinados ao abate, processamento e embalagem de peixes.

Com isso, o pescado produzido pelos projetos universitários poderá passar por diferentes etapas de beneficiamento, incluindo a preparação de filés, postas e outros produtos.

Além dos equipamentos do frigorífico, a universidade informou que as melhorias realizadas na Estação de Piscicultura de Floriano somam mais de R$ 2,3 milhões em infraestrutura, máquinas e equipamentos.

É importante diferenciar os valores: os R$ 700 mil correspondem à aquisição dos equipamentos do frigorífico, enquanto os R$ 2,3 milhões representam o conjunto mais amplo de melhorias na estação. A UEM não detalhou, no comunicado de inauguração, a composição integral desse montante. Portanto, os valores não devem ser somados como investimentos independentes.

A capacidade de processamento de 1,5 tonelada diária também representa o potencial informado para a instalação, e não uma confirmação de que esse volume já esteja sendo produzido regularmente.

Pequenos piscicultores poderão utilizar a estrutura

Um dos principais objetivos anunciados pela UEM é ampliar os benefícios da estação para além da comunidade acadêmica.

Inicialmente, o frigorífico deverá atender aos peixes provenientes do programa de melhoramento genético da própria universidade.

Posteriormente, a instituição pretende permitir que pequenos piscicultores e cooperativas da região utilizem a estrutura para processar sua produção.

A proposta poderá ajudar principalmente produtores que não possuem instalações próprias regularizadas para o abate e beneficiamento do pescado.

Entretanto, essa utilização dependerá da capacidade operacional do frigorífico e da definição de um modelo de atendimento.

O professor Pedro Luiz de Castro, indicado para assumir a coordenação da estação, explicou à comunicação institucional da UEM que a proposta será estruturada em conjunto com a comunidade.

Segundo ele, o frigorífico já dispõe de certificação no âmbito do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI-POA), condição que deverá permitir a comercialização dos produtos, observadas as exigências sanitárias aplicáveis.

A informação sobre a certificação foi divulgada pela universidade e não representa uma consulta independente do Maringá PR Notícias ao cadastro de inspeção sanitária.

Por enquanto, a UEM não anunciou calendário de cadastramento, valores de utilização ou critérios completos para participação de produtores externos.

Assim, embora a instalação esteja inaugurada, ainda não é possível afirmar quando o serviço estará disponível às cooperativas e aos piscicultores interessados.

Pescado poderá abastecer restaurante e hospital universitário

A nova estrutura também poderá contribuir para o abastecimento de unidades mantidas pela universidade.

Durante a inauguração, Leandro Vanalli, que encerrava sua gestão à frente da UEM, mencionou a possibilidade de destinar produtos ao Restaurante Universitário (RU), ao Hospital Universitário Regional de Maringá (HUM) e ao posto de vendas da Fazenda Experimental de Iguatemi (FEI).

Dessa forma, parte da produção dos projetos acadêmicos poderá ter aproveitamento dentro da própria instituição.

No entanto, a UEM ainda não apresentou, na divulgação da inauguração, um cronograma de fornecimento regular, os volumes previstos ou a distribuição entre as unidades.

Portanto, o abastecimento deve ser tratado como uma perspectiva anunciada, e não como uma operação já consolidada.

Estação de Floriano abriga centro pioneiro de pesquisa genética

A Estação Experimental de Piscicultura de Floriano desenvolve pesquisas desde 1996.

Segundo a UEM, o local abriga o primeiro centro público da América Latina dedicado ao melhoramento genético de tilápias-do-nilo.

Entre os principais projetos está o programa Tilápia Tilamax, desenvolvido pelo grupo de pesquisa PeixeGen, vinculado ao Departamento de Zootecnia.

Os pesquisadores trabalham na seleção de animais com características importantes para a produção, como crescimento e rendimento de filé.

Em 2026, o programa alcançou sua 17ª geração de seleção genética.

Além disso, a universidade mantém uma parceria com o Campus Regional do Noroeste, em Diamante do Norte, para avaliar o desempenho dos peixes.

Parte dos animais produzidos em Floriano segue para engorda em 100 tanques-rede no Rio do Corvo. Posteriormente, os peixes retornam à estação para as etapas de processamento.

A instalação do frigorífico permitirá integrar essas atividades à estrutura de pesquisa já existente.

De acordo com a universidade, aproximadamente 70% da produção brasileira de tilápias utiliza genética Tilamax, considerando linhagens puras ou cruzadas. A UEM também informa que essa tecnologia chegou a cinco países.

Os números demonstram a dimensão atribuída pela instituição ao projeto. Entretanto, o percentual de participação nacional foi divulgado pela própria universidade e não passou por verificação estatística independente nesta reportagem.

Nova instalação amplia formação de estudantes

Além do potencial econômico, o frigorífico deverá fortalecer as atividades de ensino e pesquisa.

Estudantes de Medicina Veterinária, Zootecnia e áreas relacionadas poderão acompanhar procedimentos de abate, processamento e controle de qualidade do pescado.

A estrutura também cria oportunidades para pesquisas sobre rendimento de filés, qualidade da carne e aproveitamento de produtos.

Durante a inauguração, a estudante de Medicina Veterinária Ana Gabriela Santiago destacou a importância de acompanhar as diferentes etapas da produção.

O contato com essas atividades permitirá relacionar os conhecimentos adquiridos em sala de aula às práticas profissionais.

Para o professor Ricardo Pereira Ribeiro, que esteve à frente da estação, a instalação também aproxima o projeto de um modelo de produção integrado.

Contudo, ainda falta implantar uma fábrica de ração para completar a cadeia produtiva planejada pela universidade.

O que falta para o frigorífico beneficiar a economia regional?

Apesar da inauguração, o impacto econômico da unidade dependerá dos próximos passos da UEM.

Entre os pontos que ainda precisam de esclarecimento estão:

  • A data de início do processamento regular e os volumes efetivamente produzidos;
  • As regras para utilização da estrutura por piscicultores e cooperativas;
  • A eventual cobrança pelos serviços de abate e processamento;
  • O número de produtores que poderão receber atendimento;
  • O cronograma de fornecimento de pescado às unidades universitárias.

Essas informações serão importantes para avaliar os efeitos concretos do investimento na atividade produtiva da região.

A inauguração amplia a infraestrutura científica e de processamento de pescado em Maringá. Entretanto, o alcance do projeto para pequenos produtores dependerá da operação regular da unidade e da implementação das parcerias anunciadas.

O Maringá PR Notícias continuará acompanhando os desdobramentos do empreendimento e as condições de acesso para piscicultores da região.


Leia também — Maringá PR Notícias

Fontes

Redação Maringá PR Notícias

Reportagem produzida com base em informações oficiais da UEM, com conferência dos valores anunciados e identificação das etapas de implantação ainda pendentes. As perspectivas de atendimento aos produtores e de abastecimento institucional não foram apresentadas como serviços já em operação.

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