Pesquisa de outubro interrompe quatro meses de queda; órgão anuncia aumento de 3,65%, mas média da tabela indica alta de aproximadamente 4,47%
MARINGÁ — A cesta básica ficou mais cara em 10 dos 11 estabelecimentos pesquisados pelo Procon de Maringá em outubro de 2026. A constatação resulta de um cruzamento realizado pelo Maringá PR Notícias entre os levantamentos de setembro e outubro. Além disso, a análise identificou uma divergência no relatório oficial: o órgão anunciou preço médio de R$ 148,78, enquanto a tabela consolidada apresenta R$ 149,95.
O Procon divulgou os resultados nesta quinta-feira (8), após pesquisar 20 produtos em 11 supermercados varejistas e atacadistas. O levantamento ocorreu entre os dias 6 e 8 de outubro.
Segundo o comunicado municipal, a cesta básica apresentou aumento de 3,65% em relação a setembro, quando a média era de R$ 143,54.
Entretanto, a diferença entre os números do próprio relatório exige esclarecimento. Afinal, o percentual de aumento muda conforme o valor considerado.
Consulte a pesquisa completa do Procon de outubro de 2026.
Procon apresenta duas médias diferentes para outubro
A primeira divergência aparece na página inicial da planilha oficial.
No campo identificado como preço médio da cesta básica, o documento informa R$ 149,95. Esse resultado corresponde à média aritmética dos 11 totais apresentados na tabela.
Por outro lado, o histórico mensal e a conclusão escrita do mesmo relatório registram R$ 148,78.
O órgão utilizou esse segundo valor para anunciar aumento de 3,65% em relação a setembro.
Confira a comparação:
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Média oficial de setembro | R$ 143,54 |
| Média de outubro anunciada pelo Procon | R$ 148,78 |
| Média dos 11 totais da planilha de outubro | R$ 149,95 |
| Aumento anunciado | 3,65% |
| Aumento calculado pela média da tabela | 4,47% |
ANÁLISE MARINGÁ PR NOTÍCIAS — A diferença entre as duas médias de outubro é de R$ 1,17. Caso prevaleça o valor de R$ 149,95, o aumento em relação à média oficial de setembro será de R$ 6,41, equivalente a aproximadamente 4,47%.
Portanto, a divergência não altera apenas o preço médio informado. Ela também interfere na interpretação da variação mensal.
Apesar disso, o documento consultado não explica por que apresenta resultados diferentes. Dessa forma, ainda não é possível determinar qual valor o Procon considera definitivo nem identificar a origem da inconsistência.
Cesta básica fica mais cara em 10 dos 11 supermercados
Além da divergência, o cruzamento das planilhas de setembro e outubro revelou outro dado importante para o consumidor.
Dos 11 estabelecimentos pesquisados, dez apresentaram aumento no total dos 20 produtos considerados pelo Procon.
Apenas o Condor registrou redução. Nesse supermercado, o total passou de R$ 146,34 em setembro para R$ 141,37 em outubro, uma queda de R$ 4,97.
Em contrapartida, o Assaí Atacadista apresentou uma elevação expressiva. A cesta passou de R$ 121,15 para R$ 146,31, diferença de R$ 25,16.
Já no Max Atacadista, o total subiu de R$ 123,04 para R$ 133,43. Assim, o aumento chegou a R$ 10,39.
Veja exemplos da comparação:
| Estabelecimento | Setembro | Outubro |
|---|---|---|
| Assaí Atacadista | R$ 121,15 | R$ 146,31 |
| Max Atacadista | R$ 123,04 | R$ 133,43 |
| Condor | R$ 146,34 | R$ 141,37 |
| Amigão | R$ 152,34 | R$ 164,90 |
Fonte: pesquisas oficiais do Procon de setembro e outubro de 2026. A tabela apresenta quatro dos 11 estabelecimentos pesquisados.
É importante observar que os valores correspondem ao conjunto de produtos encontrados em cada período. Como a metodologia não exige marcas idênticas, a comparação não significa que todos os produtos tenham aumentado individualmente.
Ainda assim, o resultado mostra que a elevação do total da cesta alcançou praticamente todos os estabelecimentos pesquisados.
Menor cesta passa de R$ 121,15 para R$ 133,43
A mudança também aparece na comparação entre os menores e maiores totais registrados na cidade.
Em setembro, o Assaí apresentou a cesta mais barata, por R$ 121,15. Já em outubro, o menor valor passou a ser o do Max Atacadista, com R$ 133,43.
Dessa maneira, o menor total encontrado entre os supermercados pesquisados aumentou R$ 12,28, aproximadamente 10,1%.
Enquanto isso, a cesta de maior valor passou de R$ 157,92, registrada no Bom Dia em setembro, para R$ 164,90, encontrada no Amigão em outubro.
Consequentemente, a diferença entre a cesta mais barata e a mais cara diminuiu de R$ 36,77 para R$ 31,47.
No entanto, essa redução na distância entre os extremos não representa necessariamente uma melhora para o consumidor. Afinal, tanto o menor quanto o maior total encontrados ficaram mais altos.
Além disso, os estabelecimentos responsáveis pelos extremos mudaram entre as pesquisas. Por isso, os números devem ser interpretados como uma comparação dos valores encontrados na cidade, não como a evolução de preços de um único supermercado.
Arroz, creme dental e sabão em barra apresentam aumento
Os preços médios de determinados produtos ajudam a explicar parte da pressão sobre o custo da cesta.
O arroz de cinco quilos, por exemplo, passou de R$ 16,52 para R$ 18,55. Com isso, o aumento chegou a aproximadamente 12,3%.
Enquanto isso, o creme dental de 90 gramas subiu de R$ 4,12 para R$ 5,05, avanço de cerca de 22,6%.
O sabão em barra, em pacote com cinco unidades, também ficou mais caro. Seu preço médio passou de R$ 11,28 para R$ 12,91, alta aproximada de 14,5%.
Em contrapartida, alguns itens apresentaram redução. O café em pó de 500 gramas, por exemplo, recuou de R$ 20,09 para R$ 19,39.
Portanto, o aumento do total da cesta não significa que todos os produtos tenham seguido a mesma direção.
Ainda assim, a elevação de itens de consumo frequente exige atenção das famílias que precisam controlar as despesas mensais.
Sal apresenta diferença superior a 180% entre estabelecimentos
Além das mudanças mensais, o levantamento de outubro mostra variações expressivas entre supermercados.
O sal de um quilo apresentou a maior diferença proporcional da pesquisa. O menor preço foi de R$ 1,78, enquanto o maior chegou a R$ 4,99.
Assim, a variação entre os estabelecimentos atingiu 180,34%.
Outros produtos também apresentaram diferenças elevadas:
- Sabonete de 85 a 90 gramas: 171,20%;
- Papel higiênico com quatro unidades: 169,42%;
- Macarrão espaguete de 500 gramas: 131,82%;
- Fubá de um quilo: 131,27%.
Esses percentuais comparam os preços entre estabelecimentos no levantamento de outubro. Portanto, não representam aumentos em relação a setembro.
Mesmo assim, as diferenças reforçam a importância de pesquisar antes de comprar. Afinal, um mesmo tipo de produto pode apresentar valores bastante distintos entre supermercados.
Outubro interrompe quatro meses consecutivos de queda
A alta ocorre após uma sequência de quatro meses de redução no preço médio da cesta básica pesquisada pelo Procon.
Em maio, o indicador havia alcançado R$ 149,40. Depois disso, apresentou quedas sucessivas até chegar a R$ 143,54 em setembro.
Naquele mês, o Maringá PR Notícias mostrou que, apesar da redução da média, a diferença entre os supermercados havia aumentado 52,57% em relação a agosto.
Relembre a investigação sobre os preços da cesta básica de setembro.
Agora, o levantamento de outubro mostra uma reversão na trajetória de preços.
Entretanto, ainda será necessário acompanhar as próximas pesquisas para determinar se a alta representa uma tendência duradoura ou apenas uma oscilação mensal.
Como funciona a pesquisa do Procon
O levantamento utiliza 20 produtos de alimentação, mercearia, higiene e limpeza. Para isso, o órgão estabelece especificações de tipo, quantidade e peso.
Em cada supermercado, os pesquisadores identificam o produto de menor preço que atende aos critérios, independentemente da marca.
Já nos atacadistas, o Procon considera os valores disponíveis para compras na modalidade varejo. Além disso, descontos condicionados à participação em clubes de vantagens ficam fora da comparação.
Dessa forma, a pesquisa permite acompanhar diferenças de preços, mas não garante que os valores permaneçam disponíveis em outras datas.
Também é importante observar que o levantamento não corresponde necessariamente à cesta básica alimentar calculada por outros institutos. Isso ocorre porque a pesquisa municipal utiliza uma seleção própria de produtos, incluindo itens de higiene e limpeza.
Por isso, antes de fazer as compras, o consumidor deve considerar os preços atualizados, a disponibilidade dos itens e o custo de deslocamento.
Transparência: o que foi confirmado e o que falta esclarecer
O Maringá PR Notícias analisou as planilhas oficiais de setembro e outubro de 2026. A Redação comparou os valores dos 11 estabelecimentos, as médias divulgadas e os preços de produtos específicos.
Com isso, o cruzamento identificou aumento no total dos produtos em dez estabelecimentos e redução em um.
Além disso, a análise encontrou uma divergência entre os R$ 148,78 divulgados pelo Procon e os R$ 149,95 apresentados na tabela consolidada.
O percentual alternativo de 4,47% representa um cálculo da Redação. Para chegar a esse resultado, a reportagem comparou a média dos 11 totais de outubro com a média oficial informada para setembro.
Entretanto, o material público consultado não apresentava esclarecimento sobre a diferença entre os dois valores de outubro.
Por esse motivo, a reportagem não atribui a inconsistência a erro de cálculo, preenchimento ou qualquer outra causa específica.
Da mesma maneira, diferenças de preços entre estabelecimentos não representam, por si só, indícios de irregularidade comercial.
A reportagem permanece aberta a esclarecimentos do Procon. Caso o órgão apresente uma explicação ou retifique os valores, o Maringá PR Notícias poderá atualizar as informações.
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Fontes
- Prefeitura de Maringá — comunicado oficial da pesquisa de outubro
- Procon Maringá — planilha oficial de outubro de 2026 (PDF)
- Procon Maringá — planilha oficial de setembro de 2026 (PDF)
- Maringá PR Notícias — cruzamento de dados, cálculos e análise comparativa dos documentos oficiais.
Redação — Maringá PR Notícias
Atualização editorial: 8 de outubro de 2026. Os percentuais calculados pela Redação foram arredondados para duas casas decimais.
