Mobilização em favor de paciente internado na UTI aumentou a procura pelo banco de sangue regional. Neste sábado (17), o serviço de transfusão pré-hospitalar do SAMU Aéreo completa quatro anos.
MARINGÁ — O Hemocentro da Universidade Estadual de Maringá (UEM) recebeu 240 candidatos à doação de sangue entre terça-feira (13) e o meio-dia de quinta-feira (15 de outubro de 2026). O movimento ocorreu após uma mobilização em favor de um paciente internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Universitário de Maringá (HUM).
O balanço oficial, divulgado pela UEM na quinta-feira (15), revela aumento expressivo na procura pelo serviço, que atende Maringá e outros municípios da 15ª Regional de Saúde do Paraná.
Entretanto, há uma distinção importante: 240 candidatos atendidos não significam 240 bolsas de sangue coletadas.
O comunicado não informa quantas pessoas passaram pela triagem e efetivamente doaram. Além disso, não apresenta um balanço atualizado dos estoques após a mobilização.
Por outro lado, o aumento da procura ocorre em uma semana simbólica para o atendimento de urgências na região. Neste sábado, 17 de outubro, o serviço de transfusão pré-hospitalar do SAMU Aéreo completa quatro anos de implantação.
A parceria permite que equipes médicas iniciem transfusões em determinadas emergências antes mesmo da chegada do paciente ao hospital.
Hemocentro da UEM: quantas pessoas procuraram a unidade?
Segundo o diretor do Hemocentro Regional de Maringá, Gerson Zanusso Júnior, a unidade atendeu os seguintes números de candidatos:
- Terça-feira, 13 de outubro: 55 pessoas.
- Quarta-feira, 14 de outubro: 130 pessoas.
- Quinta-feira, 15 de outubro: 55 pessoas até o meio-dia.
O total parcial chegou a 240 candidatos em três dias.
A quarta-feira concentrou o maior movimento. Nesse dia, 130 pessoas procuraram o Hemocentro, enquanto a média habitual informada pelo diretor gira em torno de 50 doações diárias para a manutenção dos estoques.
Embora os números indiquem crescimento relevante na procura, eles representam indicadores diferentes.
O primeiro mede candidatos atendidos. Já a média habitual se refere a doações. Portanto, não é correto afirmar que todas as 130 pessoas atendidas na quarta-feira concluíram o procedimento.
A contagem de quinta-feira também é parcial. Como o balanço foi encerrado ao meio-dia, o número não representa necessariamente todo o movimento daquele dia.
Por que 240 candidatos não representam 240 bolsas de sangue?
Antes de doar, cada pessoa precisa passar por diferentes procedimentos.
O processo inclui cadastro, entrevista clínica, avaliação hematológica e verificação dos critérios de segurança.
Somente depois dessas etapas os profissionais podem liberar a coleta.
Alguns candidatos podem ser considerados temporária ou definitivamente inaptos, conforme sua condição de saúde e as normas aplicáveis.
Além disso, o sangue coletado passa por testes e processamento antes de ser disponibilizado para transfusão.
Por isso, o número de pessoas que comparecem ao Hemocentro não equivale automaticamente ao total de bolsas aproveitadas.
A UEM ainda não divulgou quantas coletas efetivas ocorreram entre 13 e 15 de outubro.
Também não informou o número de bolsas liberadas para utilização hospitalar.
O Maringá PR Notícias solicitou esses dados à direção do Hemocentro para complementar a investigação.
O que motivou a corrente de solidariedade?
De acordo com o Hospital Universitário, o aumento na procura ocorreu após uma mobilização regional em apoio a um paciente internado na UTI.
O caso ganhou repercussão e incentivou moradores de Maringá e região a procurar o banco de sangue.
Segundo Gerson Zanusso Júnior, aproximadamente 80% das doações recebidas durante aquela semana foram identificadas, durante a triagem, como relacionadas à mobilização.
Entretanto, esse percentual não significa necessariamente 80% dos 240 candidatos registrados no balanço.
O dado se refere à identificação da motivação das doações recebidas, conforme a explicação do diretor.
Também é importante considerar que o Hemocentro atende outras necessidades de saúde simultaneamente.
Assim, a unidade precisa manter sangue disponível para pacientes crônicos, cirurgias, emergências e tratamentos hospitalares.
Por respeito à privacidade, esta reportagem não acrescenta informações clínicas identificáveis sobre o paciente associado à mobilização.
O aumento nas doações foi suficiente para recompor os estoques?
Essa é uma das principais perguntas que ainda precisam de resposta.
A UEM confirmou o aumento da procura, mas não divulgou o volume de sangue disponível antes e depois da campanha.
Também não apresentou dados separados por tipo sanguíneo, número de componentes processados ou previsão de cobertura dos estoques.
Dessa forma, não é possível afirmar que todos os estoques foram recompostos ou que a necessidade de doadores foi encerrada.
O sangue coletado pode ser separado em diferentes componentes, entre eles concentrado de hemácias, plaquetas e plasma.
Cada componente possui indicações clínicas, condições de armazenamento e prazos de validade específicos.
Portanto, a quantidade de candidatos recebidos representa apenas uma etapa da avaliação da capacidade de atendimento.
Para medir o resultado concreto da mobilização, será necessário verificar quantas bolsas foram coletadas, processadas e disponibilizadas.
A redação solicitou esses indicadores ao Hemocentro Regional de Maringá.
Hemocentro de Maringá atende 30 municípios da região
O Hemocentro Regional de Maringá integra a rede pública de hemoterapia do Paraná, o Hemepar.
A unidade atende os 30 municípios da 15ª Regional de Saúde e também atua como referência para a Macrorregião Noroeste em diferentes atividades técnicas.
Entre suas atribuições estão a coleta, o processamento e a distribuição de hemocomponentes, além da realização de exames e capacitações.
Consequentemente, o funcionamento do Hemocentro possui importância que ultrapassa os limites de Maringá.
Hospitais de outras cidades também dependem da organização regional dos estoques e da distribuição de sangue.
Por isso, o reforço das doações pode beneficiar o sistema público regional de saúde, conforme a disponibilidade e a destinação técnica dos componentes.
Entretanto, ainda não há balanço específico indicando quantas bolsas da mobilização desta semana foram destinadas a hospitais de outros municípios.
SAMU Aéreo completa quatro anos de transfusão pré-hospitalar
No sábado, 17 de outubro de 2026, completam-se quatro anos da implantação de um serviço importante para o atendimento de pacientes em estado grave na região de Maringá.
Em 17 de outubro de 2022, o SAMU Aéreo passou a transportar concentrados de hemácias para permitir transfusões em situações específicas de emergência.
A iniciativa surgiu da parceria entre o Hemocentro Regional de Maringá, o Hospital Universitário e o SAMU Regional Norte Novo.
Antes desse tipo de atendimento, pacientes com hemorragias graves dependiam de chegar a uma unidade hospitalar para receber determinados componentes sanguíneos.
Com a implantação do projeto, equipes aeromédicas passaram a contar com a possibilidade de iniciar o suporte transfusional ainda no atendimento pré-hospitalar.
Essa capacidade pode ser especialmente relevante em acidentes graves, quando o tempo até a assistência hospitalar faz diferença.
Contudo, a transfusão não ocorre em todos os resgates.
A decisão depende da avaliação clínica da equipe médica, dos protocolos específicos e das condições de cada paciente.
Como funciona a transfusão de sangue no helicóptero?
No lançamento do serviço, em 2022, o SAMU informou que o helicóptero passaria a transportar bolsas de sangue O negativo, armazenadas sob condições controladas.
Esse tipo sanguíneo é utilizado em situações específicas de urgência por suas características de compatibilidade para transfusão de hemácias.
O acondicionamento exige controle rigoroso de temperatura e cumprimento dos protocolos de segurança.
Um estudo técnico publicado em 2024 descreveu a utilização de caixas térmicas validadas para transportar os concentrados de hemácias durante o atendimento aeromédico.
Além disso, a equipe realiza procedimentos de identificação e coleta de amostras do paciente, enquanto o Hemocentro participa das verificações e da continuidade do suporte transfusional após a chegada ao hospital.
Dessa forma, a assistência prestada durante o resgate fica integrada ao tratamento hospitalar.
Quantas transfusões pré-hospitalares já foram realizadas?
Um trabalho técnico publicado em 2024 analisou a experiência do programa de Maringá.
Na amostra histórica apresentada pelos pesquisadores, foram registradas:
- 36 transfusões pré-hospitalares.
- 61 unidades de concentrado de hemácias utilizadas.
- 24 pacientes sobreviventes no grupo estudado.
A pesquisa também identificou predominância de ocorrências relacionadas a acidentes de trânsito.
Entretanto, esses números pertencem ao período analisado no estudo, publicado em 2024.
Eles não representam o total acumulado até outubro de 2026.
Por isso, seria incorreto apresentar as 36 transfusões como o balanço dos quatro anos de funcionamento.
Também não se pode atribuir todas as sobrevivências exclusivamente à transfusão, pois o estudo observacional não permite estabelecer essa relação causal de maneira isolada.
O Maringá PR Notícias solicitou ao serviço um levantamento atualizado das transfusões realizadas, pacientes atendidos e resultados acumulados desde 2022.
Como doar sangue em Maringá neste sábado, 17 de outubro?
O Hemocentro Regional de Maringá funciona ao lado do Hospital Universitário.
Endereço de referência: Avenida Mandacaru, 1600, Jardim Laranjeiras, Maringá.
Os horários habituais divulgados pelo Hemepar e pelo Hospital Universitário são:
- Segunda a sexta-feira: das 7h às 18h.
- Sábado: das 7h às 12h15.
Telefone para informações: (44) 3011-9400.
A unidade atende por ordem de chegada, mas também disponibiliza agendamento pela internet para quem deseja reservar um horário.
Consulte o serviço oficial de agendamento do Hemepar.
Os horários estão sujeitos a alterações.
Além disso, o Hemepar informa que unidades de coleta podem encerrar o atendimento antecipadamente quando a quantidade de interessados ultrapassa a capacidade técnica.
Por isso, diante do movimento desta semana, é aconselhável confirmar o funcionamento antes de se deslocar.
Atenção ao endereço e aos horários
Uma página de cadastro da Secretaria da Saúde apresenta informações diferentes das divulgadas nas páginas atualizadas do Hemepar e do Hospital Universitário.
Para orientar o leitor, esta reportagem utiliza o endereço da Avenida Mandacaru, 1600, e o atendimento de sábado até as 12h15, conforme as referências institucionais consultadas.
O telefone (44) 3011-9400 é o canal indicado para confirmar os detalhes.
Quem pode doar sangue?
Segundo as orientações do Hemepar, podem se candidatar à doação pessoas que estejam em boas condições de saúde e atendam aos critérios de idade, peso e avaliação clínica.
Entre os requisitos gerais estão:
- Ter, em regra, entre 16 e 69 anos.
- Pesar pelo menos 50 quilos, ressalvadas situações avaliadas pela equipe médica.
- Estar em boas condições de saúde.
- Apresentar documento oficial de identificação com fotografia.
- Estar descansado, alimentado e hidratado.
Para menores de 18 anos, existem requisitos de autorização e acompanhamento por responsável legal.
A primeira doação normalmente deve ocorrer antes dos 61 anos, conforme as regras do serviço.
Além disso, o candidato deve evitar alimentos gordurosos nas quatro horas anteriores.
O Hemepar recomenda hidratação e informa que o atendimento completo costuma durar aproximadamente uma hora.
Entretanto, o tempo pode variar conforme a procura.
A avaliação definitiva da aptidão cabe aos profissionais do Hemocentro, que consideram medicamentos, histórico de saúde e outras condições relevantes.
É necessário agendar a doação?
Não obrigatoriamente.
Segundo as orientações divulgadas para Maringá, a unidade recebe candidatos por ordem de chegada.
Porém, o agendamento eletrônico também está disponível para reservar horários.
O interessado pode utilizar o serviço oficial de agendamento do Hemepar.
É importante lembrar que realizar o agendamento não dispensa a triagem clínica.
O candidato somente poderá doar caso atenda aos critérios estabelecidos no momento da avaliação.
Por que a doação regular é importante?
A corrente de solidariedade registrada em Maringá demonstra a capacidade de mobilização da população diante de uma necessidade urgente.
Contudo, os hospitais precisam de sangue durante todo o ano.
Pacientes com doenças crônicas, pessoas submetidas a cirurgias e vítimas de acidentes podem necessitar de transfusões em diferentes períodos.
Além disso, os hemocomponentes possuem prazos de validade e não podem ser armazenados indefinidamente.
Portanto, manter um fluxo regular de doadores ajuda a rede pública a planejar a disponibilidade de sangue e a responder a emergências.
A direção do Hemocentro também destacou a importância de transformar a mobilização desta semana em um incentivo à doação frequente.
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- Doação de sangue em Maringá cai 25% no Hemocentro da UEM.
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- Novas regras para doação de sangue: saiba o que mudou.
Fontes oficiais e documentos consultados
- UEM/HUM — Hemocentro recebe três vezes mais doadores em campanha para paciente, 15/10/2026.
- Secretaria da Saúde do Paraná — Doação de Sangue/Hemepar.
- Hospital Universitário de Maringá — Hemocentro.
- Hemepar — Serviço oficial de agendamento e condições para doar.
- Trabalho técnico de 2024 — Transfusão pré-hospitalar no SAMU Aéreo.
- CBN Maringá — Implantação da transfusão no SAMU Aéreo em 17/10/2022.
Redação Maringá PR Notícias
Apuração: 16 de outubro de 2026.
Nota de transparência: os dados de 240 atendimentos correspondem a candidatos à doação registrados até o meio-dia de quinta-feira (15). A UEM não divulgou o número de coletas efetivas, a situação consolidada dos estoques nem o total atualizado de transfusões do SAMU Aéreo desde 2022. A redação solicitou esses dados ao Hemocentro e atualizará a reportagem quando houver informações verificáveis. A privacidade do paciente relacionado à mobilização foi preservada.
